A Armadura do Cristão

Quando falamos em armadura do cristão, logo lembramos de Efésios 6,10-20. Esta formação de Paulo a comunidade de Éfeso não ficou perdida lá atrás, mas ela é para cada um de nós tomarmos como referência para realizamos o caminho de santidade e sermos vitoriosos. Infelizmente nos foi passado uma mentalidade sobre esta Palavra e também o salmo 90 que se estivermos com problemas ou de proteção, é só ler, recitarmos, e até ficar repetindo que tudo se resolverá. Usamos a Palavra de Deus como amuleto, ou até superstição. Tem pessoas que só saem de casa se rezar a armadura do cristão.

Muito bem, vamos tentar aqui desmistificar e dá o verdadeiro sentido da Palavra em Efésios 6.

Inicialmente precisamos tomar saber que a Palavra de Deus é viva, é Deus falando conosco e nos fazendo uma proposta de caminharmos segundo os seus pensamentos e sentimentos. A palavra de Deus é Jesus, que é Caminho seguro para o céu, que nos dá o norte da Verdade, e é Vida plena para aqueles que a seguem.

Quando procuramos saber o significado de armadura, vamos encontrar que era uma vestimenta utilizada para proteção pessoal, originalmente de metal, usada por soldados, guerreiros e cavaleiros como uma forma de proteção as armas brancas, para vencerem as batalhas. Paulo começa nos dizendo que deveremos nos revestir da Armadura de Deus , e nos diz que para vencermos as insidias do diabo. Continua nos alertando que as lutas que iremos travar para chegarmos a santidade não são humanas, que as batalhas não são as pessoas que são nossas inimigas, mas é um mundo espiritual que não podermos ver através dos olhos humanos e nem vencê-las por eles, mas só pelo espiritual.

Às vezes queremos combater as situações difíceis de nossas vida com as armas humanas, nossas forças, nossos planos, com nossas armas, e o que acontece é nos cansarmos, pararmos na caminhada e muitas vezes desistirmos de caminhar. A nossa luta é contra o diabo que tem inveja de nós, do homem, e por isso continua nos atacando através de nossas fraquezas, como fez com nossos primeiros pais.

A medida que vamos meditando na Palavra de Efésios, Paulo vai nos mostrando quais as “peças” da armadura de Deus que deveremos nos revestir, e alertando que devemos nos manter com elas o tempo todo, em toda nossa caminhada.

Ele começa dizendo que deveremos nos por de pé. Pé, na linguagem teológica significa a pessoa ou o caráter da pessoa. Também é símbolo de poder ( colocar os inimigos debaixo dos pés). Escorregar nos pés significa enfraquecimento da fé( Sl 73,2). A direção do pé indica o caráter da pessoa, que se volta para o mal( Is 59,7; Pr 1,16; 6,18; Jó 31,5) ou se volta para Iahweh ( Sl 119,59.101; Pr 4,27; Is 58,13).

Indica também sua função primeiro de caminhar, indica a mensagem, o seguimento, a decisão e a vontade; sentar-se aos seus pés é atitude de discípulo ( Lc 8,35; 10,39; At 22,2).

Pôr-se de pé é decidir-se

Vamos colocar que então que precisamos nos decidir pela proposta que Deus faz para nós como cristãos. Depois que devemos esta com rins cingidos.

Os rins são sede do desejo e da intensão ( Sl 7,10; 26,2; Jr 11,20; 17,10; 20,12), mas também é sede a excitação ( Sl 73,21), representam também pensamentos que se instruem. Que também, significa entranhas: sede das paixões, instintos, sentimentos e origem de comportamento: ternura, paixões, amor, ódio, fidelidade, gozo, tristeza, afeição, misericórdia, compreensão, compaixão. Nelas se travam as batalhas de Deus, pois são o eixo da vida. Por isso , a busca de deus e a conversão são apresentadas também como uma renovação interior ( Jr 31,30; Sl 79,8; Os 2,25; Mt 9,36; 18,27; Lc 1,78).

Mas nos diz que os rins deverão estar cingidos, abraçados ou envolvidos com muita força, completamente envolto ou rodeado com a Verdade, que é a realidade revelada por Deus, manifestada na palavra e na pessoa de Jesus. Diante de Deus, a língua, o pensamento, as ambições e as ações humanas são todas falsidades. Sem esta verdade, sem Jesus em nossa vida, vivemos como ignorantes e enganados facilmente pelo diabo.

Paulo nos diz que deveremos nos revestir da Couraça da Justiça que é a ação salvífica de Deus, é crê na proposta de Deus, que é o melhor, que é fiel ao chamado que Deus fez para ele, respondendo com generosidade e compromisso. A expressão máxima da Justiça é Jesus, por isso somos chamados a termos os mesmos sentimentos de Cristo. A justiça de Deus para com a humanidade se fez na Cruz, se entregando por amor aos homens. Vida doada para salvação da humanidade, na humildade e obediência.

Não podemos esquecer que para realizarmos um caminho devemos estarmos Calçados com zelo pela Palavra que iremos anunciar, que é uma Pessoa: Jesus. Zelo da fidelidade, sandálias da Humildade e Obediência, para realizarmos tudo conforme a vontade de Deus.

Um soldado também tem um Escudo, em nosso caso é a , que nos leva a acreditar no que ainda não vemos, mas acolhemos a vontade de Deus, e dizermos não as propostas do diabo e humanas que serão lançadas contra nós.

Não deverá faltar o Capacete da Salvação e a Espada do Espírito. Se desejo caminhar segundo a vontade de Deus, preciso conhecer a Palavra de Deus e torna-la vida em minha vida. A palavra de Deus deve nortear todas as minhas decisões, ações, desejos, escolhas, Ela é o Caminho que devemos seguir, sempre impulsionados e guiados pelo Espírito Santo, que nos configurara com Jesus e nos levará a nos relacionarmos com o Pai. É o Espírito Santo que nos guiará, que será a luz para os nosso passos.

A Armadura de Deus a qual deveremos tomar é nos decidirmos pela vontade de Deus, submetendo toda a nossa vida a sua vontade, embebidos da Palavra de Deus, que é Jesus, e nos deixando modelar segundo o sonho que Deus tem para nós, segundo a missão que Ele nos confiou, não desviando nem para a direita nem para a esquerda. Não esqueçamos que só o Espírito Santo poderá nos ajudar a vestirmos a Armadura de Deus, pois Ele que é a Terceira Pessoa da Trindade tem como missão habitar em nossos corações e realizar em nós o projeto de Deus, sempre com a adesão livre do homem.

Que possamos com Fé nos revestirmos da Armadura de Deus, e pedirmos o auxilio de Nossa Senhora, Mãe da Divina Misericórdia, que nos ajude a nos mantermos sempre vestidos desta armadura, e sermos fieis aos planos de Deus, como ela foi, Acreditando na Humildade e Acolhendo na Obediência a vontade de Deus.

Janet Melo de Saboia Alves
Cofundadora da Comunidade Católica Reviver pela Misericórdia
Natal, 17 de Maio de 2017 Continuar lendo

7 temas espirituais em Star Wars VII

É preciso sempre apreciar nossa herança religiosa e as histórias que norteiam nossas escolhas

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George Lucas queria que Star Wars fosse uma nova mitologia que ensinasse a uma nova geração sobre a espiritualidade, o bem e o mal. Ele usou deliberadamente temas comuns nas histórias bíblicas e várias religiões em seus filmes. Aqui estão sete temas fundamentais para procurar no novo filme.

1. Vocação: O chamado, a recusa inicial e a aceitação do chamado. Luke é um simples garoto de fazenda em um planeta remoto. Mas o velho Obi-Wan o chama para aprender os caminhos da Força. Luke se recusa a princípio: “Eu não vou para Alderaan!” Mas, finalmente, deixa tudo para trás, seguindo o seu professor (e mais tarde Yoda) para se tornar um Jedi.

2. A existência de um poder superior invisível: O aprendiz Jedi precisa aprender a abrir-se a um poder superior que irá guiá-lo e que pode até mesmo realizar milagres. Não é bem o Espírito Santo por causa de sua natureza impessoal, mas ainda um princípio orientador que pode trazer luz, se você abrir o seu coração e sua mente para ela. “Use a força, Luke.”

3. Tentação: Para usar os talentos e dons por razões egoístas, por medo, raiva ou ódio. Darth Vader era um bom menino, mas ele foi seduzido pela maneira “fácil” do lado sombrio. Seguir o lado da luz é difícil e exige dedicação, desprendimento e sacrifício.

4. Mal: A realidade do mal que se origina a partir da escolha de recusar a luz e se voltar para a escuridão. Esta escolha de recusar a luz pode ter consequências tremendas para o resto do universo. Alguns personagens emStar Wars parecem encarnar esse mal de uma maneira pessoal, como Darth Maul, com sua aparência diabólica, e o Imperador.

5. Sacrifício redentor: Não há maior amor do que dar a vida por seus amigos. Às vezes, a busca para salvar pessoas da escuridão pode levar ao sofrimento e sacrifício. Obi-Wan se deixa matar por Darth Vader assim Luke, Leia e Han podem escapar.

6. Conversão: Apesar do poder que a escuridão pode ter sobre a alma de alguém, há sempre o bem em algum lugar profundo dentro de si. A conversão, o perdão e a redenção continuam a ser possíveis até o fim. Luke, diz Darth Vader: “Eu sinto o bem em você.” A fé finalmente ganha Vader de volta, e ele se torna o salvador, uma vez que foi chamado a ser exatamente isto.

7. Renascimento e ressurreição: A morte nem sempre é o fim; uma vida bem vivida pode continuar após a morte. Obi-Wan, Anakin e Yoda aparecem como espíritos depois que morrem. Star Wars está cheio de “despertares” de pessoas ou coisas que pareciam ter morrido, mas voltam à vida, como Han Solo depois que ele fica congelado em carbonite, ou C-3PO, que foi remontado depois que ele leva um tiro.

Star wars é uma metáfora dos nossos tempos. Nós nos esquecemos de nossa herança religiosa, as histórias que norteiam nossas escolhas. O que nos torna vulneráveis ​​à tentação do egoísmo, medo, raiva e ódio. Mas a fé sempre volta. Han Solo começa como um ateu, mas acaba transmitindo sua fé na força para uma nova geração que pensou que as velhas histórias eram apenas mitos e contos de fadas: “É verdade – tudo isso”, ele diz-lhes.

Via Aleteia

A cabana. Uma reflexão à luz da fé católica sobre o livro que pode iluminar quem vai ver o filme.

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Estamos publicando a análise para nos ajudar a:

– Perceber nas entrelinhas do livro, ou em outros que venhamos a ler, a ideologia de esvaziamento de pontos essenciais de nossa fé católica;

– Ajudar-nos a perceber nossa atitude diante daquilo que lemos, principalmente em obras de cunho religioso ou “autoajuda”, que adentram na dimensão espiritual/espiritualista que interessa a nós católicos;

– Ajudar-nos a despertar o senso critico – não neurótico, mas atento – para filtrar à luz de nossa fé aquilo que vale a pena ler ou não. A oferta hoje é tamanha que exige critérios para não perder tempo, nem dinheiro, com aquilo que nada acrescenta de consistente à nossa fé ou a nossa vida;

Impressiona a Incapacidade que muitos tem de não perceber, dentro daquilo que estão lendo, onde tem verdade ou não. Alguns não conseguem ver nada errado onde qualquer olhar mais atento percebe tudo!

A proposta não é analisar todo o livro mas apenas algumas partes na esperança que possa despertar naqueles que ainda vão ler, se tiverem “estômago”, uma nova percepção e naqueles que já leram uma confirmação daquilo que provavelmente haviam percebido.

Desnecessário se faz dizer que a análise foi feita a partir da fé católica, o que poderá tornar algumas colocações não muito claras para quem não está razoavelmente por dentro da doutrina básica de nossa fé.

Partindo dessa análise feita do livro, é possível assistir o filme sobre uma outra perspectiva, mais critica e menos ingênua.

Católico pode ver o filme? claro que sim. O que não pode é ser Teologicamente ingênuo.

***

” A cabana”- análise do livro sob ótica católica.

  1. O livro é muito bem escrito e atraente no seu enredo simples, no assunto e no estilo. A linguagem, porém, com algumas citações bíblicas feitas de formas indiretas, traz uma profusão de sofismas capaz de iludir o leitor menos atento. (lembro que a “metodologia” do sofisma, muito utilizado na filosofia grega antiga, consiste em tomar uma verdade ou duas verdades e combiná-la com uma ou mais inverdade de formas que tudo pareça verdadeiro ou que tudo pareça falso, de acordo com o objetivo de quem sofisma). O livro traz em seu próprio enredo incoerências entre a trama e o que é dito pelas “pessoas” da “trindade”.
  2. a editora do mesmo (e isso é muito importante ao comprar ou ler um livro dedica-se a livros de auto-ajuda ou assuntos não comprovados nem pelo próprio livro nem pela ciência, teologia e, por vezes, o bom-senso). É bastante ler a lista dos seus “clássicos”, na ultima página do livro. A exceção é O Monge e o Executivo.

O livro conta a história de um homem que, em um acampamento nas montanhas com os filhos tem sua caçula seqüestrada e morta enquanto está sob a água, tentando salvar um outro filho, que se afogava sob um bote. Após quatro anos de tristeza e desilusão, recebe uma carta de Deus, que se apresenta como Papai convidando-o a voltar à cabana onde o crime contra sua filha havia sido cometido. Relutante, aceitou.

Até aqui, nada anormal. A ficção, afinal, dá direito a todo tipo de imaginação. O inadequado começa quando este homem, Mack, encontra a “trindade” na cabana. Naturalmente, como autor, Young goza o direito de utilizar sua imaginação, sua bela linguagem, suas descrições do Pai como uma senhora negra que cozinha, o Filho como um judeu cujo nariz enorme o deixa feio e o Espírito como uma moça asiática feita de luz.

