Estabelecer políticas educacionais oficiais de estímulo à masturbação não é uma boa ideia

Isto, além de violar o direito à intimidade, a liberdade sexual e religiosa, ainda desconsidera o pudor, a castidade que advém de um genuíno sentimento de respeito próprio ou de delicadeza pessoal de quem vê a sexualidade como um dom a ser compartilhado responsavelmente com um cônjuge, no interior de uma relação afetiva estável e consequente, e não esvaída em brincadeiras egoístas e autocomplacentes

Paulo Vasconcelos Jacobina |  03 de Dezembro |  ZENIT.org |  Análise |  Brasília |  40
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Hoje pela manhã, enquanto eu estava trabalhando, recebi um telefonema de um amigo, professor de ensino médio aqui no Distrito Federal, que queria me falar sobre uma certa proposta de inserir informações sobre a masturbação nas agendas estudantis a serem distribuídas aos estudantes da rede pública para o ano de 2016. Diante do meu espanto, ele me passou o arquivo em PDF por e-mail. O arquivo que ele me enviou estava devidamente redigido e formatado, com todos os logotipos governamentais, pronta para, eventualmente, ser encaminhada à produção e distribuição.

Relutei muito em transcrever o material que ele me transmitiu, mas, diante do fato de que a ideia ali contida é a de que algo assim seja um dia distribuído aos nossos pré-adolescentes e adolescentes, é importante que nós saibamos exatamente de que se trata. Peço a compreensão do leitor.

Eis o texto que ele me enviou, sobre masturbação feminina:

“Masturbação feminina. Sabe aquelas horas que você tira para se conhecer? É natural e permite um maior conhecimento do corpo. Feita com cuidado não machuca. É importante explorar a região da vagina e toda a área pubiana de forma tranquila e relaxada, descobrindo o que lhe dá mais prazer. Ah! Mãos e unhas limpas são fundamentais. Sujeirinhas indesejáveis podem causar infecções mais indesejáveis ainda. Sabe o que é isto? Masturbação feminina.”

O texto sobre masturbação masculina enviado por ele é assim:

“Eu comigo mesmo. Sabe aquelas horas que você tira para se conhecer? É natural e permite um maior conhecimento do corpo. Não cria cabelos nem calos nas mãos. O que pode acontecer em masturbações frequentes ou intensas é irritação na pele do pênis (ele literalmente fica um pouco esfoliado) e diminuição na quantidade de esperma ejaculado. O esperma, contudo, é constantemente renovado pelo organismo. Por isso o homem não corre o risco de ficar estéril (incapaz de ter filhos) ou com o esperma “ralo”. Sabe o que é isto? Masturbação masculina”.

Perguntei ao meu amigo professor qual objetivo educacional se quer atingir, ao pleitear que se publique, com dinheiro público, e se distribua, por meios oficiais, a pré-adolescentes e adolescentes um material assim. Qual seria exatamente o objetivo pedagógico? Combater, em plena escola, o pudor e a castidade que alguns jovens têm de discutir publicamente suas práticas íntimas? Expor estes jovens ao bullying por terem estes sentimentos de pudor ou princípios religiosos? Arrancar deles estes sentimentos, que algum educador ou profissional da saúde considere inadequados para a contemporaneidade? Ou talvez parta de visão, sem qualquer fundamento científico, de que valorizar a prática de sexo solitário reduziria as doenças sexualmente transmissíveis. O que seria contraditório: estimular alguém a despertar precocemente para o sexo não parece ser exatamente uma medida inteligente para reduzir a respectiva atividade sexual.

Fiz estas ponderações a ele. Há, neste texto, além de toda a inconveniência de lidar com valores morais que não estão entregues ao governo, mas aos jovens e às suas famílias, certamente uma falácia lógica, a de que, se as consequências clínicas e físicas da masturbação não são graves nem permanentes, então nenhuma outra objeção de ordem moral, educacional ou mesmo religiosa à prática seria válida. Mas isto é tão evidentemente falso que se faz desnecessário reafirmá-lo.

