A “fake news” que humilhou jovens católicos nos Estados Unidos

Numa época de “luta de classes”, parece ser uma lei editorial promover o descrédito e a ridicularização de quem quer que se atreva a crer num Deus acima dos céus e a defender uma vida dentro do útero.

Equipe Christo Nihil Praeponere | 31 de Janeiro de 2019

Parecia um fato absurdo: um grupo de rapazes brancos, católicos e pró-vida zombando de um índio idoso, durante um protesto na capital americana. Ao menos era essa a impressão que causava um vídeo que se tornou viral na manhã de 19 de janeiro, provocando reações instantâneas em toda a mídia. Às pressas, o The New York Times mandou publicar como manchete: “Boys in ‘Make America Great Again’ Hats surrounding Native Elder at Indigenous Peoples March”, algo assim em português: “Garotos com bonés do ‘Faça a América grande outra vez’ cercam índio idoso, na Marcha dos Povos Indígenas”. Outros tantos jornais repercutiram a mesma história logo em seguida, acompanhados pelo coro de sabe-se lá quantos políticos, artistas e ativistas dos direitos humanos.

A polêmica repercutiu até na Igreja e em sítios católicos na internet. A escola onde os adolescentes estudam, Covington Catholic High School, precisou fechar as portas naquela semana, dada a quantidade de ameaças e protestos contra a instituição. Para apaziguar os ânimos, sugeriu-se a expulsão dos meninos. Dom Roger Foys, bispo da diocese de Covington, em Kentucky, também condenou a agressão e aproveitou para se desculpar pelo incidente. Na página da Marcha pela vida, evento do qual os rapazes haviam participado poucas horas antes de o problema acontecer, os organizadores emitiram um comunicado repudiando a zombaria contra os indígenas. Enfim, padres, blogueiros católicos e demais lideranças embarcaram na narrativa midiática, que expressava indignação contra os rapazes, aqueles “fascistas”, e exigia as devidas providências.

O respeito ao ser humano é um dever de justiça. Por isso, não há dúvida de que o comportamento dos estudantes mereceria toda censura, não fosse um importante detalhe: eles não haviam feito nada. Depois das primeiras manchetes da imprensa, outros vídeos surgiram na internet, mostrando a história completa de tudo o que, de fato, havia ocorrido em frente ao Monumento a Lincoln, em Washington. Não houve zombaria contra nativos, não houve tentativa de intimidação nem bloqueio de passagem. Foi Nathan Phillips, o senhor que aparece no vídeo tocando um tambor na cara de outro rapaz, Nick Sandmann, quem livremente se aproximou dos estudantes para, supostamente, “ouvir seus ataques”. Ao contrário, os meninos do Covington Catholic High School é que haviam sofrido ataques por parte de outro grupo de manifestantes, os Israelitas Negros Hebreus, que os chamavam de “racistas”, “viados” e “ratos brancos”. Os meninos brancos, católicos e pró-vida apenas cantavam para encobrir os insultos quando Nathan Phillips se aproximou.

Os estudantes mereceriam toda censura, não fosse um importante detalhe: eles não haviam feito nada.

Em tempo, o jornalista Gleen Beck fez o excelente trabalho de reunir todos os vídeos e organizá-los segundo a sequência lógica dos fatos. Na tarde de 18 de janeiro, três manifestações ocorriam na cidade de Washington: a Marcha pela Vida, a Marcha dos Povos Indígenas e um protesto dos Israelitas Negros Hebreus, estes conhecidos por suas posições radicais e extremistas. Quando os jovens chegaram ao Monumento a Lincoln para tomarem o ônibus de volta a Covington, já acontecia uma confusão entre os dois outros grupos, como mostram as imagens dos vídeos. Foram os Israelitas Negros Hebreus que iniciaram a provocação. Sem entender o que se passava no local, e diante dos insultos que começaram a receber, os meninos apenas entoaram cantos da escola e algumas danças. Foi nesse momento que o ativista Nathan Phillips se aproximou deles para tocar-lhes o tambor. Eles não insultaram ninguém, não agrediram ninguém, não oprimiram ninguém. No local errado e na hora errada, esses garotos foram vítimas de um vídeo maldosamente editado, que se revelou mais tarde uma grande farsa.

Mas a mídia já havia feito seu serviço de causar a primeira impressão. Apesar das desculpas e lamentações pelo equívoco por parte dos jornais, os meninos brancos, católicos e pró-vida terão sempre na testa a marca de um crime que não cometeram. Nick Sandmann foi ameaçado de morte. Numa época de “luta de classes” — hostil ao cristianismo e à vida —, promover o descrédito e a ridicularização de quem quer que se atreva a crer num Deus acima dos céus e a defender uma vida dentro do útero parece ser uma lei editorial. Nick Sandmann e seus colegas empunhavam bandeiras contrárias aos valores mainstream: marchavam contra o aborto e defendiam uma “América grande de novo”, slogan não só do presidente Trump, mas que já foi usado por outros políticos como Ronald Reagan e, imaginem só, Bill Clinton. Isso tudo bastava para que jornalistas burlassem o protocolo de checar as fontes antes de publicá-las. The New York Times é aquele mesmo jornal que, anos atrás, publicou um anúncio incentivando os católicos a abandonar a Igreja. A causa acima da ética.

O que assusta, no entanto, é como católicos se deixaram ludibriar por um vídeo de apenas alguns minutos, unindo-se à narrativa da mídia contra os estudantes do Covington Catholic High School. De quem justamente se esperava prudência, a mãe de todas as virtudes, veio primeiro justiça. Diante de toda pressão, era preciso condenar rapidamente aquele episódio, a fim de que a Igreja passasse uma imagem positiva para o mundo, que espumava de ódio e indignação. De fato, a imprensa conseguiu machucar tanto a imagem dos católicos — sobretudo pelos desgraçados escândalos de pedofilia — que, agora, qualquer mínima suspeita levantada pelos jornais contra algum membro da Igreja é o bastante para que nós, católicos, disparemos anátemas e penitências. Para a nova mentalidade, todo católico deve ser considerado um racista-homofóbico-misógino-pedófilo em potencial, até que se prove o contrário.

O sr. Nathan Phillips, frente a frente com o jovem católico Nick Sandmann.

O incidente com os alunos do Covington Catholic High School é apenas mais um episódio de uma narrativa que se deseja construir contra o cristianismo: a de que se trata de uma religião perversa e inimiga da sociedade. No passado, os católicos podiam se ufanar da própria fé, com as mesmas palavras de Santo Agostinho aos fautores do Estado:

Os que dizem que a doutrina de Cristo é contrária ao bem do Estado dêem-nos um exército de soldados tais como os faz a doutrina de Cristo, dêem-nos tais governadores de províncias, tais maridos, tais esposas, tais pais, tais filhos, tais mestres, tais servos, tais reis, tais juízes, tais contribuintes, enfim, e agentes do fisco tais como os quer a doutrina cristã! E então ousem ainda dizer que ela é contrária ao Estado! Muito antes, porém, não hesitem em confessar que ela é uma grande salvaguarda para o Estado quando é seguida (Epist. 138 [al. 5] ad Marcellinum, cap. II, n. 15).

Hoje esse discurso não só parece soberbo como completamente fora da realidade. A ênfase com que os meios de comunicação expuseram os maus exemplos de tantos soldados, políticos e familiares católicos criou na mentalidade comum dos fiéis um verdadeiro “complexo de inferioridade”, como afirma a colunista Charlotte Allen, de modo que quase nos envergonhamos de servir ao Senhor. Ser católico não parece mais uma graça, mas um defeito.

Malgrado as desculpas da mídia, os meninos brancos, católicos e pró-vida terão sempre na testa a marca de um crime que não cometeram.

Para todos os efeitos, tanto o bispo da diocese de Covington como os organizadores da Marcha pela Vida e outros líderes católicos pediram desculpas aos jovens. “Nós não deveríamos ter nos deixado intimidar a fazer uma declaração tão prematura”, lamentou Dom Roger Foys. A “fake news” que humilhou esses jovens católicos nos Estados Unidos expõe, no fim das contas, o estado da guerra cultural contra o cristianismo e a crise pela qual passam as instituições católicas. De um lado, uma elite anticristã cada vez mais descarada, oportunista e mentirosa, disposta a tudo para sepultar os valores cristãos da sociedade, até assassinar a reputação de jovens estudantes; do outro, uma Igreja confusa com o barulho do mundo, pressionada pela bagunça entre a moral politicamente correta e a moral cristã.

Planned Parenthood admite que sua prioridade é o aborto

“Com nova presidente, a Planned Parenthood finalmente admite que seu foco é o aborto

