Frei Raniero: fenômeno pentecostal e carismático tem vocação e responsabilidade particulares

“Todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua” foi o tema da Pregação do Frei Raniero Cantalamessa na Vigília ecumênica de Pentecostes realizada no Circo Máximo, em Roma, na presença do Papa Francisco. Eis a íntegra:

Dos Atos dos Apóstolos, capítulo Dois:

“Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheios de espanto e de admiração, diziam: ‘Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!’ Todos estavam pasmos e perplexos, e diziam uns aos outros: ‘Que significa isso?’ ” (At 2, 5-13).

Esta cena se renova hoje entre nós. Também nós viemos “de todas as nações do mundo”, e estamos aqui para proclamar juntos “as maravilhas de Deus”.

Porém, há um mensagem a se descobrir nesta parte da narrativa de Pentecostes. Desde a antiguidade, entendeu-se que o autor dos Atos – ou seja, em primeiro lugar, o Espírito Santo! – com esta insistência no fenômeno das línguas, quis fazer-nos entender que, em Pentecostes, aconteceu algo que inverte o que tinha acontecido em Babel. O Espírito transforma o caos linguístico de Babel na nova harmonia das vozes. Graças a ele, escrevia Santo Irineu no século III, “todas as línguas se uniram no mesmo louvor de Deus”[1]. Isso explica porque a narrativa de Babel, em Gênesis 11, é tradicionalmente inserida entre as leituras bíblicas da vigília de Pentecostes.

Os construtores de Babel não eram, como se pensava há algum tempo, ímpios que pretendiam desafiar Deus, algo equivalente aos titãs da mitologia grega. Não, eram homens piedosos e religiosos. A torre que queriam construir era um templo à divindade, um daqueles templos feitos em terraços sobrepostos, chamados zigurates, dos quais ainda restam ruínas na Mesopotâmia.

Então, onde estava seu pecado? Escutemos o que dizem entre si ao porem mãos à obra: “E disseram: ‘Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja o céu. Assim, ficaremos famosos, e não seremos dispersos por toda a face da terra’ ” (Gn 11,4). Martinho Lutero faz uma observação esclarecedora a propósito destas palavras:

“ ‘Construamo-nos uma cidade e uma torre’: construamos para nós – não para Deus (…). ‘Façamos um nome’: façamo-lo para nós. Não se preocupam para que o nome de Deus seja glorificado, eles estão preocupados em engrandecer o próprio nome”[2].

Em outras palavras, Deus é instrumentalizado; deve servir à sua vontade de potência. Pensavam, talvez, segundo a mentalidade do tempo, que oferecendo sacrifícios a partir de uma maior altitude, poderiam arrancar da divindade vitórias sobre os povos vizinhos. Eis porque Deus é forçado a confundir suas línguas e mandar pelos ares o projeto deles.

Isso faz, de um só golpe, a experiência de Babel e de seus construtores muito próxima a nós. O quanto das divisões entre os cristãos foi devido ao desejo secreto de fazer-nos um nome, de nos elevarmos acima dos outros, de tratar com Deus a partir de uma posição de superioridade em relação aos demais! O quanto foi devido ao desejo de fazer para si um nome, ou de fazê-lo em nome da própria Igreja, mais do que a Deus! Eis aqui a nossa Babel!

Passemos, agora, a Pentecostes. Também aqui vemos um grupo de homens, os apóstolos, que se põem a construir uma torre que vai da terra ao céu, a Igreja. Em Babel, ainda se falava uma única língua e, em um dado momento, ninguém compreende mais o outro; aqui, todos falam línguas diversas, e todos entendem os apóstolos. Por quê? É que o Espírito Santo operou neles uma revolução copernicana.

Antes deste momento, também os apóstolos estavam preocupados em se fazer um nome e, por isso, discutiam frequentemente “quem fosse o maior entre eles”. Agora, o Espírito Santo lhes descentralizou de si mesmos e reorientou-os em Cristo. O coração de pedra foi despedaçado e, em seu lugar, bate “um coração de carne” (Ez 36,26). Foram “batizados no Espírito Santo”, como tinha prometido Jesus antes de deixá-los (At 1,8), isto é, completamente submersos pelo oceano do amor de Deus derramado sobre eles (cf. Rm 5,5).

Estão deslumbrados pela glória de Deus. O falar em diversas línguas se explica também pelo fato de que falavam com a língua, com os olhos, com o rosto, com as mãos, com o estupor de quem viu coisas que não podem narrar. “Todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua”. Eis porque todos os compreendiam: não falavam mais de si mesmos, mas de Deus!

Deus nos chama a atuar em nossa vida a mesma conversão: de nós mesmos a Deus, da pequena unidade que é a nossa paróquia, o nosso movimento, a nossa própria Igreja, à grande unidade que é aquela do corpo inteiro de Cristo, ou seja, a humanidade inteira. É o passo almejado que o Papa Francisco está impulsionando-nos, católicos, para fazer, e que os representantes de outras Igrejas aqui presentes demonstram querer compartilhar.

Santo Agostinho já tinha evidenciado que a comunhão eclesial se realiza em degraus e pode ter diversos níveis: daquele pleno, visível e interior, àquele interior, que é o próprio Espírito Santo. São Paulo abraçava em sua comunhão “todos que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1Cor 1,2). Uma fórmula que talvez devamos redescobrir e voltar a valorizar. Ela se estende hoje também aos nossos irmãos Judeus messiânicos.

O fenômeno pentecostal e carismático tem uma vocação e uma responsabilidade particulares, em relação à unidade dos cristãos. A sua vocação ecumênica se mostra ainda mais evidente, se repensarmos no que aconteceu no início da Igreja. Como fez o Ressuscitado para impulsionar os apóstolos a acolher os pagãos na Igreja? Deus mandou o Espírito Santo sobre Cornélio e sua casa do mesmo modo e com as mesmas manifestações com que o tinha enviado no início sobre os apóstolos. Assim, a Pedro não restou senão tirar a conclusão: “Deus concedeu a eles o mesmo dom que deu a nós que acreditamos no Senhor Jesus Cristo. Quem seria eu para me opor à ação de Deus?” (At 11,17). No concílio de Jerusalém, Pedro repetiu este mesmo argumento:  “Deus não fez nenhuma distinção entre nós e eles” (At 15,9).

Agora, nós vimos repetir-se diante de nossos olhos este mesmo prodígio, desta vez, em escala mundial. Deus derramou seu Espírito sobre milhões de fiéis, pertencentes a quase todas as denominações cristãs, e, a fim de que não restassem dúvidas sobre suas intenções, derramou-O com as mesmas idênticas manifestações, inclusive a mais singular, que é o falar em línguas. Também a nós, não resta senão tirar a mesma conclusão de Pedro: “Se, portanto, Deus concedeu-lhes o mesmo dom que a nós, quem somos nós para continuar a dizer de outros cristãos: não pertencem ao corpo de Cristo, não são verdadeiros discípulos de Cristo?”.

*   *   *

Devemos ver em que consiste a via carismática à unidade. A nossa contribuição à unidade é o amor recíproco. São Paulo traçou este programa à Igreja: “Ater-se à verdade com a caridade” (Ef 4,15). O que temos que fazer não é passar por cima do problema da fé e das doutrinas, para nos encontrarmos unidos nas frentes de ação comum da evangelização. O ecumenismo tem experimentado, em seus inícios, esta via, e constatou seu fracasso. As divisões logo reapareceram, inevitavelmente, mesmo na frente de ação. Não devemos substituir a caridade pela verdade, mas tender à verdade com a caridade; começar a nos amarmos para melhor nos compreendermos.

O que é mais extraordinário, a respeito desta via ecumênica baseada no amor, a qual é imediatamente possível, é que que ela está totalmente aberta diante de nós. Não podemos “queimar etapas” quanto à doutrina, pois as diferenças existem e devem ser resolvidas com paciência, nos devidos lugares. Podemos, contudo, queimar etapas na caridade, e ser unidos desde agora.