Ele tem o direito, sim, de imaginar a trindade como um autor leigo ignorante da boa teologia e eclesiologia e influenciado pela Nova Era, pelo Espiritismo e pelo Relativismo. Nós é que temos o dever de distinguir o que é bom do que não é. A narrativa é tão envolvente, que os deslizes de Young quanto à fé, a eclesiologia e a moral podem passar desapercebidos para a pessoa mais bem formada. Vejamos alguns:

I. O PAI

  1. O Papai é apresentado como uma mulher (Young parece decidido a quebrar todos os paradigmas) e chamado de papai durante todo o livro, tanto pelo Filho e pelo Espírito, quanto por Mack. Sabemos que João Paulo II afirma que Deus é Pai e Mãe quanto ao cuidado, ao coração misericordioso, as entranhas de misericórdia, tão típicas de uma mãe. Entretanto, o Deus que Jesus nos veio revelar é o Deus que é Pai, ainda que afirme em Mt 5 que Ele tem entranhas de mãe. A justificativa do “pai” para apresentar-se como mulher é o fato de Mack ter rejeição ao seu pai biológico (p. 83). Esta mulher, entretanto, não é mãe, mas pai. Seus afazeres são, segundo ela mesma, de cozinheira e governantaEste pai mulher traz as cicatrizes de Jesus, como se o Pai não fosse puro espírito, mas tivesse um corpo de homem, isso é, de mulher.
  2. Em um esforço de fazer “deus mais perto de nós”, o autor acaba por esbarrar no grotesco. Além da descrição do Pai como uma enorme negra que se auto-intitula governanta-cozinheira e traz cicatrizes no corpo (???), destacam-se algumas situações especiais. Perguntado por Mack sobre que música estava ouvindo, respondeu:

” Um barato da Costa Oeste. É um disco que ainda nem foi lançado, chamado Viagens do Coração, tocado por uma banda chamada Diatribe . Na verdade – ela piscou para Mack – esses garotos ainda nem nasceram.

– É mesmo, reagiu Mack bastante incrédulo. – Um barato da Costa Oeste, hein? Não parece muito religioso.

– Ah, acredite: não é. É mais tipo funk e blues eurasiano com uma mensagem fantástica. – Ela veio bamboleando na direção de Mack, como se estivesse dançando, e bateu palmas. Mack recuou. (!!!)

– Então Deus ouve funk?

– Ora, veja bem, Mackenzie. Você não precisa ficar me rotulando. Eu ouço tudo e não somente a musica propriamente dita, mas os corações que estão por trás delas.”(p. 81) ( os rótulos são especialmente detestados na nova era e no relativismo)

  1. O “pai” dá uma explicação completamente esdrúxula para ter-se revelado como pai e não como mãe:

“…assim que a Criação se degradou, nós soubemos que a verdadeira paternidade faria muito mais falta do que a maternidade. Não me entenda mal, as duas coisas são necessárias, mas é essencial uma ênfase na paternidade por causa da enormidade das conseqüências da função paterna”(p. 84). Creio que tal absurdo dispensa comentários. O autor não leva em conta o que a Bíblia e a Igreja dizem da missão do homem, do pai, da mulher e do homem na criação, na família, na sociedade. Aliás, esta é uma das características do livro. Não lhe importa o que diz a Palavra ou a Igreja e esta, como todas as instituições, são desprezíveis aos olhos da “trindade”, que orienta Mack a desprezá-las.

  1. Ao definir o que Ele é, desautoriza o que os homens pensam e definem dele (embora não cite diretamente a Igreja e os teólogos, fica implícito pelas palavras que usa). No final, felizmente diz que é “acima e além de tudo o que você possa perguntar ou pensar.”(p. 88)
  2. Na página 89, o pai faz uma afirmação capaz de fazer tremer os céus: “Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos. Também optamos por abraçar todas as limitações que isso implicava. Mesmo que tenhamos estado sempre presentes nesse universo criado, então nos tornamos carne e sangue. Seria como se este pássaro, cuja natureza é voar, optasse somente por andar e permanecer no chão. Ele não deixa de ser pássaro, mas isso altera significativamente sua experiência de vida.” E continua a confusão teológica sobre 3 Pessoas em um só Deus dizendo: “Ainda que por natureza Jesus seja totalmente Deus, ele é totalmente humano e vive como tal (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) Ainda que jamais tenha perdido sua capacidade inata de voar, ele opta, momento a momento, por ficar no chão. Por isso (!!!!!!) seu nome é Emanuel, Deus conosco, ou Deus com vocês, para ser mais exata.” De uma tacada só, além de destruir o dogma da Santíssima Trindade, (somente o Filho se faz homem e, embora as outras duas pessoas estejam com ele e nele, não se pode dizer que os três se fizeram homem) atinge a união hipostática e a profecia de Isaías. A impressão que dá é que o autor “ouviu o galo cantar, mas não sabe onde”. Por mais que se queira justificar tais afirmações com o fato da intenção do autor não ser teológica, ele insiste, como outros autores de livros metade cristãos-metade autoajuda, em colocar o Evangelho, a Palavra e a Igreja a serviço de sua idéia e objetivo e não o contrário.
  3. Depois, infelizmente, vem algo ainda pior, que fazemos questão de transcrever:

“- Mas, e todos os milagres? As curas? Ressuscitar os mortos? Isso não prova que Jesus era Deus… você sabe, mais que humano?

– Não, isso prova que Jesus é realmente humano.

– O que?

– Mackenzie, eu posso voar, mas os humanos, não. Jesus é totalmente humano. Apesar de ele ser também totalmente Deus, nunca aproveitou sua natureza divina para fazer nada. Apenas viver seu relacionamento comigo do modo como eu desejo que cada ser humano viva. Ele foi simplesmente o primeiro a levar isso até as últimas instâncias: o primeiro a colocar minha vida dentro dele (??) o primeiro a acreditar (??) no meu amor e na minha bondade, sem considerar aparências nem conseqüências. (Tal comentário, além de dizer que Jesus precisava da virtude TEOLOGAL da fé, deixa de fora todos os profetas, todos os patriarcas, João Batista, José e Maria. Desclassifica tudo o que Jesus fez, não somente os milagres, mas o milagre maior do amor de total entrega na Cruz e na Eucaristia).

– E quando curava os cegos?

– Fez isso como um ser humano dependente e limitado que confia na minha vida e no meu poder de trabalhar com ele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder para curar ninguém.” (p. 90). Este é mais um golpe inacreditável na união hipostática, mas consegue piorar no parágrafo seguinte:

“- Só quando ele repousava em seu relacionamento comigo e em nossa comunhão, nossa comum-união, ele se tornava capaz de expressar meu coração e minha vontade em qualquer circunstância determinada. Assim, quando você olha para Jesus e parece que ele está voando, na verdade ele está… voando. Mas o que você realmente esta vendo sou eu, minha vida nele. É assim que ele vive e age como um verdadeiro ser humano, como cada humano está destinado a viver: a partir de minha vida“(p. 90). Este é um dos sofismas mais disfarçados e sutis do livro, o que torna a afirmação aparentemente verdadeira para os mais distraídos, mas totalmente absurda para alguém mais atento: uma verdade – cada ser humano é chamado (não destinado!) e várias inverdades, a partir da primeira linha (então quer dizer que Jesus ora “repousava em seu relacionamento com Deus e Sua vontade, ora não??? Este raciocínio mentiroso é coroado com uma ultima inverdade: Jesus vive e age como verdadeiro ser humano. NÃO É ISSO o que Jesus quis dizer quando afirma que faz o que vê o Pai fazer, que aprendeu tudo do Pai, que Ele e o Pai são um! Jesus É totalmente homem e totalmente Deus e é um com o Pai, gerado, não criado, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus Verdadeiro.

Em um dado momento, o mesmo Pai, que nos pede para não chamar o irmão de “Racca”, sob pena do fogo do inferno (Mt 5), diz:

“- Homens! algumas vezes são tão idiotas!”

Ele não podia acreditar.

_ Ouvi Deus me chamar de idiota? – gritou pela porta de tela.

Viu-a (“ela” é Deus) dar de ombros antes de desaparecer na virada do corredor. Depois ela (o “pai”) gritou em sua direção:

– Se a carapuça serve, querido. Sim, senhor, se a carapuça serve…”

II. O FILHO

  1. O Filho se apresenta como um judeu envolvido em sua carpintaria e com Mack e ri quando este diz que ele é feio, afirmando que, realmente, é feio e tem o nariz grande como os ancestrais masculinos de sua mãe. (p. 102) Sabemos que em Deus não há nada que não seja beleza, verdade, luz, vida e ainda que todos os ancestrais de Nossa Senhora fossem feios e narigudos, isso não seria característica do Filho.
  2. Acerca da inabitação, diz o livro:

“- Meu propósito, desde o início, era viver em você e você viver em mim.

– Espere, espere. Espere um minuto. Como isso pode acontecer? Se você ainda (???) é totalmente humano, como pode estar dentro de mim?

– Espantoso, não é? É o milagre de Papai. É o poder de Sarayu (Esp. Sto), meu Espírito, o Espírito de Deus que restaura a união que foi perdida há tanto tempo. Eu? A cada momento eu escolho viver totalmente humano (????) Sou totalmente Deus, mas sou humano até o âmago. Como disse, é o milagre do Papai. (p. 103)

3. Milagre ou diversão?

Embora seja um deslize pequeno, quase uma utilização literária de uma passagem das Escrituras, o evento de Jesus e Mack caminharem sobre as águas contradiz o Evangelho. Sabemos o quando Jesus se aborrecia quando as pessoas pediam sinais e o quanto a Igreja insiste em dizer que Jesus sempre tinha um objetivo claro em seus milagres. Este de caminhar sobre as águas foi crucial para Pedro e para o entendimento da Igreja como uma barca. Como disse, entretanto, é um deslize pequeno diante dos outros.

III. O ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo é uma moça asiática etérea, irrequieta e colorida, que leva as pessoas a se sentirem bem, em paz, aliviadas, mais que amarem a Deus e aos irmãos. Não tem nenhuma relação com a Igreja, assim como o Pai. Nega que a Bíblia traga regras, mandamentos ou conselhos, como veremos abaixo. Ele é como que o “responsável” por fazer o homem livre de toda regra, obediência ou mandamento bíblico ou da Igreja. Ou seja, tem papel exatamente contrário ao do verdadeiro Espírito Santo!

IV. UM DEUS ANARQUISTA?

Oposição entre amor, relacionamento e poder, hierarquia e autoridade: um Deus anarquista?

Este tema desenvolve-se sutil e lentamente ao longo do livro e acabará por opor toda instituição ao amor e relacionamento, o que se tornará crítica explícita à Igreja e à religião. O tema já aparece antes da página 97, mas retorna aqui:

“Os relacionamentos não têm nada a ver com poder. Nunca! E um modo de evitar a vontade de exercer poder é escolher se limitar e servir. Os humanos costumam fazer isso quando cuidam dos enfermos, quando servem os idosos, quando se relacionam com os pobres, quando amam os muito velhos e os muito novos, ou até mesmo quando se importam com aqueles que assumiram uma posição de poder sobre eles.” (97) Depois da primeira frase, todas as frases são corretas, o que parece dar legitimidade à primeira, mas é um paradoxo com a ultima.

Outro texto sobre o mesmo tema:

“- os humanos estão tão perdidos e estragados que para vocês é quase incompreensível que as pessoas possam trabalhar ou viver juntas sem que alguém esteja no comando.

– Mas qualquer instituição humana, desde as políticas até as empresariais, até mesmo o casamento, é governada por esse tipo de pensamento. É a trama do nosso tecido social – declarou Mack.

– Que desperdício! Disse Papai, pegando o prato vazio e indo para a cozinha.

– Esse é um dos motivos pelos quais é tão difícil para vocês experimentar o verdadeiro relacionamento – acrescentou Jesus. – Assim que montam uma hierarquia, vocês precisam de regras para protegê-la e criando algum tipo de cadeia de comando que destrói o relacionamento ao invés de promovê-lo. Raramente vocês vivem o relacionamento fora do poder. A hierarquia impõe leis e regras e vocês acabam perdendo a maravilha do relacionamento que nós pretendemos para vocês. (Em Gn 1, Deus já estabelece uma hierarquia entre o homem e o criado, o que define inclusive o tipo de relacionamento entre eles e o tipo de responsabilidade do homem quanto à criação – mais tarde, no livro, a responsabilidade também será questionada)

– … Então nós fomos seduzidos por essa preocupação com a autoridade?

– De certo modo, sim – respondeu Papai, passando o prato de verduras para Mack… –

Sarayu continuou:

– Quando vocês escolhem a independência nos relacionamentos tornam-se perigosos uns para os outros. As pessoas se tornam objetos a serem manipulados ou administrados para a felicidade de alguém. A autoridade, como vocês pensam nela, é meramente a desculpa que o forte usa para fazer com que os outros se sujeitem ao que ele quer.” (puro relativismo e nova era, a ser engolido por milhões de pessoas no mundo inteiro sob a autoridade do nome de Deus!)

Mais tarde, na pág 122, Sarayu diz que essa conversa relacionava-se com a árvore da vida!!!

Desta forma, critica o próprio Deus que, segundo o então Cardeal Ratzinger, proíbe o homem de tocar na árvore do bem e do mal e na árvore da vida exatamente para definir a relação de autoridade e obediência e impor ao homem limites que, obedecidos, o teriam salvaguardado do pecado. Lendo Gen 1, 2 e 3, onde se estabelecem as primeiras regras, hierarquia e instituições, pode-se dizer tudo, EXCETO que Deus não se relacionava com o homem!!!

Na página 135, há uma afirmação sobre as mulheres e o poder, o que poderia parecer ser simplesmente uma tentativa de quebrar paradigmas, já que não se repete depois. É Jesus quem fala:

“- O mundo, em vários sentidos, seria um lugar muito mais tranqüilo e gentil se as mulheres governassem. Haveria muito menos crianças sacrificadas aos deuses da cobiça e do poder. (esta é uma idéia feminista das mais radicais. Segundo ela, a mulher é superior ao homem em vários campos e têm uma percepção do universo mais espiritual. Tal idéia é um primeiro passo para a defesa do aborto e a retirada do sentimento de culpa das mulheres com relação a ele. Por isso, muitos governos colocam mulheres à frente de processos de legalização do aborto).

Mack continua:

– Então elas teriam realizado melhor esse papel.

– Melhor, talvez, mas ainda assim não seria suficiente. O poder nas mãos dos seres humanos independentes, sejam homens ou mulheres, corrompe. Mack, você não vê que representar papéis é o contrário do relacionamento?” (mais uma vez, duas idéias não verdadeiras (mulheres no governo fariam um mundo melhor e representar papéis é o contrário do relacionamento) se apóia em uma verdadeira ( o poder nas mãos dos seres humanos independentes, sejam homens ou mulheres, corrompe).

A pouca relevância do parágrafo acima no contexto do livro, torna-se aberrante na passagem abaixo, quando Mack diz:

“- Mas você veio na forma de homem. Isso não significa alguma coisa?

