“Houve uma batalha no céu”: a história de São Miguel Arcanjo e os anjos caídos

Redação da Aleteia | Set 28, 2018
O que sabemos sobre o poderoso Arcanjo Miguel, a partir do relato do Apocalipse sobre a queda dos anjos rebeldes capitaneados por Lúcifer

São Miguel Arcanjo é, provavelmente, o mais famoso dos guerreiros de Deus contra o mal, especialmente o mal personificado no anjo rebelde Lúcifer, que optou por afastar-se eternamente do Criador. O que conhecemos sobre essa grande “batalha no céu” é condensado no seguinte excerto de um texto publicado pelo site do Pe. Paulo Ricardo a propósito da Quaresma de São Miguel.


São Miguel e o auxílio dos anjos
De uma forma geral, o nosso relacionamento com os anjos, essas criaturas de Deus, é bastante desleixado: agimos, muitas vezes, como se os anjos sequer existissem. E, no entanto, eles verdadeiramente existem: são uma criação extraordinária de Deus, situada, hierarquicamente, entre o homem e Deus. Eles são puramente espirituais, não têm corpo, mas também estão a serviço de Deus e são muito mais poderosos e gloriosos que os homens, estando alguns ordenados para o auxílio dos seres humanos.

Dispostos em hierarquia, os anjos que estão em contato com os homens são os das miríades inferiores, como, por exemplo, os arcanjos, que constituem o segundo coro angélico. É nesse nível que se encontra São Miguel Arcanjo, cuja celebração acontece no dia 29 de setembro.

São Miguel e os anjos caídos
A história desse arcanjo está ligada ao relato da queda dos anjos. Deus criou-os, antes mesmo da criação do mundo, inseridos, de algum modo, no tempo, e ofereceu-lhes uma ocasião para demonstrar o seu amor. É importante lembrar que, quando Deus criou os anjos, eles não estavam em Sua presença. Ele revelava-se a eles de alguma forma, mas não era um contato face a face, pois isso obstruiria a liberdade angélica: Deus é uma verdade tão atraente que, uma vez contemplada, elimina a capacidade das criaturas de escolher. Então, certa vez, para testar o seu amor, Deus deu-lhes uma provação. Sabe-se disso pela Tradição, mas também pelo ministério dos exorcistas, que expõe que certas ideias são insuportáveis ao demônio, a saber: a encarnação do Verbo divino, o seu aniquilamento na Cruz e, por fim, a posição de primazia de Nossa Senhora entre todas as criaturas. Foi por tais ideias que Lúcifer – um anjo cheio de glória e beleza –, juntamente com um terço dos anjos, decaiu. O relato da batalha travada no Céu por essa ocasião está resumida no livro do Apocalipse de São João:

“Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com eles os seus anjos” (Ap 12, 7-9).

Eugène Delacroix | Public Domain
O relato de um exorcista
O padre exorcista espanhol José Antonio Fortea, no livro “História do mundo dos anjos“, destrincha essa impressionante história, colocando a rica teologia angélica dentro de uma obra literária. Para explicar por que São Miguel, mesmo sendo de uma hierarquia inferior, é aclamado como “príncipe da milícia celeste”, ele coloca na boca de um anjo a seguinte narração:

“Dentre os anjos fiéis a Deus, no meio de todas essas lutas houve um que se destacou. Não se tratava de um anjo superior, mas o seu amor era superior. Foi ele quem manteve mais viva a chama da fidelidade nos piores momentos da batalha, quando tudo estava escuro e parecia que a metade dos anjos iriam se rebelar. Foi destacado no bem e a sua fé iluminou a muitos. Foi ele quem no momento mais escuro, na hora mais terrível no qual as multidões começaram a duvidar, no meio do inicial silêncio geral gritou:

– Quem como Deus!

Foi assim que ficou o seu nome: Mika-El, Miguel. O lutador infatigável e invencível. Miguel continuava a se destacar como guerreiro. A luz do seu veemente amor iluminou a muitos que estavam confusos. O seu amor arrebatador derrubou a muitos que lutavam em favor do erro. Inclusive, aqueles que combatiam com Lúcifer reconheciam que nenhum dardo envenenado com suas razões, poderia penetrar a couraça da sua fé inquebrantável. No meio da dúvida, ele foi imbatível.

Ele é representado com uma couraça, mas ele não portava nenhuma couraça material. Tratava-se de uma couraça espiritual impenetrável às seduções lançadas pelo iníquos. A única arma dele era a espada da verdade, da verdade sobre Deus.

Miguel conhecia melhor a Deus que os inteligentes, porque ele amava mais. Por essa razão, aqueles que foram ao seu encontro, tiveram que recuar” (José Antonio Fortea. História do mundo dos anjos. Trad. Laura de Andrade. São Paulo: Palavra & Prece, 2012. p. 61-62).

Public Domain
“Miguel conhecia melhor a Deus que os inteligentes, porque ele amava mais”. Mesmo sendo de hierarquia inferior, “o seu amor era superior”. Por isso, venceu as hostes inimigas que, embora tivessem como líder o regente dos coros angélicos, Lúcifer, por seu ódio, “tiveram que recuar”.

Mas, que as pessoas não se enganem, pensando que Deus pode perdoar o demônio. De fato, Ele ofereceu a reconciliação a Lúcifer, no tempo da provação, mas ele a rejeitou total e absolutamente. Ainda do livro de padre Fortea:

“Inesperadamente o onipotente Deus, Senhor de todas as coisas, falou. Dirigiu-se a Satanás. Todos sabiam que eram as últimas palavras que iria lhe dirigir.

‘Filho Meu, volta para Mim. Repito, esta é a última oportunidade. O Teu pecado não é maior que a Minha misericórdia. Fui grande ao criar o Céu, mas é maior Meu perdão. Se retornares e coras as tuas faltas, você será a joia do Céu. A luz da Minha compaixão perfeita resplandecerá em ti. Os milênios te contemplarão e Me glorificarão’.