Não apenas nada nos impede de nos amarmos e de nos acolhermos, ao contrário, é-nos ordenado fazê-lo. É a única “dívida” que temos uns para com os outros, uma dívida que não admite prorrogações no pagamento: “Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo” (Rm 13,8). Nós podemos nos acolher para nos amarmos, não obstante as diferenças. Cristo não nos ordenou amar apenas aqueles que pensam como nós, que compartilham completamente o nosso credo. Se amais apenas esses, exortou-nos, o que fazeis de especial, que já não fazem também os pagãos?

Nós podemos nos amar porque o que já nos une é infinitamente mais importante daquilo que ainda nos divide. Une-nos a mesma fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo; o Senhor Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem; a esperança comum da vida eterna, o empenho comum pela evangelização, o amor comum pelo corpo de Cristo, que é a Igreja.

Une-nos também outra coisa importante: o sofrimento comum e martírio comum por Cristo. Em muitas partes do mundo, os fiéis das diversas Igrejas estão compartilhando os mesmos sofrimentos, suportando o mesmo martírio por Cristo. Eles não são perseguidos e assassinados por serem católicos, anglicanos, pentecostais ou outros, mas por serem “cristãos”. Aos olhos dos perseguidores, já somos um, e é vergonha se não o somos também na realidade.

Como fazer, concretamente, para pôr em prática esta mensagem de unidade e de amor? Reconsideremos o hino à caridade de São Paulo (1Cor 13,4ss). Cada frase adquire um significado atual e novo, se aplicada ao amor entre membros das diversas Igrejas cristãs, nas relações ecumênicas:

“A caridade é paciente…

A caridade não se envaidece…

A caridade não faz nada de inconveniente…

Não é interesseira (subentende-se: também o interesse das outras Igrejas)Não leva em conta o mal sofrido (subentende-se: por outros cristãos, mais ainda, o mal feito a eles)”.

“Bem-aventurado o servo – dizia São Francisco de Assis em uma de suas Admoestações – que não se exalta mais por causa do bem que o Senhor diz e faz através dele do que pelo que diz e faz através de outro”. Nós podemos dizer: Bem-aventurado o cristão que é capaz de se alegrar pelo bem que Deus faz através de outras Igrejas, como pelo bem que faz por meio da própria Igreja.

*    *    *

O profeta Ageu tem um oráculo que parece ser escrito para nós, neste momento da história. O povo de Israel acabara de voltar do exílio, mas, ao invés de reconstruir juntos a casa de Deus, cada qual se põe a reconstruir e adornar a própria casa.  Deus manda então seu profeta com uma mensagem de reprovação:

Acaso para vós é tempo de morardes em casas revestidas de lambris, enquanto esta casa está em ruínas? Isto diz, agora, o Senhor dos exércitos: Considerai, com todo o coração, a conjuntura que estais passando:  tendes semeado muito, e colhido pouco (…). Considerai, com todo o coração, a difícil conjuntura que estais passando: mas subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; ela me será aceitável, nela me glorificarei, diz o Senhor (Ag 1,4-8).

Devemos sentir como dirigida a nós esta mesma reprovação de Deus, e nos arrepender. Aqueles que escutaram o discurso de Pedro no dia de Pentecostes “ficaram com o coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: ‘Irmãos, o que devemos fazer?’ Pedro respondeu: ‘Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2,37ss). Uma renovada efusão de Espírito Santo não será possível sem um movimento coletivo de arrependimento da parte de todos os cristãos. Será uma das intenções de oração que terão lugar após este momento de compartilha.

Depois que as pessoas foram convertidas, o profeta Ageu foi enviado novamente ao povo, mas desta vez com uma mensagem de encorajamento e de consolo:

Pois agora, coragem, Zorobabel, oráculo do Senhor! Coragem, Josué, filho de Josedec! Coragem, povo todo do país! – oráculo do Senhor. E mãos à obra, que eu estou convosco – oráculo do Senhor dos exércitos. (…) O meu espírito estará convosco, não tenhais medo!” (Ag 2,4-5).

A mesma palavra de consolo é dirigida a nós, cristãos, e eu anseio fazê-la ressoar novamente neste lugar, não como simples citação bíblica, mas como palavra de Deus viva e eficaz que opera aqui e agora aquilo que significa: “Coragem, Papa Francisco! Coragem, líderes e representantes de outras confissões cristãs! Coragem, todo o povo de Deus, e mãos à obra, pois eu estou convosco, diz o Senhor! O meu Espírito estará convosco”.

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Traduçao de Fr. Ricardo Farias, OFMCap.

[1] Santo Irineu, Contra as heresias, III, 17, 2.

[2] Martin Lutero,  In Genesin Enarrationes, WA, vol. 42, p. 411.

Grave advertência do Cardeal Sarah: “Risco de cisma na Igreja”

Cardeal Robert Sarah

Existe uma “insistência” em reduzir a Igreja a uma espécie de “federação de associações nacionais” sem identidade clara

O cardeal africano Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino, fez uma grave advertência a respeito de um risco real para a unidade da Igreja: o catolicismo está sendo ameaçado hoje por líderes influentes que “insistem”, internamente, na ideia de que as Igrejas nacionais poderiam “decidir por si mesmas” sobre questões morais e doutrinais, além de reduzirem a missão da Igreja a um conjunto diluído de atividades sociais.

Sarah fez os comentários durante uma entrevista concedida no último dia 18 de abril à fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). O assunto era a relação entre a Igreja na África e a totalidade da Igreja católica. O cardeal chamou a atenção para o erro de se usarem expressões como “Igreja africana” ou “Igreja europeia”, por exemplo, explicando que, estritamente, isso não existe: o que existe é a Igreja católica, que é una.

“A Igreja católica não é uma espécie de federação de igrejas locais. A Igreja é simbolizada e representada pela Igreja de Roma, com o Papa como cabeça, sucessor de São Pedro e chefe do Colégio Apostólico. Portanto, é ela que deu à luz todas as igrejas locais e é ela que as sustenta na unidade da fé e do amor. Sem uma fé comum, a Igreja é ameaçada pela confusão e, progressivamente, pode acabar deslizando para a dispersão e o cisma. Hoje existe um sério risco de fragmentação da Igreja, de se dividir o Corpo Místico de Cristo ao se insistir na identidade nacional das igrejas e, portanto, na sua capacidade de decidir por si mesmas, sobretudo no domínio tão crucial da doutrina e da moral”.
O Credo Niceno, professado por todos os católicos, afirma que a Igreja é “Una, Santa, Católica e Apostólica”, deixando clara a sua unidade, que deve ser inquebrantável.

Em sua entrevista, o cardeal Sarah reforçou que a Igreja só vai crescer no mundo todo se permanecer unida “pela nossa fé comum e pela nossa fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho, em união com o Papa“.

E complementou:

“Como o Papa Bento XVI nos diz, ‘é claro que a Igreja não cresce ao se tornar individualizada, separando-se no nível nacional, encerrando-se fora do contexto ou dentro de um contexto culturalmente específico, ou se outorgando um papel inteiramente cultural ou nacional. Em vez disso, a Igreja precisa ter unidade de fé, unidade de doutrina, unidade de ensino moral. Ela precisa do primado do Papa e da sua missão de confirmar na fé os seus irmãos”.
Para o cardeal, a Igreja estaria “gravemente equivocada” se pensasse que as questões de justiça social, como a luta contra a pobreza e a ajuda aos migrantes, fossem a sua verdadeira missão:

“A Igreja está gravemente equivocada quanto à natureza da crise real se ela acha que a sua missão essencial é oferecer soluções para todos os problemas políticos relacionados com a justiça, a paz, a pobreza, a recepção de migrantes etc., enquanto negligencia a evangelização”.
Se a Igreja se reduzir aos problemas humanos, prosseguiu Sarah, ela acabará “falhando em sua missão” por esquecer o seu verdadeiro propósito. Ele se baseou em Yahya Pallavicini, ex-católica italiana que se converteu ao islã, para conduzir este argumento:

“Se a Igreja, com a obsessão que tem hoje com os valores da justiça, dos direitos sociais e da luta contra a pobreza, acabar esquecendo a sua alma contemplativa, ela vai falhar na sua missão e vai ser abandonada por muitos dos seus fiéis, porque eles não reconhecerão mais nela o que constitui a sua missão específica”.
O próprio Papa Francisco já reiterou em diversas ocasiões que “a Igreja não é uma ONG“.