– Sim, mas não o que muitos imaginam (??? Indireta aos teólogos, aos estudiosos da Palavra?). Vim como homem para completar a imagem maravilhosa de como fizemos vocês. Desde o primeiro dia escondemos a mulher no homem, de modo que na hora certa pudéssemos retirá-la de dentro dele. Não criamos o homem para viver sozinho. A mulher foi projetada desde o início. Ao tirá-la de dentro dele, de certa forma ele a deu à luz. Criamos um círculo de relacionamento como o nosso, mas para os humanos. Ela saindo dele e agora todos os homens, inclusive eu, nascidos dele, e tudo se originando ou nascendo de Deus.“(P. 135) O Magistério de João Paulo II e Bento XVI, nos tem dado fundamentação de sobra para vermos que a proposta do livro é absurda. Primeiro, a Palavra diz que Deus criou a mulher a partir do homem adormecido. Segundo, o fato de o homem “dar à luz” não o faz semelhante à mulher e muito menos a Deus. Terceiro, essa narrativa esdrúxula jamais remeteria ao homem e à criação nascendo de Deus, que criou tudo do nada!!!!!!!

Infelizmente, a má interpretação continua nos parágrafos seguintes, p. 136:

“- Ah, entendi – exclamou Mack, interrompendo…- se a mulher fosse criada primeiro não haveria um círculo de relacionamento e não se tornaria possível um relacionamento totalmente igual, cara a cara, entre o homem e a mulher. Certo? (Sabemos bem o que diz o Magistério sobre o homem e a mulher face a face na interpretação de Gn 2). Note-se que a afirmação de Mack é totalmente sem lógica. Então o homem precisava “parir” a mulher para que ambos fossem iguais?? Espantoso, além de inspirado em mitologias pagãs.

– Certíssimo Mack. (…) Mas sua independência, com busca de poder e de realização, na verdade destrói o relacionamento que seu coração deseja.

– Aí está de novo (…) a questão sempre volta ao poder e a como ele é oposto ao relacionamento que vocês tem entre si. “(136). Novamente, temos aqui o pecado original, o fruto da árvore do bem e do mal como busca de independência e poder (um pecado relacional!) e não como o pecado pessoal da rebeldia contra Deus, do orgulho e egoísmo (pecado que tira Deus do centro e diz respeito ao interior de cada um, embora se expresse nas relações). O pecado original, aqui, não é visto como uma queda do homem ou uma rebeldia contra Deus, mas uma concupiscência (que, como sabemos, é resultado do pecado original, e não O pecado original).

IV – RELATIVISMO

O relativismo aparece por todo lado no livro. Seria necessário transcrevê-lo quase todo. Aparece na falta de necessidade de obedecer, no fazer o que quiser ao invés de obedecer, no ridículo que é ter responsabilidade. Segundo “Jesus”, no livro, submissão não tem nada a ver com autoridade e obediência, que são conceitos inventados por nós, assim como a responsabilidade e a expectativa (p. 133). O relativismo está presente no “anarquismo” comportamental pregado especialmente no final do encontro de Mack com a “trindade”. Na verdade, poderia resumir a mentalidade do livro, juntamente com “anarquismo”, “individualismo”, utilização irresponsável de sofismas e utilização indevida da Palavra em interpretação pessoal e muito fantasiosa.

“- Vc não deve fazer nada. Está livre para o que quiser. (…) não se sinta obrigado. Vá se for isso o que você quer fazer.”, diz Jesus (p. 80)

Como as idéias da moral relativista se espalham por todo o livro, preferimos colocá-las à medida que aparecem de forma mais forte, nos comentários abaixo:

V. DOUTRINA SOBRE O CÉU E INFERNO

  1. A ênfase sobre uma “trindade” que não exige, que não julga, que não espera nada de nenhum homem, que não nutre expectativas nem lhes impõe responsabilidades nem os purifica (apenas os cura) elimina inteiramente a idéia da purificação do purgatório para ver a Deus (como o livro é escrito por protestante, não se pode esperar isso mesmo), mas também a idéia do infernoDeus é perfeitamente bom, tolerante e vê o bem do homem como um relacionamento com ele, sem esforço pela santidade, sem purificação para a santidade. Jesus já venceu tudo isso na morte e ressurreição (no livro não se fala de pecado). A única coisa que o homem deve fazer, mas só se quiser, é relacionar-se com a “trindade”, mas sem compromisso de amor, Igreja, sem qualquer instituição, sem responsabilidade, sem expectativas e sem regras, leis ou rituais.

Um exemplo é quando Jesus diz a Mack:

“- Só quero que confie em mim o pouco que puder e que cresça no amor pelas pessoas ao seu redor com o mesmo amor que compartilho com você. Não cabe a você mudá-las nem convencê-las, Você está livre para amar sem qualquer obrigação.”

Na pág 168 se lê:

“Mack, eu as amo (as pessoas que inventaram os sistemas de poder). E você comete um erro julgando-as. Devemos encontrar modos de amar e servir os que estão dentro do sistema, não acha? Lembre-se, as pessoas que me conhecem são aquelas que estão livres para viver e amar sem qualquer compromisso. (!!!!!!!!!!) (Como amar de acordo com o Evangelho sem compromisso ou responsabilidade? Como seguir Jesus até a cruz, como ser seu discípulo sem compromisso ou responsabilidade? De qual amor o livro fala? Talvez do da Nova Era, do da Era de Aquarius, jamais do amor cristão! Jamais do verdadeiro amor humano!)

– É isso o que significa ser cristão? – Achou meio idiota ao dizer isso, mas era como se estivesse tentando resumir tudo na cabeça.

– Quem disse alguma coisa sobre ser cristão? Eu não sou cristão. (na verdade, Jesus era judeu, mas fundou o cristianismo, segundo foram chamados seus seguidores POR CAUSA DELE, o Cristo. Este tipo de afirmação clichê (como muitas outras presentes no livro) engana o leitor incauto e o leva a pensar que ser ou não ser cristão não faz diferença, pois nem Jesus era cristão!)

A idéia pareceu estranha e inesperada para Mack e ele não pode evitar uma risada.

– Não, acho que não é.

Chegaram à porta da carpintaria. De novo Jesus parou:

– Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou mulçumanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestinos. (conforme já comentamos, a idéia de pecado não existe no livro. Jesus já os pagou todos e todos já desapareceram). Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em irmãos e irmãs, meus amados. ( se não importa a Jesus que os homens sejam ou não cristãos, porque Ele teria mandado os discípulos até os confins da terra BATIZANDO OS QUE CRESSEM EM NOME DO PAI, DO FILHO, DO ESPÍRITO SANTO, isto é, fazendo-os cristãos? )

A seguir, vem a afirmação bela e verdadeira que, aparentemente, “sanciona” todo erro exposto:

– Isso significa que toda estrada leva a você?

– De jeito nenhum (…) A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês.” Pronto. Esta afirmação verdadeira vem fazer com que pareçam verdades as inverdades ditas acima. Mais um sofisma bem elaborado).

  1. Neste contexto se dá o encontro com Missy, a filha morta, que o “abraça” e “vê” e é vista e “abraçada” por ele por trás da cachoeira Tal encontro é recheado de elementos do folclore panteísta indígena e nova era como a cachoeira, o jardim colorido, a rocha escura. Os filhos vivos de Mack também estão presente na cena “em sonho”.

Este episódio pontilhado de clichês provavelmente utilizados nas pregações que o autor escutou ou revistas que leu, traz, como clichê central, a historinha do julgamento no qual a pessoa é colocada no lugar de juiz entre dois de seus filhos ou entes queridos. Embora seja clichê entre os protestantes e, dessa forma, empobreça a linguagem do livro, é muito útil para que se entenda a necessidade da misericórdia e perdão, que só Deus tem como exercer sem erro e plenamente. No episódio faltam alguns elementos como Jesus Cristo como fonte de misericórdia, mas isso não parece proposital. É apenas mais uma das muitas contradições do livro, que condena os rituais, mas os promove, que fala no perdão do Pai, mas não inclui o filho, etc.

  1. É, aliás, em um ritual que Mack se encontra com o pai biológico, em meio a milhares de espíritos de luz, mas distinto dos outros por estar-se “debatendo em seus sentimentos” e “resistindo” a eles com relação a Mack. A questão dos espíritos de luz evoca o espiritismo, a nova era, a concepção oriental de céu, o que vem combinar com a idéia de que o Céu como um lugar de purificação da natureza, igualmente espiritualista. Quanto ao “debater-se em sentimentos” o pai de Mack, ou é simplesmente uma figura literária, ou uma clara ignorância do que diz a doutrina cristã sobre o estado das almas no céu.
  2. Neste episódio, há um dado interessante: Mack está vendo o céu com os olhos com que Deus o vê e chega à conclusão de que no céu as pessoas não somente são espíritos de luz sendo purificados (já que o céu é uma purificação da criação), mas que se comunicam através de cores e brilhos. Dado o contexto de tantas afirmações contrárias à fé, fico sem saber se isso é meramente interpretação livre do autor, ou se há algo em alguma doutrina que faça alusão a este tipo de “linguagem”, exceto nas alucinações causadas por LSD, que não creio ser o caso aqui.
  3. VI. IGREJA E “MÁQUINA RELIGIOSA” – PURIFICAÇÃO DA CRIAÇÃO – AFIRMAÇÕES TÍPICAS DA MENTALIDADE ANARQUISTA DA NOVA ERA MISTURADAS COM VERDADES DE FÉAs afirmações das passagens a seguir são tão absurdas que dispensariam comentários. Entretanto, como é possível que alguém tenha lido e não tenha reparado, vamos colocá-las em negrito.Jesus diz a Mack:“- Bom, Mack, nosso destino final não é a imagem do Céu que você tem na cabeça. Você sabe, a imagem de portões adornados e ruas de ouro. O céu é uma nova purificação do universo, de modo que vai se parecer bastante com isso aqui. (Esta afirmação é de cunho espírita e totalmente contrária à fé cristã católica e à Palavra)

    – Então que história é essa de portões adornados e ruas de ouro? (veja que ele fala da Palavra não como a verdade, mas como algo que pode ou não pode ser verdadeiro).

    – Esta, irmão – começou Jesus, deitando-se no cais e fechando os olhos por causa do calor e da claridade do dia -, é uma imagem de mim e da mulher por quem sou apaixonado. (…) É uma imagem da minha noiva, a Igreja: indivíduos que juntos formam uma cidade espiritual com um rio vivo fluindo no meio e nas duas margens árvores crescendo com frutos que curam as feridas e os sofrimentos das nações. Essa cidade está sempre aberta e cada portão que dá acesso a ela é feito de uma única pérola (…) Isso sou eu! (…) Pérolas, Mack. A única pedra preciosa feita de dor, sofrimento e, finalmente, morte. (alguém precisa informar ao autor que a pérola não é uma pedra preciosa. Entretanto, pode ter sido erro de tradução do “gem” em inglês. Em todo caso, aqui temos outro clichê tipicamente evangélico e por vezes útil para o primeiro anúncio).

    – Entendi. Você é a entrada, mas… Você está falando da Igreja como essa mulher por quem está apaixonado. Tenho quase certeza de que não conheço essa Igreja (…) Não é certamente o lugar aonde eu vou aos domingos. (…)

    -Mack, isso é porque você só está vendo a instituição que é um sistema feito pelo ser humano. (Jesus fundou, sim, a Igreja como instituição e também como hierarquia ao nomear Pedro chefe da Igreja em Mt 16) Não foi isso que eu vim construir. O que vejo são as pessoas e suas vidas, uma comunidade que vive e respira, feita de todos que me amam e não de prédios, regras e programas. (não parece uma alusão clara ao Vaticano, às paróquias e aos programas pastorais das Igrejas Evangélicas?)

    “Mack ficou meio abalado ouvindo Jesus falar de ‘igreja” desse modo, mas isso não chegou a surpreendê-lo. De fato, foi um alívio.

    – Então como posso fazer parte dessa Igreja? Dessa mulher pela qual você parece estar tão apaixonado?

    – É simples, Mack. Tudo  tem a ver com os relacionamentos e com o fato de compartilhar a vida. (…) Minha Igreja tem a ver com as pessoas e a vida tem a ver com os relacionamentos. Você pode construí-laÉ meu trabalho e, na verdade, sou bastante bom nisso – disse Jesus com um risinho. (Em outras palavras, o “Imagine” relativista de John Lennon. Novamente, verdade e inverdade se misturam e enganam os menos atentos)

    Para Mack essas palavras foram como um sopro de ar puro! Simples. Não um monte de rituais exaustivos e uma longa lista de exigências, nada de reuniões intermináveis com pessoas desconhecidas. Simplesmente compartilhar a vida. (todo amor à Igreja, toda doação de vida, todo sacrifício, ficam, assim, destruídos)

    (…) Quer dizer, acho que o modo como vocês (a “trindade”) são é muito diferente de todo o negócio religioso em que fui criado e com o qual me acostumei. ( o “negócio religioso”chamado Igreja é arcaico a ponto de toda a sociedade “se acostumar”com ela. É isso o que ele insinua? Pois o “negócio” religioso (provavelmente foi utilizada a palavra “stuff”, que quer dizer “falação sem conteúdo”, mas não tenho o original inglês) , vai agora virar uma “máquina”, veja abaixo)

    – Por mais bem-intencionada que seja, você sabe que a máquina religiosa é capaz de engolir as pessoas! – disse Jesus, num tom meio cortante. – Uma quantidade enorme das coisas que são feitas em meu nome não têm nada a ver comigo. E frequentemente são muito contrárias aos meus propósitos. (A Igreja é uma dessas coisas? É isso o que parece insinuar)

    – Você não gosta muito de religião e de instituições? – perguntou Mack sem saber se estava fazendo uma pergunta ou uma afirmação.

    – Eu não crio instituições. Nunca criei, nunca criarei (!!!!)

    – E a instituição do casamento? (Mack tem razão de perguntar, pois no ritual do casamento é dito explicitamente que ele é a única instituição criada por Deus antes do pecado original e que sobreviveu a ele! Como resposta, “Jesus” vai mais uma vez contrapor instituição a relacionamento, em uma afirmação muito típica do caos pregado pela Nova Era).

     O casamento não é uma instituição. É um relacionamento (…) Como eu disse, não crio instituições. Essa é uma ocupação dos que querem brincar de Deus. Portanto, não, não gosto muito de religiões e também não gosto de política nem de economia(Impressionante a capacidade do autor de não aprofundar nenhum assunto mas, pelo contrário, criar sofismas que, unidos a verdades bíblicas, confundem as pessoas, como neste caso, a partir do qual se pode afirmar: acabou-se o relacionamento, acabou-se o casamento, o Papa, os bispos e padres estão criando instituições e brincando de Deus. Não falam em nome Dele e tudo o que fazem faz parte da “máquina religiosa”, inclusive a liturgia, os sacramentos, a pregação.)

    A expressão de Jesus ficou notavelmente sombria.