Imagino que tipo de mensagem um texto assim passaria, por sob suas palavras, quando dirigido diretamente aos jovens em material oficial do governo. Cito algumas: seria uma mensagem impícita às famílias de que elas não têm o direito de transmitir seus próprios princípios aos seus filhos, ou seja, que eventualmente as restrições morais ou religiosas ao vício da masturbação que as famílias tiverem são consideradas presumidamente inválidas pelo governo. Aliás, haveria também a mensagem implícita de que o julgamento moral da conduta sexual cabe à autoridade pública de educação ou de saúde. E é claro que, sendo esta autoridade tão libertária em matéria de promoção de prazeres sexuais, não é difícil imaginar quão facilmente isto seria introjetado pelos jovens.

Outra consequência implícita é passar a mensagem de que é lícito ao governante estabelecer os critérios morais sexuais, impondo-os coativamente à população, com uso de dinheiro público, à exclusão de quaisquer outros que as famílias, líderes religiosos ou sociais, conselheiros e orientadores possam ter. Ademais, o Estado estimularia os jovens a “gastar horas” para “se conhecer” (ou seja, a expressão eufemística para masturbar-se) como atividade pedagogicamente pelo menos tão importante quanto estudar matemática ou física, a ponto de merecer conselhos de encorajamento da autoridade educacional. Como consequência, argumento, será que a rede pública de educação estaria legitimada a, por exemplo, promover sessões escolares de “autoconhecimento sexual” em que os jovens tirem, na prática e reciprocamente, suas dúvidas sobre como sentir mais prazer sexual masturbatório, assistidos por algum professor ou agente de saúde?

Se esta proposta fosse acolhida e divulgada, seria, além disso, muito desrespeitosa com todas as famílias que têm valores divergentes em matéria de pudor sexual, independentemente dos princípios religiosos que possam ou não professar. Seria desrespeitoso também com o direito das famílias de educar moralmente seus filhos de forma livre. Seria desrespeitoso, no limite, com os artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente que criminalizam a promoção e divulgação pública de práticas sexuais com ou para crianças e adolescentes. Seria implicitamente ofensivo à liberdade religiosa, de opinião e de intimidade dos próprios jovens. E tudo isto, segundo está proposto, partiria do Poder público, com dinheiro público, na rede pública de educação. Dinheiro que advém do trabalho honesto de uma população cujos valores morais majoritários são, arrisco dizer, majoritariamente diferentes daqueles que fundamentam uma proposta assim.

Portanto, eu disse a ele que não consigo atinar com a razão para pleitear a aprovação de tal proposta. Não pode ser a simples pretensão de ensinar a prática da masturbação aos jovens. Isto, ressalte-se, já seria ruim o suficiente. Mas reconheçamos que seria desnecessário: todas as gerações que nos antecederam foram capazes de chegar até estas práticas sozinhas, e de modo bem eficaz, sem ajuda oficial da rede de ensino e do dinheiro público. Na verdade, o que se transmitiria aqui seria a ideia de que a “repressão” sexual parental não somente é ilegítimo, como tem falsos fundamentos, minando a confiança das crianças e jovens na capacidade das famílias de orientá-las bem. A ideia de que qualquer autoridade parental deve ser objeto de desconfiança juvenil reforça o poder cada vez maior do Estado sobre crianças e jovens, como única instância de discernimento moral (ou, no caso, imoral), que, além disso, se opõe às demais e as deslegitima. Haveria, no limite, a mensagem de que simplesmente é inaceitável, para o Estado, que algum jovem tenha algum tipo de sentimento de pudor ou castidade para com o próprio corpo. É como se todo pudor, toda castidade, viesse apenas de preconceitos e tabus que devem ser quebradospor atuação estatal positiva.

Mas isto é absurdamente falso. É evidente que existe um pudor, uma castidade que advém de um genuíno sentimento de respeito próprio ou de delicadeza pessoal de quem vê a sexualidade como um dom precioso demais, a ser compartilhado responsavelmente com um cônjuge, no interior de uma relação afetiva estável e consequente, e não esvaída em brincadeiras egoístas e autocomplacentes. Isto parece ter sido esquecido na contemporaneidade, que cultiva o pensamento de que o mal do mundo não está nos comportamentosdesordenados, mas na culpa que eles provocam, culpa que alguns estudiosos e filósofos imputam à cultura judaico-cristã. Para destruir o mal, pensam eles, não se deve ensinar os jovens a ordenar seus comportamentos, de modo a torná-los dignos de orgulho e louvor e não de culpa; eles propõem simplesmente eliminar a cultura judaico-cristã, de modo que todos possam fazer o que bem entenderem sem que sintam culpa. Estão errados. Os problemas de consciência que são causados pelas práticas desordenadas não se resolvem pela eliminação da própria consciência, mas da ordenação da conduta. O mal não está na culpa, mas na conduta que a gera. Eliminar a culpa sem examinar a conduta em si não faz a humanidade mais feliz. Apenas a faz mais psicopática.