É evidente que faz parte da missão da Igreja o cuidado dos pobres e necessitados, já que é mandamento explícito de Cristo que realizemos todas e cada uma das 14 obras de misericórdia, das quais 7 são dedicadas à dimensão corporal do ser humano. Aliás, o mesmo Cristo deixou claro que seremos julgados pelo cumprimento da caridade e da misericórdia para com o nosso irmão.

O que é preciso entender é que a missão da Igreja não é APENAS isso: para esse tipo de cuidado, afinal, nem seria preciso que existisse a Igreja – bastaria um conjunto de associações, fundações, organizações jurídicas, ONGs…

A Igreja é uma realidade essencialmente espiritual: e é a consciência deste fato fundamental o que o Papa e o cardeal destacam que não pode jamais ser deixado de lado.

O que é ano A, B e C? Como saber?

Por  Odalberto Domingos
É  termos conhecimento do porque dos anos litúrgicos A, B, C, e as leituras Bíblicas que são próprias.

As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações caracterizam-se com o chamado ano Litúrgico criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (evangelho e outros livros) a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público com milagres, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico. A ideia desta distribuição de trextos bíblicos ao longo de 3 anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.

O significado das letras dos anos litúrgicos A, B e C:

O rito romano, utilizado nas celebrações da Igreja católica possui um conjunto de leituras bíblicas que se repetem a cada três anos perpassando os domingos e as solenidades. A cada ano, a liturgia das celebrações segue uma sequencia de leituras próprias, divididas em anos A, B e C.

– No ano “A” a leitura principal do evangelho na celebração segue o Evangelho de São Mateus;

-No ano “B”, a leitura principal do evangelho segue o Evangelho de São Marcos;

-No ano “C”, a leitura principal do evangelho segue o Evangelho de São Lucas.

Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades, para este evangelho não existe um ano litúrgico.

Como é calculado o ano litúrgico:

Muito simples apenas somando os algarismos do ano. O ano em que a soma dos algarismos for um número múltiplo de 3 é do ciclo C.

2013 = 2+0+1+3= 6. 6 é múltiplo de 3, então 2013, o ano litúrgico será ano C. Assim este ano de 2012 é o ciclo B, e o ano de 2011 foi o ano litúrgico A e 2016 = 2+0+1+6 = 9 múltiplo de 3 será novamente ano C. Não existe erro! É fácil

Mas atenção!! Existe um início antecipado!!!!

O ano litúrgico inicia-se no primeiro domingo do Advento (cerca de quatro semanas antes do Natal) e se encerra com a solenidade de Cristo Rei do Universo do ano seguinte. É bom ficar atento, pois o Advento no mês de dezembro de 2012 já é ano litúrgico “C” e será “C” até o final de novembro de 2013 (2+0+1+3= 6 que é múltiplo de 3, portanto ano “C” quando, no primeiro domingo do advento, se iniciará o ano “A”. Não confunda isso. Tenha atenção, pois o ano litúrgico não coincide com o ano civil, tem sempre seu inicio antecipado em quatro semanas antes do Natal.

EUA: na noite de Halloween será inaugurada a Igreja Maior de Lúcifer

O objetivo da Igreja de Lúcifer é criar “uma nova era para o progresso da humanidade, sem escravidão do pensamento dogmático; somos deuses e deusas da nossa própria vida”

Che aspetto ha il demonio? - pt

A cidade de Old Town Spring, situada a 25 milhas ao norte de Houston (Texas), será a sede da “Igreja Maior de Lúcifer” (Greater Church of Lucifer). A organização publicou em seu site a abertura do “primeiro edifício na história da igreja que estará aberto ao público”.

Jacob No, líder mundial da Igreja de Lúcifer, fundada no verão de 2014, disse que o objetivo dela é criar “uma nova era para o progresso da humanidade, sem escravidão do pensamento dogmático; somos deuses e deusas da nossa própria vida”.

Como já foi divulgado pela Aleteia, nos Estados Unidos existe uma corrente muito forte que pretende dar ao satanismo e às suas diversas manifestações uma voz em praça pública. A abertura desta igreja não causa surpresa em uma sociedade que cada dia se torna mais “espiritual” e menos religiosa, e na qual aumenta o número de pessoas que se consideram espiritualistas sem filiação religiosa, pessoas que se consideram livre-pensadoras sem necessidade de seguir dogmas.

A Igreja Maior de Lúcifer convida a esta ideologia de viver sem nenhuma autoridade, lei ou norma. “Não há Papa ou autoridade sobre nós; somos os capitães das nossas almas”, diz o site da igreja.

A cerimônia de abertura da igreja está planejada para o fim de semana de 30 de outubro a 1º de novembro, durante a celebração da noite de Halloween nos Estados Unidos. “Um templo ao mais elevado ego próprio”, diz o convite à abertura da igreja.

A Igreja de Lúcifer insiste em afirmar que não é uma religião em si, mas somente um grupo de almas semelhantes que buscam ser deusas do seu mundo carnal e espiritual. Um caminho de autoadoração, que pretende criar deuses em todas e cada uma das pessoas.

Esta igreja, como outras manifestações, professa a “não religião” e se apresenta como alternativa aos conceitos de toda forma de religiosidade. Mas, assim como nas demais igrejas satânicas, em seus princípios e fundação, existe uma influência de pessoas e ideologias abertamente satânicas, nas quais a libertinagem, os desvios sexuais e o aborto são algumas das práticas mais comuns.

As 4 grandes lições de Santa Teresinha do Menino Jesus

Dentre outras tantas lições que Santa Teresinha nos deixou em sua vida, hoje iremos refletir sobre quatro delas:

A HUMILDADE

Ficar pequeno é reconhecer o próprio nada, tudo esperar de Deus, não se afligir com as faltas, porque as criancinhas, se caem muitas vezes, por serem pequeninas, pouco se machucam.

Faço como as crianças que não sabem ler: digo a Deus simplesmente o que desejo dizer-lhe, sem palavras bonitas, e ele me compreende.

Ocupemos o último lugar. Ninguém brigará convosco por causa dele.

A santidade não consiste nesta ou naquela prática, é mais uma disposição do coração que nos faz humildes e pequenos nos braços de Deus, conscientes de nossa fragilidade, e confiantes, até a ousadia, em sua bondade de Pai.

Com os pequeninos, ele [demônio] não pode…

A CONFIANÇA

Nunca é demais a confiança no bom Deus, tão poderoso e tão misericordioso.

Como é grande o poder da oração! Poderíamos compará-la a uma rainha, que tem sempre entrada franca junto do rei e consegue tudo o que pede.

Jesus não exige grandes obras, apenas confiança e gratidão.

Nossa confiança é combatida obstinadamente pelo Inferno, porque ela é a vida, a salvação. À obstinação de Satã, operemos a obstinação de nossa confiança. E seremos salvos.

O que em minha alma agrada ao bom Deus é ver o amor que tenho à minha pequenez e à minha pobreza, é a minha esperança cega em sua misericórdia.

Nós que corremos na vida do amor, não devemos pensar no que há de acontecer de doloroso no futuro; seria faltar à confiança… é como meter-se a criar.

O ABANDONO

Eu sou a bolinha do menino Jesus, que Ele faça de mim o que quiser. Brinque à vontade com sua bolinha. Se me quiser atirar a um canto abandonada, serei feliz, contanto que Ele o queira.

Não me amedronta Ter que sofrer por Vós! Escolho tudo o que Vós quereis!

Às vezes custa à nossa fraqueza dar a Nosso Senhor aquilo que Ele pede. E, porque custa, é meritório e precioso o nosso sacrifício.

Que importa o sucesso? O que Deus nos pede é não nos determos diante do cansaço da luta.

Experimentamos grande paz em sermos absolutamente pobres, em contar só com Deus.

O AMOR A JESUS

O Senhor não precisa de nossas obras, e sim do nosso amor.

O sofrimento unido ao amor é a única coisa que me parece desejável neste vale de lágrimas.

Não creiais que possa amar sem sofrer muito. Quando se sofre devidamente, o amor aumenta.

Apenas me levanto, penso logo nas contrariedades e trabalhos que me esperam e fico cheia de alegria e de coragem, meditando nas venturosas ocasiões que terei de dar provas do meu amor a Jesus.