A organização finalmente está fazendo uma confissão que deveria fazer com que políticos de todos os Estados Unidos repensassem os 500 milhões de dólares que ela recebe do bolso dos contribuintes Quanto mais pessoas souberem em que tipo de negócio a Planned Parenthood está metida, melhor PixabayA nova presidente da Planned Parenthood tem um ponto forte a seu favor: ela não tem vergonha de dizer a verdade. Leana Wen, a sucessora de Cecile Richards, está finalmente admitindo o que todos nós já sabemos há muito tempo: a Planned Parenthood pode falar sobre uma grande variedade de assuntos, mas só se importa realmente com um deles: aborto.
Leia mais: O que é a Planned Parenthood?
Depois de 12 anos tentando fazer o seu negócio de abortos passar despercebido, a Planned Parenthood estabelece uma nova estratégia sob a direção de Wen: dizer as coisas como elas são. 
Nossas Convicções: Defesa da vida desde a concepção
Depois que uma reportagem do Buzzfeed insinuou que a médica chino-americana quer que o grupo “foque na assistência médica não-abortiva”, Wen surpreendeu a todos dizendo exatamente qual é a prioridade real da Planned Parenthood. “Nossa missão central é oferecer, proteger e expandir o acesso ao aborto e à saúde reprodutiva. Nós nunca recuaremos nessa batalha”, tuitou ela. “É um direito humano fundamental e a vida das mulheres está em jogo”. 
Leia mais: A Planned Parenthood enfrenta grandes problemas com a lei
Seu tuíte, que foi complementado com defesas do aborto ainda mais militantes, explodiu mais de uma década de subterfúgios e figuras de linguagem com apenas alguns bits. A Planned Parenthood, que limpou meticulosamente qualquer referência ao aborto em seus pronunciamentos públicos no tempo de Richards, está finalmente fazendo uma confissão que deveria fazer com que políticos de todos os Estados Unidos repensassem os 500 milhões de dólares que ela recebe do bolso dos contribuintes. 
A verdade não fazia muito bem aos negócios, observa Philip Wegmann, do Washington Examiner, sobre a Planned Parenthood. Para sufocar as críticas de que o governo estava financiando a maior rede abortiva do país, Richards costumava repetir que os abortos correspondiam a apenas 3% dos seus serviços – como se não houvesse nada de errado em matar se você só faz isso de vez em quando, diz Wegmann. Até veículos como o Slate e o Washington Post recusavam essa estatística como sem sentido e enganosa. 
Leia mais: Mulher conta por que deixou Planned Parenthood
Durante anos, a Planned Parenthood defendeu enfaticamente a estatística dos 3%, e a cumplicidade da imprensa a replicou de forma acrítica. Sua ex-presidente Cecile Richards a repetiu durante um depoimento no Congresso. Jornalistas da CNN, do Politico e do New York Times a publicaram sem questioná-la. O número foi repetido tantas vezes que se tornou uma mentira blindada.
Explicar a verdade seria um desastre para a Planned Parenthood. O Congresso talvez não assinasse tantos cheques dos contribuintes se o público soubesse que a maior rede de abortos lucra, de fato, através da realização de abortos – 328.348 abortos por ano, de acordo com seu último relatório anual. 
Leia mais: O sofrimento silencioso dos pais depois do aborto
Talvez, como apontam outras pessoas, a nova estratégia de Wen seja a sua forma de atrair a nova maioria da Casa. Afinal, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi (dos democratas da Califórnia), já prometeu que a sua pauta seria “pró-escolha”. A honestidade de Wen pode ser, porém, um tiro no pé diante dos eleitores. Mais da metade deles (55%) não sabem que a Planned Parenthood faz abortos – imagine só se souberem que é a maior rede de abortos do país. 
Leia mais: Em estratégia desesperada, defensores do aborto partem para o vale-tudo
A mídia gosta de falar sobre o apoio que a Planned Parenthood tem junto às bases. Mas, como diz o instituto de estatísticas Gallup, “não está claro se os norte-americanos têm uma opinião favorável à Planned Parenthood por causa do seu papel no debate sobre o aborto ou apesar dele”.
No fim, a confissão de Wen pode ter sido um favor para o lado pró-vida. Quanto mais pessoas souberem em que tipo de negócio a Planned Parenthood está metida, melhor. 

Tony Perkins é presidente do Family Research Council 

Tradução: Felipe Sérgio Koller.”

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/com-nova-presidente-a-planned-parenthood-finalmente-admite-que-seu-foco-e-o-aborto-0vepro2abhxgh5dtfifw21zlk/appCopyright © 2019, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

Apresentadora espera bebê com anencefalia e avisa: “Não vamos abortar”

anencefalia

“Deus tem um plano para ela”, declarou a profissional, junto com o esposo

Apresentadora do canal norte-americano Wish TV, Brooke Martincomunicou no início deste mês que espera uma bebê diagnosticada com anencefalia e acrescentou que, junto com o marido, Cole, decidiu não abortá-la.

“Nossa bebê foi diagnosticada com anencefalia, uma doença rara que faz com que o crânio do bebê não se desenvolva. Descobrimos que é uma menina e que ela não tem possibilidade de sobreviver, mas decidimos prosseguir com a gravidez até quando ela continuar viva”.

A fé de Brooke e do esposo foi a inspiração para o nome da pequena:

“Escolhemos o nome dela: Emma Noelle. Os dois nomes, juntos, soam como Emmanuel, que significa ‘Deus conosco’”.

Anencefalia e manipulação ideológica

Os casos de anencefalia são frequentemente utilizados ​​como um “argumento” para se legalizar o aborto. Entretanto, a forma de tratar o assunto costuma ser impregnada de manipulação emocional unilateral, chegando-se a empregar, em certos discursos pró-aborto, expressões como “gestar um funeral” para “descrever” a gravidez de um bebê com esta condição.

É fato que ainda não existe nenhum tratamento padrão para a anencefalia e que a quase totalidade dos bebês anencéfalos morre logo após o nascimento. No entanto, há muitas controvérsias quanto à forma de lidar com esta situação por parte da gestante e da sua família, com testemunhos de mulheres que levaram a gravidez adiante e consideraram que esta decisão foi determinante para o seu próprio processo de cura psicológica. Trata-se de um processo de aceitação, superação e cura mediante a escolha da vida, semelhante ao que ocorre quando uma vítima de estupro consegue fazer a objetiva separação entre o trauma da violência sexual e a inocência do bebê gestado nesse ato de violência: há muitos relatos de mães para quem o bebê se revelou um “bálsamo” capaz de saná-las, em contraposição aos relatos de vítimas que optaram pelo aborto e depois constataram que, além de manterem o trauma do estupro, ainda acrescentaram a ele o trauma do aborto. Esta perspectiva, porém, é frequentemente omitida no debate público.

Um plano de Deus

Brooke e Cole, que já são pais do pequeno Max, hoje com 2 anos, complementam:

“Estamos desolados. Estamos muito tristes. Por outro lado, temos a certeza de que Deus tem um plano para Emma e ​​que Ele vai redimir a sua história”.

Enquanto Cole se declara orgulhoso da esposa e “da forma como ela lidou com a notícia“, Brooke prossegue:

“Normalmente, um bebê com anencefalia morre. Existe a possibilidade de que possamos perdê-la até antes do parto (…) Nós sabemos que algum dia vamos poder estar com ela na eternidade. E esta é a nossa confiança. Esta é a nossa esperança”.

Por que a Igreja Católica é contra os métodos anticoncepcionais?

A partir de 1930, praticamente todas as denominações protestantes passaram a aceitar a contracepção. A Igreja Católica, no entanto, até hoje permanece firme em ensinar o que sempre ensinaram os cristãos.

Chastity Project

Tradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Setembro de 2018
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A contracepção não é novidade; a história nos relata os vários métodos contraceptivos empregados milhares de anos atrás. Povos antigos ingeriam certas substâncias para causar esterilidade temporária; usavam peças de linho, lã ou couro animal como “barreiras” físicas; fumegavam o útero com veneno para torná-lo inóspito. Os romanos praticavam a contracepção; os primeiros cristãos destacaram-se da cultura pagã justamente por opor-se a praticá-la [1].

A Sagrada Escritura a condena (cf. Gn 38, 8-10), assim como todas as denominações cristãs até pelo menos a década de 1930. Foi naquela época que, pela primeira vez, a Igreja Anglicana decidiu permitir a contracepção em algumas circunstâncias. Os anglicanos logo cederam de vez e, pouco depois, praticamente todas as denominações protestantes passaram a aceitá-la sem restrição. A Igreja Católica, no entanto, permanece firme em ensinar o que sempre ensinaram os cristãos. Mas por quê? Por que a Igreja não se “atualiza”?

O mundo não sabe qual é a finalidade do sexo.
O mundo moderno tem um sério problema em compreender a postura da Igreja com respeito à contracepção, porque o mundo não sabe qual é a finalidade do sexo.

O escritor Frank Sheed disse certa feita que “o homem moderno quase nunca pensa sobre sexo”. Ele sonha, deseja-o, imagina-o, baba diante dele; mas, na verdade, nunca pára para pensar no que ele realmente consiste. Sheed acrescenta: “O nosso típico homem moderno, quando se concentra ao máximo, não consegue ver no sexo mais do que uma coisa que temos muita sorte de possuir; e vê todos os problemas que a ele concernem reduzidos a uma só e grande questão: como obter tanto prazer quanto possível” [2].

Mas deveríamos ir um pouco mais a fundo. Quem inventou o sexo? O que é o sexo? Para que serve ele? Qual é o seu valor? Para início de conversa, foi Deus quem o criou. E, já que Ele é o seu Criador, tem o poder de determinar-lhe seu fim e sentido. Ora, Deus revelou que a finalidade do sexo é a procriação e a união entre os esposos, de forma que o ato sexual pode ser entendido como se os votos e promessas matrimoniais “se tornassem carne” (cf. Mt 10, 8). No dia do casamento, os noivos prometem que o seu amor será livre, fiel, total e aberto à vida. Todo ato conjugal deveria, pois, ser uma renovação desse juramento.

Alguns casais dizem que serão, sim, abertos à vida, mas que usarão contraceptivos entre um nascimento e outro. Noutras palavras, eles pretendem ser “completamente” abertos à vida, mas só às vezes, quando decidirem não esterilizar alguns “atos de amor”. Que seria do seu casamento se eles pensassem assim também das outras promessas feitas ao pé do altar?…

Acaso uma esposa pode alegar ser fiel, exceto quando tem um “caso”? Pode ela afirmar que a sua entrega ao marido é total, desde que ele continue rico? Pode um esposo dizer que seus atos conjugais são livres, menos nos casos em que “precisa” recorrer à força? Ora, tudo isso é absurdo, e no entanto os casais contraceptivos, ao se fecharem ao dom da vida, renegam seus próprios votos de maneira parecida. No fundo, eles sabem, mas têm medo do que o sexo significa.

O sexo, porém, é muito mais do que votos matrimoniais feitos carne. Ele é ainda um reflexo da fecundidade de amor da Santíssima Trindade. “Na Bíblia, a união entre o homem e a mulher tem em vista não só a preservação da espécie, como no caso dos outros animais: na medida em que está chamada a ser imagem e semelhança de Deus, ela expressa, de uma forma física e tangível, o rosto de Deus, que é Amor (cf. 1Jo 4, 8)” [3].

“O futuro da humanidade passa pela família!”
O projeto de Deus é que nos amemos como Ele mesmo ama, e isso deve estar radicado no nosso próprio ser. De maneira que, em matéria de moral sexual, a única e verdadeira pergunta que nos deveríamos fazer é: “Estou expressando através do meu corpo o amor de Deus?” O casal que o faz torna-se aquilo que realmente é, imagem do amor trinitário, e por meio de sua união revela o amor de Deus ao mundo. O ato de dar a vida por amor entre um homem e sua esposa deve ainda ser um reflexo do amor de Cristo pela Igreja. Devemos, por isso, perguntar-nos: “Se tivermos em conta a relação entre Cristo e sua Igreja, onde entra ali a contracepção? O que há de ‘contraceptivo’ no amor de Cristo?”

Além dessas implicações teológicas, consideremos os efeitos da contracepção na sociedade. Quando a contracepção começou a difundir-se entre os cristãos, a Igreja Católica alertou-os das graves consequências que a prática acarretaria para os relacionamentos.