Quão grande foi o Altíssimo ao lhe perdoar todo o seu mal. ‘Filho Meu, você será a joia da Minha misericórdia. Haverás de brilhar e ficarão atônitos os humanos que virão. Eles te olhando compreenderão que não há pecado que eu não possa perdoar. Você melhor do que ninguém poderá transmitir essa confiança ao caído. Você será um grande pregador, um grande intercessor que ao longo dos séculos me repetirá: se me perdoaste a mim, perdoa ele’.

(…)

O diabo ergueu a cabeça e com toda a frialdade respondeu:

– Jamais! Nunca me ajoelharei!

(…)

No mesmo momento que o Dragão ameaçou em se lançar de novo em direção ao mundo angélico, Miguel o arcanjo, desembainhou a espada e mostrou-a para ele. Satã deu um sorriso e com um gesto de desprezo deu um impulso para se jogar em direção das nuvens de anjos. Miguel, sem duvidar e com um gesto instantâneo, cravou-lhe a espada no coração. A Verdade enterrada no próprio coração do diabo teve um efeito fulminante. O imenso Dragão ficou como com seus pés colados ao chão, como se não pudesse levantá-los nenhum milímetro. Parecia que houvesse batido com um muro, essa espada era como uma muralha de granito” (José Antonio Fortea. História do mundo dos anjos. Trad. Laura de Andrade. São Paulo: Palavra & Prece, 2012. p. 89-90).

Martinidry – shutterstock
A vida do homem na terra é uma luta. O combate que se travou no Céu continua no mundo dos homens. Invoquemos a intercessão de São Miguel Arcanjo, para que, assim como ele, sejamos destemidos e experimentemos, em nossas vidas, o primado de Deus.

Discurso firme na ONU: Vaticano reforça sim à vida e não ao aborto

Redação da Aleteia | Set 26, 2019

Cardeal Parolin, Secretário de Estado, detona manipulação de termos como “saúde sexual e reprodutiva” para disfarçar promoção do aborto

Continuando a bater de frente com as ideologias de relativização da vida humana e com as pseudociências que tentam negar a natureza humana do embrião desde a concepção, o Vaticano reforçou na sede da ONU em Nova Iorque a posição oficial da Igreja Católica em defesa da vida do nascituro em quaisquer circunstâncias e, por conseguinte, a sua explícita rejeição ao aborto.
O discurso de parte do Vaticano foi feito pelo Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, que denunciou o uso estratégico, em documentos da ONU, de termos que permitem interpretações favoráveis à ampliação generalizada do acesso ao aborto como prática corriqueira. Ele citou especificamente as expressões “saúde sexual e reprodutiva” e “direitos reprodutivos“, usadas exaustivamente pelos promotores do aborto como eufemismos enviesados para dar ao aborto uma “cara” mais “suave”.

Parolin declarou:

“A Santa Sé rejeita a interpretação que considera o aborto ou o acesso ao aborto, aborto seletivo, aborto de fetos diagnosticados com problemas de saúde, a gestação por substituição (também chamada barriga de aluguel) e esterilização, como dimensões desses termos”.
Ele recordou as reservas já manifestadas pela Santa Sé no tocante a esses mesmos termos na Conferência Mundial das Mulheres de Pequim, em 1995, e na Conferência da População do Cairo, em 1994. Em 2015, as chamadas “metas de desenvolvimento sustentável para 2030”, também da ONU, incluíram o “compromisso” de garantir o “acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva”.

O Vaticano também denuncia que as políticas ideológicas da ONU a respeito do aborto têm adotado o viés de praticamente obrigar os países-membros a legalizarem a prática.

A respeito do real cuidado da saúde, o cardeal Parolin afirmou com clareza:

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“Entende-se que a saúde das pessoas deve ser cuidada em todas as etapas do desenvolvimento. Ele está essencialmente vinculado ao direito à vida e nunca pode ser manipulado como desculpa para exterminar ou dispor de uma vida humana em qualquer ponto da sua existência, desde a concepção até a morte natural”.
Defesa da família

Representantes dos Estados Unidos também apresentaram uma declaração, assinada por outros 18 países, em defesa da família, que é definida pelo texto como “instituição fundamental da sociedade”, a ser “apoiada e fortalecida”.

Assinaram o documento, junto com os EUA, as seguintes nações, por ordem alfabética: Arábia Saudita, Bahamas, Bielorrússia, Brasil, Egito, Emirados Árabes Unidos, Guatemala, Haiti, Hungria, Iêmen, Iraque, Líbia, Mali, Nigéria, Polônia, República Democrática do Congo e Rússia.

Aborto, assassinato de uma Pessoa

“Fetos encontrados em casa de médico não são lixo hospitalar. São seres humanosClínicas de aborto tentam esconder os horrores do procedimento. Descoberta de milhares de fetos em casa de médico mostram que não há nada de limpo no aborto.| Foto: PixabayAlexandra DesanctisNational Review[18/09/2019] [13:31]9O aborto interrompe intencionalmente a vida de seres humanos. Nós nos lembramos disso de uma forma especialmente macabra no fim de semana passado (14), quando os restos mortais de 2246 fetos foram descobertos na casa do ex-médico abortista Ulrich George Klopfer. A família dele descobriu fetos preservados na propriedade que Klopfer tinha em Illinois depois da morte dele, no começo do mês.
Ele realizou abortos ao longo de quase quatro décadas no norte de Indiana – sobretudo em South Bend, mas também em Fort Wayne e Gary — e teve sua licença médica cassada em 2016, depois de violado leis de registros de abortos e padrões de segurança durante os procedimentos.
Quando a clínica de aborto Women’s Pavilion, onde Klopfer trabalhava, em South Bend, encerrou suas atividades na primavera de 2016, ele teve de comparecer diante do Conselho Médico de Indiana como parte de uma investigação da procuradoria estadual que analisava mais de 2.000 reclamações sobre suas práticas.

O conselho descobriu que, entre outras violações, Klopfer tinha realizado abortos em duas meninas de 13 anos e esperado meses para relatar os procedimentos, sendo que a lei exigia que ele fizesse isso num prazo de três dias. Ele também admitiu ter feito aborto numa menina de dez anos que fora estuprada por um tio, mas Klopfer nunca relatou o caso às autoridades.
Então o fato de Klopfer ter preservado mais de 2.000 corpos como troféus de seu tempo como abortista talvez não seja surpresa para aqueles que conheciam seu trabalho.
Mas talvez surpreenda a consciência de um país que aprova legalmente o aborto de quase um milhão de fetos por ano. É fácil ignorar isso quando os restos mortais são jogados nos terrenos atrás das clínicas ou em lixões, onde nunca os vemos. Eles não devem reaparecer, escondidos na casa de abortistas e emergindo em nossos jornais ou nas telas de televisão.
A morte pode continuar, desde que não tenhamos de prestar atenção. Mas às vezes não temos escolha.