Por fim, eu ponderei com meu amigo, há algum motivo para que todas as culturas, em todos os tempos, terem considerado a masturbação como uma prática menor, imatura,egoística e fechada, a ser superada em prol do desenvolvimento de relações afetivas saudáveis, envolvimento amoroso e responsável com o outro, o que representa a maturidade sexual humana. É por isto, por representar uma incompletude individualista, uma fixação narcisista que não aperfeiçoa ninguém, que a masturbação, mesmo quando foi (em raríssimas situações e culturas) em algum grau tolerada, nunca foi promovida por nenhuma cultura, povo, religião ou nação como comportamento a ser fomentado e estimulado publicamente, como política de Estado para crianças e adolescentes, como este texto propõe. É por tudo isto, por embutir desrespeito à intimidade, à liberdade sexual e religiosa, ao direito das famílias de estabelecer seus próprios standarts morais sem intervenções indevidas do Estado, que uma proposta assim não deve ser aprovada. E não porque provoque “calos” ou “pelos”, “infertilidade” ou “infecções”. Não se trata de moralismo, mas de ter critérios para educar. Educar significa conduzir, e conduzir significa levar para fora de si, para aabertura saudável ao outro, não para o fechamento narcisista e autocomplacente da masturbação. Tal fechamento, conduz, isto sim, do melhor para o pior, do mais perfeito para oimperfeito. Significa, também, estabelecer coordenação e parceria entre os atores sociais, e não a presunção de ilegitimidade e desconfiança recíproca entre eles. Isto tudo é ocontrário exato de educar.

O que é a Teologia do Corpo?

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“Deus modelou o homem com as próprias mãos (…) e imprimiu na carne modelada sua própria forma, de modo que até o que fosse visível tivesse a forma divina”. CIC § 704

“Teologia do Corpo” é o título que papa João Paulo II deu ao primeiro grande projeto de ensino de seu pontificado. Em 129 pequenas palestras, pronunciadas entre setembro de 1979 e novembro de 1984, ofereceu à Igreja e ao mundo uma valiosa reflexão bíblica sobre o sentido da corporeidade humana, em especial sobre a sexualidade e o desejo erótico.

O teólogo católico George Weigel descreve esta teologia do corpo como “uma das mais ousadas reconfigurações da teologia católica dos últimos tempos” (…), “algo como uma bomba-relógio teológica, programada para detonar com dramáticas consequências (…) talvez no século 21″. Esta visão nova do amor sexual “apenas começou a tocar a teologia da Igreja, a pregação e a educação religiosa”. Quando, porém, ela se impuser plenamente – prenuncia Weigel- “produzirá um dramático desenvolvimento no modo de pensar, virtualmente, sobre todos os temas importantes do Credo” (WH pp. 336, 343, 853).

DEUS, SEXO E SENTIDO DA VIDA

Por que a reflexão do Papa sobre o amor sexual iria afetar “todos os ternas importantes do Credo?” Porque sexo não é apenas sexo. A maneira corno entendemos e expressamos nossa sexualidade revela as nossas convicções mais profundas sobre quem somos, quem é Deus, o significado do amor, da organização da sociedade e até do universo. Por isso a teologia do corpo de João Paulo II representa muito mais que urna reflexão sobre o sexo e o amor conjugal. Através da objetiva do matrimônio e da união “numa só carne” dos cônjuges – diz o Papa -, descobrimos “o sentido de toda existência, o sentido da vida” (29/10/1980)1.