As taxas de infidelidade conjugal cresceriam, já que os esposos poderiam ser infiéis sem o perigo de uma gravidez indesejada. Uma vez que a contracepção abre um caminho fácil para evitar as consequências naturais da lei moral, haveria uma queda geral da moralidade pública. A Igreja receava ainda que “o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabasse por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegasse a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta, e não mais como a sua companheira, respeitada e amada” [4].

Ademais, se as pessoas pudessem separar o ato conjugal do ato de transmitir a vida, por que se haveriam de proibir, afinal, todas aquelas práticas que são em si mesmas incapazes de gerar uma nova vida (mastrubação, atos homossexuais etc.)? À medida que a contracepção se tornasse mais comum, seria cada vez mais difícil ver a sexualidade como um sinal do amor divino.

Há quem alegue que a Igreja estaria “restringindo” a liberdade das mulheres ao rejeitar a contracepção. No entanto, o fruto podre da “liberação” contraceptiva deixa-se ver da maneira mais clara, não pelos argumentos, mas na vida mesma dos que aceitam esta falsa ideia de “liberdade”.

Veja-se, por exemplo, o que uma certa jovem escreveu à revista Dear Abby: “Sou uma mulher livre e independente de 23 anos e tenho tomado pílula pelos últimos dois anos. Como está ficando muito caro comprar o remédio, acho que o meu namorado deveria dividir os custos comigo. O problema é que eu ainda não o conheço muito bem para poder falar com ele de dinheiro” [5]. Nas palavras de Christopher West, “se há algum problema por trás da opressão das mulheres, é o fracasso dos homens em tratá-las decentemente, como pessoas. A contracepção é, sem dúvida, uma forma de mantê-las presas às suas cadeias” [6].

A contracepção prejudica a intimidade dos esposos, dá lugar ao egoísmo nos atos conjugais e abre as portas para a infidelidade.
As primeiras feministas opunham-se à contracepção por esta mesma razão, e algumas feministas modernas ainda se dão conta de que a contracepção é o inimigo da liberação feminina [7]. Também os antropólogos que estudam a origem e a decadência das civilizações perceberam que as sociedades que não orientam suas energias sexuais para o bem do casamento e da família começam a desmoronar [8].

A Igreja, portanto, não hesita em apontar para as enormes consequências da contracepção. É o amor entre marido e mulher que mantém o casal unido. É um casamento forte que mantém a família unida. E são famílias fortes que mantêm a sociedade unida, e é sobre estas bases que uma civilização fica de pé ou desaba. “O futuro da humanidade passa pela família!” [9].

Se tivermos bem claro que a contracepção prejudica a intimidade dos esposos, dá lugar ao egoísmo nos atos conjugais e abre as portas para esse grande mal que é a infidelidade, então é forçoso reconhecer que a contracepção é um câncer para toda a civilização.

Referências

Agostinho, Marriage and Concupiscence 1:15:17 (a.d. 419), João Crisóstomo, Homilies on Romans 24 (a.d. 391), e outros, em: Contraception and Sterilization.
Frank Sheed, Society and Sanity (New York: Sheed and Ward, 1953), 107.
Carlo Martini, On the Body (New York: Crossroad Publishing Co., 2000), 49.
Paulo VI, Humanae Vitae 17 (Boston: Pauline Books & Media, 1997).
Abigail Van Buren, The Best of Dear Abby (New York: Andrews and McMeel, 1981), 242, apud Donald DeMarco, New Perspectives on Contraception (Dayton, Ohio: One More Soul, 1999), 42.
Christopher West, Good News About Sex and Marriage (Ann Arbor, Michigan: Servant Publications, 2000), 122.
Donald DeMarco, “Contraception and the Trivialization of Sex”.
DeMarco, New Perspectives on Contraception, 89.
João Paulo II, Familiaris Consortio 86 (Boston: Pauline Books & Media, 1981).

Mulher, onde está o teu coração?

Quantas mulheres estão consagrando de coração toda a sua vida a Mamon, o deus deste mundo, sem colher nenhum dos benefícios que resultariam de uma vida dedicada ao verdadeiro Deus?

Peter Kwasniewski,  LifeSiteNews.com Tradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Agosto de 2018

Um dia em Nova Jersey, anos atrás, encontrava-me em uma estação de trem esperando uma viagem para Nova Iorque. Enquanto observava as jovens mulheres bem vestidas à espera na estação, pensei comigo a caminho do trabalho: quantas dessas mulheres estão consagrando de coração toda a sua vida a Mamon, o deus deste mundo, sem colher nenhum dos benefícios que resultariam de uma vida dedicada ao verdadeiro Deus?

Elas são “celibatárias” de alguma forma, mas sem serem virgens; fazem sacrifícios dia após dia, mas não colhem deles nenhuma salvação; e, além disso, não trazem nenhuma alma imortal a este mundo. Elas podem até ter sexo, mas sem filhos; com isso, perdem a glória e o mérito supremos da mulher casada. Quando têm um filho, frequentemente delegam os cuidados a outra pessoa, perdendo a maior oportunidade e o maior privilégio de todos: criar e educar os próprios filhos.

Muitas mulheres modernas são um conjunto de contradições flagrantes: suas vidas são “consagradas”, mas a um falso deus que lhes rouba as bênçãos de uma fé virginal; elas se deitam com seus maridos, mas preferem a esterilidade; quando têm filhos, não cuidam deles nem os educam. Numa espécie de sátira da própria existência, elas são celibatárias defloradas, esposas estéreis e mães irresponsáveis — e tudo isso por escolha.

Em muitos sonetos, Shakespeare incentiva o leitor a gerar filhos, a fim de passar adiante a beleza que tem, ao invés de gastá-la consigo. Os sonetos partem do pressuposto de que a relação sexual é algo natural e felizmente associado à concepção de crianças; que o matrimônio, via de regra, conduz à formação de uma família (pensar de outro modo não faria nenhum sentido para alguém de cultura tradicional); que os cônjuges não só trarão filhos a este mundo, como dedicarão suas vidas inteiras a educá-los.

O que diria Shakespeare a essas mulheres na estação de trem? “Você deveria se casar”? Ora, muitas delas estão casadas, e ainda assim não têm nenhum filho. “Você deveria ter filhos”? Mas algumas delas os têm — um ou dois, número considerado “mais do que suficiente”. Em resumo, a estrutura inteira das relações sociais, responsabilidades morais as mais elementares, realidades humanas as mais básicas, tudo desapareceu; Shakespeare não teria praticamente nenhum modo de entrar no coração dessas pessoas.

Quero enfatizar que falo aqui apenas do que se pode chamar esterilidade voluntária, a esterilidade “de facto” escolhida por quem ou não quer filhos ou não deseja arcar com as responsabilidades de um compromisso. É evidente que aqueles que desejam mesmo ter filhos, mas não o podem, devem carregar essa cruz com a ajuda da graça divina, dado que a sua infertilidade não é querida, e muito menos culpável.

Não ter filhos, na verdade, para quem possui uma concepção digna do matrimônio e da vida humana, constitui a mais profunda dor e o mais terrível peso que se pode suportar. A perversidade da atitude moderna consiste em ver os filhos como uma derrota, um desperdício de vida.

Ao usar a metáfora da mãe para falar do terno amor de Deus (cf. Is 49, 15), o profeta Isaías parte do fato de o vínculo entre uma mãe e seus filhos ser conhecido e sentido como o mais forte, o mais sagrado, o mais íntimo dos vínculos humanos. Trata-se, talvez, do mais nobre modelo de amor a que podemos ter acesso. Por isso, Deus serve-se dele e espera ser facilmente compreendido. Se mulher nenhuma se esquece de um filho, como então Deus se esquecerá? Ao dizer: “Mesmo que uma mãe se esqueça, eu jamais me esquecerei de ti, diz o Senhor”, a Escritura faz uma reductio ad absurdumnenhuma mãe digna do nome se esquece de seu filho; ora, se tal é assim, quanto mais Deus, que nos criou e sustenta no ser, não há de lembrar-se de nós?

Hoje, porém, a própria base dessa comparação, o belo vínculo natural entre mãe e filho, é abertamente ridicularizada e repudiada. Nós estamos, infelizmente, muito longe da imagem descrita pelo profeta Isaías, na qual o anelo da mãe por seu filho serve como imagem vívida das misericórdias de Deus para com o povo perdido e rebelde de Israel.

Em algum lugar do coração humano, não importa o quão cínico e calejado ele esteja, há uma brasa desse desejo ardente, uma fagulha desse amor. Nós precisamos fazer o máximo possível para manter acesa essa chama, procurando testemunhar continuamente o grande dom que é a vida humana, a beleza do amor paterno e materno e a alegria custosa, sim, mas profundamente gratificante de viver não para si, mas para os outros.

Moral católica e contracepção: o Cardeal Sarah se pronuncia

Acolher o ensino da Igreja sobre a contracepção, mais do que “uma questão de submissão e de obediência ao Papa”, é um ato de “escuta e acolhida da Palavra de Deus”.

La Nuova Bussola Quotidiana Tradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Agosto de 2018

No último dia 4 de agosto, por ocasião do cinquentenário da encíclica Humanae Vitae, Sua Eminência, o Cardeal Robert Sarah, ministrou uma conferência na abadia beneditina de Sainte Anne de Kergonan, na região da Bretanha, noroeste da França.

Colocamos à disposição de nossos leitores algumas passagens, traduzidas do texto em italiano para o português. O texto integral da conferência, em francês, pode ser baixado nesta página.


Um erro de perspectiva

Caros amigos e esposos, se vós, como cristãos, rejeitais a contracepção, não é, antes de tudo, porque “a Igreja o proíbe”, mas porque sabeis, através do ensinamento da Igreja, que a contracepção é intrinsecamente má, isto é, que ela destrói a verdade do amor e do relacionamento humano. Ela reduz a mulher a nada menos que um objeto de prazer, sempre disponível, seja qual for o momento e a circunstância, às pulsões sexuais do homem.

Uma verdade conforme a razão e atestada pela Revelação

É importante sublinhar que essa verdade do amor humano é acessível à razão humana. São João Paulo II recorda, de fato, que a afirmação segundo a qual “qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida” (HV 11), descreve a “verdade ontológica”, a “estrutura íntima” e “real” do ato conjugal [1].

É esse caráter de racionalidade que fundamenta a afirmação de Paulo VI e de João Paulo II: “As normas morais da Humanae Vitae fazem parte da lei natural. Todo homem de boa vontade é capaz de compreender que um comportamento contraceptivo é contrário à verdade humana do amor conjugal.”