Em seu livro Lições Mortais, o ex-cirurgião Richard Selzer fala sobre o aborto. Ele descreve uma manhã de verão no seu bairro, quando um caminhão de lixo sem querer deixou cair um saco de fetos na rua e ele e seus vizinhos saíram de casa e tropeçaram acidentalmente nos corpinhos.
“Você se abaixa para ver. Porque você tem que ver”, escreve Selzer. “E não estou brincando. Aquela macies cinza não pode ser outra coisa. É um bebê e ele está morto. Você cobre a boca e os olhos. Você fica paralisado. O horror toma conta de você e você jamais será o mesmo”.
Selzer continua:
Mais tarde, na delegacia, a investigação é rápida e conclusiva. O diretor do hospital é quem fala: “(…) os fetos acidentalmente foram misturados ao lixo hospitalar (…) que foi recolhido às oito e meia por um caminhão. De alguma forma, o saco plástico, com a inscrição ‘material perigoso’, caiu do caminhão e se abriu. Não, ninguém sabe como os fetos acabaram no saco alaranjado com a inscrição ‘material perigoso’. Foi um acidente”. O diretor do hospital quer que você saiba que não é algo cotidiano. Foi algo que acontece uma vez na vida, disse ele. Mas você viu aquilo, e o que ele tem a lhe dizer agora?
Ele se torna afável, como se o conhecesse, e lhe diz que, por erro, os fetos se misturaram aos outros lixos. (Sim, ele diz outros e diz lixos). Ele passou o dia todo, diz, tentando descobrir o que aconteceu. Ele quer que você saiba disso. De alguma forma, isso é importante para ele. Ele continua:
Os fetos abortados que pesam menos de meio quilo são incinerados. Os que pesam mais do que isso são enterrados no cemitério municipal. Ele diz isso. Agora você entende. É uma coisa ordeira. É racional. O mundo não está louco. Esta ainda é uma sociedade civilizada (…).
Mas só dessa vez, sabe, não é. Você viu e você sabe.

Os vizinhos de Klopfer não tiveram de tropeçar nas vítimas dele na rua, mas, com sua descuidada coleção de restos mortais, ele nos obriga a vermos os horrores que o aborto causa no feto, a admitir para nós mesmos que aquilo é uma criancinha. A verdade é que o aborto é um ato de violência, o fim de uma vida humana.
E ter a verdade estampada na primeira página do jornal local é algo ruim para os negócios. A recém-reformada clínica de aborto de South Bend emitiu uma nota no fim de semana dizendo-se surpresa com as notícias. Nela, lê-se: “A clínica Whole Woman’s Health de South Bend tem orgulho de atender essa comunidade com serviços de aborto de alta qualidade que respeitam a dignidade das mulheres e das famílias. Seguimos os mais altos padrões de higiene e tratamos nossas pacientes com a compaixão e o respeito de que elas mais precisam”.
Se o padrão e a compaixão estão em não levar para casa restos mortais de fetos abortados no fim do expediente, então talvez a clínica abortista Whole Woman’s Health pode dar um jeito nisso. Mas não há muita diferença entre o que acontece na clínica e o que aconteceu na clínica de Klopfer, entre o que os abortistas farão com os corpinhos e o que Klopfer fez aos 2.246 fetos encontrados na casa dele.
Se a família dele tivesse descoberto milhares ou centenas ou até dezenas de corpos de adultos, assistiríamos a uma interminável cobertura noticiosa sobre o mais famoso serial killer da história — e acertadamente. Mas como os corpos são minúsculos, vamos fechar nossos olhos. Daqui a alguns dias, a maioria de nós esquecerá. Diremos a nós mesmos que Klopfer era um criminoso mas os outros não, que o aborto é um procedimento estéril e sanitário e que os fetos não têm corpos desde que não precisemos vê-los.”Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/feto-medico-aborto-lixo-hospitalar-seres-humanos/?webview=1

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O nascituro é um ser vivo (II)

Vanderlei de Lima | Set 11, 2019

O grande geneticista francês Jérôme Lejoune é quem declara: “Se o ser humano não começa por ocasião da fecundação, jamais começará

A vida só é vida, porque não é um corpo inorgânico e nem um corpo organicamente morto (é óbvio). Acompanhe, pois, com atenção os detalhes desta afirmação.
Corpo inorgânico é aquele que não tem vida, não é organizado. Exemplo? – Os minerais que crescem por justaposição, ou seja, quando há união física sem que um assimile algo do outro. Desse modo, a pedra A pode, por exemplo, juntar-se lateralmente à pedra B, mas cada uma, apesar da junção, conserva suas propriedades particulares. Jamais se fundem.

Contudo, se a união é química, produz-se uma nova substância diferente das duas (ou mais) que se unem. Assim, duas partículas de hidrogênio e uma partícula de oxigênio, formam a água (H2O).

Os corpos organicamente mortos, por sua vez, são organismos que já tiveram vida e, atualmente, não têm mais.

Outra definição diz que vida é “a propriedade ou qualidade por meio da qual organismos vivos são distinguidos dos organismos mortos em três categorias: (1) vivo, (2) morto (vivo anteriormente) e (3) inanimado/inorgânico” (Clowes, Brian. Os fatos da vida. Brasília: Pró-Vida Família, 1999, p. 201).

Fora dessa demarcação, não há nenhuma outra categoria possível, pois um organismo ou é vivo, ou é morto (já esteve vivo, mas agora não mais está) ou é inanimado/inorgânico (nunca esteve e nem estará vivo), segundo vimos acima.