E o sentido da vida, segundo Cristo, é amar como ele ama (cf. Jo 15,12). Uma das intuições mais importantes do Papa é o de ter Deus gravado esta vocação de amar como ele ama em nossos corpos, ao nos criar homem e mulher e chamando-nos a ser “uma só carne” (d. Gn 2, 24). Muito mais que uma simples nota de rodapé da vida cristã, a maneira como entendemos o corpo e o relacionamento sexual “abarca toda a Bíblia” (13.01.1982). Ela nos imerge na “perspectiva de todo o Evangelho, de todo o ensinamento, de toda a missão de Cristo” (03.12.1980).

A missão de Cristo é restaurar a ordem do amor num mundo seriamente corrompido pelo pecado. E, corno sempre, a união dos sexos encontra-se na base da humana “ordem do amor”. Portanto, o que aprendemos na teologia do corpo apresentada pelo Papa é muito “importante para o matrimônio e a vocação cristã dos esposos e das esposas”. Não obstante, “é igualmente essencial e valioso para a compreensão do homem em geral: para a compreensão fundamental de si mesmo e da sua existência no mundo” (15.12.1982).

Não admira que tenhamos tanto interesse pelo sexo. A união do homem com a mulher é um “grande mistério” que nos leva – se não nos desviarmos do caminho em nossa jornada exploratória – ao âmago do plano de Deus em relação ao universo (cf. Ef 5, 31-32).

O CRISTIANISMO NÃO REJEITA O CORPO

Na área da religião, as pessoas estão habituadas com a ênfase no campo espiritual. Daqui porque muitos sentem-se até desconfortáveis diante do relevo que às vezes se dá ao corpo. Mas, para João Paulo II, esta é uma separação artificial. O espírito, claro, tem prioridade sobre a matéria. No entanto, o Catecismo da Igreja Católica ensina que” sendo o homem um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais através de sinais e de símbolos materiais” (n. 1146).

Como criaturas corporais que somos, esta é, em certo sentido, a única via pela qual nos é dado experimentar o mundo espiritual: no mundo físico e através dele, em nosso corpo e através dele. Deus, ao assumir um corpo na Encarnação, é justamente aqui que, com toda a humildade, se encontra conosco, isto é, em nosso estado físico e humano.

Tragicamente, muitos cristãos crescem pensando que seus corpos (especialmente sua sexualidade) são obstáculos inerentes à vida espiritual. Acham que a doutrina cristã considera a alma como “boa”, e o corpo como” ruim”. Ora, esta maneira de pensar está longe da autêntica perspectiva cristã! A ideia de o corpo ser mau é uma heresia (um erro aberrante, explicitamente condenado pela Igreja) conhecida com o nome de Maniqueísmo.

A denominação vem de Mani ou Maniqueu, criador de uma seita baseada num dualismo, em que corpo e alma estão engajados numa luta sem tréguas entre si. Segundo eles, o corpo e tudo o que fosse ligado à sexualidade devia ser condenado como fonte de mal. Nós, entretanto, como cristãos, cremos que tudo quanto Deus criou é “muito bom”, conforme nos garante a Bíblia (d. Gn 1,31). João Paulo II resumiu assim a distinção essencial: se a mentalidade maniqueísta considera o corpo e a sexualidade um “antivalor”, o cristianismo ensina que eles “constituem um ‘valor que nunca chegaremos a apreciar suficientemente’” (22.10.1980).

Noutras palavras, se o Maniqueísmo afirma que “o corpo é mau”, o Cristianismo responde que, ao contrário, ele “é tão bom que somos incapazes de avaliar toda a sua bondade”.

Então, o problema da nossa cultura saturada de sexo não é propriamente a supervalorização do corpo e do sexo. O problema está em termos falhado na compreensão de quanto o corpo e o sexo são realmente valiosos. O cristianismo não rejeita o corpo! Numa espécie de “ode à carne”, o Catecismo proclama: ”’A carne é o eixo da salvação’. Cremos em Deus que é o criador da carne. Cremos na Palavra feita carne para redimir a carne. Cremos na ressurreição da carne, na consumação da criação e na redenção da carne” (CIC 1015, ênfase do autor).

A SACRAMENTALIDADE DO CORPO

A fé católica – se o leitor ainda não se deu conta – é uma religião bem carnal, sensual. Encontramos Deus mais intimamente através de nossos sentidos corporais e de “tudo” o que constitui o mundo material: banhando o corpo com água, no batismo; ungindo-o com óleo no batismo, na crisma, nas ordens sagradas, na unção dos enfermos; comendo o corpo de Cristo e bebendo seu sangue na Eucaristia; impondo as mãos nas ordens sagradas e na unção dos enfermos; declarando os pecados com nossa boca na confissão, e unindo indissoluvelmente o homem com a mulher em “uma só carne”, no matrimônio.

