A Santidade acontece em nossa vida, na caminhada

santidade é a meta de todo cristão, mas é necessário de nossa parte, disposição, e a graça da parte de Deus.

Se nos consideramos cristãos, somos chamados a viver como Jesus, aderir uma proposta que nos foi sugerida: “Vem segue-me”(Mt 9,9).

Este caminho deve ser percorrido, devemos nos colocar a caminho, em uma vida espiritual, ou seja, de intimidade com Deus.

Esta intimidade se dá pela vida de oração, mas não só de parar para conversar com Deus, mas que nosso dia a dia, nas pequenas coisas ( do acordar, trabalhar e dormir), seja uma oração continua de louvar à Deus.

Lendo outro dia um texto sobre o crescimento espiritual, o autor nos sugeria, como lembretes:

– Primeiro: lembre-se de que o crescimento neste hábitos é como um programa de exercícios físicos, uma academia, uma dieta, ou seja, é um trabalho de processo gradual. Não tente fazer tudo desde o começo; trabalhe um a um, e vá acrescentando mais hábitos ao longo do tempo.

– Segundo: Procure viver estes hábitos como um firme propósito, mas contanto sempre com a ajuda do Espírito Santo e dos seus intercessores especiais, para fazer dos hábitos de santidade uma prioridade na sua vida.

– Terceiro: Viver os hábitos não é uma perda de tempo. Muito pelo contrário: com eles, você ganha tempo. Nenhuma pessoa que os vive diariamente vai ser menos produtiva em seu trabalho, nem vai comprometer sua vida familiar ou social. Deus sempre recompensa aqueles que o colocam em primeiro lugar.( Aleteia).

   Precisamos ter hábitos, rotinas para nossa vida espiritual, como foi colocado acima. As vezes temos o maior cuidado em nossa saúde física, com alimentação adequada, com atividade física, sempre em vista de uma meta. A pergunta é: e como estamos “alimentando e exercitando” nossa alma? Quais as nossas metas, em relação a nossa vida eterna?

Tenho certeza que o seu desejo é o céu, a sua meta é o céu, tendo como caminho a configuração com Jesus. Mas para isto precisaremos nos programar, nos preparar para ele o caminho , os “exercícios espirituais” já estão todos prontos para colocarmos em prática.

A Primeira coisa que devemos fazer é: Pedir a Deus a graça do Seu Espírito Santo, para nos levar a sua intimidade, a acreditarmos e acolhermos o Amor do Pai por cada um de nós.

A nossa vida deve ser uma oração em louvor à Deus. Desta forma, tudo que fizermos deverá para levar o Amor Misericordioso a todos os homens.

Colocaremos abaixo um roteiro, lógico que sugestões, que nos ajudarão nesta caminhada.

1-Ao acordar, pela manhã:

Lançar um olhar para o céu, e agradecer por mais um dia, pelo belo céu, e pedir que o Espírito Santo venha sobre você, que te inunde com seu amor.

Em seguida entregue todo o seu dia, todo o seu ser a Ele, para que te conduza, segunda a vontade de Deus, e se realize o sonho de Deus, em tua vida.

2-Escolha um horário, separe, consagre à Deus para estudo da Palavra e Oração Pessoal

Este deve ser o momento mais esperado do seu dia, pois você encontrará com o Amado de sua Alma. É um diálogo com Aquele que te olha com amor.

Pode iniciar com 15 minutos, mas depois vá deixando que o Espírito Santo te conduza, até chegar em 01 hora.

Geralmente sugerimos a Liturgia da Igreja, que teremos uma Leitura e o Evangelho. Escolha uma delas, lei atentamente, primeiro para entender o que diz a Palavra,depois você vai colocando a mesma em relação a sua vida, o que esta configurado a Ela e o que não esta.

Neste momento, você já vai conversando com Jesus, e colocando suas dúvidas, dificuldades para seguí-Lo, segundo a leitura daquele dia.

Também vai colocando tudo que você trás em seu coração, mas não esqueça que é um diálogo, entre duas pessoas, sendo preciso ouvir á Deus.

No final, louvar á Deus por tudo, pois tudo é d’Ele.

 

3-Meditação do Terço Mariano

Durante o seu dia, separe um momento para meditar os mistérios da vida de Jesus, pelo e com o olhar da Virgem Maria, que acreditou nos planos de Deus para sua vida e os acolheu , com a certeza que Ele sabia o que era melhor para ela.