Mas é necessário ir ainda mais longe. Com efeito, São João Paulo II afirma com veemência que a norma moral formulada na Humanae Vitae faz parte da Revelação divina:

A Igreja ensina esta norma, ainda que não esteja expressa formalmente (isto é, literalmente) na Sagrada Escritura; e o faz na certeza de que a interpretação dos preceitos da lei natural é de competência do Magistério.

Podemos, no entanto, dizer mais. Ainda que a norma moral, tal como formulada na encíclica Humanae Vitae, não se encontre literalmente na Sagrada Escritura, pelo fato de estar contida na Tradição e — como escreve o Papa Paulo VI — ter sido “muitas vezes exposta pelo Magistério” (HV 12) aos fiéis, resulta que essa norma corresponde ao conjunto da doutrina revelada contida nas fontes bíblicas (cf. HV 4). [2]

Tal afirmação é capital para compreender o erro de todos aqueles que pedem uma “mudança de disciplina”, de todos os que dizem que “a Igreja é muito dura” ou que “a Igreja deve adaptar-se”. Segundo a encíclica Humanae Vitaea Igreja não faz outra coisa senão transmitir tudo quanto ela recebeu do próprio Deus. Ela não tem, e nem terá jamais, o poder de mudar nada.

Portanto, acolher a Humanae Vitae não é, antes de tudo, uma questão de submissão e de obediência ao Papa, mas de escuta e acolhida da Palavra de Deus, da bondosa revelação de Deus sobre o que somos e sobre o que devemos fazer para corresponder ao seu amor. O que está em questão, de fato, é a nossa vida teologal, a nossa vida de relacionamento com Deus. Os cardeais, os bispos e os teólogos que têm rejeitado a Humanae Vitae e encorajado os fiéis à rebelião contra a encíclica estão se colocando deliberada e publicamente em luta contra o próprio Deus. O mais grave é que eles convidam os fiéis a se oporem a Deus.

Três erros

primeiro erro se encontra entre os fiéis e, em particular, entre os cônjuges. Alguns poderiam ter a impressão de que a Igreja lhes esteja impondo um peso insuportável, um fardo demasiado pesado que acabará por comprometer a sua própria liberdade.

Caros amigos, tal ideia é falsa! A Igreja não faz outra coisa senão transmitir a verdade recebida de Deus e conhecida por meio da razão. E só a verdade pode nos tornar livres!

É necessário dizer como a recusa das práticas e da mentalidade contraceptiva liberta os casais do peso do egoísmo. Uma vida segundo a verdade da sexualidade humana liberta do medo! Libera as energias do amor e nos faz felizes! Vós, que viveis isso, dizei-o, escrevei, dai o vosso testemunho! É a vossa missão de leigos! A Igreja conta convosco e confia-vos essa missão!

segundo erro a evitar se encontra entre os teólogos moralistas. Guardai-vos daqueles que vos dizem que, quando a intenção geral do casal é reta, as circunstâncias podem justificar a escolha de métodos contraceptivos. Caros amigos, afirmações desse tipo são mentiras! E aqueles que vos ensinam tais aberrações “falsificam a Palavra de Deus” (2Cor 4, 2). Eles não falam em nome de Deus. Falam contra Deus e contra o ensinamento de Jesus.

Quando vos dizem: há situações concretas que podem justificar o recurso aos contraceptivos, mentem para vós! Pior ainda, fazem-vos mal, porque vos indicam um caminho que não conduz nem à felicidade nem à santidade!

Como é possível fingir que “em certas situações” uma atitude que contradiz a verdade profunda do amor humano se torne boa ou necessária? É impossível! “As circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção” [3].

Não se deve jamais opor a prática pastoral à verdade universal da lei moral. A pastoral concreta é sempre a procura dos meios mais apropriados para pôr em prática o ensinamento universal, jamais para o derrogar.

terceiro erro a evitar se encontra nos pastores: sacerdotes e bispos. Como disse Paulo VI, “não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas” (HV 29). E, dirigindo-se aos bispos, o bem-aventurado Papa continuava:

Trabalhai com afinco e sem tréguas na salvaguarda e na santificação do matrimônio, para que ele seja sempre e cada vez mais vivido em toda a sua plenitude humana e cristã. Considerai esta missão como uma das vossas responsabilidades mais urgentes na hora atual (HV 30).

Paulo VI nos mostrou com sua encíclica um belo exemplo de caridade pastoral. Não tenhamos medo de o imitar! Nosso silêncio seria cúmplice e culpável. Não abandonemos os casais às sirenes enganadoras da facilidade!

Um caminho de santidade para os esposos

Eu gostaria de sublinhar, sobretudo, que o fundamento de toda santidade deve encontrar-se no amor a Deus. Ora, quem ama quer o mesmo que quer o amado. Amar a Deus significa querer aquilo que Ele quer. No cume da vida mística, fala-se de união das vontades, ou de comunhão da vontade.

Assim, Paulo VI encoraja os esposos a “conformarem a sua conduta às intenções criadoras de Deus” [4]. Nesta vontade de unir-se às intenções do Criador se encontra um verdadeiro caminho de união teologal com Deus e, ao mesmo tempo, de uma justa realização de si. É verdadeiramente amar a Deus amar aquilo que a sua sabedoria inscreveu na minha natureza. E isso conduz a um amor-próprio justo e realista.

Esse plano do Criador não se reduz à regularidade biológica. A fidelidade à ordem da criação compreende muito mais do que isso. A fidelidade ao projeto de Deus supõe o exercício de uma paternidade-maternidade responsável, que se exprime por meio de um uso inteligente dos ritmos [naturais] da fecundidade. Isso supõe uma colaboração entre os cônjuges, uma comunicação de escolhas comuns e livres, tomadas de forma consciente, iluminadas pela graça e pela oração perseverante, fundadas em uma generosidade de fundo, para que o casal assim decida se irá transmitir a vida ou, por justos motivos, espaçar os nascimentos.

Isso supõe um verdadeiro amor conjugal, uma verdadeira temperança e domínio de si, sobretudo no caso de decidir-se limitar a união conjugal aos períodos infecundos. Numa palavra, trata-se de uma “arte de viver”, de uma espiritualidade, de uma santidade propriamente conjugal!

Uma arte de viver

Enfatizar esse aspecto permite-nos desfazer um mal-entendido. Fala-se às vezes de “métodos naturais de regulação de natalidade”. Muitos crêem que tais métodos são “naturais” pelo fato de não recorrem a procedimentos artificiais, químicos ou mecânicos. Isso não é exato de todo.

Em vez de “métodos naturais”, deve-se falar, antes, de um exercício da fecundidade de acordo com a natureza humana. Esta supõe uma “maturidade no amor que não é imediata, senão que exige diálogo, escuta mútua e um particular domínio sobre as pulsões sexuais em uma caminhada de crescimento na virtude”, dirá Bento XVI. Por isso, pode-se falar de “vida segundo a ordem da natureza”, em conformidade com o projeto criador, apenas se um método natural de regulação dos nascimentos estiver integrado em um contexto de virtude conjugal.

Noutras palavras, os métodos naturais são uma base, mas pressupõem que são vividos [pelo cônjuges] em um contexto de virtude. Eles podem constituir uma porta, uma pedagogia para a descoberta dessa vida conjugal plena, mas não podem ser vividos materialmente, fora deste contexto de responsabilidade, generosidade e caridade que lhe é inerente.

Abrir-se à adoração

Compreender o projeto do Criador, abraçá-lo com o coração, supõe essa atitude espiritual profunda de gratidão e de adoração, que é um dom do Espírito Santo. Acolhendo com gratidão a ordem natural, esforçando-se por compreendê-la e amá-la, os esposos não só realizam seu amor nas virtudes, que consolidam sua mútua caridade, mas se abrem ainda mais à adoração contemplativa do Criador.

Humanae Vitae abre uma estrada de santidade conjugal, uma pedagogia da adoração, de aceitação filial e reverente do plano divino. Assim, Deus mesmo é amado como Pai, seus dons são acolhidos com gratidão e veneração e os esposos experimentam sua afetuosa majestade. Bem se entende por que João Paulo II pôde afirmar que “o que se põe em questão, com a rejeição deste ensinamento, é a ideia mesma da santidade de Deus. […] Essas normas morais não são mais do que a exigência, da qual nenhuma circunstância histórica nos pode dispensar, da santidade de Deus, participada em concreto, não em abstrato, a cada pessoa humana” [5].

O régio caminho da cruz

Sim, queridos amigos, queridos esposos, não vos prego um caminho fácil. Anuncio-vos Jesus, e Jesus crucificado! Estimados esposos, convido-vos a que entreis neste régio caminho de santidade conjugal. Dias virão em que devereis seguir adiante não sem heroísmo de vossa parte. Dias virão em que palmilhareis o caminho da cruz. Penso na “cruz daqueles cuja fidelidade suscita escárnio, ironia e até perseguição” [6], na cruz das preocupações materiais que implica a generosa acolhida de novas vidas, na cruz das dificuldades da vida de casal, na cruz da continência e da espera durante alguns períodos.

A felicidade, a alegria perfeita dos vossos casamentos há de passar por aqui. Sei que isso não se dará sem sacrifício. No entanto, “as tentativas sempre recorrentes de viver um cristianismo sem sacrifício, um cristianismo aguado e sem corpo, estão destinadas ao fracasso” [7].

41 citações de livros médicos que provam que a vida humana começa na concepção

Hoje vivemos nos tempos do relativismo, que muitas vezes nos leva a acreditar ou apoiar determinadas “bandeiras”, em nome da liberdade, da igualdade, da discriminação, etc. Muitos estão utilizando está mesma linguagem para promoverem o aborto, como fosse apenas uma questão de escolha e liberdade da mulher.

O aborto pressupõe a interrupção de uma gravidez, e esta última é a geração de um Ser no ventre de uma mulher. Um Ser totalmente diferente do pai ou da mãe, e se não for interrompido seu desenvolvimento, se desenvolverá, nascerá e crescerá.

Não estamos falando de algo ou coisa que possa ser descartado, mas uma Vida Humana a ser cuidada e respeitada em todos os seus estágios.

Muitos alegam que só é vida após implantação, outros após o desenvolvimento do cérebro, outros ainda quando nascer. No texto a seguir, serão apresentadas 41 citações, de livros médicos, que atestam: a vida começa na concepção.

De acordo com estes estudos então, aborto é assassinato, e dos mais cruéis, porque a vítima não tem nem como defender-se.

Escolhamos a Verdade, Escolhamos a Vida para todos.