Amemos a Jesus a ponto de sofrermos tudo o que Ele quiser, mesmo a aridez e frieza aparentes. É sublime o amor a Jesus sem os gozos da doçura desse amor. É um martírio!…Pois bem, morramos mártires!

Amar aos pés da cruz é mais belo e heroico do que amar nos esplendores do Tabor. É ali que se prova o verdadeiro amor.

É pura verdade tudo quanto escrevi sobre os meus desejos de sofrer muito pelo bom Deus! Ah! Não me arrependo, não, de me Ter oferecido como vítima de Amor!

(Felipe Aquino)

O islamismo é hoje a ideologia mais perigosa do mundo, assim como o fascismo e o comunismo já foram o maior perigo do século passado. Mas nem todo muçulmano é islamista!

ALETEIA TEAM
29 DE SETEMBRO DE 2015
Muçulmano não é igual a terrorista

Qual é a ideologia mais perigosa do mundo?

Na primeira metade do século XX, a resposta era o fascismo. Implantado na Itália, na Alemanha nazista e no Japão imperialista, essa ideologia matou 50 milhões de pessoas.

Na segunda metade do século XX, a resposta era o comunismo, que, dominando uma vasta porção do planeta, incluindo a União Soviética, a China, o Leste europeu e vários países da África e da América Latina, matou pelo menos 100 milhões de pessoas.

Hoje, a mais perigosa ideologia existente no mundo é o islamismo.

ATENÇÃO: a ideologia islamista não equivale à religião islâmica ou muçulmana como tal. O islamismo é uma forma radical e violenta do islã.

Assim como o fascismo e o comunismo, o islamismo é:

totalitário por natureza (quer controlar tudo e todos);
expansionista (quer crescer e submeter o máximo possível de pessoas ao seu controle);
extremamente violento (disposto a matar quem quer que se oponha a ele).
O islamismo se opõe à liberdade:

de pensamento e de expressão;
de iniciativa, empreendedorismo e mercado;
de religião – ou de não praticar religião alguma;
de reunião e de associação;
de imprensa.
O islamismo se opõe aos direitos humanos e não hesita em destruí-los nos lugares em que se implanta.

O islamismo rejeita o princípio da total separação entre a religião e o Estado. Em sua visão, um governo só é legítimo se estiver sujeito às leis religiosas, que, no caso, são as da sharia.

A sharia, ou lei islâmica, se baseia nos ensinamentos do Corão (o livro sagrado islâmico) e da Suna (a compilação das palavras e atos atribuídos a Maomé). Na interpretação islamista da sharia, entre outras coisas:

toda pessoa nascida muçulmana deve permanecer muçulmana: caso se converta a outra religião, deve ser executada;
adúlteros devem ser apedrejados até a morte;
quem insulta o islã ou Maomé deve ser açoitado severamente ou executado;
a poligamia masculina é aceita, assim como o casamento infantil.
Essa interpretação islamista da sharia é posta em prática, entre outros países, no Irã, no Sudão, na Arábia Saudita e em partes da Nigéria, do Iraque, do Paquistão, do Afeganistão e da Síria.

O islamismo quer, no entanto, que o mundo inteiro seja submetido à sharia e considera que qualquer um que se oponha ao seu expansionismo é “o inimigo” e deve ser destruído. Isto não vale apenas para o Ocidente, mas também para os próprios muçulmanos que não querem aderir ao islamismo. De fato, o islamismo já matou mais muçulmanos do que membros de qualquer outra religião – inclusive do cristianismo, cujos seguidores são perseguidos, presos, torturados e assassinados nas áreas sob controle islamista.

QUANTOS ISLAMISTAS HÁ NO MUNDO?

É uma pergunta complexa, porque, ao falarmos de “islamismo”, não estamos falando de uma pertença oficial a uma religião determinada, mas sim de uma mentalidade abraçada ou não por segmentos da religião muçulmana.

O instituto norte-americano de pesquisas Pew apresentou em 2013 alguns dados que podem dar ideia da quantidade de islamistas que há no mundo com base em seu apoio a princípios radicais da sharia:

Apoio ao apedrejamento de adúlteros até a morte:

86% dos muçulmanos do Paquistão
80% dos muçulmanos do Egito
65% dos muçulmanos da Jordânia
Apoio à pena de morte para muçulmanos que se convertem a outra religião:

79% dos muçulmanos do Afeganistão
62% dos muçulmanos da Palestina
58% dos muçulmanos da Malásia (considerados moderados)
Levando em conta que há cerca de 1,5 bilhão de muçulmanos no planeta, se 10% deles forem favoráveis à aplicação de tais princípios extremistas, poderemos estimar em assombrosos 150 milhões o número de islamistas “teóricos”. Desta quantidade, é preciso calcular quantos estarão dispostos a apoiar o islamismo não apenas de palavra, mas também com ações violentas, o que, na prática, significa concordar com o terrorismo perpetrado por grupos como o Estado Islâmico, a Al-Qaeda, o Talibã, o Hamas, o Hezbollah, o Boko Haram, o Al-Shabaab… Imaginemos que 2% dos 150 milhões de islamistas “de palavra” sejam islamistas “de fato”: teremos assim 3 milhões de pessoas – ou seja, 3 milhões de terroristas potenciais.

O PERIGO DA GENERALIZAÇÃO RADICAL

Diante deste panorama preocupante, é crucial não cairmos nós próprios no radicalismo de generalizar, esquecendo que uma coisa é a ideologia islamista e outra coisa é a religião muçulmana.

Grande parte dos muçulmanos comuns conviveu pacificamente com os cristãos e com outras minorias religiosas durante séculos e séculos em países como Síria, Líbano, Turquia, Jordânia, Malásia, Nigéria, Tunísia, Egito, Marrocos, e, antes da ascensão de extremistas ao poder, até em países tidos hoje por extremamente intolerantes, como o Irã, o Afeganistão e o Iraque. No Egito, a população foi às ruas massivamente, há poucos meses, para rejeitar a sharia que a Irmandade Muçulmana queria implantar no país: e derrubaram do poder a própria Irmandade Muçulmana. A Turquia é um país de maioria muçulmana, mas de orientação laica e costumes cada vez mais “ocidentalizados”. A comunidade persa da diáspora pós-Revolução Iraniana de 1979, também muçulmana, forma hoje uma elite cosmopolita, culta, tolerante e aberta, principalmente nos Estados Unidos. Há, portanto, grandes diferenças entre os muçulmanos comuns e os grupos radicalizados pela ideologia islamista.

Ao longo da história, todas as gerações tiveram de lidar com algum tipo de fundamentalismo que atentava contra os seus direitos. E as pessoas livres sempre conseguiram derrotar as tiranias dos totalitarismos.

Nós, não muçulmanos ou muçulmanos, temos hoje o desafio conjunto de derrotar o totalitarismo da ideologia islamista.

E o primeiro passo é entendermos de que se trata, com objetividade e sem generalizações… extremistas.

Os 25 segredos da luta espiritual que Jesus revelou a Santa Faustina

Como proteger-se dos ataques do demônio

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Em Cracóvia, no dia 2 de junho de 1938, o Senhor Jesus ditou a uma jovem Irmã da Misericórdia um retiro de três dias. Faustina Kowalska registrou minuciosamente as instruções de Cristo em seu diário, que é um manual de mística na oração e na misericórdia divina.

Este diário guarda as revelações de Cristo sobre o tema da luta espiritual, sobre como proteger-se dos ataques do demônio. Estas instruções se tornaram a arma de Faustina na luta contra o maligno inimigo.

Jesus começou dizendo: ” Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual”. E estes foram seus conselhos:

1. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade.

A confiança é uma arma espiritual. Ela é parte do escudo da fé que São Paulo menciona na Carta aos Efésios (6, 10-17): a armadura do cristão. O abandono à vontade de Deus é um ato de confiança; a fé em ação dissipa os maus espíritos.

2. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome.

Em tempos de guerra espiritual, reze imediatamente a Jesus. Invoque seu Santo Nome, que é muito temido pelo inimigo. Leve as trevas à luz contando tudo ao seu diretor espiritual ou confessor, e siga suas instruções.

3. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração.

No Jardim do Éden, Eva negociou com o diabo e perdeu. Precisamos recorrer ao refúgio do Sagrado Coração. Correr até Jesus é a melhor maneira de dar as costas ao demônio.

4. Na primeira oportunidade, conta-a ao confessor.

Uma boa confissão, um bom confessor e um bom penitente são a receita perfeita para a vitória sobre a tentação e a opressão demoníaca. Isso não falha!

5. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações.

O amor próprio é natural, mas precisa ser ordenado, livre de orgulho. A humildade vence o diabo, que é o orgulho perfeito. Satanás nos tenta no amor próprio desordenado, que nos leva à piscina do orgulho.

6. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma.

A paciência é uma grande arma secreta que nos ajuda a manter a paz da nossa alma, inclusive nas grandes tempestades da vida. A paciência consigo mesmo é parte da humildade e da confiança. O diabo nos tenta à impaciência, a voltar-nos contra nós mesmos, de maneira que fiquemos com raiva. Olhe para você mesmo com os olhos de Deus. Ele é infinitamente paciente.

7. Não descuides as mortificações interiores.

A Escritura nos ensina que alguns demônios só podem ser expulsos com oração e jejum. As mortificações interiores são armas de guerra. Podem ser pequenos sacrifícios oferecidos com grande amor. O poder do sacrifício por amor desaloja o inimigo.

8. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor.

Cristo falava a Santa Faustina, que morava em um convento. Mas todos nós temos pessoas com autoridade sobre nós. O diabo tem como objetivo dividir e conquistar; então, a obediência humilde à autoridade autêntica é uma arma espiritual.

9. Foge dos que murmuram, como se da peste.

A língua é uma poderosa embarcação que pode causar muito dano. Estar murmurando ou fazendo fofoca nunca é de Deus. O diabo é um mentiroso que gera acusações falsas e fofocas que podem matar a reputação de uma pessoa. Rejeite as murmurações.

10. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.

A mente da pessoa é a chave na guerra espiritual. O diabo é um intrometido que tenta arrastar todo mundo. Procure agradar Deus e deixe de lado as opiniões dos outros.

11. Observa a Regra o mais fielmente possível.

Jesus se refere à Regra de uma ordem religiosa aqui. Mas todos nós já fizemos algum tipo de voto ou promessa diante de Deus e da Igreja e precisamos ser fiéis a isso: promessas batismais, votos matrimoniais etc. Satanás nos tenta para nos levar à infidelidade, à anarquia e à desobediência. A fidelidade é uma arma para a vitória.

12. Se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer.

Ser um canal da misericórdia divina é uma arma para fazer o bem e derrotar o mal. O diabo trabalha usando o ódio, a raiva, a vingança, a falta de perdão. Muitas pessoas já nos ofenderam. O que devolveremos em troca? Responder com uma bênção destrói maldições.

13. Evita a dissipação.

Uma alma faladeira será mais facilmente atacada pelo demônio. Derrame seus sentimentos somente diante do Senhor. Os sentimentos são efêmeros. A verdade é sua bússola. O recolhimento interior é uma armadura espiritual.

14. Cala-te quando te repreenderem.

Todos nós já fomos repreendidos em algum momento. Não temos nenhum controle sobre isso, mas podemos controlar nossa resposta. A necessidade de ter a razão o tempo todo pode nos levar a armadilhas demoníacas. Deus sabe a verdade. Deixe-a ir. O silêncio é uma proteção. O diabo pode utilizar a justiça própria para nos fazer tropeçar também.

15. Não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança.

A simplicidade da vida pode expulsar os demônios. a honestidade é uma arma para derrotar Satanás, o mentiroso. Quando mentimos, colocamos um pé no terreno dele, e ele tentará nos seduzir mais ainda.

16. Não te desencorajes com a ingratidão.

Ninguém gosta de ser subestimado. Mas quando nos encontramos com a ingratidão ou com a insensibilidade, o espírito de desânimo pode ser um peso para nós. Resista a todo desânimo, porque isso nunca vem de Deus. É uma das tentações mais eficazes do diabo. Seja grato diante de todas as coisas do dia e você sairá ganhando.

17. Não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo.

A necessidade de conhecer e a curiosidade pelo futuro são tentações que levaram muitas pessoas aos quartos escuros do ocultismo. Escolha caminhar na fé. Decida confiar em Deus, que o leva ao caminho do céu. Resista sempre ao espírito de curiosidade.

18. Quando o enfado e o desânimo bateram à porta do teu coração, foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração.

Jesus entrega a mesma mensagem pela segunda vez. Agora Ele se refere ao tédio. No começo do Diário, Ele disse a Santa Faustina que o diabo tenta mais facilmente as almas ociosas. Tenha cuidado com isso, porque as almas ociosas são presa fácil do demônio.

19. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.

O medo é a segunda tática mais comum do diabo (a primeira é o orgulho). A coragem intimida o diabo; ele fugirá diante da perseverante coragem que se encontra em Jesus, a rocha. Todas as pessoas lutam, e Deus é nossa provisão.

20. Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo.

Jesus pede a Santa Faustina que lute com convicção. Ela pode fazer isso porque Cristo a acompanha. Nós, cristãos, somos chamados a lutar com convicção contra todas as táticas demoníacas. O diabo tenta aterrorizar as almas, mas precisamos resistir ao seu terrorismo. Invoque o Espírito Santo ao longo do dia.

21. Não te guias pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, porem todo o mérito reside na vontade.

Todo mérito radica na vontade, porque o amor é um ato da vontade. Somos completamente livres em Cristo. Precisamos fazer uma escolha, uma decisão para bem ou para mal. Em que lado vivemos?

22. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras.

Aqui, Jesus está instruindo uma freira. Todos nós temos o Senhor como nosso superior (representado também pelos padres, confessores, diretores espirituais). A dependência de Deus é uma arma de guerra espiritual, porque não podemos ganhar por nossos próprios meios.

23. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas.

Santa Faustina sofreu física e espiritualmente. Ela estava preparada para grande batalhas, pela graça de Deus. Cristo nos instrui claramente na Bíblia a estar preparados para grandes batalhas, para revestir-nos da armadura de Deus e resistir ao diabo (Ef 6, 11).

24. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam.

Estamos todos em um grande cenário no qual o céu e a terra nos olham. Que mensagem estamos dando com nossa forma de vida? Que tonalidades irradiamos: luz? Escuridão? Cinza? A forma como vivemos atrai mais luz ou escuridão? Se o diabo não conseguir nos levar para a escuridão, tentará nos manter na categoria dos medíocres, do cinza, que não é agradável a Deus.

25. Luta como valorosos cavaleiros, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.

As palavras do Senhor a Santa Faustina podem se transformar em nosso lema: “Lute como um cavaleiro!”. Um soldado de Cristo sabe bem a causa pela qual luta, a nobreza da sua missão, conhece o Rei ao qual serve; e luta até o final, com a abençoada certeza da vitória.

Se uma jovem polonesa, sem formação, uma simples freira, unida a Cristo, pode lutar como um cavaleiro, um soldado, todo cristão pode fazer o mesmo. A confiança é vitoriosa.

* * *

Para guardar as palavras de Jesus:

“Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração e, na primeira oportunidade, conta-a ao confessor. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma. Não descuides as mortificações interiores. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor. Foge dos que murmuram, como se da peste. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.

Observa a Regra o mais fielmente possível. E, se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer. Evita a dissipação. Cala-te, quando te repreenderem; não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança. Não te desencorajes com a ingratidão; não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo; quando o enfado e o desânimo bateram á porta do teu coração. Foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.

Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo. Não te guias pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, porem todo o mérito reside na vontade. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam. Luta como valorosos cavaleiros, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.” (D.1760)

Fonte: Aleteia

A luta de Satanás contra os Sacerdotes

Para fazer reinar Jesus Cristo no mundo, nada é mais necessário do que um clero santo, que seja, com o exemplo, com a palavra e com a ciência, guia dos fiéis” [1]. Estas são palavras que os Santos Padres não se cansam de repetir ao orbe católico, desde que foram pronunciadas, pela primeira vez, pelo papa São Pio X. De fato, o testemunho de um bom sacerdote é capaz de arrastar centenas de fiéis à Igreja de Cristo, quer por meio da pregação, quer por meio da administração dos sacramentos, quer por meio da obediência às normas eclesiais, como o celibato.