Daí se segue que a maneira mais simples (e óbvia) de provar que o nascituro é vivo se dá mediante a seguinte observação: o óvulo da mulher e o espermatozoide do homem são células vivas e se unem dando origem a um ser vivo da mesma espécie humana. A prova de que há vida é que essas duas células, logo que se fundem (surge uma nova vida), se reorganizam, crescem e continuam a ter todas as propriedades de uma célula viva.

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Portanto, contra a tese abortista, o bebê está vivo. Ele não é nem morto (se fosse morto, o organismo feminino o expeliria pelo aborto espontâneo ou daria sinais de mal-estar e levaria a mulher a buscar ajuda médica) e nem é inanimado/inorgânico (se fosse, nunca poderia nascer vivo).

E mais: um ser morto ou inanimado não realiza divisão celular. Ora, os bebês, além de nadarem e se locomoverem no útero da mãe vivenciam uma taxa bem alta de divisão celular (41 das 45 divisões que ocorrem na vida de um indivíduo).

O grande geneticista francês Jérôme Lejoune é quem declara: “Se o ser humano não começa por ocasião da fecundação, jamais começará. Pois de onde lhe viria uma nova informação? O bebê de proveta o demonstra aos ignorantes. […] Aceitar o fato de que, após a fecundação, um novo ser humano chegou à existência já não é questão de gosto ou de opinião.”

Sobre o aborto diz ele: “Em nossos dias, o embrião é tratado como o escravo antes do Cristianismo; podiam vendê-lo, podiam matá-lo… O pequeno ser humano, aquele que traz toda a esperança da vida, torna-se comparável ao escravo de outrora”.

“Uma sociedade que mata seus filhos, perdeu, ao mesmo tempo, sua alma e sua esperança” (Revista Veja n. 37, de 11/09/1991, apudPergunte e Responderemos n.485, nov. 2002, p. 462-468).

Por tudo isso que acabamos de expor, vê-se que o bebê é um ser vivo e defender o aborto é promover o homicídio.

O nascituro é um ser vivo (I)

Vanderlei de Lima | Set 03, 2019

Rezemos continuamente pela vida e contra a cultura da morte que ronda nossa sociedade

Quase 90% dos brasileiros defendemos a vida inocente e indefesa no ventre materno.
Ora, um dos pontos muito levantados pelos defensores do assassinato de inocentes no ventre materno é o de que (absurdo!) o nascituro ainda não tem vida. Daí à luz da ciência e da fé, tratarmos do assunto neste e no próximo artigo, tentando, apesar do uso de termos da Filosofia e da Biologia, ser simples e acessível aos nossos leitores.

É certo que não basta apenas saber que há vida a ser defendida desde a concepção, mas é preciso agir, dentro da lei e da ordem, para que essa vida seja respeitada, acolhida e amada até o seu fim natural, como nos têm lembrado os Papas São João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Passemos, pois à reflexão a que nos propusemos no início deste texto.

O nascituro é um ser vivo: Para iniciar, é preciso dizer – com os Dicionários – que “vivo” é definido como “tendo vida” (Clowes, Brian. Os fatos da vida. Brasília: Pró-Vida Família, 1999, p. 201).

Portanto, todo ser que tenha vida, obviamente, está vivo. Daí ser preciso, embora não fosse necessário, definir o que se entende por vida e dar provas de que o aborto direto é HOMICÍDIO, pois tira uma vida inocente e indefesa.

A vida é “a soma de propriedades pelas quais um organismo cresce, reproduz, e se adapta ao seu ambiente; a qualidade através da qual um organismo difere de corpos inorgânicos ou organicamente mortos”.

Detalhemos cada afirmação contida na definição acima, a fim de melhor entender a vida intrauterina valendo-nos de E. Bettencourt, em seu Curso de Filosofia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1994, p. 71.

A “soma de propriedades”: é um conjunto de ingredientes ou características próprias de um ser, sem as quais ele não seria o que é (seria outra coisa e não a vida). “Pelas quais um organismo cresce, reproduz e se adapta ao seu ambiente”: o conjunto de ingredientes que faz a vida ser vida (e não outra coisa) se demonstra em três ações principais que são o crescer, o reproduzir-se e o adaptar-se. Vejamos cada uma delas:

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Crescer: todo ser vivo alimenta-se retendo o que lhe é útil e rejeitando o que lhe é nocivo. Com o que é útil a um ser vivo, ele cresce, desenvolve-se até tornar-se um organismo completo, característico de sua espécie: um vegetal, um animal irracional ou um animal racional (ser humano).

Reproduzir: todo ser vivo, por uma série de atividades complexas, mas organizadas entre si, elabora sementes capazes de se desenvolver em indivíduos da mesma natureza.

Adaptar-se: todo ser vivo, ao ser provocado por algum estímulo externo, reage de maneira a defender e a ajudar o seu organismo.

Essa defesa e ajuda se realizam por uma série de movimentos (contrações, secreções, reflexos etc.), que são destinados a manter e a aumentar o seu bem-estar, segundo leis da Física e da Química.

O vivente tem, portanto, uma imagem (Gestalt) interior que assegura a sua centralização e a estruturação de suas atividades, o que lhe proporciona a defesa contra inimigos internos e externos, restaura-lhe as partes lesadas e restabelece as funções prejudicadas em sua luta contínua pela sobrevivência.

Na matéria não viva isso não ocorre. Veremos isso mais detalhes em nosso próximo artigo, se Deus quiser. 

Rezemos continuamente pela vida e contra a cultura da morte que ronda nossa sociedade.

Touro, águia, leão, homem: por que os evangelistas estão associados a essas criaturas?

Daniel R. Esparza | Ago 20, 2019
Uma tradição antiga e muitas vezes desconhecida sustenta esses temas cristãos tradicionais

Um dos temas mais comuns da arte cristã é o quase onipresente Tetramorph. Do grego tetra (“quatro”) e morphé (“forma” ou “forma”) a palavra aplica-se, em geral, a qualquer representação de um conjunto de quatro elementos.
Mas na arte cristã, o Tetramorph refere-se quase exclusivamente à maneira mais comum de descrever os quatro evangelistas, cada um deles acompanhado ou representado por uma figura, três deles sendo animais e apenas um (aquele que acompanha ou representa Mateus) humano ou, mais frequentemente, uma figura angelical alada.