    – E por que deveria gostar? É a trindade de terrores criada pelo ser humano que assola a Terra e engana aqueles de quem eu gosto. Quantos tormentos e ansiedades relacionados a cada uma dessas três coisas as pessoas enfrentam? ( “Jesus” coloca no mesmo plano, em um plano trinitário, isto é onde os 3 são iguais mas diferentes, a economia, a política e a religião !!!!! e as chama de “trindade de terrores” que trazem tormentos e ansiedades às pessoas!!!!!! A Igreja não é mais instrumento de salvação, a política e economia não são mais maneiras de implantar a justiça e amor divinos!!! É a anarquia geral da geração de 68 atacando de Nova Era, de relativismo, de hedonismo, é o caos!)

    (…)

    – Falando de modo simples, religião, política e economia são ferramentas terríveis que muitos usam para sustentar suas ilusões de segurança e controle. As pessoas têm medo da incerteza, do futuro. Essas instituições, essas estruturas e ideologias são um esforço inútil de criar algum sentimento de certeza e segurança onde nada disso existe. É tudo falso! Os sistemas não podem oferecer segurança, só eu posso. (novamente, uma verdade – “só eu posso”- misturada a um monte de inverdades contrárias ao Evangelho, à história da Igreja, à noção de santidade e ao papel transformador do cristão no mundo. Além, claro, da falsa idéia de liberdade que perpassa o livro inteiro e que chega ao seu cume na conversa com Sofia, onde se misturam idéias muito boas sobre julgamento e perdão com idéias absurdas sobre liberdade, reforçando a idéia de liberdade que o Pai coloca no início do livro).

    A liturgia não fica fora das críticas de “deus”:

    “- Nada é um ritual, Mack.”(p. 194)

    “- Nada é um ritual, Mackeinze.” (p. 204), além de várias outras afirmativas que criticam o rito e o ritual e a oração que os segue. Infelizmente, não os anotei todos.

    VII. A INEXISTENCIA DE REGRAS E A NECESSIDADE DE ENTENDER PARA ACREDITAR (ANARQUISMO – NOVA ERA + ILUMINISMO – ESPIRITISMO) – ECO DO “IMAGINE’ DE JOHN LENNON?”

    O horror a instituições e sistemas, da autoridade e obediência, leva também à afirmação de que regras são desnecessárias, ainda que estejam na Bíblia!

    Em companhia do Espírito Santo (Sarayu), Mack ouve dele as seguintes palavras:

    “- Mackenzie! Seu tom era de censura, as palavras voando com afeto – a Bíclia não lhe diz para seguir regras.(Qual é mesmo a Bíblia dela???) Ela é uma imagem de Jesus (?? – é isso o que diz a Dei Verbum, o último Sínodo da Palavra, o Catecismo? A Palavra não é imagem de Jesus. Ela É Jesus. Acontece, como veremos depois, que o livro trará todo um discurso de meta-linguística onde toda a “trindade” se autodenomina verbo!!!!!! São João Evangelista nos acuda!)

    (…)

    – É verdade que os relacionamentos são muito mais complicados do que as regras, mas as regras nunca vão lhe dar as respostas para as questões profundas do coração. E nunca irão amar você. ( Eis uma pérola de anarquismo, de egoísmo, de centralização em si, de anti-Evangelho)

    (Na seqüência da conversa, “a” Espírito Santo nos presenteia com mais uma pérola da arte de sofismar)

    – Mackenzie, a religião tem a ver com respostas certas e algumas dessas respostas são de fato certas. Mas eu tenho a ver com o processo que leva você à resposta viva e só ele é capaz de mudá-lo por dentro. Há muitas pessoas inteligentes que dizem um monte de coisas certas a partir do cérebro porque aprenderam com alguém quais são as respostas certas. Mas essas pessoas não me conhecem. Assim, na verdade, como as respostas delas podem ser certas, mesmo que estejam certas? – Ela sorriu.- Ficou confuso? Mas pode ter certeza: mesmo que possam estar certas, elas estão erradas. (Vê-se aqui, a total separação entre o poder do Espírito Santo e a Igreja. Ele não é a alma da Igreja, cujos “chefes” e “teólogos” dão respostas certas sem conhecer o Espírito Santo, o que torna todas as suas respostas erradas! Que sofisma admirável! A religião não tem nada a ver com a verdade!!! O Espírito não guia a Igreja, que é guiada por homens inteligentes que, por não o conhecerem, se tornam erradas em toda busca da verdade! Vejam a resposta de Mack e pasmem)

    – Entendo o que você está dizendo. Eu fiz isso durante anos, depois da escola dominical (catecismo). Tinha as respostas certas, algumas vezes, mas não conhecia vocês (!!!!!!!)

    (…)

    – Então verei você de novo? – perguntou Mack, hesitando.

    – Claro. Você pode me ver numa obra de arte, na música, no silêncio, nas pessoas, na Criação, mesmo na sua alegria e na sua tristeza. (…) E você irá me ouvir e me ver na Bíblia de modos novos. Simplesmente não procure regras e princípios. Procure o relacionamento. Um modo de estar conosco.

    Ainda sobre regras e comportamento:

    Após dar uma adequada explicação da gratuidade do amor de Deus, Jesus novamente coloca no contexto uma idéia inadequada: “Isso deve trazer um grande alívio porque elimina qualquer exigência de comportamento. (e também de gratidão, de amor gratuito e agradecido a Deus, de louvor, de amor como prova de amor, de amor como conseqüência da fé e da esperança!)

    Em seguimento à mentalidade anarquista e relativista contrária a regras, o “espírito santo” nos presenteia com um outro sofisma que sabe Deus de onde vem:

    – Por que você acha que criamos os Dez Mandamentos?

    (…) – Acho, pelo menos foi o que me ensinaram, que é um conjunto de regras que vocês esperavam que os humanos obedecessem para viver com retidão e em estado de graça perante vocês.

    – Se isso fosse verdade, e não é – respondeu Sarayu -, quantos você acha que  viveram com retidão suficiente para entrar em nossas boas graças?

    A partir daqui o “espírito santo” começa a despedaçar a doutrina paulina sobre a Lei e a graça:

    – Na verdade, só um conseguiu: Jesus. Ele obedeceu a letra da lei e realizou completamente o espírito dela. Mas entenda, Mackenzie, para fazer isso, ele teve de confiar totalmente em mim e depender totalmente de mim.

    – Então por que vocês nos deram esses mandamentos?

    – Na verdade, queríamos que vocês desistissem de tentar ser justos sozinhos. Era um espelho para revelar como o rosto fica imundo quando se vive com independência. (esse foi, de fato, aproximadamente, um dos efeitos da Lei, como diz o próprio Paulo, em Romanos. Entretanto, não foi por esta razão que nos foram dados os 10 mandamentos, como bem sabemos)

    – Mas tenho certeza de que vocês sabem que há muitos que acham que se tornam justos seguindo as regras.

    – Mas é possível limpar o rosto com o mesmo espelho que mostra como você está sujo? Não há misericórdia nem graça nas regras, nem mesmo para um erro. Por isso Jesus realizou todas elas por vocês para que elas não tivessem mais poder sobre vocês. (Senhor, tem piedade de nós e consola São Paulo).

    (…) – Está dizendo que não preciso seguir as regras?

    – SimEm Jesus você não está sob nenhuma lei. Todas as coisas são legítimas(E a lei do amor que Jesus veio trazer? Se faz todas as coisas legítimas, não é amor!!! Aqui, Romanos é contradito de forma apavorante)

    – Não pode estar falando sério! – gemeu Mack.

    – Criança – interrompeu papai -, você ainda não ouviu nada.

    – Mackeinzie – continuou Sarayu-, só tem medo da liberdade os que não podem confiar que nós vivemos neles. Tentar manter a lei é na verdade uma declaração de independência, um modo de manter o controle. (repare, que noção errônea de liberdade!)

    -É por isso que gostamos tanto da lei? Para nos dar algum controle? – perguntou Mack.

    – É muito pior do que isso – retomou Sarayu. – Ela dá o poder de julgar os outros e de se sentir superior a eles. Vocês acreditam que estão vivendo num padrão mais elevado do que aqueles a quem vocês julgam. Aplicar regras, sobretudo em suas expressões mais sutis, como responsabilidade e expectativa, é uma tentativa inútil de criar a certeza a partir da incerteza. E, ao contrário do que você possa pensar, eu gosto demais da incerteza. As regras não podem trazer a liberdade. Elas têm o poder de acusar. ( o “espírito santo” conseguiu transformar a Lei de Moisés em um conjunto de regras. Talvez ele ignore o que diz o profeta, que Deus nos daria um coração de carne e meteria Seu Espírito em nós para que cumpríssemos suas leis com a facilidade dos que O amam! Como se não bastasse, denomina como “regras sutis” a responsabilidade e expectativa. Aproximando-se ainda mais do absurdo, diz que gosta demais da incerteza. Ora, pelo que a Bíblia nos ensina, o Salvador foi prometido desde o pecado original, veio no “tempo oportuno, ou propício”, virá no final dos tempos e nos deixou também no Novo Testamento, uma série de promessas,orientações de responsabilidade quanto à salvação de nossas almas e da humanidade inteira. Por séculos os judeus profetizaram com grande expectativa a vinda do Messias e a esperaram intensamente. O absurdo chega ao cume quando afirma que as regras não podem trazer a liberdade (oposto do que nos ensina a Igreja e a Palavra) e que têm o poder de acusar, quando São Paulo, ao falar no assunto, dizem que elas têm a finalidade de nos fazer ver o mal)

    – Uau! De repente Mack percebeu o que Sarayu haivia dito. – Está dizendo que a responsabilidade e a expectativa são apenas outra forma de regras? Ouvi direito?

    Em seguida, “a trindade” entra em uma conversa que tem relação sofismática intensa com a noção cristã de Verbo (que aplica às 3 pessoas) e de substantivo. Tal sofisma remete às religiões orientais, assim como a neuro e meta- lingüística

    Em um ataque de fundamentalismo, o “espírito santo” afirma:

    “por isso, você não encontrará a palavra responsabilidade nas Escrituras” (!!!) (…) A religião usa a lei para ganhar força e controlar as pessoas de que precisa para sobreviver. Eu, ao contrário, (desta vez, é o “espíritosanto” quem se opõe à religião) dou a capacidade de reagir e sua reação é estar livre para amar e servir em todas as situações. (parece lindo? Veja o que vem a seguir neste jogo sofismático de verdade/mentira/verdade/mentira) (…) Como sou sua capacidade de reagir livremente (novo nome do Espírito Santo????? “espírito santo à la Nova Era?), tenho de estar presente em vocês. Se eu simplesmente lhes desse uma responsabilidade, não teria de estar com vocês. A responsabilidade seria uma tarefa a realizar, uma obrigação a cumprir, algo para vencer ou fracassar.

    Caso você queira encontrar outro raciocínio sofismático fantástico para “provar” o erro, leia o que diz o “espírito santo” sobre a amizade, a prontidão, a responsabilidade, a liberdade, o relacionamento, o julgamento, as expectativas dos outros sobre você, que terminam com uma afirmação aparentemente correta do “pai:”

    “- Querido, eu nunca tive expectativas com relação a você nem a ninguém.(e o “sede santos”, que vem desde o AT e é repetido por Jesus, acrescentando uma medida imensa: “sede santos como o Pai é santo“???) A idéia por trás disso exige que alguém não saiba o futuro ou o resultado e esteja tentando controlar o comportamento do outro para chegar ao resultado desejado.(por vezes, penso que Young tem uma neurose sobre controle e sobre liberdade, o que o leva a dizer absurdos com relação ao que a Igreja e a Palavra dizem sobre elas) Os humanos tentam esse controle principalmente por meio das expectativas. Eu o conheço e sei tudo sobre você. Por que teria uma expectativa diferente daquilo que já sei? (como bom relativista e iluminista, coloca o conhecimento acima de tudo, o experimental como base do conhecimento) Seria idiotice. E, além disso, como não a tenho, vocês nunca me desapontam. (Pecado??? O que é isso???)

    A conclusão mais simples é que o livro não é adequado para ninguém, pelo menos não para cristãos que amem a Deus e levem a sério a Palavra, a Igreja, o mistério da Trindade.

    Além do que foi escrito acima, o livro prima pela dessacralização da Trindade e da liturgia. Desautoriza igualmente o Magistério, a Igreja, os Sacramentos e a ordem social.

    Segundo a contracapa e a introdução, tem por objetivo mostrar o sentido da vida e ajudar a passar por momentos de tristeza e angústia. É de admirar, pois além de não fazê-lo, usa a maior parte de seus capítulos para a descrição da “trindade” e seus “pensamentos”.

    A versão, amplamente divulgada e com cara de marketing, de que Mack relata uma experiência de Deus não é, nem um pouco verdadeira e torna-se, mesmo, anacrônica quando colocada frente a frente com o que diz a Palavra, os santos, os doutores da Igreja.

    ************

    A Cabana, o livro. Heresias “requentadas”.

    Até mesmo os protestantes, que não valorizam “tanto assim” a instiuição, estão criticando o livro, que continua “bombando” como o mais vendido no Brasil.

    Fazendo uma pesquisa rápida na Internet vc encontrará muitas criticas à obra. Mesmo sabendo que é um livro de ficção, o autor realmente ultrapassou o limite do aceitável. Depois descobri que o autor é “unitarista”.

    O que é isso?

    Veja como o Wilkipédia define :

    “O unitarismo (ou unitarianismo) é uma corrente de pensamento teológico que afirma a unidade absoluta de Deus. Há dois ramos principais do unitarismo, os Unitários Bíblicos que consideram a Bíblia como única regra de fé e prática, assemelhando as demais religiões cristãs evangélicas, exceto, claro, pela concepção unitária de Deus, e os Unitários Universalistas, surgido recentemente nos Estados Unidos, que pregam a liberdade de cada ser humano para buscar a sua própria verdade e a necessidade de cada um buscar o crescimento espiritual sem a necessidade de religiões, dogmas e doutrinas.

    Alguém ainda tem dúvida  de que a história do livro é exatamente a expressão deste conceito absolutamente pretensioso de que ” só é verdade o que eu quero que seja verdade” ?

    A análise abaixo foi escrita por um protestante.

    ***

    O escritor canadense William Paul Young saiu do anonimato para a fama ao publicar um livro que se tornaria, em muito pouco tempo, um verdadeiro sucesso. Com mais de dois milhões de cópias vendidas e status de best-seller, “A Cabana” tem cativado a mente de muitas pessoas ao redor do mundo, especialmente/inclusive dos cristãos.