Janet Melo de Saboia Alves

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Postado por: Emerson de Oliveira data de publicação: junho 19, 2018
Aqui está uma lista de 41 citações de especialistas médicos e livros de medicina que provam que a vida humana começa na concepção / fertilização.“O ciclo de vida dos mamíferos começa quando um espermatozóide entra em um óvulo”.

Okada et al., Um papel para o complexo alongador na desmetilação do genoma paterno zigótico, NATURE 463: 554 (28 de janeiro de 2010)

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“Fertilização é o processo pelo qual gametas haplóides masculinos e femininos (espermatozóide e óvulo) se unem para produzir um indivíduo geneticamente distinto.”

Signorelli et al., Quinases, fosfatases e proteases durante a capacitação espermática, CELL TECISS RES. 349 (3): 765 (20 de março de 2012)

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“O oviduto ou trompa de Falópio é a região anatômica onde toda nova vida começa em espécies de mamíferos. Após uma longa jornada, os espermatozóides encontram o oócito no local específico do oviduto chamado ampola, e a fertilização ocorre ”.

Coy et al., Funções do oviduto na fertilização de mamíferos, REPRODUÇÃO 144 (6): 649 (1 de outubro de 2012) (grifo nosso).

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“Fertilização – a fusão de gametas para produzir um novo organismo – é o culminar de uma multiplicidade de processos celulares intricadamente regulamentados.”

Marcello et al., Fertilization, ADV. EXP. BIOL. 757: 321 (2013)

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Institutos Nacionais de Saúde, Medline Plus Dicionário Médico Merriam-Webster (2013), http://www.merriamwebster.com/medlineplus/fertilization

A própria definição do governo atesta o fato de que a vida começa na fertilização. De acordo com os Institutos Nacionais de Saúde, “fertilização” é o processo de união de dois gametas (ou seja, óvulo e espermatozóide) “por meio do qual o número de cromossomos somáticos é restaurado e o desenvolvimento de um novo indivíduo é iniciado”.

Steven Ertelt ” fato científico indisputado: A vida humana começa na concepção, ou na fertilização” LifeNews.com  18/11/13

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“A vida humana começa na fertilização, o processo durante o qual um gameta masculino ou espermatozoide (desenvolvimento do espermatozóide) se une a um gameta ou oócito feminino (óvulo) para formar uma única célula chamada zigoto. Esta célula altamente especializada e totipotente marcou o início de cada um de nós como um indivíduo único ”.“ Um zigoto é o começo de um novo ser humano (isto é, um embrião) ”.

Keith L. Moore, O Desenvolvimento Humano: Embriologia Clinicamente Orientada, 7ª edição. Filadélfia, PA: Saunders, 2003. pp. 16, 2.

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“Naquela fração de segundo, quando os cromossomos formam pares, o sexo da nova criança será determinado, as características hereditárias recebidas de cada pai serão estabelecidas e uma nova vida terá começado.”

Kaluger, G. e Kaluger, M., Human Development: The Span of Life, página 28-29, The CV Mosby Co., St. Louis, 1974.

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Um livro de embriologia descreve como o nascimento é apenas um evento no desenvolvimento de um bebê, não o começo de sua vida.

“Deve ser sempre lembrado que muitos órgãos ainda não estão completamente desenvolvidos a termo e o nascimento deve ser considerado apenas como um incidente em todo o processo de desenvolvimento.”

F Beck Human Embriologia, Blackwell Scientific Publications, 1985 página vi

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“É a penetração do óvulo por um espermatozóide e a mistura resultante de material nuclear traz para a união que constitui a iniciação da vida de um novo indivíduo.”

Clark Edward e Embriologia Humana de Corliss Patten, McGraw – Hill Inc., 30

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“Embora seja costume dividir o desenvolvimento humano em períodos pré-natais e pós-natais, é importante perceber que o nascimento é apenas um evento dramático durante o desenvolvimento, resultando em uma mudança no ambiente”.

O desenvolvimento humano: embriologia clinicamente orientada quinta edição, Moore e Persaud, 1993, Saunders Company, página 1

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“Seu bebê começa como um óvulo fertilizado … Nas primeiras seis semanas, o bebê é chamado de embrião.”

Cuidados Pré-natais, Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Divisão de Saúde Materna e Infantil, 1990

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“Landrum B. Shettles, MD, PhD foi o primeiro cientista a ter sucesso na fertilização in vitro:

“O zigoto é a vida humana … existe um fato que ninguém pode negar; Os seres humanos começam na concepção ”.

O zigoto é um termo para uma vida recém-concebida depois que o espermatozóide e o óvulo se encontram, mas antes que o embrião comece a se dividir.

De Landrum B. Shettles “Ritos da Vida: A Evidência Científica da Vida Antes do Nascimento” Grand Rapids, MI: Zondervan, 1983, p 40

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O livro médico,  Antes de Nascermos – Fundamentos de Embriologia e Defeitos Congênitos , afirma:

“O zigoto e o embrião inicial são organismos humanos vivos.”

Keith L. Moore & TVN Persaud Antes de Nascermos – Fundamentos da Embriologia e Defeitos Congênitos (WB Saunders Company, 1998. Quinta edição.) Página 500

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“Assim, uma nova célula é formada a partir da união de um gameta masculino e feminino. [Células de espermatozoides e óvulos] A célula, conhecida como zigoto, contém uma nova combinação de material genético, resultando em um indivíduo diferente dos pais e de qualquer outra pessoa no mundo. ”

Sally B Olds, et al., Enfermagem Obstétrica (Menlo Park, Califórnia: Addison – Wesley Publishing, 1980) P 136

Citado em Eric Pastuszek. O feto é humano? (Rockford, Illinois: Tan books e Publishers Inc., 1991)

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“O termo concepção refere-se à união dos elementos pronucleares masculinos e femininos da procriação a partir dos quais um novo ser vivo se desenvolve. É sinônimo dos termos fecundação, impregnação e fertilização … O zigoto assim formado representa o começo de uma nova vida ”.

JP Greenhill e EA Freidman. Princípios Biológicos e Prática Moderna da Obstetrícia . Filadélfia: WB Saunders Publishers. 1974 Páginas 17 e 23.

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TW Sadler, embriologia médica de Langman, 10a edição. Filadélfia, PA: Lippincott Williams & Wilkins, 2006. p. 11

“O desenvolvimento começa com a fertilização, o processo pelo qual o gameta masculino, o espermatozoide e o gameta femal, o oócito, se unem para dar origem a um zigoto.”

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Keith L. Moore, antes de nascermos: Essentials of Embryology, 7ª edição. Filadélfia, PA: Saunders, 2008. p. 2

“[O zigoto], formado pela união de um ovócito e um espermatozóide, é o começo de um novo ser humano.”

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Ronan O’Rahilly e Fabiola Miller, Embriologia e Teratologia Humana, 3ª edição. Nova York: Wiley-Liss, 2001. p. 8

“Embora a vida seja um processo contínuo, a fertilização … é um marco crítico porque, em circunstâncias normais, um novo organismo humano geneticamente distinto é formado quando os cromossomos dos pronúcleos masculino e feminino se misturam no oócito.”

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“[Todos] os organismos, por maiores e mais complexos que possam ser tão crescidos, começam a vida como uma única célula. Isso é verdade para o ser humano, por exemplo, que começa a vida como um óvulo fertilizado ”.

Dr. Morris Krieger “O Sistema Humano Reprodutivo” p 88 (1969) Sterling Pub. Co

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“A primeira célula de uma vida humana nova e única começa a existir no momento da concepção (fertilização) quando um espermatozóide vivo do pai se junta a um óvulo vivo da mãe. É dessa maneira que a vida humana passa de uma geração para outra. Dado o ambiente apropriado e a composição genética, a célula única dá origem a trilhões de células especializadas e integradas que compõem as estruturas e funções de cada corpo humano individual. Todo ser humano vivo hoje e, até onde se sabe cientificamente, todo ser humano que já existiu, começou sua existência única dessa maneira, isto é, como uma célula. Se esta primeira célula ou qualquer configuração subseqüente de células perecer, o indivíduo morre, deixando de existir na matéria como um ser vivo.

James Bopp, ed., Human Life e Health Care Ethics, vol. 2 (Frederick, MD: University Publications of America, 1985)

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Rand McNally, Atlas do Corpo (Nova York: Rand McNally, 1980) 139, 144

“Na fusão, os gametas masculinos e femininos produzem uma única célula fertilizada, o zigoto, que é o começo de um novo indivíduo”.

Citado em Randy Alcorn “Respostas pró-vida a argumentos pró-escolha” (Sisters, Oregon: Multnomah Publishers, 2000)

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“Seu bebê começa como um óvulo fertilizado … Nas primeiras seis semanas, o bebê é chamado de embrião.”

Cuidado Pré-Natal, Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Div. De Saúde Materno-Infantil, 1990

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“… É cientificamente correto dizer que a vida humana começa na concepção”.

Dr. Micheline Matthews-Roth, Harvard Medical School: citado pelo Conselho de Assuntos Públicos

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Shettles, Landrum, Rorvik, David, Rites of Life: The Scientific Evidence for Life Before Birth, página 36, ​​Editora Zondervan, Grand Rapids, Michigan, 1983

“… A concepção confere vida e faz de você um de um tipo. A menos que você tenha um gêmeo idêntico, não há virtualmente nenhuma chance, no curso natural das coisas, de que haverá “outro você” – nem mesmo se a humanidade persistisse por bilhões de anos.

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Da Newsweek 12 de novembro de 1973:

“A vida humana começa quando o óvulo é fertilizado e a nova massa celular combinada começa a se dividir.”

Dr. Jasper Williams, ex-presidente da Associação Médica Nacional (p 74)

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“A formação, o amadurecimento e o encontro de uma célula sexual masculina e feminina são todos preliminares à sua união real em uma célula combinada, ou zigoto, que definitivamente marca o começo de um novo indivíduo. A penetração do óvulo pelo espermatozóide e a união e junção de seus respectivos núcleos constituem o processo de fertilização ”.

Leslie Brainerd Arey, espaço de sétima edição de “Developmental Anatomy” (Filadélfia: Saunders, 1974), 55

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A biologia do desenvolvimento pré-natal, National Geographic, 2006. (Vídeo)

“Biologicamente falando, o desenvolvimento humano começa na fertilização”.

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No ventre, National Geographic, 2005 (vídeo de desenvolvimento pré-natal)

“As duas células gradualmente e graciosamente se tornam uma. Este é o momento da concepção, quando se cria um conjunto único de DNA, uma assinatura humana que nunca existiu antes e nunca será repetida ”.