A missão do sacerdote resume-se àquela regra máxima da Igreja, de que falam os santos: Salus animarum suprema Lex – a lei suprema é a salvação das almas. Por isso o Papa Bento XVI, na proclamação do Ano Sacerdotal, em 2009, exortou o clero católico a redescobrir a dimensão eclesial de seu ministério. Somente na comunhão com a Igreja o sacerdote pode atingir aquela santidade necessária “para fazer reinar Jesus Cristo no mundo”. Explica-nos o Papa Emérito: “a missão é eclesial, porque ninguém se anuncia nem se leva a si mesmo, mas, dentro e através da própria humanidade, cada sacerdote deve estar bem consciente de levar Outro, o próprio Deus, ao mundo” [2].

Essa realidade não é desconhecida pelo diabo, tampouco por aqueles que fazem as suas vezes na terra, disseminando o joio no meio do trigo. Não é para admirar, por conseguinte, que, no combate à Igreja, o primeiro alvo seja o sacerdócio. “Quando se quer destruir a religião” – observava o santo Cura d’Ars –, “começa-se por atacar o padre” [3]. Com efeito, a primeira tentação demoníaca contra os sacerdotes é a de afastá-los da comunhão eclesial, incentivando-os à dissidência, aplaudindo hereges e ridicularizando aqueles que se submetem de bom grado à autoridade do Santo Padre. Trata-se do primeiro non serviam demoníaco: o não à Igreja.

Os argumentos – ou, no caso, as mentiras – são os mesmos de sempre: o celibato é transformado em símbolo de castração, que fere o direito à sexualidade e leva à pedofilia; o hábito eclesiástico é tachado de indumentária antiquada, que afasta o clero do povo; o padre passa a ser somente o “presidente” da celebração; a obediência a Roma é considerada clericalismo; as normas litúrgicas são suprimidas em nome de uma falsa criatividade; o padre, é dito, não pode ficar preso a “regras de orações medievais”; isto, outros reclamam, não está de acordo com o Concílio Vaticano II; o padre não é sacerdote, mas presbítero; ele tem uma mentalidade pré-conciliar etc. Repetidas ad nauseam pela mídia – e por uma porção de maus teólogos que agem em conluio com ela –, essas ideias perniciosas vão aos poucos minando a identidade do sacerdote, até ao ponto de levá-lo a proclamar o segundo non serviam do diabo: o não a Cristo.

Não é preciso gastar muita tinta, porém, para explicar os erros contidos nestes sofismas. Muito mais sabiamente responderam os santos padres – vivendo a sua vocação de maneira exemplar –, como também o Magistério da Igreja – seja nas encíclicas papais, sejo nos outros inúmeros documentos já publicados a esse respeito. O que é preciso ter em conta é que a luta que se trava contra o sacerdócio é, na verdade, uma luta contra a Pessoa de Jesus Cristo. O padre, não nos esqueçamos, é um Alter Christus (Outro Cristo), dado o caráter impresso em sua alma pelo sacramento da ordem. Por isso, é compreensível a raiva do diabo pela castidade dos sacerdotes – “o mais belo ornamento de nossa ordem”, como elogiava São Pio X –, pois ela remete à virgindade de Cristo, que também foi guardada até a morte na cruz [4]. É compreensível o ódio do diabo à batina negra – a “heroica e santa companheira” de Dom Aquino Correa –, porque o luto recorda o sacrifício redentor da cruz, pelo qual a morte foi vencida [5].

O remédio às insinuações diabólicas, por conseguinte, não pode ser outro senão aquele prescrito por Bento XVI, durante o Ano Sacerdotal [6]:

É importante favorecer nos sacerdotes, sobretudo nas jovens gerações, uma correta recepção dos textos do Concílio Ecuménico Vaticano II, interpretados à luz de toda a bagagem doutrinal da Igreja. Parece urgente também a recuperação desta consciência que impele os sacerdotes a estar presentes e ser identificáveis e reconhecíveis quer pelo juízo de fé, quer pelas virtudes pessoais, quer também pelo hábito, nos âmbitos da cultura e da caridade, desde sempre no coração da missão da Igreja.

Enfim, não se há de esquecer a mediação de Nossa Senhora, mãe solícita dos sacerdotes e a inimiga de todas as heresias. Na sua viagem a Fátima, em 2010, o Santo Padre não perdeu a oportunidade de confiar à Virgem, “os filhos no Filho e seus sacerdotes”, consagrando-os ao seu Coração Materno, para que cumprissem fielmente a Vontade do Pai [7]. Neste ato, o Papa Bento XVI ensinava ao clero do mundo inteiro que o melhor caminho de santidade e escudo contra o demônio é a intercessão de Nossa Senhora. É também o ensinamento dum outro padre que, não por acaso, muito se assemelha às palavras de São Pio X, ao início deste texto: “foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo” [8].

Por Christo Nihil Praeponere

Ética e comunicação

I. Introdução

1.«A mudança que se dá hoje nas comunicações implica, mais que uma simples revolução técnica, a transformação completa de tudo o que é necessário para compreender o mundo que a envolve e para verificar e expressar a percepção do mesmo. A apresentação constante das imagens e das ideias, assim como a sua transmissão rápida, até mesmo de um continente para outro, têm consequências simultaneamente positivas e negativas, no desenvolvimento psicológico, moral e social das pessoas, na estrutura e no funcionamento da sociedade, na partilha de uma cultura com outra, na percepção e na transmissão dos valores, nas ideias do mundo, nas ideologias e nas convicções religiosas».1
Durante a década passada, a verdade destas palavras tornou-se mais clara do que nunca. Hoje, não há necessidade de uma grande imaginação para vislumbrar a terra como um globo interligado energicamente com as transmissões electrónicas – um planeta em diálogo, aconchegado no silêncio providencial do espaço. A questão ética consiste em saber se isto está a contribuir para um desenvolvimento humano autêntico e a ajudar os indivíduos e os povos a corresponder à verdade do seu destino transcendente.
E, naturalmente, de muitas formas, a resposta é positiva. Os novos meios de comunicação são instrumentos poderosos para o enriquecimento educativo e cultural, para a actividade comercial e a participação política, para o diálogo e a compreensão interculturais; e, como indicamos no documento associado a este,2 podem servir inclusivamente a causa da religião. Contudo, esta moeda tem também o seu reverso. Os meios de comunicação que devem ser utilizados para o bem das pessoas e das comunidades podem ser usados inclusive para explorar, manipular, dominar e corromper.

2. A Internet é o mais recente e, sob muitos pontos de vista, o mais poderoso de uma série de instrumentos de comunicação – telégrafo, telefone, rádio e televisão – que, para muitas pessoas ao longo do último século e meio, eliminararam gradualmente o tempo e o espaço como obstáculos para a comunicação. Ela tem consequências enormes para os indivíduos, as nações e o mundo em geral.
Neste documento, desejamos expor uma perspectiva católica a respeito da Internet, como ponto de partida para a participação da Igreja no diálogo com os outros sectores da sociedade, especialmente com os outros grupos religiosos, no que se refere ao desenvolvimento e à utilização deste maravilhoso instrumento tecnológico. Actualmente, a Internet está a ser usada de várias formas positivas, com a promessa de muitas mais, mas a sua utilização imprópria pode causar também um grande prejuízo. Qual será o seu uso, positivo ou negativo, é em grande medida uma questão de escolha – uma opção em relação à qual a Igreja contribui com dois elementos de enorme importância: o seu compromisso em benefício da dignidade da pessoa humana e a sua longa tradição de sabedoria moral.3

3. Assim como acontece com os outros meios de comunicação, a pessoa e a comunidade dos indivíduos são centrais para uma avaliação ética da Internet. Em relação à mensagem comunicada, ao processo de comunicação e às questões de estrutura e de sistema no campo das comunicações, «o princípio ético fundamental é este: a pessoa e a comunidade humanas são a finalidade e a medida do uso dos meios de comunicação social; a comunicação deveria fazer-se de pessoa a pessoa, para o desenvolvimento integral das mesmas».4
O bem comum – «o conjunto de condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada um dos seus membros, atingir mais plena e facilmente a sua própria perfeição» 5 – oferece o segundo princípio básico para a avaliação ética das comunicações sociais. Ele deveria ser compreendido de maneira inclusiva, como a série de propostas louváveis em que os membros da comunidade se comprometem em conjunto e que a comunidade existe para realizar e defender. O bem dos indivíduos depende do bem comum das suas comunidades.
A virtude que dispõe as pessoas a proteger e a promover o bem comum é a solidariedade. Não se trata de um sentimento «de compaixão vaga ou de enternecimento superficial» pelos problemas das outras pessoas, mas «a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum; ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos».6 De forma especial nos dias de hoje, a solidariedade possui uma clara e vigorosa dimensão internacional; é justo falar do bem comum internacional e é imperativo trabalhar por ele.