    Em linhas gerais, o livro conta a história de Mackenzie Allen Phillips, o “Mack”, um pai de família que encontra a Deus depois de ter sua filha caçula, Missy, raptada e brutalmente assassinada por um maníaco assassino de crianças (um serial killer). Cerca de três anos e meio depois do ocorrido, Deus, ou melhor, “Papai”, manda uma carta para Mack marcando um encontro com ele exatamente na cabana onde a polícia havia encontrado o vestido usado por Missy todo encharcado de sangue. Mack, depois de lutas intensas consigo mesmo, resolve aceitar o “encontro”, mesmo desconfiando de uma possível cilada do assassino de sua filha. Ao chegar lá, Mack tem uma, ou melhor, três surpresas: Deus lhe aparece na pessoa de uma mulher “negra enorme e sorridente” (pág. 73). Logo depois aparecem o Espírito Santo, na pele de uma mulher asiática, chamada Sarayu, e Jesus, um homem médio-oriental (hebreu, pra ser mais preciso) vestido de calça jeans e camisa xadrez. A partir de então, Mack vai viver uma inesquecível aventura ao lado dessa ilustre “Trindade”.

    Qualquer cristão que tenha um mínimo de conhecimento de História da Igreja saberá que A Cabana nada mais é do que o ressurgimento de algumas das antigas heresias que tumultuaram a vida e o andamento da Igreja Antiga, principalmente aquelas que envolviam questões sobre a Trindade. Do ponto de vista teológico, o livro oscila entre heresias implícitas e explícitas; do ponto de vista literário, entre frases de efeito medíocres (quase sempre) e alguns poucos insights interessantes. Seu enredo envolvente propõe-se a apanhar os desavisados.

    Não sei qual foi a experiência eclesiástica do autor de A Cabana, mas posso presumir que não foi das melhores. Torna-se patente, em muitas partes do livro, o desprezo pela igreja e pela adoração corporativa, ressaltando-se e a valorização da experiência pessoal, como bem reza a cartilha pós-moderna.

    [Mack] Percebeu que estava travado e que as orações e os hinos dos domingos não serviam mais, se é que já haviam servido […] Mack estava farto de Deus e da religião, farto de todos os pequenos clubes sociais religiosos que não pareciam fazer nenhuma diferença expressiva nem provocar qualquer mudança real. Mack certamente desejava mais (pág. 54 – versão digital. Itálico meu).

    Parece que a intenção inicial do livro não é a de levar os leitores a uma nova perspectiva sobre a Trindade, e sim,que eles desacreditem da Igreja como sendo a “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15) e sigam atrás de outras alternativas de encontrar Deus. Em minha opinião, esse é o maior perigo que o livro oferece.

    Quando o assunto, finalmente, é a Trindade, A Cabana traz à tona várias heresias antigas (não pretendo fazer comentários exaustivos sobre todas elas). Como já disse anteriormente, Mack vai à cabana encontrar Deus, que lhe aparece no corpo de uma mulher de pele negra. Logo de cara, vemos a verdadeira alma do paganismo, a saber, materializar Deus dando-lhe alguma forma física. Entendo perfeitamente que se trata de um romance e, como tal, precisa de personagens para dar substância ao enredo. Mas, em se tratando do Senhor Deus Todo-Poderoso, essa regra não deve ser aplicada em hipótese alguma. É exatamente isso que Deus expressamente proíbe no Segundo Mandamento (Ex 20.4-5). Jesus mesmo declarou que “Deus é Espírito” (Jo 4.24). Não devemos emprestar a Deus as formas vãs e tolas que concebemos em nossas mentes pecaminosas (cf. Rm 1).

    Uma das antigas heresias às quais me referi há pouco é o Patripassianismo, doutrina monarquianista[1] segundo a qual foi o próprio Deus quem morreu na cruz, em vez de Jesus. Tertuliano combateu esse ensino com bastante veemência. Quando, certa vez, ele disse que “o demônio tem lutado contra a verdade de muitas maneiras, inclusive defendendo-a para melhor destruí-la”, estava se referindo justamente a essa heresia, que estava sendo largamente difundida por Práxeas. Ele continua dizendo que “Ele [o demônio] defende a unidade de Deus, o onipotente criador do universo, com o fim exclusivo de torná-la herética[2]”. Em uma passagem de A Cabana essa heresia é claramente visível:

    Papai não respondeu, apenas olhou para as mãos dos dois. O olhar de Mack seguiu o dela, e pela primeira vez ele notou as cicatrizes nos punhos da negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele. Ela permitiu que ele tocasse com ternura as cicatrizes, marcas de furos fundos, e finalmente Mack ergueu os olhos para os dela (pág. 86. Itálico meu).

    Embora Jesus seja Deus, sabemos que não foi Deus, o Pai, quem morreu na cruz. Deus não tem as marcas dos pregos em seus punhos, como A Cabana quer que acreditemos. Foi o Seu Filho quem foi crucificado. No afã de ressaltar a unidade da Trindade, o Monarquianismo acabou resumindo tudo a uma só pessoa. Em mais uma declaração claramente sabeliana[3], “Papai” diz a Mack que “quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos” (pág. 85). Mas não é esse o ensino bíblico. A Palavra de Deus é bastante clara quando se refere ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo como sendo Pessoas distintas que possuem uma mesma essência (ver Mt 28.29; 2 Co 13.13; 1 Jo 5.7; 2 Jo 3). E o pior de tudo é que, para confundir ainda mais o leitor, “Papai” desdiz tudo o que houvera dito antes, dizendo que

    Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes, como um homem que é marido, pai e trabalhador. Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um (pág. 87).

    Seria algo equivalente à “Metamorfose Ambulante” proposta por Raul Seixas (“eu vou lhes dizer agora o oposto do que eu disse antes”)? Será que dá pra confiar no “Deus” proposto por William P. Young?

    Mas os problemas não param por aí. Como se não bastasse, o livro também nega a divindade de Jesus. Em uma conversa entre Mack e Papai, Mack pergunta:

    — Mas… e todos os milagres? As curas? Ressuscitar os mortos? Isso não prova que Jesus era Deus… você sabe, mais do que humano?
    — Não, isso prova que Jesus é realmente humano.
    [Papai continua…]
    — Fez isso como um ser humano dependente e limitado que confia na minha vida e no meu poder de trabalhar com ele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder para curar ninguém (pág. 90).

    Ora, o que temos aqui não é o velho Ebionismo, que pregava que Jesus tornou-se Messias pelo Espírito Santo? Ou, ainda, o Arianismo, que dizia que Jesus era um simples homem elevado a uma categoria superior à dos demais seres humanos? O autor faz um divórcio entre a Humanidade e a Divindade de Jesus quando diz que “Jesus, como ser humano, não tinha poder para curar ninguém”, quando, na realidade, as duas naturezas de Cristo são inseparáveis.

    Nas palavras de John Stott, “Jesus não é Deus disfarçado de homem e nem um homem disfarçado de Deus”. Ele é Deus-Homem, como bem foi definido em Calcedônia no ano de 451 d.C. E para dar mais ênfase ainda na humanidade de Cristo, a personagem Jesus “deixara cair uma grande tigela com algum tipo de massa ou molho no chão, e a coisa tinha se espalhado por toda parte” (pág. 95), o que rendeu boas gargalhadas a Mack e Papai. Era só o que faltava: um Jesus todo atrapalhado!

    O livro prossegue no enredo seguindo a tônica do “o importante é relacionar-se”. Nada de imposições, de regras. Amor pressupõe liberdade. Baseado nesse pensamento o autor constrói, ou melhor, desconstrói a questão da hierarquia na Trindade. É assim que “Jesus” define a questão:

    Esta é a beleza que você vê no meu relacionamento com Abba e Sarayu. Nós somos de fato submetidos uns aos outros, sempre fomos e sempre seremos. Papai é tão submetida a mim quanto eu a ela, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela (pág. 129 – versão digital).

    Sarayu, que personifica o Espírito Santo, diz que a hierarquia não faria sentido entre a Trindade (pág. 112). Como é que fica, então, frases como “Seja feita a vossa vontade”? Não havia uma submissão do Filho ao Pai? Jesus disse que desceu do céu para “fazer a vontade do Pai”(Jo 6.38). A Cabana não se coaduna com a Bíblia aqui.

    Outro ponto que chama alguma atenção no livro é a questão da onisciência de Deus. Apesar de em alguns pontos ela ser ressaltada (págs. 81, 147, 148, 174, 192 e 206, e.g.), o livro parece bem confuso neste aspecto. Nas páginas 129-130, por exemplo, Jesus diz que “é impossível ter poder sobre o futuro, porque ele não é real, e jamais será”. Sophia, uma personagem que representa a Sabedoria de Deus (Teosofismo?) diz que Deus não pôde impedir a morte de Missy (pág. 151), e que tal tragédia “não foi nenhum plano de Papai” (pág. 152). Entretanto, mais uma vez ele se contradiz, ao afirmar que poderia ter impedido o que aconteceu a Missy (pág. 204). Os leitores mais familiarizados com as tendências teológicas pós-modernas saberão que isso se trata de Teísmo Aberto, uma doutrina que remonta ao Socinianismo do século XVI. Segundo essa ideia, o futuro não pode ser plenamente conhecido (nem mesmo por Deus!), pois depende das ações dos seres humanos (chamados de “agentes livres”). Isso inclui também as tragédias naturais (como o Tsunami, por exemplo). Se isso é verdade, como é que fica, então, a questão do Dilúvio? E de Sodoma e Gomorra? Não foi o próprio Deus quem orquestrou tudo? Não é justamente isso que Ele diz em Isaías 45.7 (“… faço a paz e crio o mal”)? William P. Young parece não acreditar muito nisso.

    A verdade do Evangelho é outra questão que está em jogo em A Cabana. Como diria a máxima modernista, “tudo o que é sólido desmancha-se no ar”. Nada de certezas, convicções. Papai mesmo é quem diz a Mack que “a fé não cresce na casa da certeza” (pág. 176),Sarayu diz: “gosto demais da incerteza” (pág. 190). Em outra ocasião Papai diz a Mack: “Quem quer adorar um Deus que pode ser totalmente conhecido, hein? Não há muito mistério nisso” (págs. 85 e 86 – versão digital). E as farpas contra a igreja continuam. Jesus diz: “não crio instituições” (pág. 166). Logo em seguida, numa declaração hilariante, ele afirma categoricamente: “eu não sou cristão” (pág. 168). Aliás, para esse Jesus, o evangelho não é exclusividade. Diante do pluralismo religioso “Jesus” é bastante inclusivista. Ele mesmo diz que

    Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa (pág. 168).

    Realmente, para um Deus que disse que “a morte dele [de Cristo] e sua ressurreição foram a razão pela qual eu agora estou totalmente reconciliado com o mundo” (pág. 180 – itálico meu) isso não é problema. Universalismo? Imagina! “Não preciso castigar as pessoas pelos pecados” (pág. 109). “Em Jesus eu perdoei todos os humanos por seus pecados contra mim, mas só alguns escolheram relacionar-se comigo”, disse Papai (pág. 209). Que estranho, não? Todo mundo perdoado e alguns que se relacionam? Bom, se é ele quem está falando, quem sou eu para questionar? No meio de toda essa confusão Mack parecia mesmo estar totalmente perdido. Foi “barrado” inclusive de ter seu momento devocional, quando foi perguntar pelas orações, ouvindo da boca de Papai: “nada é um ritual” (pág. 194). Coitadinho do Mack! Não tinha razão em nada! Mesmo quando pensou em Jesus como referencial de vida, um exemplo a ser seguido, ouviu da boca do próprio: “minha vida não se destinava a tornar-se um exemplo a copiar” (pág. 136). E agora, José, ou melhor, Mack? Caía por terra diante de seus olhos toda a instrução apostólica para que sejamos “imitadores de Deus” (Ef 5.1; 1Pe 1.16).

    Ainda não acabou. Falta o “filé mignon”. Que tal uma pitadinha de Espiritismo para temperar nossa estória? Pois é. Mack vê sua filha, Missy! Uau! Que emocionante, hein? Foi Sophia (uma médium?) quem proporcionou esse encontro (pág. 153). E tem mais. Mack reencontra o seu pai (pág. 200), que ele havia envenenado depois de ter levado uma surra que o deixou de cama por duas semanas quando ele tinha apenas 13 anos de idade. Abre parêntese. O pai de Mack era um alcoólatra que batia na esposa, e Mack contou isso a um irmão da igreja da qual seu pai era membro. Fecha parêntese. Esse era um segredo que Mack guardava a sete chaves. Realmente, ele tinha muitas feridas que precisavam ser curadas. Então, por que não fazê-lo com uma sessão espírita? Os dois se abraçaram e fizeram as pazes, com direito a beijinho na boca e tudo (pág. 201). Jesus gosta tanto dessa ideia de beijar na boca que resolve fazer o mesmo com Papai (pág. 205).

    Perdoem-me aqueles que ainda não leram o livro, pois revelei muitos dos seus suspenses. Achei por bem não expor absolutamente tudo de errado que encontrei. Expus apenas aquilo que considerei necessário. É perfeitamente compreensível o fato de A Cabana encabeçar o ranking dos livros mais vendidos[4], afinal de contas as pessoas estão à procura de um “Deus” (deus!) que se ajuste às suas pretensões. O que nos preocupa, entretanto, é saber que dentre os que financiam esse tipo de heresia estão aqueles que se professam crentes em Cristo. Sei que se trata de uma ficção, mas infelizmente não é dessa forma ela tem sido encarada. Perguntado sobre o que ele quer que as pessoas concluam ao lerem A Cabana, numa entrevista, William P. Young declarou que deseja que as pessoas “saibam ou tenham a noção de que Deus é bem maior do que eles já imaginaram”[5]. Lembrando de trechos do livro, sinceramente ainda não consigo enxergar grandeza alguma no “Deus” apresentado por Young. O que vi foi uma divindade deficiente que se curva aos caprichos humanos. Continuo preferindo o Deus que se revelou nas Escrituras. Este sim é a minha Rocha!

    Soli Deo Gloria!!!

    Leonardo Galdino

12 Ensinamentos de São Francisco de Assis

Aprenda com a sabedoria de um dos santos mais queridos da Igreja

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1 – O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém. Por quê? Porque aqueles que se unem a Deus obtém três grandes privilégios: onipotência sem poder; embriaguez sem vinho e vida sem morte.

2 – Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado… Resignação para aceitar o que não pode ser mudado… E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.

3 – Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras.

4 – Ninguém é suficientemente perfeito, que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente destituído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão.

5 – Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras.

6 – A cortesia é irmã da caridade, que apaga o ódio e fomenta o amor.