Tais imagens, ao contrário de alguns outros motivos zoomórficos tradicionais da arte cristã, têm bases bíblicas. Elas correspondem à visão dos chamados “quatro seres viventes” de Ezequiel: o profeta descreve quatro seres: “Quanto ao aspecto de seus rostos tinham todos eles figura humana, todos os quatro uma face de leão pela direita, todos os quatro uma face de touro pela esquerda, e todos os quatro uma face de águia.” Esse Tetramorph carregou o trono ou carruagem do Senhor.

Pode-se apenas imaginar de onde Ezequiel tirou essas imagens complexas.

Todos sabemos que a combinação de diferentes seres e símbolos era bastante comum no antigo Egito, assim como na antiga Mesopotâmia. Lembremo-nos das esfinges egípcias, dos touros babilônicos alados e das harpias gregas. Curiosamente, o próprio Ezequiel foi um dos profetas judeus que viveu durante o exílio na Babilônia por volta do século 6 antes de Cristo, então sua visão poderia ter sido influenciada pelos antigos motivos da arte assíria, na qual essas combinações eram de fato bastante comuns.

A Revelação de João (isto é, o livro do Apocalipse) ecoa a visão de Ezequiel em seu quarto capítulo: “O primeiro animal vivo assemelhava-se a um leão; o segundo, a um touro; o terceiro tinha um rosto como o de um homem; e o quarto era semelhante a uma águia em pleno voo”.

   Agora, por que essas criaturas são designadas para um evangelista específico? Por que a águia está emparelhada com João, por exemplo? Há razões associadas às particularidades dos Evangelhos de cada autor, segundo São Jerônimo. Procure esses quatro símbolos nas gravuras dos evangelistas ou, por si só, decorando as fachadas dos livros e dos púlpitos do Evangelho.

Mateus é associado ao homem alado, ou anjo, porque o seu Evangelho se concentra na humanidade de Cristo, afirma São Jerônimo. O Evangelho de Mateus inclui uma narrativa sobre a genealogia de Jesus.
O leão é relacionado a São Marcos, porque o seu Evangelho enfatiza a majestade de Cristo e sua dignidade real, assim como o leão é tradicionalmente considerado o rei dos animais. O Evangelho de Marcos começa com a voz profética de João Batista, clamando no deserto como um rugido de leão.
A Lucas associa-se o touro, porque seu Evangelho se concentra no caráter sacrificial da morte de Cristo, e o touro sempre foi um animal sacrificial por excelência, tanto para o judaísmo quanto para o paganismo romano.

Por, João está associado à águia por duas razões: primeiro, porque seu Evangelho descreve a Encarnação do Logos divino, e a águia é um símbolo daquilo que vem de cima. A segunda, porque como a águia, João, em sua Revelação, viu além do que está imediatamente presente. Por isso São João Evangelista é chamado de “Águia de Patmos”.

Modéstia: como as mulheres devem se portar?

Dando às mulheres uma falsa liberdade e poder, a reengenharia social está mudando a natureza feminina e destruindo a dignidade que lhes foi conferida pelo próprio Deus. Como resistir a essa investida? De que modo as roupas e o modo de se portar podem influenciar na posição da mulher dentro da sociedade?

I. Introdução

Temos dedicado nossas últimas aulas ao especial estatuto de dignidade que as mulheres, desde as origens do cristianismo, têm perante os olhos da Igreja Católica [1]. Começamos esta série de considerações como que pela cúpula do edifício; após abordarmos a dignidade feminina em si mesma, fomos dela extraindo as notas que fazem da mulher, ao lado do homem, um ser único na ordem da criação. Igualmente feita para servir e amar a Deus, a mulher, segundo o projeto divino, é complemento—corporal, psíquico e espiritual—do homem, ao qual não convinha ficar só (cf. Gn 2, 18). Este caráter complementar se expressa quer na feminilidade que lhe é própria e lhe confere todos aqueles atributos que a distinguem do sexo masculino, quer na tendência natural que a leva a unir-se em sociedade àquele de cuja costela provém [2]. Dando continuidade ao assunto, falaremos hoje da modéstia feminina. Ao contrário do que se costuma fazer, porém, evitaremos encarar o tema sob uma perspectiva estritamente moralista; não se trata, noutras palavras, de determinar o que as mulheres podem ou não vestir. Ora, uma tal abordagem, embora possa ter alguma utilidade em certos casos, além de tornar a questão antipática a muitos, parece desviar-se do centro do problema; longe de resumir-se, pois, a um inventário de vestidos mais ou menos escandalosos, a questão da modéstia feminina deve ser situada dentro daquilo que é o projeto de Deus para a reta convivência entre homens e mulheres.

II. «O despertar da concupiscência»

Há na mulher, com efeito, algo que atrai o olhar masculino; este poder atrativo, todavia, não é uma realidade decorrente da queda de nossos primeiros pais nem tampouco uma degradação da natureza humana. Os capítulos iniciais do Gênesis trazem elementos bastante esclarecedores a este respeito e indicam de modo indireto as forças que entram em cena quando homem e mulher se põem cara a cara. Ao concluir Sua obra, Deus decide dar ao homem um auxiliar que lhe correspondesse; por isso, conduz a Adão todas as feras selvagens e todas as aves do céu e fá-las desfilar ante seus olhos para ver como ele as chamaria (cf. Gn 2, 18-9). Este trecho da narrativa bíblica já delineia uma peculiaridade muito significativa do modo de ser do varão, a saber: ele se guia sobretudo pela visão. Tendo enfim contemplado toda a criação e dado nomes às feras selvagens, Adão não encontrou entre os animais nenhuma companheira que lhe estivesse à altura. O Senhor então fez cair sobre ele um torpor, tomou “uma de suas costelas e fez crescer carne em seu lugar. Depois da costela que tirara do homem, Deus modelou uma mulher e a trouxe ao homem” (Gn 2, 20-1); vendo-a, Adão exclama, admirado: “Esta, sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ [‘îsha], porque foi tirada do homem [‘îsh]” (Gn 2, 23).