4. O bem comum internacional, a virtude da solidariedade, a revolução na tecnologia dos meios de comunicação e de informação, assim como a Internet, são todos relevantes para o processo de globalização.
As novas tecnologias orientam e contribuem em grande medida para a globalização, criando uma situação em que « o comércio e as comunicações já não se encontram limitados por confins específicos ».7 Isto tem consequências imensamente importantes. A globalização pode aumentar a riqueza e promover o desenvolvimento; ela oferece vantagens como « a eficiência e o aumento da produção… pode reforçar o processo da unidade dos povos e prestar um melhor serviço à família humana ».8 Contudo, até agora os benefícios não têm sido equitativamente distribuídos. Alguns indivíduos, empresas comerciais e países tornaram-se enormemente ricos, enquanto outros foram deixados para trás. Nações inteiras chegaram a ser quase completamente excluídas do processo e impedidas de ocupar um lugar no mundo que se está a formar. « A globalização, que transformou de maneira profunda os sistemas económicos ao criar inesperadas possibilidades de crescimento, também fez com que muitos permanecessem à margem do caminho: o desemprego nos países mais desenvolvidos e a miséria em muitas nações do Hemisfério Sul continuam a manter milhões de homens e mulheres longe do progresso e da felicidade».9
Não é absolutamente claro se até mesmo as sociedades que entraram no processo de globalização o tenham feito inteiramente orientadas por uma opção livre e ponderada. Pelo contrário, «muitas pessoas, em particular os indivíduos mais desfavorecidos… vivem [isto] como uma imposição e não como um processo em que desejam participar de forma activa».10
Em muitas partes do mundo, a globalização está a estimular uma mudança social rápida e radical. Não se trata de um processo unicamente económico, mas também cultural, com aspectos tanto positivos como negativos. « Os povos que estão sujeitos a isto não raro consideram a globalização como uma invasão destruidora que ameaça as normas sociais, que antes os tutelavam, e os pontos de referência culturais que lhes ofereciam um rumo na vida… as mudanças na tecnologia e nas relações de trabalho transformam-se com demasiada rapidez para que a cultura seja capaz de lhes corresponder ».11

5. Uma das principais consequências da liberalização dos últimos anos foi a passagem do poder dos Estados nacionais para os Organismos transnacionais. É importante que tais Organismos sejam encorajados e ajudados no recurso ao seu poder para o bem da humanidade; e isto indica uma necessidade de maiores comunicação e diálogo entre si mesmos e as entidades interessadas, como a Igreja.
O uso das novas tecnologias de informação e da Internet precisa de ser ponderado e orientado por um compromisso decidido em prol da prática da solidariedade ao serviço do bem comum, tanto dentro das nações como entre elas mesmas. Estas tecnologias podem constituir um modo de resolver os problemas humanos, de promover o desenvolvimento integral das pessoas e de criar um mundo governado pela justiça, a paz e o amor. Hoje em dia, ainda mais do que quando a Instrução Pastoral sobre os meios de comunicação social Communio et Progressio o indicou, há mais de trinta anos, os meios de comunicação têm a capacidade de transformar cada pessoa em toda a parte num « participante no drama… do género humano ».12
Trata-se de uma visão surpreendente. A Internet só pode ajudar a fazer disto uma realidade – para os indivíduos, os grupos, as nações e a raça humana – se for utilizada à luz dos princípios éticos clarividentes e sólidos, de maneira especial a virtude da solidariedade. Fazer isto será vantajoso para todos, pois « sabemos… hoje [algo] mais do que ontem: jamais viveremos felizes e em paz uns sem os outros e, menos ainda, uns contra os outros ».13 Será uma expressão daquela espiritualidade de comunhão que implica « a capacidade de ver antes de mais nada o que há de positivo no outro, para o acolher e valorizar como dom de Deus », juntamente com a capacidade de « “criar espaço” para o irmão, levando “os fardos uns dos outros” (Gl 6, 2) e rejeitando as tentações egoístas que sempre nos insidiam ».14
6. A difusão da Internet levanta também um certo número de interrogações éticas acerca de problemáticas como a privacidade, a segurança e a credibilidade dos dados, os direitos autorais e a lei de tutela da propriedade intelectual, a pornografia, os sites que instigam ao ódio, a disseminação de boatos, a representação de homicídios sob a aparência de notícias, e muito mais. A seguir, falaremos brevemente sobre alguns destes elementos reconhecendo, ao mesmo tempo, que eles exigem análise e debate constantes por parte de todas as partes interessadas. Contudo, de maneira fundamental, não julgamos a Internet unicamente como uma fonte de problemas; consideramo-la como um manancial de benefícios para o género humano. Todavia, as vantagens só se podem realizar plenamente, se os problemas forem resolvidos.

II. Sobre a Internet

7. A Internet possui uma série de características impressionantes. Ela é instantânea, imediata, de alcance mundial, descentralizada, interactiva, expansível até ao infinito em termos de conteúdo e de alcance, flexível e adaptável a um nível surpreendente. É igualitária, no sentido de que, qualquer pessoa que disponha do equipamento necessário e de uma modesta capacidade técnica, pode constituir uma presença activa no espaço cibernético, transmitir a sua mensagem para o mundo e reivindicar um seu auditório. Ela permite às pessoas o luxo de permanecer no anonimato, de desempenhar uma determinada função, de devanear e também de formar uma comunidade com as outras pessoas e de nela participar. Em conformidade com os gostos do utente, ela presta-se tanto à participação activa como ao isolamento passivo num « mundo narcisita, que tem a si mesmo como ponto de referência, feito de estímulos cujos efeitos são semelhantes aos dos narcóticos ».15 A ela pode recorrer-se também para interromper o isolamento de indivíduos ou de grupos, ou para o exacerbar.

8. A configuração tecnológica subjacente à Internet tem uma influência considerável sobre os seus aspectos éticos: tendencialmente, as pessoas usam-na de acordo com o modo em que ela é projectada, e delineiam-na de forma a adaptar-lá a este tipo de uso. Com efeito, este « novo » sistema remonta ao período da guerra fria nos anos 60, quando se procurava confundir os ataques nucleares, criando uma rede descentralizada de computadores portadores de dados vitais. A descentralização constituía a chave do esquema, pois desta forma – então, era assim que se raciocinava – o extravio de um ou até mesmo de muitos computadores não significava a perda dos dados.
Uma visão idealista do livre intercâmbio de informações e de ideias desempenhou uma parte notável no desenvolvimento da Internet. Contudo, a sua configuração descentralizada e o projecto analogamente descentralizado da World Wide Web, no final dos anos 80, também demonstraram que são adequados a uma forma mentis oposta a qualquer coisa que saiba a uma regulação legítima da responsabilidade pública. Assim, nasceu um individualismo exagerado em relação à Internet. Dizia-se que nela se encontrava um novo domínio, a maravilhosa terra do espaço cibernétido, onde era permitido qualquer tipo de expressão e onde a única lei consistia na liberdade individual total, de fazer o que quiser. Com efeito, isto significava que a única comunidade, cujos direitos e interesses seriam verdadeiramente reconhecidos no espaço cibernético, era a comunidade dos libertários radicais. Este modo de pensar ainda exerce a sua influência em determinados círculos, apoiados por conhecidos argumentos libertários, aos quais se recorre também para defender a pornografia e a violência nos meios de comunicação em geral.16
Embora os individualistas e os empresários radicais sejam, obviamente, dois grupos muito diferentes entre si, existe uma convergência de interesses entre aqueles que querem que a Internet seja um lugar para quase todos os tipos de expressão, independentemente de quão ignóbeis ou destruidores os mesmos sejam, e aqueles que desejam que ela constitua um veículo de actividades comerciais incondicionadas, segundo o modelo neoliberal que « considera o lucro e as leis de mercado como parâmetros absolutos, em prejuízo da dignidade e do respeito das pessoas e dos povos ».17