De que melhor maneira podemos descrever o “grande mistério” dos sacramentos senão dizendo que eles são os meios materiais, através dos quais alcançamos os tesouros espirituais de Deus? Nos sacramentos, o espírito e a matéria como que “se beijam”. O céu e a terra se abraçam numa união sem fim.

O próprio corpo humano, em certo sentido, é um “sacramento”. Usamos aqui a palavra num sentido mais amplo e mais antigo que aquele que estamos habituados a ouvir. Mais do que referir-se aos sete sinais da graça instituídos por Cristo, João Paulo II, ao falar no corpo como um “sacramento”, quer dizer que ele é um sinal que torna visível o mistério invisível de Deus. Nós não podemos ver Deus, que é puro espírito. No entanto, o cristianismo é a religião do Deus que se manifesta. Deus quer revelar-se a nós. Ele quer tornar visível a todos o seu ministério espiritual invisível, de forma a podermos “vê-lo”. Como faz isto?

Quem de nós não experimentou ainda um profundo sentimento de pasmo, de admiração, ao contemplar uma noite estrelada, ou um magnífico pôr-do-sol, ou a delicadeza de uma flor? Em tais momentos estamos, de certo modo, “contemplando a Deus”. Ou, mais exatamente, vendo seu reflexo. Sim, porque “a beleza da criação reflete a beleza infinita do Criador” (CIC n. 341). E, contudo, quem é a coroa da criação? Quem, com mais eloquência que as outras criaturas de Deus, “fala” na beleza divina? A resposta é: o homem e a mulher e o seu chamado a uma comunhão fecunda. “Deus criou o ser humano à sua imagem. À imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou. Deus os abençoou e disse: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos’” (…) (Gn 1,27-28).

1 As citações tiradas da “Teologia do Corpo” de João Paulo II são indicadas pela data em que foi proferida a palestra.

West, Christopher. Teologia do Corpo para principiantes, Uma introdução básica à Revolução Sexual por João Paulo II.Trad. Cláudio A. Cassola. Ed.Myrian: Porto Alegre,2008.

Um corpo para amar

corpo amor

Por que a sexualidade humana está se tornando um problema? Especialistas falam sobre os riscos da desinformação e sobre o que pode nos realizar como pessoas, no campo da afetividade.

O corpo é amor que se encarna e se exprime, uma espécie de sacramento primordial – dizia o beato João Paulo II – que revela a vocação da criatura humana à reciprocidade, ao recíproco dom de si. Mas, atualmente, a sexualidade, essa misteriosa dimensão do ser na qual se exercita esse dom, está se tornando um problema.

Passados mais de 30 anos da chamada “liberação sexual”, os “radares” sociológicos são unânimes: a sexualidade está deixando de ser impulso em direção ao outro para se transformar em território secreto do individualismo. A incapacidade de se relacionar gera conflitos de todos os tipos que corroem a base dos casamentos.

Apresentamos aqui uma síntese da reflexão feita em conjunto com alguns especialistas, iniciada com essa pergunta: Que explicação pode ser dada para esse problema?

Rino Ventriglia (neuropsiquiatra): “As dificuldades sexuais são quase sempre dificuldades de comunicação. Tratei alguns casos de casamentos não consumados por causa de aparentes dificuldades físicas. Na realidade, essas dificuldades são derivadas de distorções de comunicação entre os dois, ou de pontos obscuros que não foram esclarecidos. É por isso que não podemos nos deter apenas na esfera sexual. Quase sempre se consegue resolver os problemas enfrentando essas dificuldades de comunicação. Além disso, é muito importante o diálogo do corpo, que tem mil maneiras de exprimir o amor”.