7 – Para pregar a Paz, primeiro você deve ter a Paz dentro de você. Senhor fazei de mim um instrumento de vossa paz.

8 – Quem a tudo renuncia, tudo receberá.

9 – Não vos esforceis pelas honras do mundo, mas honrai o SENHOR.

10 – Tome cuidado com a sua vida, talvez ela seja o único evangelho que as pessoas leiam.

11 – Comece a fazer o que é necessário, logo estarás fazendo o possível… e, perceberás que estarás fazendo o impossível…

12 – Quem ler e entender o Evangelho em Espírito e Verdade, encontrará nele Deus e o céu, os Anjos e o próprio paraíso, tudo a nos esperar, aguardando que façamos a nossa parte, para recebermos o prêmio da felicidade.

(Felipe Aquino)

O que é Transverberação

O fenômeno da transverberação ficou conhecido principalmente por causa da famosa escultura de Gian Lorenzo Bernini, chamada “O Êxtase de Santa Teresa”, que está na Igreja de Santa Maria della Vittoria, em Roma. Essa magnífica obra barroca retrata uma experiência relatada pela própria Santa Teresa de Jesus, em sua autobiografia:

“Quis o Senhor que eu tivesse algumas vezes esta visão: eu via um anjo perto de mim, do lado esquerdo, em forma corporal, o que só acontece raramente. Muitas vezes me aparecem anjos, mas só os vejo na visão passada de que falei. O Senhor quis que eu o visse assim: não era grande, mas pequeno, e muito formoso, com um rosto tão resplandecente que parecia um dos anjos muito elevados que se abrasam. Deve ser dos que chamam querubins, já que não me dizem os nomes, mas bem vejo que no céu há tanta diferença entre os anjos que eu não os saberia distinguir.

Vi que trazia nas mãos um comprido dardo de ouro, em cuja ponta de ferro julguei que havia um pouco de fogo. Eu tinha a impressão de que ele me perfurava o coração com o dardo algumas vezes, atingindo-me as entranhas. Quando o tirava, parecia-me que as entranhas eram retiradas, e eu ficava toda abrasada num imenso amor de Deus. A dor era tão grande que eu soltava gemidos, e era tão excessiva a suavidade produzida por essa dor imensa que a alma não desejava que tivesse fim nem se contentava senão com a presença de Deus. Não se trata de dor corporal; é espiritual, se bem que o corpo também participe, às vezes muito. É um contato tão suave entre a alma e Deus que suplico à Sua bondade que dê essa experiência a quem pensar que minto.”[1]

De acordo com a descrição de Santa Teresa, está a se falar, sobretudo, de uma experiência extraordinária do amor de Deus. Como muitos não acreditaram no que ela relatou – a própria santa faz referência “a quem pensar que minto” –, o próprio Deus fez questão de mostrar a veracidade do que ela dizia. Em 1591 – dez anos após a sua morte e vinte após a sua transverberação –, exumaram o seu corpo e perceberam que estava incorrupto. Então, a pedido de um bispo, o coração de Teresa foi retirado, a fim de que fosse exposto na cidade de Alba de Tormes, onde ela morreu. Para espanto geral, havia em seu coração uma ferida cicatrizada, com sinais de cauterização – o que se encaixa perfeitamente com a experiência da transverberação, quando foi penetrada por um “dardo de ouro comprido” em cuja ponta de ferro “parecia que tinha um pouco de fogo”: o atestado divino de que esse fenômeno é verdadeiro e a santa não estava mentindo.

A própria Igreja, porém, tem critérios muito rigorosos para aprovar esses tipos de milagres. O padre Quevedo, no livro “Os Milagres e a Ciência”, fala, por exemplo, do cardeal Prospero Lambertini – Papa Bento XIV –, que, com bastante cuidado científico, investigou o caso da transverberação de Santa Teresa e defendeu a fé católica contra embustes e falsificações, aprovando esse fato extraordinário.

Mas, em que consiste, de fato, a transverberação? Trata-se de uma experiência que, antes de qualquer coisa, acontece na alma. Santa Teresa mesma diz que a dor causada pelo dardo místico do anjo “não é dor corporal, mas espiritual”. No caso dela, bem como no caso de São Pio de Pietrelcina e de São Francisco de Assis, a transverberação teve efeitos também corporais. Mas eles não são necessários, como explica São João da Cruz:

“Se Deus, por vezes, permite que se produza algum efeito exterior, nos sentidos, semelhante ao que se passou no espírito, aparece a chaga e ferida no corpo. Assim aconteceu quando o serafim feriu a São Francisco: chagando-o de amor na alma com as cinco chagas, também se manifestou o efeito delas no corpo, ficando as chagas impressas na carne, tal como foram feitas na alma ao ser chagada de amor. Em geral, não costuma Deus conceder alguma mercê ao corpo, sem que primeiro e principalmente a conceda no interior, à alma.”[2]

No processo de santificação, o mais importante é o que acontece no espírito, não no corpo. Por isso, adverte ainda São João da Cruz, “quanto mais intenso é o deleite, e maior a força do amor que produz a chaga dentro da alma, tanto maior é também o efeito produzido na chaga corporal, e crescendo um, cresce o outro”[3]. Ou seja, a medida verdadeiramente extraordinária desse fato não está senão no interior, no que acontece à alma.

Santa Teresinha do Menino Jesus também passou por essa realidade mística, mas sem receber chagas corporais. Em um relato do dia 7 de julho de 1897, recolhido no “Caderno Amarelo”, de Madre Inês de Jesus, é possível ler:

“Começava a minha Via Sacra quando, de repente, fui tomada por um amor tão violento pelo Bom Deus, que não posso explicar isso senão dizendo que era como se me tivessem mergulhado toda no fogo. Oh! Que fogo e que doçura ao mesmo tempo! Eu ardia de amor e sentia que um minuto, um segundo a mais, e não conseguiria mais suportar tal ardor sem morrer. Compreendi, então, o que dizem os Santos sobre esses estados que eles experimentaram tantas vezes.”[4]

Mas, afinal, o que acontece à alma transverberada? Ela é completamente invadida pelo amor divino. É Deus mesmo quem age na alma para aumentar nela a caridade.

Isso é feito no sentido de aumentar a comunhão da alma com Deus. Algumas pessoas têm uma visão equivocada de santidade: acham que é um “moralismo”, em que se seguem os mandamentos e, com as próprias forças, se chega à perfeição. Mas a santidade não é isso. Ela é, ao invés, o progresso no amor: Deus derrama em nossos corações o Seu Espírito e purifica o nosso amor, até chegarmos à caridade perfeita, às últimas moradas do nosso “castelo interior”.

Como se dá esse processo? Primeiro, acontece a conversão, quando se deixa a vida de pecado e se trilha a “via purgativa”, com oração e mortificações. Então, não havendo mais o que se purificar ativamente, Deus prova a alma pela “noite escura dos sentidos” e pela “noite escura da alma”, depois das quais ela se encontra em um estágio elevado de santificação.

Santa Teresa recebeu o dom da transverberação quando estava na sexta morada. Tendo passado pela “união árida” (também chamada “noite escura”), não tinha ainda chegado à perfeição. Ela encontrava-se em um estágio intermediário, chamado de “união extática”, em que alma recebe os fenômenos extáticos, é tocada pelo amor, mas ainda existem muitos altos e baixos. Faltava-lhe passar pela “união transformante”, na qual a alma se configura definitivamente a Cristo – o que aconteceu quando ela entrou na sétima morada.

São João da Cruz, ainda em seu “Chama Viva de Amor”, descreve com detalhes a transverberação:

“Acontece-lhe, então, sentir que um serafim investe sobre ela, com uma flecha ou dardo todo incandescente em fogo de amor, transverberando esta alma que já está inflamada como brasa, ou, por melhor dizer, como chama viva, e a cauteriza de modo sublime. No momento em que é cauterizada assim, e transpassada a alma por aquela seta, a chama interior impetuosamente irrompe e se eleva para o alto com veemência, tal como sucede num forno abrasado ou numa fogueira quando o fogo é revolvido e atiçado, e se inflama em labareda. A alma, então, ao ser ferida por esse dardo incendido, sente a chaga com sumo deleite. Além de ser toda revolvida com grande suavidade, naquele incêndio e impetuosa moção que lhe causa o serafim, provocando nela grande fervor e amoroso desfalecimento, ao mesmo tempo sente a ferida penetrante e a força do veneno com que vivamente estava ervada aquela seta, qual uma ponta afiada a enterrar-se na substância do espírito, a traspassar-lhe o mais íntimo da alma.”[5]

Em resumo, a transverberação é Deus agindo na alma para purificar o amor humano e levar à paz definitiva com Cristo já nesta terra. Assim conduzida, a alma santificada pode finalmente dizer: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim”[6].

Referências bibliográficas

  1. O Livro da Vida, capítulo 29, n. 13
  2. Chama Viva de Amor, canção II, n. 13. In Obras Completas, volume II, p. 131
  3. Ibidem
  4. Santa Teresinha do Menino Jesus, Obras completas escritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002. p. 897
  5. Chama Viva de Amor, canção II, n. 9. In Obras Completas, volume II, p. 130
  6. Gl 2, 20

    Padre Paulo Ricardo

O “fiat” de Maria: o que é?

Muitas vezes ouvimos esta expressão “o fiat de Maria” ou “Maria deu o seu fiat a Deus”, mas não sabemos o que significa. Pensamos que se trata de um automóvel, mas logo percebemos que carros não têm nada a ver com a época de Nossa Senhora.

O automóvel FIAT significa: Fábrica Italiana de Automóveis de Turim. Mas, aqui, neste caso, estamos falando da palavra “fiat”, que é do latim e significa “faça-se”. Em outras palavras, o “fiat” de Maria foi o seu “faça-se em mim segundo a Sua Palavra”, dada ao anjo São Gabriel, quando ele anunciou que Deus a queria para Mãe do Salvador. Então o “fiat” de Nossa Senhora foi o seu “sim” a Deus.

Logo abaixo temos a oportunidade de ler um pequeno discurso do Santo Padre feito aos jovens e falando do “sim” de Maria, que deve ser imitado.

“Queridos jovens, que constituís a esperança da Igreja na Itália!

… Dizei a Jesus: eis-me, estou aqui, certamente ainda não sou como tu me queres, nem sequer consigo compreender profundamente a mim mesmo, mas com a tua ajuda estou pronto para te seguir. Senhor Jesus, esta tarde gostaria de te falar, fazendo minha a atitude interior e o abandono confiante daquela jovem mulher, que há mais de dois mil anos pronunciou o seu “sim” ao Pai que a escolheu para ser a tua Mãe. O Pai escolheu-a porque era dócil e obediente à sua vontade. Como ela, como a pequena Maria, cada um de vós, queridos jovens amigos, diga com fé a Deus: Eis-me, “faça-se em mim segundo a tua palavra”!

Que espectáculo maravilhoso de fé jovem e envolvedora estamos a viver esta tarde! Loreto tornou-se esta tarde, graças a vós, a capital espiritual dos jovens; no centro para o qual convergem idealmente as multidões de jovens que povoam os cinco Continentes. Neste momento sentimo-nos como que circundados pelas expectativas de milhões de jovens do mundo inteiro: neste mesmo momento alguns estão vigilantes, outros dormem, outros ainda estudam ou trabalham; há quem espera e quem desespera, quem crê e quem não consegue crer, quem ama a vida e quem, ao contrário, a está desperdiçando. Gostaria que a todos chegassem estas minhas palavras: o Papa está próximo de vós, partilha as vossas alegrias e as vossas tristezas, sobretudo partilha as esperanças mais íntimas que estão no vosso coração e para cada um pede ao Senhor o dom de uma vida plena e feliz, uma vida rica de sentido, uma vida verdadeira.

Infelizmente hoje, com frequência, uma vida repleta e feliz é considerada por muitos jovens como um sonho difícil ouvimos tantos testemunhos e por vezes alguns irrealizáveis. Muitos dos vossos coetâneos olham para o futuro com apreensão e fazem não poucos questionamentos. Perguntam-se preocupados: como inserir-se numa sociedade marcada por numerosas e graves injustiças e sofrimentos? Como reagir ao egoísmo e à violência que por vezes parecem prevalecer? Como dar sentido pleno à vida? Com amor e convicção repito a vós, aos vossos coetâneos do mundo inteiro: não tenhais medo, Cristo pode satisfazer as aspirações mais profundas do vosso coração! Há porventura sonhos irrealizáveis quando quem os suscita e os cultiva no coração é o Espírito de Deus? Há algo que pode impedir o nosso entusiasmo quando estamos unidos a Cristo? Nada e ninguém, diria o apóstolo Paulo, jamais nos poderá separar do amor de Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor (cf. Rm 35-39).

Deixai que esta tarde eu vos repita: cada um de vós, se permanecer unido a Cristo, pode realizar coisas grandiosas. Eis por que, queridos amigos, não deveis ter medo de sonhar de olhos abertos grandes projectos de bem e não vos deveis desencorajar pelas dificuldades. Cristo tem confiança em vós e deseja que possais realizar cada um dos vossos projectos mais nobres e altos de felicidade autêntica. Nada é impossível para quem confia em Deus e se entrega a Ele. Olhai para a jovem Maria! O Anjo perspectivou-lhe algo verdadeiramente inconcebível: participar do modo mais envolvedor possível no maior dos planos de Deus, a salvação da humanidade. Perante esta proposta Maria, como ouvimos no Evangelho, permaneceu perturbada, sentindo toda a pequenez do seu ser perante a omnipotência de Deus; e perguntou: como é possível, por que precisamente eu? Mas estando disposta a cumprir a vontade divina, pronunciou imediatamente o seu “sim”, que mudou a sua vida e a história da humanidade inteira. É graças ao seu “sim” que também nós nos encontramos aqui esta tarde.

Interrogo-me e pergunto-vos: os pedidos que Deus nos faz, por mais empenhativos que nos possam parecer, poderão ser comparados com o que foi pedido por Deus à jovem Maria?

Queridos jovens e moças, aprendamos de Maria a dizer o nosso “sim”, porque ela sabe verdadeiramente o que significa responder com generosidade aos pedidos do Senhor. Maria, queridos jovens, conhece as vossas aspirações mais nobres e profundas. Conhece bem, sobretudo, o vosso grande desejo de amor, a vossa necessidade de amar e de ser amados. Olhando para ela, seguindo-a docilmente, descobrireis a beleza do amor, mas não de um amor “descartável”, passageiro e enganador, aprisionado por uma mentalidade egoísta e materialista, mas com um amor verdadeiro e profundo. No mais íntimo do coração cada jovem que se prepara para enfrentar a vida, cultiva o sonho de um amor que dê sentido pleno ao próprio futuro. Para muitos isto realiza-se na opção pelo matrimónio e pela formação de uma família na qual o amor entre um homem e uma mulher seja vivido como doação recíproca e fiel, como dom definitivo, selado pelo “sim” pronunciado diante de Deus no dia do matrimónio, um “sim” por toda a existência. Sei bem que este sonho é hoje sempre menos fácil de se realizar. Quantas falências do amor à nossa volta!”