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DeCoursey, RM, The Human Organism, 4a edição da McGraw Hill Inc., Toronto, 1974. página 584

“O zigoto, portanto, contém um novo arranjo de genes nos cromossomos nunca antes duplicados em qualquer outro indivíduo. A prole destinada a se desenvolver a partir do óvulo fertilizado terá uma constituição genética diferente de qualquer outra no mundo. ”

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Thibodeau, GA e Anthony, CP, Estrutura e Função do Corpo, 8ª edição, St. Louis: Times Mirror / Mosby College Publishers, St. Louis, 1988. páginas 409-419

“A ciência do desenvolvimento do indivíduo antes do nascimento é chamada embriologia. É a história dos milagres, descrevendo os meios pelos quais uma única célula microscópica é transformada em um ser humano complexo. Geneticamente o zigoto está completo. Representa um novo indivíduo unicelular. ”

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Scarr, S., Weinberg, RA e Levine A., Understanding Development, Harcourt Brace Jovanovich, Inc., 1986. página 86

“O desenvolvimento de um novo ser humano começa quando o espermatozóide de um macho perfura a membrana celular do óvulo ou óvulo de uma fêmea. As vilosidades tornam-se a placenta, que nutrirá o bebê em desenvolvimento pelos próximos oito meses e meio”.

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Clark, J. ed., O Sistema Nervoso: Circuitos de Comunicação no Corpo Humano, Torstar Books Inc., Toronto, 1985, página 99

“Cada humano começa a vida como uma combinação de duas células, um óvulo feminino e um espermatozóide masculino muito menor. Esta pequena unidade, não maior do que um período nesta página, contém todas as informações necessárias para permitir que ela cresça na complexa estrutura do corpo humano. A mãe tem apenas que fornecer nutrição e proteção. ”

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Turner, JS, e Helms, DB, Lifespan Developmental, 2ª ed., CBS College Publishing (Holt, Rhinehart, Winston), 1983, página 53

“Um zigoto (um único óvulo fertilizado) representa o início da gravidez e a gênese da nova vida.”

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Carlson, fundamentos da embriologia de Bruce M. Patten. 6ª edição. Nova York: McGraw-Hill, 1996, p. 3

“Quase todos os animais superiores começam suas vidas a partir de uma única célula, o óvulo fertilizado (zigoto) … O tempo de fertilização representa o ponto de partida na história de vida, ou ontogênese, do indivíduo.”

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Considine, Douglas (ed.). Enciclopédia Científica de Van Nostrand. 5ª edição. Nova Iorque: Van Nostrand Reinhold Company, 1976, pág. 943

“Embrião: O indivíduo em desenvolvimento entre a união das células germinativas e a conclusão dos órgãos que caracterizam seu corpo quando ele se torna um organismo separado…. No momento em que a célula espermática do homem humano encontra o óvulo da fêmea e a união resulta em um óvulo fertilizado (zigoto), uma nova vida começou…. O termo embrião abrange os vários estágios do desenvolvimento inicial, desde a concepção até a nona ou décima semana de vida. ”

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Lennart Nilsson A Child Is Born: Edição Completamente Revisada (Dell Publishing Co .: New York) 1986

“… Mas toda a história não começa com a entrega. O bebê existe há meses – a princípio, sinalizando sua presença apenas com pequenos sinais exteriores, mais tarde como um ser um pouco estranho que vem crescendo e afetando gradualmente a vida das pessoas próximas… ”

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Kaluger, G. e Kaluger, M., Desenvolvimento Humano: O período de vida, página 28-29, The CV Mosby Co., St. Louis, 1974

“Naquela fração de segundo, quando os cromossomos formam pares, [na concepção] o sexo da nova criança será determinado, as características hereditárias recebidas de cada pai serão estabelecidas e uma nova vida terá começado.”

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Langman, Jan. Embriologia Médica. 3ª edição. Baltimore: Williams e Wilkins, 1975, p. 3

“O desenvolvimento de um ser humano começa com a fertilização, um processo pelo qual duas células altamente especializadas, o espermatozóide do macho e o oócito da fêmea, se unem para dar origem a um novo organismo, o zigoto.”

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Embriologia Humana, 3ª ed. Bradley M. Patten, (Nova York: McGraw Hill, 1968), 43.

“É a penetração do óvulo por um espermatozóide e resultante mistura do material nuclear que cada um traz para a união que constitui a culminação do processo de fertilização e marca o início da vida de um novo indivíduo.”

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Essentials of Human Embriology, William J. Larsen, (Nova York: Churchill Livingstone, 1998), 1-17.

“Neste texto, começamos nossa descrição do humano em desenvolvimento com a formação e diferenciação das células sexuais masculinas e femininas ou gametas, que se unirão na fertilização para iniciar o desenvolvimento embrionário de um novo indivíduo. … A fertilização ocorre no oviduto… resultando na formação de um zigoto contendo um único núcleo diplóide. Considera-se que o desenvolvimento embrionário começa neste ponto… Este momento de formação do zigoto pode ser tomado como o início ou ponto zero do desenvolvimento embrionário ”.

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Embriologia e Teratologia Humana, Ronan R. O’Rahilly, Fabiola Muller, (Nova York: Wiley-Liss, 1996), 5-55.

“Fertilização é um marco importante porque, em circunstâncias normais, um novo organismo humano geneticamente distinto é assim formado … Fertilização é a procissão de eventos que começa quando um espermatozóide entra em contato com um ovócito secundário ou seus investimentos … O zigoto … é um unicelular embrião..”

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O desenvolvimento humano: Embriologia Clinicamente Orientada, 6ª ed. Keith L. Moore, Ph.D. & TVN Persaud, Md., (Filadélfia: WB Saunders Company, 1998), 2-18:

“[O zigoto] resulta da união de um oócito e um espermatozóide. Um zigoto é o começo de um novo ser humano. O desenvolvimento humano começa na fertilização, o processo durante o qual um gameta masculino ou espermatozóide … se une a um gameta ou oócito feminino … para formar uma única célula chamada zigoto. Esta célula altamente especializada e totipotente marca o começo de cada um de nós como um indivíduo único ”.

Fonte: http://www.lifenews.com/2015/01/08/41-quotes-from-medical-textbooks-prove-human-life-begins-at-conception/
Tradução: Emerson de Oliveira

O sexo se tornou um “parque de diversões”

Daniel Gomes,  O São Paulo 4 de Agosto de 2018

Depois que a humanidade abraçou a contracepção, a sexualidade, tristemente, tornou-se um “parque de diversões”, e tudo passou a ser permitido para se conseguir a satisfação sexual, tratada como um “direito”.

Na comemoração dos 50 anos da encíclica Humanae Vitae, que trata da reta ordenação da propagação da prole humana, publicada em julho de 1968 pelo Beato Paulo VI — que será canonizado em agosto deste ano —, “O São Paulo” conversou com a advogada Silvia Paula Monteiro da Costa, diretora administrativa da CENPLAFAM WOOMB Brasil, uma associação civil sem fins lucrativos que se dedica à propagação dos métodos naturais de planejamento familiar, em particular ao ensino do Método de Ovulação Billings.

Ela destaca os alertas feitos no documento, que ainda se mantêm atuais em uma sociedade na qual poucas vozes fazem objeções a uma mentalidade contraceptiva e à banalização da sexualidade. Leia a íntegra a seguir.


— Humanae Vitae completa 50 anos em 2018. Na avaliação da senhora, o documento traz uma mensagem atual ainda hoje?

— Atualíssima! Nossa sociedade está impregnada pela mentalidade contraceptiva, uma armadilha que cria a ilusão de que “faz bem” viver a sexualidade dissociando completamente o prazer sexual da possibilidade de gerar vida. Não é preciso refletir muito para ver onde isto pode desembocar. A fertilidade hoje é vista como uma maldição. Os filhos são um mal a se evitar a qualquer custo, algo que tira a liberdade e o conforto das pessoas.

Esse quadro é sintoma de que vivemos num tempo de evidente crise de fé: o homem moderno se esqueceu do sentido de sua existência, de que foi criado para a eternidade, para viver junto de Deus, no Céu. Rejeitam-se as realidades eternas pelos confortos da vida que passa… E isto se reflete no fechamento sistemático à vida. A mensagem do Beato Paulo VI nos leva a refletir que há algo de muito errado na contracepção, e que precisamos retomar o caminho correto.

— Ao ser publicado, o documento causou surpresa por se opor ao relatório da então chamada “Comissão Papal para os Problemas da Família, da População e da Natalidade”, que não fazia objeções ao uso da pílula anticoncepcional.

— Na verdade, a mencionada comissão havia sido criada por São João XXIII pouco tempo antes de sua morte, com a finalidade de promover um estudo multidisciplinar sobre a matéria. Logicamente, não tinha qualquer poder de decisão e suas deliberações não vinculavam o Papa. Era formada por diferentes teólogos e acadêmicos, pessoas contrárias e favoráveis à pílula, que não estavam ali para votar se era ou não era possível mudar o Magistério bimilenar da Igreja — que não pode mudar.

A decisão final sobre o tema era do Magistério (do Papa). Havia, sim, muita pressão pela aceitação da pílula, mas o Papa manteve-se heroicamente firme. Após muito estudo e oração, o Beato Paulo VI reafirmou os ensinamentos contrários à contracepção, pois não havia como aceitá-la sem desvirtuar uma realidade essencial do Matrimônio criado por Deus: o ato sexual possui dois aspectos indissociáveis, o unitivo e o procriativo.

A maioria dos Bispos concordava com o Papa, mas este foi muito criticado e contrariado, inclusive sofrendo muito por sua coragem de sustentar aquilo que a Igreja sempre sustentou. Humanae Vitae talvez seja a encíclica mais desobedecida e ignorada da história da Igreja, tal é a relevância do que anuncia e denuncia.

— Os doutores John e Evelyn Billings, criadores do Método de Ovulação Billings, saíram em defesa da Humanae Vitae, mesmo com este documento sendo visto com ressalvas até por membros da Igreja. Por que o fizeram?

— O casal Billings tinha compromisso com a Verdade. Seu conhecimento científico foi colocado a serviço da Verdade! Como bons católicos, aceitaram a missão de desenvolver um método eficaz de aferição natural da fertilidade, cientificamente comprovado, por meio do qual aqueles casais que por motivos justos precisassem espaçar as gravidezes, pudessem fazê-lo sem ferir a castidade matrimonial. E conseguiram.

Aqui no Brasil, seu trabalho foi divulgado especialmente pela Irmã Martha Bhering, fundadora da CENPLAFAM WOOMB Brasil, entidade que ainda hoje é responsável pelo ensino do autêntico Método de Ovulação Billings® no país. Maiores informações sobre o Método e sobre instrutores credenciados podem ser obtidas em nosso site.