4-Adorar Jesus, em espírito e em verdade

Dentro do possível, passe em um sacrário, e adore Jesus. Se poder ficar mais tempo, pode até fazer suas orações lá.

Quando adoramos Jesus na Santa Eucaristia, nos unimos com a Igreja celeste, em uma união escatológica.

Que possamos crer, adorar, esperar e amar Jesus, por todos os que não creem , não adoram , não esperam e nos O amam( oração do Anjo de Portugal).

Não esquecendo que devemos adorar Jesus em espírito , diante do sacrário, em verdade, com a nossa vida, até nos pequenos gestos.

5-Terço da Misericórdia

Em nosso dia a dia, que possamos rezar o terço da misericórdia, as 15:00hs, como Jesus pediu a Santa Faustina, pedindo com salvação de todos os pecadores. É uma oração de súplica à Misericórdia de Deus, no momento que Jesus deu a vida por nós.

6-Participar da Santa Missa e Comungar

É o momento mais importante do nosso dia, pois encontramos Jesus, em corpo e sangue, alma e divindade. Ele adentrar em nossos corações e ali faz morada.

Cada um que se esforce para participar diariamente da Missa, pois não existe graça maior.

7-Completas

A Igreja nos proporciona a oração das horas, que tem como finalidade santificar nosso dia, com a Palavra.

Entre elas esta as Completas. É realizada antes de dormirmos, onde realizamos um exame de consciência, e depois oramos com salmos, com a Palavra, terminando com oração a Nossa Senhora.

 

Que o Senhor Jesus, em sua infinita misericórdia, nos conduza a santidade. Amém.

 

Janet Melo de Saboia Alves

Membro Comunidade Católica Reviver pela Misericórdia

Quaresma

Quaresma é tempo de graça e bênçãos em nossa vida. Tempo de Oração, Jejum e Penitência.

Oração é o único caminho seguro que pode nos levar a intimidade com Deus. A oração é aquele momento de conversa, onde Deus abre o Seu Coração para acolher as nossas preces e ao mesmo tempo nos lançamos sem medo nos braços do Pai. A oração nada mais é do que o encontro de dois corações apaixonados, que se acolhem e se doam mutuamente. É o nada que somos nós diante do Tudo que é Deus. É o momento que como João, inclinamos nossa cabeça e encostamo-nos ao peito de Jesus e escutamos as batidas do Seu Coração, e desejamos que o nosso coração bata no mesmo ritmo que o seu: amor incondicional ao Pai e amor por todos os homens. É a oração que nos faz descobrir a nossa vocação de cristão, acolhê-la e vivê-la. É neste encontro diário de amor que vou aderindo a vontade de Deus para minha vida. É na oração que encontro as forças para o jejum e a penitência.

O jejum e a penitência devem ser frutos da minha vida de oração, pois é nela que vou descobrir tudo o que me afasta da vontade de Deus, e tomando consciência e ao mesmo tempo o desejo de mudar, vou fazer jejuns e penitências, para me libertar de todas as escravidões que me impedem de trilhar o caminho que Deus reservou para mim: a santidade.

Devemos neste inicio de Quaresma realizar uma reflexão sobre nossa vida, especialmente aqueles que foram chamados a uma vida consagrada, seja religioso(a) ou leigo, e pedir ao Espírito Santo que nos revele o que devemos jejum e nos penitenciar. Quais as áreas ou situações em minha vida que estão me afastando da vontade de Deus, e com coragem, renunciar a todas elas, não esquecendo que devemos pedir a graça de Deus, pois nossa luta é espiritual, contra as vontades da carne que se opõe a vontade do espírito.

Que Nossa Senhora, Mãe da Divina Misericórdia, interceda por todos nós, e nos ensine a caminharmos na humildade e obediência, acreditando e acolhendo os planos de Deus para nós.

 

Janet Alves


Co-fundadora e Formadora Geral da Comunidade Católica Reviver pela Misericórdia 

Vida de Oração (Parte 2)

1. Oração Pessoal

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“A oração é um trato de amizade, estando, muitas vezes, a sós, com Quem sabemos que nos ama”.

Como a própria palavra nos diz, é uma oração da pessoa, sozinha, com Deus. É o momento do encontro com o nosso Amigo, nosso Amado, como costumo chamá-lo. Encontro primeiramente de amor, onde eu deixo-me seduzir pela sua voz, e com o coração inflamado de desejo de esta com Jesus, vou ao seu encontro.