(DISCURSO DO SANTO PADRE EM VISITA PASTORAL A LORETO POR OCASIÃO DO ÁGORA DOS JOVENS ITALIANOS – VIGÍLIA DE ORAÇÃO COM OS JOVENS NA ESPLANADA DE MONTORSO – Sábado, 1 de Setembro de 2007

Meditação sobre o nascimento de Jesus 2014

Estes dias meditava sobre esta grande festa que é o nascimento, a encarnação de Jesus, o nosso salvador, e os meios os quais, Deus quis trazer seu Filho ao mundo.

O primeiro ponto que gostaria de abordar é: será que ao pensarmos no Natal vemos como algo distante, que aconteceu, muito belo, mas histórico?

O Natal, além do significado da palavra, local do nascimento, para nós cristãos, é o cumprimento da promessa de Deus, de sua fidelidade e amor a cada homem, feita no momento do pecado original.

Mas precisamos trazer para hoje o Natal, pois Jesus Cristo está vivo, e continua nascendo no coração de cada homem que ouve a sua voz, o acolhe , adere a sua proposta de vida nova. O Natal nos trás esta esperança de mundo novo, vida nova, transformada por Jesus. Mas assim como aconteceu há mais de 2000 anos, Jesus precisou encarnar no seio de uma Mulher, de uma virgem, chamou um homem justo e orante para tomar conta deles, de um jumentinho, de um estábulo, de uma manjedoura, de uma estrela para guiar povos pagãos, de camelos para levá-los, de estrada para ser percorrida, de anjos para anunciar, de pastores para acreditar…

Da mesma forma que aconteceu naquele tempo, Jesus deseja nascer e  ser apresentado ao mundo, por pessoas que O acolhem como Salvador, que escutam a Palavra de Deus, que não se acham dignos de recebê-Lo (mas o Senhor escolhe quem Ele quer), homens e mulheres que, ao ter tido uma experiência com o Amor Misericordioso de Deus, respondem com generosidade ao seu chamado.

Ao meditar com cada personagem ou figura do nascimento de Jesus, o que mais o Senhor me chamava a atenção é que todos, sem exceção, ouviram a voz de Deus,  na Humildade, acreditaram na Obediência e acolheram a missão que lhes foi confiada.

Pergunto agora: e você? Quem o Senhor te chama neste ano de 2015 a ser, para colaborar com os seus planos de salvação para o mundo de hoje?

Colocaremos abaixo algumas características de cada um dos personagens e figuras, e você poderá rezar ou, se o fizerem em grupos, podem sortear, e cada um reza com o personagem que lhe couber. Deixe que o Senhor realize a obra de santificação em sua vida e história, para que o sonho de Deus se realize na sua vida, e desta forma, você possa ser um servo da misericórdia, que apresentará Jesus, para todos os homens, o nosso Salvador, que acolhe o homem como ele se encontra e o ama.

PERSONAGENS E FIGURAS PARA MEDITARMOS

  1. MARIA SANTÍSSIMA: Maria estava em oração quando ouviu o anuncio do Anjo, que seria a Mãe do Salvador. Como judia, tinha muitos planos e desejo de ter muitos filhos, mas foi humilde quando acreditou na Palavra e obediente quando acolheu a vontade de Deus (Lucas 1,26-38). O Senhor nos chama a imitar Maria, na vida de oração e contemplação, descobrindo a nossa vocação, responder com generosidade, deixando planos pessoais para fazer a vontade de Deus. Que você possa pedir ao Senhor esta graça, e como Maria Santíssima, sair apressadamente para anunciar a Boa Nova do Reino, independente das “regiões montanhosas” que teremos que percorrer, e o mais interessante, comecemos anunciando com a vida, em nossas famílias (Lucas 1,39ss).
  2. ISABEL: Isabel era prima de Maria, que já na idade avançada, ficou grávida, e ao receber Maria, ficou cheia do Espírito Santo. Ela acolheu e acreditou, e desta forma ficou cheia de Graça. O Senhor nos chama também a sermos como Isabel, que mesmo nos locais da vida ou história, que se encontravam estéreis, acreditou que Deus podia fazer uma obra nova, transformar terra seca em terra fértil. Que devemos acolher aqueles que o Senhor encaminha, para anunciarmos a Salvação, e quando acolhemos com alegria, os frutos dos  Espírito Santo serão abundantes. Que você possa pedir a graça de ser como Isabel, mulher que acolheu Maria em sua casa, para ajudá-la, que acolheu a saudação, a pregação, o amor de sua prima.
  3. JOSÉ: A Palavra nos diz que José era um homem justo, que logo que soube da gravidez de Maria, e como não tinham coabitado juntos, pensou  em repudiá-la em segredo. Enquanto decidia, um Anjo lhe apareceu e lhe disse que não tivesse medo, pois Maria estava grávida do Salvador, e ele a acolhe como esposa. José era um homem orante, pois só desta forma, no momento tão difícil de sua vida, se recolhe em oração, e o Senhor lhe revela os seus planos, e prontamente ele acredita e acolhe a vontade de Deus. Você que foi chamado a pedir a graça das virtudes de José, pai de Jesus: ele era justo, orante, e na dificuldade e duvida, recorre a oração. Acolhe a vontade de Deus, é o protetor da Palavra e de Maria Mãe. Somos chamados a acolhemos a Palavra, protegê-la; acolher a Mãe Igreja e protegê-la com nossas orações e fidelidade ao nosso Carisma.
  4. MAGOS: sábios astrólogos, que podem ter vindo da Pérsia ou Babilônia ou Arábia do Sul, que estudaram as estrelas e ali viram uma mensagem: nasceria o Rei dos judeus. E se organizaram e partiram para homenageá-Lo. Estes eram homens sábios, mas acreditaram e acolheram, e tomaram o caminho. Um caminho montado em camelos, no deserto, com calor e sol. Pedras, sede, e para completar, ao chegarem à Jerusalém foram ao palácio, pois se nasceria um Rei, seria este o local esperado. Mas para sua surpresa não era lá. Encontraram com o Rei Herodes que pediu que descobrissem o lugar do nascimento do menino e voltassem para avisá-lo. E estes seguiram caminho, seguindo a estrela. Ao chegarem lá, viram o Menino e prostraram-se diante Dele, e abriram os seus cofres, colocaram suas riquezas a serviço de Jesus.
    Muito bem, você que tirou os Magos é chamado a pedir a graça que foi dada a eles: seguir os sinais que o Senhor te dá, ter vida de oração, e alegremente caminhar, na perseverança, pois o sol será forte, o calor também, as pedras, os Herodes, mas quem escuta a voz de Deus não desiste, nem nos seus “desertos”, nem nos que são impostos pela vida e situações. Se alegra a cada encontro com o Senhor, e abre todos os seus “cofres”, dons e tesouros que trazemos, e colocamos a sua disposição. Nos prostramos diante de Jesus, e com alegria e liberdade, nos tornamos seus servos. Somos chamados a sermos os Magos de hoje, que testemunham na vida esta entrega total ao Amado de nossa alma.
  5. ESTRELA DE BELÉM: a Palavra em Lucas 2,9 nos relata que havia uma estrela que guiava os Magos. Estrela que não falava, mas brilhava, resplandecia a luz do nascimento de Cristo. Somos chamados no mundo de hoje a sermos estas estrelas, que não precisam falar muito, ou diria, nada, mas sermos testemunhas que servem de sinal para todos aqueles que ainda não conhecem o Amor Misericordioso de Jesus. Sinal que brilha para os homens e mulheres de hoje, de humildade, paciência, amor, compaixão, perdão, intercessão, esperança e alegria. O mundo precisa urgente das “estrelas de Belém”, que não tem outra finalidade na vida, a não ser mostrar o caminho seguro para que todos possam chegar a Jesus.
  6. CAMELOS: Os camelos são animais com grande resistência ao deserto, tanto servem para conduzir pessoas como mantimentos. Fiquei imaginando os magos sem camelos, caminhando à pé. Não teriam chegado ao seu destino.
    Quando o Senhor nos chama para sermos os “camelos”, ele nos dá de beber, de sua água viva, nos enche de fortaleza, força e coragem , de não só caminharmos no deserto para vermos Jesus, mas ainda servir de ajuda, levar nas costas aqueles que precisam de auxilio e ajuda. Os camelinhos de Jesus, também levam mantimentos, que alimentam os irmãos na caminhada: amor, esperança, oração, coragem, fortaleza e ALEGRIA. Peçamos ao Senhor a Água Viva, que nos abastecerá na caminhada para o céu, e que possamos ser auxilio e amparo para levar os irmãos para terem uma experiência pessoal com Jesus.
  7. CIDADE DE BELÉM: aqueles que não conheciam a Palavra pensavam que Jesus iria nascer em Jerusalém, mas Deus quis nascer na pequena cidade, podemos dizer até insignificante de Belém. Terá que acolher Maria, José e Jesus. Ser Belém hoje é ser terra pequena e pobre diante de Deus, mas que foi chamada(o), escolhida(o), separada(o), para ser o local do nascimento de Jesus, o Salvador do mundo. Às vezes, aos olhos do mundo, sem muitas qualidades ou beleza, mas aos olhos de Deus, filha(o) preciosa(o) e escolhida(o), para ser terra de salvação. Ser Belém de hoje é deixar-se ser escolhida(o) por Deus, acolher o Senhor na terra do seu coração e deixar que faça morada, que nasça, e deixar que todos possam descobri-Lo através de sua vida e testemunho, e desta forma possa ser coração de acolhimento e oração para toda a humanidade.
  8. ESTÁBULO: é a casa ou local onde animais domésticos, como gado bovino ou cavalos são recolhidos para dormirem e se alimentarem. De um estábulo tornou-se casa para o nascimento do Salvador da humanidade. Às vezes nós estamos em nossa vida como verdadeiros estábulos, que só acolhemos situações ou vivemos como animais ou simplesmente passivos, vamos apenas existindo como local de abrigar criaturas. Mas o Senhor nos chama hoje, a passarmos de estábulos onde as pessoas só encontram ou vêem em nossa vida, situações como a de um estábulo, e a limparmos tudo e nos tornarmos casa do nascimento de Jesus.
    Fiquei meditando sobre quantas vezes as pessoas entram em nossa vida e encontram “comida de animal, palhas e mal cheiro (cheio de mágoas, ressentimentos, etc). Mas Jesus veio exatamente para mudar estas situações, e nos chamar para acolhê-Lo em nosso estábulo, e não se preocupe, basta dizer: Vem Jesus nascer em mim. E Ele não só vem, como faz uma mudança geral em nossa vida, deixa nosso coração cheio de sol, alegria, e amor. E todos aqueles que agora adentrarem em nossa vida, ao invés de estábulo de animais, irão encontrar Jesus. Deixemos Jesus nascer em nossos corações, e peçamos a graça do Espírito Santo, que faz nova todas as coisas.
  9. LAMPARINAS: Naquele tempo, quando chegava a noite, quem iluminava a casa, no presente caso, o estábulo, eram as lamparinas. Que graça deve ter sido, todos aqueles que percorriam as estradas, e ao chegarem no estábulo para ver Jesus, encontrarem tudo iluminado pelas lamparinas.
    Vamos agora pensar um pouco sobre como uma lamparina consegue iluminar um local: é colocado um querosene ou outro material inflamável, e este é aceso, através de um pavio, e contemplamos uma bela chama que ilumina todo o local em que se encontra, e quanto mais alto, mais espaço terá acesso a mesma. Mas para que a chama continue acesa é necessário que se consuma dia após dia, e seja abastecida. Se ficar apagada para não gastar o querosene, não irá iluminar, se deixar acabar e não abastecer ficará tudo no escuro.
    Muito bem, você que foi escolhido(a) para ser lamparina, luz para que todos aqueles que estão nas suas noites escuras (do pecado, cegueira, por não conhecerem o Amor de Deus, etc), é preciso se abastecer na vida de oração, da Eucaristia, Confissão e Oração Comunitária. Este é o “Querosene”, o combustível das “lamparinas de Jesus”. Outra coisa importante, é preciso deixar-se queimar, consumir de Amor, dar a vida pela sua missão, para que todos vejam através da luz que resplandece de sua vida, a Verdadeira LUZ: CRISTO JESUS.
  10. MANJEDOURA: Local de nascimento de animais, no estábulo, foi neste local que Maria colocou Jesus. O Senhor procura no mundo manjedouras para o nascimento de Seu Filho Jesus. A manjedoura precisa se dispor inteiramente para que o Menino Deus possa reclinar sua cabeça, descansar. Ela é simples e humilde, deixa-se ser colocada onde o Senhor achar melhor, e quando acolhemos Jesus em nossos corações, se tornando manjedoura, seremos aqueles que O apresentarão a todos, que são guiados pela estrela ou chamados pelos anjos, para que possam adorá-Lo. Manjedoura, que mesmo com suas “palhas”, acolhe a vontade de Deus, a Palavra de Deus em sua vida, se torna aquele(a) que apresenta Jesus, seja na oração, acolhimento, aconselhamento, liturgia, música, intercessão… para que possa ser adorado. Sejamos Manjedouras em nossos ministérios e serviços.
  11. PASTORES: os pastores são aqueles que estavam cuidando de suas ovelhas, dia e noite, cuidando para que os lobos não as devorassem, que estavam em seu trabalho, sua vida tranquila. Naquela noite, os Anjos lhes apareceram e lhes contaram que nascera em Belém o Salvador, e contemplaram os Anjos do céu louvando a Deus. Quando os Anjos voltaram ao céu, eles resolveram ver o que o Senhor lhes tinha dado a conhecer (Lucas 2,8-20). Os pastores tinham sua vida tranquila, trabalhando para sustento de sua família, e cuidando do que era seu para que não fosse roubado ou comido pelos lobos. Mas o Senhor tinha outros planos para aqueles pastores. Ele se fez conhecer, nos diz a Palavra, e os chamou a contemplarem a Jesus, a Salvação e saírem a anunciarem a todas as nações. Deus também chama a nós, homens e mulheres, que trabalham, cuidam de suas coisas pessoais (que é lícito), a sermos estes anunciadores desta Boa Nova, a todos os povos, deixando a nossa vida tranquila, com tudo resolvido, para irmos além. Pastorear o rebanho do Senhor, agora através da nossa vida e testemunho, oração e contemplação.