9. A explosão das tecnologias de informação multiplicou muitas vezes as capacidades de comunicação de alguns indivíduos e grupos privilegiados. A Internet pode servir as pessoas no seu uso responsável da liberdade e da democracia, aumentar a gama de opções em vários sectores da vida, alargar os horizontes educativos e culturais, abater as divisões e promover o desenvolvimento humano de inúmeras formas. « Este livre fluxo de imagens e palavras à escala mundial está a transformar não só as relações entre os povos a níveis político e económico, mas até a própria concepção do mundo».18 Quando se fundamenta sobre valores comuns, radicados na natureza da pessoa, o diálogo intercultural, que se torna possível através da Internet e de outros meios de comunicação social, pode constituir um «instrumento privilegiado para construir a civilização do amor ».19
Contudo, esta visão não é completa. «Paradoxalmente, as mesmas forças que contribuem para o melhoramento da comunicação podem levar, de igual modo, ao aumento do isolamento e à alienação».20 A Internet pode unir as pessoas, mas também as pode dividir, tanto a nível individual como em grupos mutuamente suspeitos, separados por ideologias, políticas, posses, raças, etnias, diferenças de geração e até mesmo de religião. Ela já tem sido utilizada de maneiras agressivas, quase como se fosse uma arma de guerra, e já se tem falado do perigo do «terrorismo cibernético». Seria dolorosamente irónico se este instrumento de comunicação, com um potencial tão elevado para unir as pessoas, voltasse às suas origens da guerra fria e se tornasse uma arena para o conflito internacional.

III. Algumas áreas de preocupação

10. Um certo número de preocupações acerca da Internet estão implícitas naquilo que se disse até aqui.
Uma das mais importantes delas diz respeito àquilo a que hoje se chama «divisão digital» – uma forma de discriminação que separa os ricos dos pobres, tanto dentro das nações como entre elas mesmas, com base no acesso, ou na falta de acesso, às novas tecnologias de informação. Neste sentido, trata-se de uma versão actualizada da diferença mais antiga entre as pessoas «ricas de informação » e as outras « pobres de informação ».
A expressão « divisão digital » salienta o facto de que os indivíduos, os grupos e as nações devem ter acesso às novas tecnologias em ordem a participar nos prometidos benefícios da globalização e do desenvolvimento, e não ser privados dos mesmos. É imperativo «que a brecha entre os beneficiários dos novos meios de informação e expressão, e os que ainda não tiveram acesso aos mesmos, não se converta noutra obstinada fonte de desigualdade e discriminação».21 Devem-se encontrar formas de tornar a Internet acessível aos grupos menos avantajados, ou directamente ou pelo menos vinculando-a aos meios de comunicação tradicionais, cujo custo seja inferior. O espaço cibernético deve constituir um recurso de informações e serviços abrangentes, disponíveis gratuitamente para todos, e numa vasta gama de línguas. As instituições públicas têm a particular responsabilidade de criar e de manter sites deste género.
Na medida em que a economia global adquire a sua forma, a Igreja está preocupada em «garantir que neste processo vença a humanidade inteira » e não apenas «uma elite próspera que controla a ciência, a tecnologia, a comunicação e os recursos do planeta »; isto significa que a Igreja deseja «uma globalização ao serviço de todo o homem e do homem todo».22
Neste caso, deve-se ter em mente que as causas e as consequências da divisão não são unicamente económicas, mas inclusive técnicas, sociais e culturais. Assim, por exemplo, outra « divisão » da Internet contribui para a desvantagem das mulheres e também ela precisa de ser eliminada.

11. Estamos particularmente preocupados com as dimensões culturais daquilo que hoje se está a realizar. Precisamente como poderosos instrumentos no processo de globalização, as novas tecnologias de informação e a Internet transmitem e contribuem para formar uma série de valores culturais – modos de pensar acerca dos relacionamentos sociais, da família, da religião e das condições humanas – cuja novidade e fascínio podem desafiar e ultrapassar as culturas tradicionais.
Sem dúvida, o diálogo e o enriquecimento interculturais são deveras desejáveis. Com efeito, « o diálogo entre as culturas é particularmente necessário hoje, quando se pensa no impacto das novas tecnologias da comunicação sobre a vida das pessoas e dos povos ».23 Contudo, este caminho deve ser bilateral. As culturas têm muito a aprender umas das outras, e meramente impor a visão, os valores e até mesmo a linguagem mundial de uma determinada cultura sobre as outras não significa diálogo, mas imperialismo cultural.
O domínio cultural é um problema particularmente sério, quando uma cultura predominante transmite valores falsos, contrários ao bem genuíno dos indivíduos e dos grupos. Desta forma a Internet, juntamente com os outros instrumentos de comunicação social, está a transmitir uma mensagem imbuída dos valores da cultura secular ocidental a pessoas e a sociedades que, em muitos casos, não estão adequadamente preparadas para a avaliar e para lidar com a mesma. Daqui resultam problemas sérios – por exemplo, no que diz respeito à vida matrimonial e familiar, cuja instituição está a experimentar «uma crise generalizada e radical»24 em muitas partes do mundo.

Obras de Misericórdia

Na devoção à Divina Misericórdia a prática das Obras de Misericórdia quer corporais quer espirituais são muito importantes.

 

Sem a confiança na Misericórdia e sem a prática das obras de Misericórdia pedidas por Jesus não existe uma verdadeira devoção à Misericórdia. “Se por teu intermédio peço aos homens o culto à Minha Misericórdia, por tua vez deves ser a primeira a distinguir-te pela confiança na Minha Misericórdia. Estou exigindo de ti atos de misericórdia, que devem decorrer do amor para comigo…”.Eu te indico três maneiras de praticar a misericórdia para com o próximo: a primeira é a ação, a segunda a palavra e a terceira a oração. “(D. 742)

As obras de misericórdia, segundo Catecismo de São Pio X

Obra de misericórdia é aquela com que se socorre o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais.

As obras de misericórdia são quatorze: sete corporais e sete espirituais, conforme são corporais ou espirituais as necessidades que se socorrem.

As obras de misericórdia corporais são:

1ª Dar de comer a quem tem fome;

2ª Dar de beber a quem tem sede;

3ª Vestir os nus;

4ª Dar pousada aos peregrinos;

5ª Assistir aos enfermos;

6ª Visitar os presos;

7ª Enterrar os mortos.

As obras de misericórdia espirituais são:

1ª Dar bom conselho;

2ª Ensinar os ignorantes;

3ª Corrigir os que erram;

4ª Consolar os aflitos;

5ª Perdoar as injúrias;

6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;

7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

(Catecismo de S. Pio X. Capítulo IV. “Das obras de misericórdia”)

Cada um dentro de suas possibilidades e dons, pode em diversos momentos da vida fazer obras de misericórdia.

Para uns é mais fácil visitar enfermos, para outros é mais fácil ensinar os ignorantes. Mas para todos em alguma fase da vida surgirão os momentos de “perdoar as injúrias” e “sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo”.

No Diário de Santa Faustina algo nos chama a atenção: “O Amor é a flor e a Misericórdia é o fruto”.

Todo ato de amor resulta em misericórdia, não há como fugir desta verdade!

O menor ato de amor que você praticar, terá como resultado a misericórdia!

Praticar, obras de Misericórdia, é amar concretamente a Jesus nos irmãos. Que recompensa há em amar somente aos que nos amam? Por isso, todos são incluidos nesta condição. Ame os que te perseguem, os que te caluniam, os que não gostam de voce, etc. Seus gestos de amor transformarão os corações: primeiro o seu, e em conseqüência, o do próximo!