Simples e singela, a admiração de Adão ao ver Eva pela primeira nos dá a conhecer tanto o desejo de Deus para a relação entre eles quanto a dinâmica deste relacionamento antes da queda: há na mulher, como dissemos, uma beleza própria e fundamental que, traduzindo ao seu modo a própria beleza divina, encanta e enleva o homem. Ora, o estado de justiça e inocência de que gozavam no paraíso permitia-lhes não se envergonharem diante da nudez (cf. Gn 2, 25), pois a vontade de ambos estava de tal sorte ordenada, que nem a carne poderia desejar algo contra o espírito nem o espírito, algo contra a carne [3]. De fato, como poderiam envergonhar-se [4], se não sentiam ainda em seus membros nenhuma lei que repugnasse à lei de suas consciências (cf. Rm 7, 23) [5]? Como, no entanto, desobedecessem a Deus, que lhes proibira comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal (cf. Gn 2, 16-7), logo perderam a santidade em que foram constituídos; Adão e Eva, deste modo, não apenas incorreram na justa ira divina, mas, despojados de sua justiça e sujeitos à morte, que, como pena, lhes fora cominada, tronaram-se também cativos do demônio [6]. É, portanto, apenas quando a desordem do pecado entra no mundo que eles, envergonhados de sua nudez, se escondem da presença de Deus. A partir deste momento, começa a haver uma profunda distorção seja no modo como o homem vê o corpo feminino, seja na forma em que a mulher se apresenta aos olhos masculinos. Por isso, o Senhor tece-lhes túnicas de pele para se cobrirem.

III. A virtude da modéstia

§ 1. Necessidade. — Daí possuir, no estado atual, uma dádiva verdadeiramente extraordinária o homem capaz de olhar para as mulheres e, sem desejá-las, reconhecer nelas a beleza divina. Mas por tratar-se de dom raríssimo, é necessário que ambos os sexos, com o auxílio da Graça, desenvolvam aquelas virtudes responsáveis por regular nosso apetite concupiscível segundo a reta razão. Com efeito, a modéstia de que vamos falar se inscreve no âmbito das quatro grandes virtudes humanas, ou seja: a prudência, a temperança, a justiça e a fortaleza. Uma vez que a função de moderar nosso desejo pelos prazeres não só venéreos, mas também alimentares cabe à temperança [7], é a esta que a modéstia deve ordenar-se e servir de auxílio. Como toda e qualquer virtude, também a temperança tem por objetivo orientar nossos atos aos fins estabelecidos por Deus. Ora, o Criador quis vincular um prazer sensível àquelas operações naturais que são necessárias à conservação tanto da vida individual (pela comida) quanto da espécie (pela procriação) [8]; daqui provém, pois, “a veemente inclinação do homem aos prazeres do gosto e do apetite genésico, que tem aquela altíssima finalidade, querida e fixada pelo Autor mesmo da natureza.” [9] Daí também se vê a necessidade de uma virtude incumbida de manter dentro de justos limites os movimentos que nos impelem a uma busca quase sempre desenfreada por toda sorte de deleites.

A fim de compreender melhor esta função ancilar da modéstia, devemos ter em mente que a temperança, enquanto virtude cardeal, modera nossos apetites pelos prazeres mais intensos do tato, pois, como diz Santo Tomás de Aquino,

A temperança está para os […] prazeres assim como a fortaleza, para os temores […]. Ora, a fortaleza ocupa-se com os temores […] referentes àqueles males maiores pelo quais se destrói a natureza, que são os perigos de morte; do mesmo modo, convém que a temperança se ocupe com os desejos dos maiores prazeres. Dado que o prazer decorre de uma operação natural, certos prazeres serão tanto mais intensos quanto mais naturais forem as operações de que derivam. Ora, as operações mais naturais aos animais são aquelas mediante as quais se conserva, pelo alimento, a vida do indivíduo e, pela conjunção sexual, a perpetuação da espécie; por isso, a temperança diz respeito propriamente aos prazeres da comida e da bebida e aos prazeres venéreos. Ora, tais prazeres derivam do sentido do tato. Donde se conclui que a temperança diz respeito aos prazeres táteis. [10]
Existem, contudo, outras espécies de estímulo sensível que, além do tato, implicam alguma forma de prazer, como, por exemplo, a imagem de uma bela mulher que provoca no homem libidinoso certos movimentos carnais, ou um aroma agradável capaz de inspirar-nos fome. Tais prazeres, na medida em que se ordenam aos gozos sexual e alimentar propriamente ditos, devem ser moderados pela temperança apenas mediata e secundariamente, isto é, por meio de virtudes específicas a ela anexas [11] que serão tanto mais eficazes quanto mais bem enraizada for a temperança. Estas “pequenas virtudes”, também chamadas partes potenciais, referem-se tão-só a aspectos determinados e, portanto, menos principais e mais fáceis da matéria a que virtude cardeal sob cuja influência atuam aplica-se primária e principalmente [12]. De fato, já que à temperança cumpre moderar os prazeres mais fortes do tato, pode-se considerar parte potencial dela qualquer outra virtude que exerça alguma moderação em matérias menos difíceis e ordene, em sua linha, algum desejo desordenado por prazer. Ora, onde quer que haja uma virtude que se ocupe com o que é mais difícil, convém que haja também uma virtude que se ocupe com o que é mais fácil, pois a vida humana deve regular-se pela virtude em todos os níveis. Com efeito, do mesmo modo como a virtude da magnificência diz respeito às grandes riquezas, assim também a liberalidade se refere às quantias mais modestas. Neste sentido, a temperança modera o que é mais difícil, isto é, os prazeres do tato; por isso, é preciso que haja uma outra virtude que regule os prazeres mais facilmente moderáveis: e esta virtude é a modéstia [13].