Que Nossa Senhora, Mãe da Divina Misericórdia, interceda por nós, e nos ensine a gerar Jesus em nossos corações e levá-los ao mundo inteiro. Amém.

Janet Melo de Saboia Alves
Cofundadora da Comunidade Católica Reviver pela Misericórdia

A lógica da Cruz, por dom Alberto Taveira

Postado em 12 de setembro de 2014 por Belém

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Recentemente apareceram notícias de pessoas sendo crucificadas! Em nosso tempo praças ficaram cheias de gente pregada na cruz, outras degoladas, levas de homens, mulheres e crianças, enfermos, anciãos, num roldão de intolerância impensável em tempos que se consideram civilizados. É a cruz que comparece de novo!

Percorrendo estradas, pelo Brasil afora, não é raro encontrar em algumas colinas a Cruz, elevada e imponente, muitas vezes iluminada, outras enfeitadas com os símbolos da paixão de Cristo, cravos, coroa, lençol ou lança. E a mesma Cruz é vista, como sinal de fé, em locais marcados por acidentes, nos quais homens e mulheres tiveram suas vidas ceifadas. É ainda a Cruz que comparece serena sobre as sepulturas cristãs, como identificação do tipo de pessoa ali plantada, no respeito ao corpo marcado pela graça do Batismo. Ela ainda é vista em salas de aulas, repartições públicas, tribunais e em nossas casas, trabalhada pela arte e pela devoção de gerações de cristãos, vista de diversas perspectivas. Muitos a trazem como enfeite precioso, outros a escolhem de lenho despojado, para declarar os rumos de suas opções de fé. O sinal da Santa Cruz, que nos livra dos inimigos estará sempre presente, onde quer que esteja um homem ou mulher de fé. E a Igreja celebra a Exaltação da Santa Cruz como uma grande festa, sabendo que a sabedoria nela escondida e revelada continuará atual e poderosa.

Contam-se histórias, inventadas com verdade e singeleza, como aquela da pessoa que julgava pesada a própria cruz. Deixada na liberdade da escolha, foi procurar num imaginado “depósito” de cruzes, a mais adequada às suas condições. Depois de muito analisar, não se apercebeu a mesma cruz deixada à porta, foi de novo abraçada e carregada. Outro personagem descobriu que a Cruz considerada muito grande era justamente a medida de uma ponte necessária à superação de um abismo. São formas simpáticas, criadas pelo imaginário popular, com as quais o Evangelho da Cruz, tão antigo e novo e, mais ainda, necessário, continua a ser anunciado nos púlpitos do cotidiano. Por mais que dela se pretenda escapar, a Cruz comparecerá nas curvas da vida, e não há exceções.

No entanto, é bom que se esclareça o sentido profundo e verdadeiro da Cruz. O sofrimento sozinho não deve e nem pode ser procurado, num gosto mórbido e destruidor da vida humana. Dificuldades, dores ou problemas têm a vocação de se transformarem em Cruz, quando se acrescenta o único ingrediente com o qual a vida ganha sentido, o amor. A cruz com a qual foram supliciadas tantas pessoas foi redimida e se transformou em sinal e caminho de salvação por aquele que nela se imolou para a salvação da humanidade. Só a entrega livre, a descida à condição de escravidão e liberdade, no amor eterno, feita por quem não se apegou à sua igualdade com Deus (Cf. Fl 2, 6-11), na morte de Cruz, dá sentido a tudo o que se faz, inclusive o sofrimento e a dor. Aí se joga com a liberdade humana! Podemos ficar apenas com problemas, dores, angústias, enfermidades ou outras expressões com as quais qualificamos os desafios da vida humana, ou aproveitamos a graça de dar-lhes um nome sagrado, Cruz, unindo-nos a Cristo e escolhendo-o como Senhor e Salvador, para ter a vida eterna, não só depois de sermos apresentados diante da face de Deus, no limiar da eternidade, mas agora, no momento presente em que o Senhor nos quer realizados e felizes.

Vale a pena fazer um exercício, olhando para a Cruz de Cristo (Cf. Jo 3, 13-17). A Cruz aponta para o alto, para a grandeza do eterno. Mirar o relacionamento com Deus é resposta humana àquele que criou, por desígnio admirável, a maravilhosa aventura de estar nesta terra. Buscar as coisas do alto (Cf. Cl 3, 1-2) é atitude digna dos filhos de Deus. E pode iluminar o cotidiano de forma surpreendente. Pensa no que é melhor, no mais perfeito, naquilo que é mais santo, deixar-se envolver pela beleza com que Deus pensou a humanidade, ter sonhos de paraíso, sim! E a Cruz tem uma outra haste, horizontal, braços que se abrem e acolhem no amor tudo o que é humano. É a escolha do relacionamento amigo e verdadeiro com as outras pessoas, com a sensibilidade de quem olha ao redor e não deixar escapar qualquer possibilidade para amar e fazer o bem.

As duas hastes da Cruz se “cruzam” no coração humano! É lá dentro, no íntimo das escolhas inteligentes e livres simbolizadas justamente pelo coração é que se encontra a possibilidade de transformar dor, sofrimento, problemas ou incógnitas em caminho de salvação. Também as alegrias serão transformadas em Cruz e ganharão sentido, quando estes dois movimentos se fizerem presentes, olhar para o alto e abrir os braços no amor ao próximo. Sim, pois também gargalhadas dadas, ou outras expressões efusivas dos sentimentos humanos, sem o amor se esvaziam e esvaziam a vida. Só em Cristo e em seu mistério a história pessoal e a da humanidade encontram rumo e sentido.

Ainda a verdade da Cruz! É que ela é uma face do mistério, que tem o outro lado, a Ressurreição. Quando se abraça a vida e todos os seus desafios com amor, a força do Cristo, que venceu a morte e a dor, resplandece gloriosa. O convite à fé cristã faz de nós homens e mulheres pascais, capazes de passar continuamente da morte à vida. O segredo estará sempre na tomada de consciência, momento por momento, das infinitas possibilidades criadas pelo amor de Deus. Uma dificuldade na saúde será aproveitada para oferecer tudo o que se vive, sem deixar de lado os necessários cuidados, com os meios oferecidos pela ciência de nosso tempo. Uma crise familiar ressoará no coração como apelo a sair de si mesmo, para amar e servir com maior dedicação. As muitas situações sociais e econômicas, do emprego à política ou outros problemas, tudo haverá de ser enfrentado com maior serenidade, passando continuamente da morte à vida. Até as crises de fé poderão ser enfrentadas com paz pelas pessoas que começam a sair de si, para amar e servir ao próximo, entregando-se e confiando na força que brota da Cruz de Cristo, com a qual a luz comparece de novo nos caminhos da existência.

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A luta de Satanás contra os Sacerdotes

Para fazer reinar Jesus Cristo no mundo, nada é mais necessário do que um clero santo, que seja, com o exemplo, com a palavra e com a ciência, guia dos fiéis” [1]. Estas são palavras que os Santos Padres não se cansam de repetir ao orbe católico, desde que foram pronunciadas, pela primeira vez, pelo papa São Pio X. De fato, o testemunho de um bom sacerdote é capaz de arrastar centenas de fiéis à Igreja de Cristo, quer por meio da pregação, quer por meio da administração dos sacramentos, quer por meio da obediência às normas eclesiais, como o celibato.

A missão do sacerdote resume-se àquela regra máxima da Igreja, de que falam os santos: Salus animarum suprema Lex – a lei suprema é a salvação das almas. Por isso o Papa Bento XVI, na proclamação do Ano Sacerdotal, em 2009, exortou o clero católico a redescobrir a dimensão eclesial de seu ministério. Somente na comunhão com a Igreja o sacerdote pode atingir aquela santidade necessária “para fazer reinar Jesus Cristo no mundo”. Explica-nos o Papa Emérito: “a missão é eclesial, porque ninguém se anuncia nem se leva a si mesmo, mas, dentro e através da própria humanidade, cada sacerdote deve estar bem consciente de levar Outro, o próprio Deus, ao mundo” [2].

Essa realidade não é desconhecida pelo diabo, tampouco por aqueles que fazem as suas vezes na terra, disseminando o joio no meio do trigo. Não é para admirar, por conseguinte, que, no combate à Igreja, o primeiro alvo seja o sacerdócio. “Quando se quer destruir a religião” – observava o santo Cura d’Ars –, “começa-se por atacar o padre” [3]. Com efeito, a primeira tentação demoníaca contra os sacerdotes é a de afastá-los da comunhão eclesial, incentivando-os à dissidência, aplaudindo hereges e ridicularizando aqueles que se submetem de bom grado à autoridade do Santo Padre. Trata-se do primeiro non serviam demoníaco: o não à Igreja.

Os argumentos – ou, no caso, as mentiras – são os mesmos de sempre: o celibato é transformado em símbolo de castração, que fere o direito à sexualidade e leva à pedofilia; o hábito eclesiástico é tachado de indumentária antiquada, que afasta o clero do povo; o padre passa a ser somente o “presidente” da celebração; a obediência a Roma é considerada clericalismo; as normas litúrgicas são suprimidas em nome de uma falsa criatividade; o padre, é dito, não pode ficar preso a “regras de orações medievais”; isto, outros reclamam, não está de acordo com o Concílio Vaticano II; o padre não é sacerdote, mas presbítero; ele tem uma mentalidade pré-conciliar etc. Repetidas ad nauseam pela mídia – e por uma porção de maus teólogos que agem em conluio com ela –, essas ideias perniciosas vão aos poucos minando a identidade do sacerdote, até ao ponto de levá-lo a proclamar o segundo non serviam do diabo: o não a Cristo.

Não é preciso gastar muita tinta, porém, para explicar os erros contidos nestes sofismas. Muito mais sabiamente responderam os santos padres – vivendo a sua vocação de maneira exemplar –, como também o Magistério da Igreja – seja nas encíclicas papais, sejo nos outros inúmeros documentos já publicados a esse respeito. O que é preciso ter em conta é que a luta que se trava contra o sacerdócio é, na verdade, uma luta contra a Pessoa de Jesus Cristo. O padre, não nos esqueçamos, é um Alter Christus (Outro Cristo), dado o caráter impresso em sua alma pelo sacramento da ordem. Por isso, é compreensível a raiva do diabo pela castidade dos sacerdotes – “o mais belo ornamento de nossa ordem”, como elogiava São Pio X –, pois ela remete à virgindade de Cristo, que também foi guardada até a morte na cruz [4]. É compreensível o ódio do diabo à batina negra – a “heroica e santa companheira” de Dom Aquino Correa –, porque o luto recorda o sacrifício redentor da cruz, pelo qual a morte foi vencida [5].

O remédio às insinuações diabólicas, por conseguinte, não pode ser outro senão aquele prescrito por Bento XVI, durante o Ano Sacerdotal [6]:

É importante favorecer nos sacerdotes, sobretudo nas jovens gerações, uma correta recepção dos textos do Concílio Ecuménico Vaticano II, interpretados à luz de toda a bagagem doutrinal da Igreja. Parece urgente também a recuperação desta consciência que impele os sacerdotes a estar presentes e ser identificáveis e reconhecíveis quer pelo juízo de fé, quer pelas virtudes pessoais, quer também pelo hábito, nos âmbitos da cultura e da caridade, desde sempre no coração da missão da Igreja.

Enfim, não se há de esquecer a mediação de Nossa Senhora, mãe solícita dos sacerdotes e a inimiga de todas as heresias. Na sua viagem a Fátima, em 2010, o Santo Padre não perdeu a oportunidade de confiar à Virgem, “os filhos no Filho e seus sacerdotes”, consagrando-os ao seu Coração Materno, para que cumprissem fielmente a Vontade do Pai [7]. Neste ato, o Papa Bento XVI ensinava ao clero do mundo inteiro que o melhor caminho de santidade e escudo contra o demônio é a intercessão de Nossa Senhora. É também o ensinamento dum outro padre que, não por acaso, muito se assemelha às palavras de São Pio X, ao início deste texto: “foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo” [8].

Por Christo Nihil Praeponere

Obras de Misericórdia

Na devoção à Divina Misericórdia a prática das Obras de Misericórdia quer corporais quer espirituais são muito importantes.

 

Sem a confiança na Misericórdia e sem a prática das obras de Misericórdia pedidas por Jesus não existe uma verdadeira devoção à Misericórdia. “Se por teu intermédio peço aos homens o culto à Minha Misericórdia, por tua vez deves ser a primeira a distinguir-te pela confiança na Minha Misericórdia. Estou exigindo de ti atos de misericórdia, que devem decorrer do amor para comigo…”.Eu te indico três maneiras de praticar a misericórdia para com o próximo: a primeira é a ação, a segunda a palavra e a terceira a oração. “(D. 742)

As obras de misericórdia, segundo Catecismo de São Pio X

Obra de misericórdia é aquela com que se socorre o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais.

As obras de misericórdia são quatorze: sete corporais e sete espirituais, conforme são corporais ou espirituais as necessidades que se socorrem.

As obras de misericórdia corporais são:

1ª Dar de comer a quem tem fome;

2ª Dar de beber a quem tem sede;

3ª Vestir os nus;

4ª Dar pousada aos peregrinos;

5ª Assistir aos enfermos;

6ª Visitar os presos;

7ª Enterrar os mortos.

As obras de misericórdia espirituais são:

1ª Dar bom conselho;

2ª Ensinar os ignorantes;

3ª Corrigir os que erram;

4ª Consolar os aflitos;

5ª Perdoar as injúrias;

6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;

7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

(Catecismo de S. Pio X. Capítulo IV. “Das obras de misericórdia”)

Cada um dentro de suas possibilidades e dons, pode em diversos momentos da vida fazer obras de misericórdia.

Para uns é mais fácil visitar enfermos, para outros é mais fácil ensinar os ignorantes. Mas para todos em alguma fase da vida surgirão os momentos de “perdoar as injúrias” e “sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo”.

No Diário de Santa Faustina algo nos chama a atenção: “O Amor é a flor e a Misericórdia é o fruto”.

Todo ato de amor resulta em misericórdia, não há como fugir desta verdade!

O menor ato de amor que você praticar, terá como resultado a misericórdia!

Praticar, obras de Misericórdia, é amar concretamente a Jesus nos irmãos. Que recompensa há em amar somente aos que nos amam? Por isso, todos são incluidos nesta condição. Ame os que te perseguem, os que te caluniam, os que não gostam de voce, etc. Seus gestos de amor transformarão os corações: primeiro o seu, e em conseqüência, o do próximo!