Carlos Conversa (andrologista): “Existe uma estreita interdependência entre o amor e o corpo. Às vezes sou procurado por casais que não conseguem ter filhos. Fazemos os exames e não encontramos nenhum problema físico. Estimulando o diálogo entre os dois, entendemos que, no fundo, o marido não ama a mulher ou, por exemplo, a rejeita por um complexo de Édipo não resolvido. Praticamente, é o sub-consciente deles que não quer o filho. O egoísmo narcisista bloqueia até mesmo o caminho dos espermatozóides. Na minha opinião, a preparação para o casamento que existe hoje em dia é insuficiente. Achar que tudo vai dar certo e não sentir a necessidade de aprofundar o valor da sexualidade pode conduzir a uma experiência conjugal difícil, que transmitirá sérios problemas às novas gerações”.

Graça Ventura (pediatra): “Há dois dias atendi um menino de 8 anos com tendências homossexuais. Em uma conversa que tive com a mão da criança, revelaram-se tensões muito graves entre ela e o marido. Em pediatria, comprovamos diariamente os efeitos que essas tensões produzem nos filhos. O verdadeiro problema é a divisão entre o físico e o espiritual, entre o sexo e o amor. Muitos chegam ao casamento com uma absoluta incapacidade de dialogar, muitas vezes porque o namoro se reduziu à descoberta prematura da genitalidade. Conseqüentemente, os dois se encontram depois sem nenhuma experiência de comunicação recíproca. É a sexualidade traída, reduzida a repetições mecânicas de gestos sem conteúdo”.

Por que não conseguimos oferecer aos jovens um humanismo integral, no qual o homem se desenvolve harmonicamente em todas as suas potencialidades? Caminhamos de excesso em excesso: antes, uma embriaguez de ideais massificados; agora, a idolatria da sexualidade individualista… o que é que nos torna tão fragmentários nas propostas?

Rita Della Valle (ginecologista): “A primeira fragmentação que existe é entre o homem e a mulher. Acho que a libertação da mulher deu-se pela metade, no sentido que ela se liberou de certos esquemas, mas ainda não encontrou pontos de referência seguros. O conflito do homem se revela em pequenos indícios. Por exemplo: o pai que está mais próximo do recém-nascido que a mãe; a mãe que não aguenta a dor do parto natural, suportada pelas mulheres durante milênios. Basta analisar as estatísticas de cesarianas. Tanto o homem como a mulher devem ainda encontrar a própria identidade e o equilíbrio nos seus papéis, que estão mudando”.

Graça Ventura: “Existe um forte condicionamento no tecido social, que não oferece as opções responsáveis. Há vinte anos, quando eu iniciava o meu trabalho no hospital e fazia às pacientes uma pergunta obrigatória: “Já teve abortos?”, todas me respondiam “não”, mesmo se tivessem tido. Agora, a grande maioria declara tranquilamente “sim”. Só porque existe uma lei permitindo o aborto em certos casos, caíram por terra todos os filtros críticos, tudo fica justificado, não se tem mais nenhuma dúvida ética. São os condicionamentos de uma sociedade confusa e fragmentada. Para quem ama, tudo é certo. Numa mentalidade desse tipo, que se difunde rapidamente, é difícil intervir. Somente uma sociedade de tendência oposta, que vive valores “contracorrente”, será capaz de influenciar positivamente em alguma coisa”.

Antonio Mancini (andrologista): “Além do conflito entre as funções próprias do homem e da mulher, penso que existe um problema mais geral: o conflito dentro da própria pessoa, que gera também essa conflitualidade entre os vários níveis da sexualidade. Falamos até agora de sexualidade relacional, mas não é esse o conceito mais difundido. Fala-se, em geral, de uma sexualidade hedonista, que busca a satisfação do próprio instinto ou que se serve do outro, mas não vai ao encontro do outro. Penso que o ponto principal seja justamente este: procurar entender de que modo vários níveis da sexualidade podem se integrar, não apenas o físico ou o fisiológico, mas também o psicológico, o da autoconsciência, o espiritual. A verdadeira fenomenologia sexual integrada não é conflitual”.

Raimundo Scotto (clínico): “A linguagem do marketing é em grande parte responsável pelo imaginário de massa. Para uma certa cultura comercial, o corpo é uma espécie de reservatório de desejos que devem ser satisfeitos. Isso desencadeia uma série de patologias que levam à desintegração da pessoa, considerada não na sua unidade mas do ponto de vista dos seus desejos. A supervalorização do sexo feita pela publicidade tem efeitos desastrosos, porque os casais são levados inadvertidamente a comparar a própria vida sexual com aquela da propaganda e da novela, que vendem a ideia do prazer fácil, proporcionado pelo fato de se usar um certo desodorante ou uma determinada técnica. Esconde-se assim a verdade, ou seja, que a gratificação é fruto da comunhão das pessoas. Na realidade, cada casal deve descobrir sozinho o seu modo de se relacionar. Só se poderá fazer aos jovens uma proposta de humanismo integral apresentando-lhes uma vida vivida na dimensão dO amor”.