O casal Billings.

— Paulo VI dedica um trecho da encíclica para detalhar o conceito de “paternidade responsável”. Qual a essência dessa conceituação? Ela foi distorcida ao longo do tempo?

— Creio que a expressão pode não ser bem compreendida, e pode sim ser distorcida. O termo “paternidade responsável” é explicado pelo Papa na Humanae Vitae (n. 10), a qual cito textualmente:

Sendo assim, o amor conjugal requer nos esposos uma consciência da sua missão de ‘paternidade responsável’, sobre a qual hoje tanto se insiste, e justificadamente, e que deve também ser compreendida com exatidão. De fato, ela deve ser considerada sob diversos aspectos legítimos e ligados entre si.

Em relação com os processos biológicos, paternidade responsável significa conhecimento e respeito pelas suas funções: a inteligência descobre, no poder de dar a vida, leis biológicas que fazem parte da pessoa humana.

Em relação às tendências do instinto e das paixões, a paternidade responsável significa o necessário domínio que a razão e a vontade devem exercer sobre elas.

Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa como com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito pela lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento.

Paternidade responsável comporta ainda, e principalmente, uma relação mais profunda com a ordem moral objetiva, estabelecida por Deus, de que a consciência reta é intérprete fiel. O exercício responsável da paternidade implica, portanto, que os cônjuges reconheçam plenamente os próprios deveres, para com Deus, para consigo próprios, para com a família e para com a sociedade, numa justa hierarquia de valores.

Na missão de transmitir a vida, eles não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, como se pudessem determinar, de maneira absolutamente autônoma, as vias honestas a seguir, mas devem, sim, conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do Matrimônio e dos seus atos e manifestada pelo ensino constante da Igreja.

— Em um recente artigo sobre os 50 anos da Humanae Vitae, a senhora mencionou que o Papa Paulo VI alertou a humanidade sobre quatro males relacionados à contracepção. Poderia detalhá-los?

— É verdade. E a profecia de Paulo VI se cumpriu integralmente. Ele alertou sobre quatro riscos que a humanidade correria se abraçasse a contracepção.

Primeiramente, o risco de declínio dos padrões morais. Vivemos sob a “ditadura do relativismo”, tão denunciada por Bento XVI. Não há mais o certo e errado, mas o que me traz mais poder e prazer. A sexualidade, tristemente, tornou-se um “parque de diversões”, e tudo passou a ser permitido para se conseguir a satisfação sexual, tratada como um “direito”. Daí vem um raciocínio lógico: se homem e mulher podem aproveitar do prazer sexual sem gerar filhos, por que os atos homossexuais seriam imorais? Ou a zoofilia? Ou até mesmo, pasmem, a pedofilia?

Outro risco é o aumento da infidelidade matrimonial. A noção do “compromisso para sempre”, tão cara ao Matrimônio, é rejeitada na contracepção.

Outro risco é o da objetificação da mulher. Paradoxalmente, o movimento feminista abraçou a pílula como instrumento de libertação da mulher do jugo do homem. Porém, o que se viu como resultado da contracepção é a mulher ainda mais objetificada para a satisfação masculina, vide o poder da indústria pornográfica.

Por fim, o Papa profetizou acerca do perigo de os governos intervirem na vida e na intimidade das famílias via controle da natalidade. Vemos ainda hoje países que limitam por lei o número de filhos, impondo penas aos casais que desobedeçam. Outros países adotam a política da esterilização compulsória. Especialmente nos países em desenvolvimento, ou seja, nos mais pobres, campanhas maciçamente patrocinadas por grandes fundações difundem a mentalidade antivida, e tentam por exemplo aprovar o aborto, como meio lícito de evitar os nascimentos. O Papa não poderia estar mais certo.

— Há algo a mais que queira destacar?

— Gostaria de fazer um apelo ao clero: sejam claros ao tratar deste tema com os casais. As pessoas têm o direito de ter suas consciências iluminadas pela verdade. De outro lado, não podemos perder de vista qual o risco verdadeiro que corremos quando rejeitamos estes ensinamentos, como nos alertou sabiamente São João Paulo II: “…a vacilação ou a dúvida a respeito da norma moral ensinada na Humanae Vitae afetou também outras verdades fundamentais de razão e de fé” (Discurso aos Participantes do II Congresso Internacional de Teologia Moral, 12 nov. 1988, n. 3).

Gostaria também de falar aos casais: Coragem! Os maiores bens do Matrimônio não são os bens materiais, são os filhos. E se por motivos justos e fortes necessitarem espaçar as gravidezes, usem métodos naturais que não contrariam os critérios morais objetivos, como o Método de Ovulação Billings® que ensinamos. Quero também agradecer a este veículo de comunicação por nos dar espaço para divulgar este tema.

Mãe de quíntuplos recusa aborto seletivo: “Eu já amava todos eles”

O que você faria se tivesse 26 anos e o médico lhe dissesse “Você está grávida de 5 bebês”?

Kim Tucci e seu marido Vaughn já tinham três filhos, um menino e duas meninas, quando decidiram que queriam um novo membro na família – quem sabe um menino, para empatar com as meninas.

Ela descobriu, porém, que o menino viria, mas muito bem acompanhado por quatro meninas!

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No entanto, temendo pela saúde dos bebês e de Kim – que tinha sido diagnosticada com endometriose –, os médicos sugeriram que ela fizesse um aborto seletivo.

“Depois do primeiro ultrassom, me aconselharam a considerar o método seletivo para dar a dois dos bebês chances melhores de viver. Assisti a um vídeo no YouTube sobre o procedimento e comecei a chorar. Jamais poderia fazer isso! Eu estaria sendo egoísta por não dar a dois deles 100% de chance de sobrevivência? Tudo o que eu sabia é que eu já amava todos eles e que a cada batida dos seus corações me conectava ainda mais com eles”, relata Kim em sua página no Facebook Surprised by Five.
Com a recusa a dar fim à vida de qualquer um dos bebês, a gestação quíntupla de Kim seguiu em frente. Os cinco irmãos nasceram em uma cesárea em janeiro de 2016 – um procedimento hercúleo que contou com uma equipe médica de 50 médicos e enfermeiros.

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“Meu corpo lutou a mais dura das batalhas para trazer cinco bebês a este mundo com segurança”, disse a mãe, eu tinha 26 anos na época. Keith, Penelope, Beatriz, Tiffany e Allison passaram pouco mais de dois meses na UTI neonatal antes de ir para casa.

Surpresa
No seu primeiro ultrassom, Kim recebeu a notícia de uma maneira completamente inesperada. “O médico começou a contar: um, dois, três, quatro… cinco! Eu ouvi direito? Cinco? Minhas pernas começaram a tremer incontrolavelmente e tudo que eu conseguia fazer era rir”, conta ela. “Eu podia ver o entusiasmo no rosto do meu marido, que me disse: ‘A gente consegue!’”

Kim traça a sua estima pelo valor da vida até a época em que teve o seu primeiro filho, Kurt, aos 18 anos de idade. Ele nasceu prematuro – oito semanas antes do esperado – em uma cesárea de emergência.

Embora tenha nascido com deficiência auditiva, Kurt superou bem o tempo na UTI neonatal, mas o mesmo não pode ser dito de todos os seus colegas de hospital.

“Havia várias mães adolescentes na UTI neonatal. Eu visitava Kurt várias vezes por dia e apenas sentava ao seu lado e segurava a sua mão. Uma vez, testemunhei o momento em que uma jovem mãe recebia a notícia devastadora de que os médicos não poderiam fazer mais nada por sua filha – ela tinha nascido cedo demais”, conta Kim.

“Deixei o hospital sem ver Kurt e sentei nos degraus, chorando. Passei a valorizar sempre mais a vida desde esse momento de puro sofrimento”.

As evidências do início da vida na concepção vs. opiniões e subjetividades

Há mais de um século a ciência defende e reitera: a vida inicia com o processo de fertilização ou concepção. Isso vale para todos os animais de reprodução sexuada incluindo nós seres humanos.

As evidências do início da vida na concepção vs. opiniões e subjetividades

Para desprazer de certas agendas políticas e ideológicas os avanços da ciência não têm colaborado muito. Quanto mais avança a ciência e suas tecnologias mais claro tem se tornado o fato do início da vida ser a fertilização.

Não é a toa que foi dado o nome de contraceptivo ou anticoncepcional às famosas pílulas. Embora as pílulas tenham sido criadas e introduzidas no mercado por pessoas que defendiam o aborto de forma bastante ampla, o termo demonstra a preocupação que se tinha: evitar a concepção de embriões.

A história envolvendo o advento da contracepção artificial e da luta pelo direito do aborto é repleta de polêmicas e posturas que atentam contra os direitos humanos e princípios éticos, como pode ser visto ao conhecer um pouco de Margaret Sanger, intitulada a criadora da pílula e mentora do movimento e indústria da contracepção e do aborto no mundo atual.

Definitivamente não é necessário debater sobre a alma humana, sobre as origens transcendentes da vida ou sobre a posição de qualquer religião acerca desses temas. Embora essas abordagens também adicionem sentidos de grande relevo, se restringirmos o debate apenas aos conhecimentos científicos e a razão humana já teremos elementos suficientes para ver o início da vida humana e dialogar com nosso momento atual, usos e costumes, movimentos culturais, interesses e ideologias envolvidas.

Início da vida na concepção na visão da ciência

As evidências científicas e recentes avanços não só indicam que o início da vida ocorre na concepção como nos trazem muitas formas de ver isso.  Se partirmos da simples descrição biológica vemos que é na concepção ou fertilização, com a união dos gametas, que passa a existir um novo DNA. Um embrião é formado ainda fora do útero materno. Esse embrião carrega toda sua carga genética, ou seja, nenhuma informação genética é passada ao embrião ou o feto após este marco da concepção.

Antes mesmo da nidação do embrião, a mulher começa a sentir sua mamas duras e doloridas. Isso ocorre devido às alterações hormonais iniciadas a partir da fertilização, que visam, dentre diversas finalidades, preparar as mamas para a amamentação. Ou seja, a mulher está grávida desde o momento da união dos gametas.

Também podemos compreender o início da vida entendendo como se dá a fertilização in-vitro. Nos casos de barriga de aluguel, por exemplo, é feita artificialmente a fertilização e o embrião é transferido para o útero de outra mulher. Se o início da vida ocorresse no meio da gestação, como dizem alguns, a mulher que é “barriga de aluguel” teria a incrível e contraditória capacidade de dar a vida ao bebê sem ser sua mãe biológica, pois ele não tem sua carga genética e não é seu filho biológico.