É importante fazermos uma programação de horário do nosso dia para este grande encontro, onde teremos, em nossa agenda, aquela hora destinada ao encontro com Deus. Momento de dialogo, ou seja, conversa entre duas pessoas. Onde me coloco diante de Deus e coloco tudo que trago em meu coração, e ouço a sua opinião, os seus conselhos, as suas exortações.

Momento de graça, pois se fomos feitos a imagem e semelhança de Deus, é n’Ele que irei encontrar o meu verdadeiro eu, a minha identidade e dignidade. Ao mesmo tempo, irei perceber que existe muitas coisas em minha vida que não condiz com minha filiação de filho(a) de Deus. E ali já peço que Deus retire todas as “máscaras”, “roupas velhas”, “adereços” que fui colocando ou colocaram em mim, que desfigura a minha verdadeira imagem. Por isso que deveremos ter antes de tudo, quando vamos a oração pessoal, uma disposição de deixar Deus fazer o que Ele desejar, do contrário, iremos até nos encontrar com Deus, mas em nossa liberdade, optamos em continuarmos a pessoa velha.

A oração é uma resposta de amor que se fundamenta, na fé, no amor e na confiança. E a iniciativa é sempre do Amigo. A oração é um ato humano, todas as pessoas rezam, sejam em louvor, com pedidos, ação de graças, mas a qualidade da oração depende da fé e da consciência que temos do nosso interlocutor, Deus.

Mas a oração, como diálogo, nós falamos, mas devemos escutar o que Deus tem para nos falar, pois Ele deseja falar conosco, quer nos dizer o quanto nos ama e como nos ama, quer manifestar a sua vontade e o que devemos fazer.

“Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e Amor no meio da provação e da alegria; enfim, é algo de grande, de sobrenatural, que me dilata a alma e me une a Jesus” (Santa Teresinha)

Santa Teresa D’Ávila nos fala que a oração é a entrada no castelo interior, que irá nos conduzir ao átrio do mesmo, e lá encontramos com Jesus.

Adentrar no castelo interior, passar pelas suas várias moradas, encontrar-se com o Rei, não é, não ter mais pecados, mais é caminho de conversão, de desejar fazer a vontade de Deus, diariamente, e configurar-se a Cristo. A cada encontro o próprio Deus irá realizar a sua obra salvífica em nós. Somos chamados a acreditar e acolher a vontade de Deus, na humildade e obediência como Maria Santíssima.

Já Santa Teresinha de Lisieux nos diz que a oração é como tirar água de um posso, e temos, no decorrer da nossa vida de oração, degraus a percorrer. Ela fala de quatro degraus da vida de oração:

1º grau: “Os que começam a ter oração, podemos dizer que são os que tiram água do poço, o que dá muito trabalho, e que se hão-de cansar em recolher os sentidos…”

No início da nossa caminhada na vida de oração fazemos um esforço muito grande, utilizando a nossa inteligência e sentidos.

2º grauFalemos agora do segundo modo de tirar água… “para que, com o engenho de um torno e alcatruzes, o jardineiro tire mais água e com menos esforço, e assim possa descansar mais sem estar sempre a trabalhar.”

E o grau onde iremos para oração, mas o esforço não é mais tão humano, já conseguimos uma quietude diante de Deus. Diferente do primeiro grau, que ainda tenho necessidade de demonstrar muitas coisas ao Senhor.

3º grauVamos falar agora da terceira água com que se rega esta horta, que é água corrente do rio ou de uma fonte, com a qual se rega mais com menos trabalho, ainda que dê algum com o encaminhar da água. Quer o Senhor aqui ajudar o hortelão, de forma que Ele se torna o hortelão e o que faz tudo…”

Podemos comparar a uma plantação que utilizaremos motor para retirar a água do poço e levá-la com canos de irrigação. Nós ainda utilizamos nossa inteligência no encontro com Jesus, mas não fazemos quase nenhum esforço humano.Lembrando sempre que a terra a ser irrigada é o nosso coração.