Elena Giacchi (ginecologista): “Penso que na raiz dessa problemática encontra-se um “ambiente cultural” que prega a afirmação do indivíduo: tudo o que vem do ambiente externo e do relacionamento com as pessoas é apresentado como algo que deve contribuir para a minha realização pessoal. Até mesmo a vida conjugal é condicionada pela expectativa de gratificação por parte de cada um. Ora, é lógico que a gratificação é sempre inferior a expectativa e, assim, inconscientemente, cada um se coloca na posição de usar o outro, de instrumentalizar o companheiro, tolhendo-lhe a liberdade de exprimir o melhor de si.

Não é tão simples entender que a verdadeira gratificação não depende de uma satisfação fisiológica que, no final, terminará em si mesma, mas é fruto de uma experiência de doação feita num contexto de amor recíproco. Quando se consegue entender essa diferença, se aprende o verdadeiro significado do corpo, que é expressão de amor, de gratuidade”.

Fonte: Revista Cidade Nova nº 11 – Ano XXXVIII/ Nedo Pozzi

Juventude e Dignidade do Corpo

Há alguns dias, fui realizar uma formação para um grupo de jovens, que aconteceu em uma escola pública, aqui na cidade de Natal.

Durante o retiro fui ao banheiro e enquanto esperava na fila, me chamou atenção um cartaz que falava sobre o cuidados higiênicos após uso do banheiro. Até aí achei muito interessante, mas no mesmo cartaz, tinha uma figura de um jovem, aparentemente nú, segurando uma camisinha na mão.

Continuei a leitura e, para minha surpresa, falava de camisinha para uma vida sexual de muito prazer, apimentada. Fiquei imaginando o que tem haver higiene pessoal e camisinha?

2013-09-01 09.47.57

Esta é a formação, sutil, disfarçada, que estão fazendo para os nossos jovens. Não estão interessados de saber se irão se ferir, se irão sentir-se usados, coisificados, não se preocupam com a pessoa, apenas transem a vontade, sintam prazer, com tanto que usem camisinha.

Lemos diariamente propagandas incentivando a promiscuidade dos nossos jovens, que infelizmente são pessoas que não estão preocupados com a dignidade da pessoa, do jovem em questão, mas unicamente desejam cumprir metas de vendas, contratos realizados entre partes.

Os nossos jovens não querem ser objetos de prazer nas mãos uns dos outros, eles querem ser felizes e buscam este caminho. Por isso precisamos apresentar aos jovens que, felicidade e liberdade não está em fazer sexo, usar drogas e embriagar-se, mas eles precisam primeiro descobrir que são preciosos, são um prodígio de Deus, um dom, e seu corpo é um Templo, um recorte do céu o qual Deus habita. Que o sexo que tem como objetivo só o prazer, cai em um profundo vazio, sem sentido, sem futuro.

2013-09-01 09.48.08

A sexualidade nos foi dada por Deus, é uma graça, mas deve ser vivida no momento de doação, de partilha de vida, de entrega, por isso só encontra seu valor e sentido pleno, vivenciado entre os cônjuges.

Por isso é necessário, é urgente, irmos ao encontro dos jovens, promovendo uma cultura da Vida, da Dignidade.

E vocês jovens, nós acreditamos na força e coragem de vocês, de dizerem Não a este tipo de formação, de propaganda, que não tem outro objetivo a não ser trazer lucro as fábricas de camisinhas, que muitas vezes custeiam campanhas politicas.

Nós acreditamos em vocês jovens, os santos de calça jeans, que gostam de dançar, sorrir, comer pizza, mas também serem felizes e livres, testemunhando que seus corpos não são objetos de uso, de prazer.

Que possamos ser protagonistas de uma nova cultura da Dignidade,da Vida,com o nosso testemunho.

 

Janet Alves