§ 2. Dependência de outras virtudes. — Enquanto virtude anexa, a modéstia está condicionada pela boa educação das duas virtudes integrantes da temperança, ou seja, da vergonha e da honestidade. De fato, apenas com grande dificuldade pode tornar-se temperante quem não foi ensinado a ser honesto e a envergonhar-se do pecado. A vergonha de que falamos não é, em sentido próprio, uma virtude, mas antes uma espécie louvável de paixão que, dispondo-nos à temperança [14], nos inclina a temer a feiura do pecado. Trata-se de paixão, porque implica alguma forma de “alteração corporal (enrubescimento, tremedeira…); e é louvável, porque este temor, regulado pela razão, infunde horror à torpeza” [15]. Assim como a vergonha é o temor e, por conseguinte, a fuga da perversão do pecado, a honestidade é o amor e, portanto, a busca pelo decoro proveniente da prática da virtude: “A honestidade”, diz o Aquinate, “é certa beleza espiritual” [16]; ora, dado que o torpe se opõe ao belo, “a honestidade corresponderá de maneira especial àquela virtude que tenha por objeto evitar o torpe” [17], isto é, à temperança. Por estas razões, devem os pais esmerar-se em educar os filhos, desde a mais tenra idade, nestas duas virtudes: elas são, por assim dizer, as guardiãs da castidade e da temperança; abandonadas estas custódias, é comum o homem precipitar-se nas mais sórdidas imundícies da luxúria e da intemperança.

§ 3. Espécies. — Resta-nos falar um pouco de mais perto sobre a modéstia. Já vimos tratar-se de uma virtude anexa à temperança e cuja finalidade é moderar todos os outros movimentos menos difíceis, mas que, em todo caso, precisam ser regulados, pois, assim como a temperança é moderadora do apetite primário pelos prazeres do tato, a modéstia regula nosso apetite desordenado por formas secundárias de prazer. Ora, este apetite desregrado pode dar-se em quatro âmbitos principais, quais sejam: a) no movimento interior da alma em busca de sua própria excelência, que é a soberba moderada pela humildade; b) no desejo natural de conhecer, que é a curiosidade moderada pela estudiosidade; c) nos movimentos corporais exteriores, que são regulados pela modéstia corporal; e d) nos trajes exteriores, que são ordenados pela virtude da modéstia no vestir-se [18].

Sob a modéstia, portanto, está contida uma série de outras virtudes que podem assim ser esquematizadas:

Movimentos interiores: (a) humildade e (b) estudiosidade.
Movimentos exteriores: (c) modéstia corporal e (d) modéstia no vestir-se.
§ 4. A modéstia no vestir-se. — Se bem não possa haver nas coisas exteriores nem vício nem virtude em sentido estrito, o uso que delas fazemos, no entanto, pode configurar uma atitude mais ou menos pecaminosa; ora, o mau uso de tudo quanto serve à nossa utilidade pode ser ou por excesso, ou por defeito; por isso, é necessária uma virtude que, relativamente aos trajos humanos, guarde a devida ordem no cuidado do corpo e na maneira com que nos vestimos, a fim de evitar não só a vulgaridade, mas também toda deselegância e exagero [19]. De um modo geral, a desordem no vestir-se pode manifestar-se a) em relação ao costume dos homens de mesma condição com os quais vivemos: “É indecorosa”, escreve Santo Agostinho, “a parte que não se acomoda ao todo” [20], pois a modéstia inclina o homem a apresentar-se em conformidade com o seu sexo (se é mulher, por exemplo) e estado (casada ou solteira) e de acordo com a ocasião (formal ou informal) e os costumes do tempo em que vive; e b) por um desordenado afeto que leva a abusar ou fazer pouco caso dos bons costumes.

Com efeito, o uso das roupas pode ser abusivo ou excessivo de três maneiras, a saber: 1.º) por excessiva solicitude, quando se gasta demasiado tempo, atenção ou dinheiro na procura por roupas e ornamentos elegantes; 2.º) por vaidade, quando se procura tão-somente atrair olhares e a admiração alheia; e 3.º) por lascívia, se o fim desejado é estimular a imaginação e a sensualidade de terceiros. Pode-se pecar também por defeito, e isto de dois modos: 1.º) se, por negligência, despreza-se a ordem e o cuidado devido ao corpo e a decência com que convém seja apresentado às pessoas; e 2.º) por vanglória, se o desalinho e a pobreza das roupas servem de pretexto para simular uma humildade falsa e hipócrita [21]. Todos estes vícios podem ser combatidos se, ao nos vestirmos, tivermos em mente a humildade, a simplicidade e a justa diligência devidas ao cuidado externo, porque, ainda que simples e discretas, nossas roupas têm de ser limpas e minimamente bem cuidadas: “Conserva”, recomenda São Francisco de Sales, “um asseio esmerado, Filotéia, e nada permitas em ti rasgado ou desarranjado. É um desprezo das pessoas com quem se convive andar no meio delas com roupas que as podem desgostar; mas guarda-te cuidadosamente das vaidades e afetações, das curiosidades e das modas levianas.” [22].

§ 5. Os ornamentos femininos. — Do que foi dito segue-se, pois, que às mulheres é lícito vestir-se e enfeitar-se com o fito de aumentar a própria beleza, desde que se evite todo escândalo e não se pretenda nenhum fim desonesto. A dificuldade a este respeito, porém, deve-se tanto ao fato de a aparência feminina provocar mais facilmente a lascívia no homem do que o contrário quanto à peculiar tendência que as mulheres têm para o uso desordenado da própria beleza e, por conseguinte, de tudo o que a possa manifestar ou acentuar. Por isto, sempre se discutiu em que circunstâncias podem as mulheres ornar-se a fim de agradar os homens. Apesar de certos rigorismos, a posição de muitos teólogos é a de que, embora possam, sim, enfeitar-se, apenas à mulher casada é lícito vestir-se de modo a seduzir ou agradar seu marido. Portanto, é contrário não só à reta razão, mas também à caridade usar qualquer tipo de vestido ou adereço que induza alguém a pecar contra a castidade. As jovens que desejam casar-se podem também, guardada a decência, vestir-se a fim de encontrar um noivo; as mulheres porém que não têm marido ou não desejam tê-lo nenhuma razão têm para, sem pecado, vestir-se a fim de atrair os olhares masculinos, porque desejar excitar a concupiscência de alguém nada mais é do que incentivá-lo a pecar [23]. Se por acaso a mulher se veste de modo provocativo não com a intenção expressa de seduzir, mas movida antes por certa leviandade, vaidade ou falta de boa formação, peca apenas venialmente, pois não há neste comportamento nenhuma grave desordem, mas apenas certa jactância, vanglória ou desejo de aparecer. É ainda possível que estejam totalmente isentas de pecado as mulheres que, não agindo por vaidade, mas por um costume pouco recomendável, se vistam de forma contrária à decência e ao pudor [24]. Todos estes princípios, aliás, devem ser observados também pelos homens.
Padre Paulo Ricardo 