Os motivos pelos quais algumas pessoas acabam optando por uma fertilização in-vitro são, por exemplo, ausência de útero (mulher que teve de retirar o útero por alguma doença, por exemplo), defeitos congênitos como malformações uterinas, repetidas falhas de implantação em tentativas anteriores etc. Analisando os motivos para tal prática podemos ver que uma mulher que não tem capacidade de gestar uma criança pode ser mãe biológica de uma criançaIsso mostra que a implantação do embrião, por exemplo, ocorrida entre 5 a 7 dias após a concepção, é apenas uma etapa da formação dessa vida já em desenvolvimento. Não é o útero materno que “dá a vida” a cada um de nós, até porque se assim fosse, a mulher teria obtido informação genética do progenitor e “dado a vida” posteriormente e sozinha – a vida seria dada pela mãe e não pelo casal, outra interpretação bastante incoerente.

Desde o momento em que o embrião é composto por uma única célula, essa vida humana já tem sexo definido. A ciência atual já consegue mapear no embrião um grande número de características dessa pessoa, como a existência de síndromes, tendência à obesidade e até mensurar o potencial de desenvolvimento da inteligência da pessoa quando crescida.

Entusiastas e defensores da manipulação embrionária, dos contraceptivos e do acesso ao aborto vêm defendendo diferentes abordagens sobre o início da vida ou sobre a dignidade da vida humana.

A teoria da nidação, por exemplo, defende que somente na implantação do embrião é que ele deve ser considerado vida humana e sua eliminação até ali se assemelha a eliminar qualquer célula do corpo. Negligenciam fatos incontestáveis que diferenciam um embrião de qualquer outra célula. Essa comparação em geral ocorre, ou por completa falta de conhecimento sobre a ciência, ou por conta de interesses em conclusões convenientes, para justificar o uso de determinados métodos de controle de natalidade e ideologias, por exemplo.

Refutando a teoria da nidação ou implantação

Para defesa da teoria da nidação como marco inicial da vida se usa basicamente dois argumentos: 1) uma suposta viabilidade ou autonomia; 2) os casos de gêmeos univitelinos.

A alegação da viabilidade baseia-se em probabilidades e chances de sucesso, pois argumenta que por existir um alto número de concepções que não chegam a se implantar e são naturalmente eliminadas, esses embriões não seriam ainda vida humana. A lógica da chance de sucesso para determinar o que algo é ou deixa de ser parece bastante frágil.  Nada deixa de ser o que é em função das probabilidades e chances de sucesso ou sobrevivência.

A teoria da implantação também argumenta acerca dos casos dos gêmeos monozigóticos (gêmeos idênticos), uma vez que na concepção têm-se um embrião e quando chega o momento da implantação no útero este embrião se divide, ou se replica, como uma clonagem, resultando em dois gêmeos idênticos, por exemplo. Não é preciso pensar muito para ver que certamente havia uma vida humana até aquele momento. É similar ao processo de clonagem artificial. Na clonagem, feita com animais, ninguém questiona se o animal que deu origem ao clone era uma vida ou não antes da existência de seu clone. Então por que haveria de se questionar a existência de uma vida humana na fase pré-implantação nos casos de gêmeos monozigóticos?

Enquanto a teoria da nidação tenta caracterizar o início da vida por meio de um marco, ou uma etapa, a ser ultrapassada dentro do processo de desenvolvimento humano, outras teorias como a do 14º dia, ou a teoria formação do sistema neural, defendem que seria um determinado avanço no desenvolvimento do próprio ser humano que lhe conferiria o caráter de vida humana, ou direitos e dignidade. Uma relativização perigosa e subjetiva.

Debates sobre início da vida

Um artigo de Barreto (2017), recentemente publicado no Brasil, fez um levantamento de diversas teorias sobre o início da vida. Arrisco dizer que muitas delas não poderiam sequer ser chamadas de “teoria sobre início da vida”. Veja a breve descrição de diversas teorias trazidas neste artigo:

Entre os critérios mais utilizados para delimitar o marco inicial da vida humana destacam-se a concepção propriamente dita ou o surgimento do novo genoma, muito utilizados por coincidirem com o critério biológico; a nidação do embrião à parede do útero materno, por sua acolhida na comunidade humana; o surgimento das células cardíacas ou das células nervosas diferenciadasutilizado por simetria aos critérios de morte cardíaca ou encefálica; a viabilidade pulmonar para a vida extrauterina, porquanto o feto teria condições de vida independente do suporte biológico materno. (grifos nossos)

Segundo estes autores vemos que a teoria da concepção tem amparo na biologia enquanto a da nidação tem amparo em “acolhida na comunidade humana”. Ou seja, muita gente concorda. Não por acaso essa é a teoria adotada pela indústria farmacêutica que fornece “contraceptivos”.

Barreto (2017) relaciona vinte supostas teorias sobre início da vida que foram encontrados em artigos acadêmicos ou livros. Digo supostas teorias porque de fato, a grande maioria delas sequer merecem ser chamadas de teoria sobre início da vida, como é o caso da teoria do “Ser Moral”. Essa teoria usa como  critério a “linguagem para comunicar vontades” e defende então o início da vida quando a criança atinge dois anos de idade. Outra teoria relacionada no estudo possui como critério para início da vida nascimento, outra defende critério da “percepção visual”, em 28 a 30 semanas de idade gestacional, outra o sono-vigília do feto (em 28 semanas). Tem para todos os gostos.

A incoerência da teoria das células cardíacas e das células nervosas é clara e simples. Baseia-se numa tentativa de analogia com a morte cardíaca ou cerebral. Negligencia portanto, as grotescas diferenças existentes entre um cadáver de um ser humano nascido e que por condição adversas teve seu sistema cardíaco ou cerebral prejudicado, com um ser humano que está formando seu sistema neural e terá, em pouco tempo, de forma natural, atividade cerebral e cardíaca normais de um ser humano nascido.

Quando o assunto é acesso ao aborto fala-se bastante sobre a teoria da sensibilidade à dor verificável em 20 semanas de gestação. Primeiramente existem certas controvérsias científicas sobre o início da capacidade de sentir dor uma vez que são vistos reflexos a estímulos dolorosos com 7ª semana de gestação. Contudo, essa teoria é usada em muitos países para legalizar o aborto até 20 semanas, depois quando conseguem legalizar o aborto até 24 ou 30 semanas, os defensores da teoria da sensibilidade a dor em 20 semanas desaparecem ou passam a alegar simplesmente a autonomia da mulher, esquecendo-se do argumento que usaram outrora.

Contradições abortistas à parte, as principais teorias discutidas são a da concepção e a da nidação. Como vimos, a teoria da nidação conta com forte apelo da comunidade e da indústria, embora não goze de fundamentos sólidos. A teoria da nidação é conveniente para muita gente poderosa, como toda a indústria de contraceptivos hormonais, DIUs, pílulas do dia seguinte, indústria da fertilização in-vitro, cientistas que interessados na manipulação embrionária. A teoria da concepção, por sua vez, é tão sólida quanto inconveniente aos interesses institucionais capitalistas.

A beleza do genoma humano

Outra forma que ajuda a visualizar que o início da vida se dá na concepção é conhecendo um pouco melhor o genoma humano.  A Dra. Lygia da Veiga Pereira, no livro Sequenciaram o genoma humano, explica que em nosso genoma existem 30 a 40 mil genes com instruções para a formação e funcionamento de todo o processo de desenvolvimento do ser humano. Todos os detalhes como “altura, cor da pele, cor dos olhos, quantidade de cabelo, tamanho do nariz, distribuição de gordura no corpo, formato do rosto, capacidade respiratória, cardíaca etc” (Pereira, p. 11) .

Poderiam ser descritos centenas de exemplos de como seu genoma perfeitamente descrevia você desde o momento em que seus pais o conceberam um embrião unicelular.

Pereira (2005) destaca que “nosso genoma, o conjunto dos nosso genes, é composto por DNA, que por sua vez é constituído” por “3 bilhões de elementos ordenados sequencialmente”, aos quais poderíamos escrever na forma de letras e equivaleria a “800 Bíblias”. A partir da “primeira célula” do embrião “serão derivados todos os trilhões de células que compõem um indivíduo adulto”.

A descrição da informação genética presente em cada um de nós, no momento em que fomos concebidos,  tornou-se conhecida por meio do famoso médico cardiologista Dr. Enéas Carneiro, que ao término de completa e detalhada descrição demonstra que um cromossomo humano pode conter informação equivalente a 4 mil livros de 500 páginas cada um. Tratam-se das instruções e características de cada ser humano.

Chamar isso de um amontoado de células é leviano demais. Infelizmente já vi pessoas formadas em biologia, aqui no Brasil, compararem um embrião com um esperma ou com parasitas. Isso é lamentável. Enquanto o corpo humano trabalha para eliminar um eventual parasita, o corpo da mulher se transforma completamente, desde o primeiro dia da concepção de um embrião, para nutrir e acolher essa nova vida. As diferenças são brutais.

Quando dizem que não há consenso científico sobre o início da vida, lembre-se que isso se fundamenta em um debate em que se defende o início da vida no nascimento ou aos dois anos após nascido. Se não há consenso é por teimosia de alguns que, sem argumentos razoáveis, insistem em defender o que julgam mais conveniente às suas ideologias e preferências.


 04 de abril de 2018. Todos os direitos reservados.              Marlon Derosa e Dra. Ana Derosa


Informações:

Barreto, V., 2017. O marco inicial da vida humana: perspectivas ético-jurídicas no contexto dos avanços biotecnológicos. Caderno de Saúde Públia 2017; 33(6):e00071816. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/csp/v33n6/1678-4464-csp-33-06-e00071816.pdf>. Acesso em 18 mar. 2017.

Derosa, M. (Org.)., 2018. Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades. Ed. Estudos Nacionais. Cap. 4. Quando começa a vida segundo a ciência, por Dra. Ana Derosa.

Derosa, M. (Org.)., 2018. Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades. Ed. Estudos Nacionais. Cap. 15. A relação entre aborto e câncer de mama, por Dra. Angela Lanfranchi, Dr. Ian Gentles e Elizabeth Ring-Cassidy.

Derosa, A. 2017. Quando começa a vida humana? A ciência responde. Estudos Nacionais.

Pereira, L. 2005. Sequenciaram o genoma humano – E agora?. Coleção Polêmica. 2a edição. Moderna: São Paulo, SP.