4º grau“Pode-se regar com o muito chover, que o rega é Senhor sem nenhum trabalho nosso, e é sem comparação muito melhor do que tudo o que fica dito… Falando desta água que vem do céu, para com a sua abundância encher e fartar toda esta horta de água, e se nunca deixar de dar tudo ao Senhor… nunca lhe faltarão flores e frutos…”

Percebemos que todas as graças de nossa vida de oração vem de Deus, e quanto mais nos lançamos em confiança em seus braços e deixamos que Ele guie a nossa oração e vida, mais frutos de amor e misericórdia contemplaremos em nossa vida. É a maturidade na vida de oração. É ser crianças nos braços de Deus. A alma apenas deixar-se amar pelo Amado. Deixa que Ele adentre o mais profundo do seu ser, como um mergulhador nas profundezas do oceano que vai revelando os tesouros ali escondidos. É deixar que entre nos túmulos presentes em nosso ser, e nos pegue pelo punho, e nos ressuscite com Ele.

Na vida de oração devemos nos deixar modelar nas mãos de Deus, como um barro nas mãos do oleiro.

Janet Alves
Formadora Geral da Comunidade Católica Reviver pela Misericórdia

Vida de Oração (Parte 1)

“Por isso, eu mesmo a seduzirei, conduzirei ao deserto e lhe falarei ao coração” (Os 2,16).

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A vida de oração é este caminho, no qual o próprio Senhor irá nos seduzir, nos levando aos seus átrios e nos falando ao coração. É um encontro de amor, entre nossa alma e o Esposo.

O homem é um ser orante, ou seja, ele tem necessidade de relacionar-se com seu Criador. Basta lermos as histórias das civilizações e as escavações. Em todas elas iremos encontrar traços de religiosidade.

Acreditamos que, ao criar o homem, Deus colocou nele um desejo, uma saudade, que só poderá ser saciada ao encontrar-se com Ele. Pois é em Deus que o homem encontra o verdadeiro sentido de sua vida.

Santo Agostinho nos diz:

“Criaste-nos para ti e o nosso coração não encontra descanso enquanto não repousar em ti”.

O coração do homem só descansará em Deus.

O nosso caminho e a nossa vida inteira consiste na busca de Deus, reencontrar-nos com Ele, redescobrir o nosso “cordão umbilical”, que nos mantém sempre unidos ao Senhor. A oração é exatamente este “cordão” que nos une ao Criador, pelo qual somos alimentados pelo seu Amor Misericordioso.

Mas é necessário que saibamos que a oração é um dom de Deus, que devemos pedi-lo com insistência. Sem esta graça especial podemos fazer orações, ter devoções, multiplicar palavras, como fazem os pagãos, mas não teremos uma verdadeira oração, um diálogo de amor filial com Deus, nosso Pai. Porque a oração é um diálogo com uma Pessoa: Deus. Um diálogo que nos leva ao encontro com Deus e conosco. É o lançar um olhar para o céu e ouvir a voz do Amado, e deixar-se amar, plasmar, formar, podar por Ele, para que seja sempre um encontro fecundo, que nos leve a santidade. Apesar da oração ser um dom de Deus, é também fruto do esforço humano. Como Oséias nos falou em sua palavra, Deus mesmo irá nos seduzir e nos levar ao seu encontro, mas é necessário um desejo nosso de aderirmos ao seu chamado.

“A oração pode ser uma empresa fracassada de antemão, para quem não a encare com vontade decidida de colocar sua vida interior à tona, reconstruindo-a pelos alicerces” (Frei Patrício Sciadini).

Santa Tereza d’Ávila nos diz que “A oração é a arte de Amar”. É “Olhar para quem te olha com amor”, como nos dizem os nossos escritos¹.

Precisamos nos deixar amar por Jesus, e o único que pode realizar esta obra no coração do homem é o Espírito Santo. É Ele quem nos leva a nos relacionarmos com o Pai e nos configurarmos com o Filho. Por isso devemos pedir diariamente o seu auxílio, a sua graça.

Iremos encontrar, basicamente, os seguintes tipos de oração:

  1. Oração Pessoal;
  2. Estudo da Palavra (Leccio Divina);
  3. Oração Comunitária: Missa, Grupo de oração, etc.

Cada uma delas deverá ser vivenciada por nós, pois se complementam, e nos levam a Deus.

Que Nossa Senhora, Mãe da Divina Misericórdia, nos acompanhe e ensine a termos uma vida de oração e fé, aderindo a vontade de Deus, na humildade e obediência.

 

Janet Alves
Formadora Geral da Comunidade Católica Reviver pela Misericórdia

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1 Escritos da Comunidade Católica Reviver pela Misericórdia