Referências

Cf. Paulo VI,Discurso às participantes do Encontro Nacional do Centro Feminino Italiano (CIF), 6 dez. 1976; v. João Paulo II, Carta apost. Mulieris Dignitatem, de 15 ago. 1988, n. 1 (AAS 80 [1988] 1654).
Cf. Tomás de Aquino, Sum. Th. I, q. 92, a. 3.
Cf. A. Knoll, Institutiones Theologiae Theoreticae, Augustae Taurinorum, 1865, vol. 1, p.  318, § 171.
Cf. Tomás de Aquino, Sum. Th. II-II, q. 144, a. 1, resp. e a. 2, resp.
Cf. Agostinho, De Gen. ad lit, XI, c. 1, 3 (PL 34, 430).
Cf. Pedro Canísio, Summa Doctrinae Christianae, Landishuti, ex officina J. Thomann, 1862, p. 237, § 1.
Cf. D. Prümmer, Manuale Theologiae Moralis. 5.ª ed., Herder: Barcinone, Friburgi Brisgorviae, Romae, 1961, vol. 2, p. 496, n. 643.
Cf. Id., p. 497, n. 644.
Antonio R. Marin, Teología de la Perfección Cristiana. 4.ª ed., Madrid: BAC, 1962, p. 560, n. 343, 2.
Tomás de Aquino, Sum. Th. II-II, q. 141, a. 4, resp.
Cf. D. Prümmer, op. cit., p. 498, n. 644.
Cf. Antonio R. Marin, op. cit., p. 108, n. 60.
Cf. C.-R. Billuart, Cursus Theologiae Universalis, Wirceburgi, 1752, vol. 2, diss. 7, a. 4, p. 873,
Cf. Tomás de Aquino, Sum. Th. II-II, q. 144, a. 4, ad 4.
Antonio R. Marin, op. cit., p. 561, n. 345.
Tomás de Aquino, Sum. Th. II-II, q. 145, a. 4.
Antonio R. Marin, op. cit., loc. cit., n. 346.
Cf. Id., p. 567 n. 354.
Cf. Id., p. 578, n. 364; D. Prümmer, op. cit., p. 550, n. 717; C.-R. Billuart, op. cit., p. 876.
Agostinho, Conf. III, c. 8 (PL 32, 690).
Antonio R. Marin, op. cit., p. 579, n. 364; C.-R. Billuart, op. cit., p. 877; A. Tanquerey, Synopsis Theologiae Moralis et Pastoralis. 7.ª ed., Tornaci: Desclée & socii, 1922, vol. 2, p. 635, n. 1092.
Francisco de Sales, Filotéia, III, c. 25. Trad. port. de Fr. João J. P. de Castro. 8.ª ed., São Paulo: Vozes, 1958, p. 236.
Cf. A. Tanquerey, op. cit., loc. cit.; C.-R. Billuart, op. cit., loc. cit.
Cf. Tomás de Aquino, Sum. Th. II-II, q. 169, a. 2, resp.

Caminho da perfeição

“Mestre, o que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?”(Mt 19,16)

É importante que possamos abrir a Palavra em Mt 19,16-22, e lermos, contemplarmos a cena do encontro de Jesus com aquele jovem.

Interessante como o jovem se aproxima de Jesus perguntando: o que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?  Lógico que, ele veio à Jesus porque havia em seu coração o desejo da vida eterna, mas trazia uma mentalidade, que nós também as vezes trazemos, que parte de nós realizarmos atos bons, para desta, sermos “recompensados” com o direito,  um lugar no céu. Como se nossa salvação dependesse de nossas forças e não da Graça de Deus.

Primeiramente necessitamos ter em mente que, como a Palavra nos diz, Bom só Deus. Um ato, um pensamento bom que tenhamos, já é Deus agindo em nós.

Segundo é que, o caminho que Deus escolheu para nós é outro, não o de méritos e recompensas, mas do Amor. É o Caminho que se inicia na obediência a Sua Vontade, aos seus Mandamentos, não por ser uma lei a ser cumprida, para não sermos castigados ou conseguirmos algo, mas porque experimentamos o Amor gratuito de Deus por nós, e em resposta, por gratidão, nosso coração  inflamado deste amor, só terá  o desejo de fazer a vontade de Deus, e que outros também a experimentem.

“Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.”(Mt 19,21)

É interessante que, a medida que vamos nos aprofundando na intimidade com Deus, seguir os seus mandamentos, não será pesado, muito menos cansativo, mas o Espírito Santo vai escrevendo em nosso coração a vontade de Deus, e dentro de nós vai crescendo o desejo de, dia a após dia, alegrarmos o coração de Deus, além de ir aparecendo  uma rejeição a tudo que fere o Seu Coração.

Começamos, então, a trilharmos o Caminho da Perfeição, que todos os Santos trilharam, que não é um caminho para os perfeitos, mas para os pobres, que é caminhar segundo a vontade de Deus.

A medida que caminhamos, chegará um momento que, iremos abrir mão de todas as riquezas que possuímos, que nos impedem de caminharmos, sejam interiores ou exteriores. Sim, interiores, as riquezas mais escondidas, que ninguém as conhece, só você e Deus.

Quando leio a Palavra do jovem rico, sempre me vem ao coração que , as riquezas que ele possui poderiam ser interiores e/ou exteriores. Porque, as vezes, podemos cair no engano de pensarmos que se trata apenas das riquezas exteriores, mas quantas riquezas e apegos interiores trazemos que nos impedem de fazer a vontade de Deus! Aquele jovem, exteriormente, para o povo, cumpria todos os preceitos da lei, mas as riquezas interiores, ninguém podia ver, só ele as conhecia.

Quantos “achismo” trazemos das nossas formações humanas, culturais, familiares, e pensamentos pessoais, que não queremos nos desapegarmos para trilharmos o Caminho que Deus escolheu para nós! Fazemos tudo muito correto, exteriormente, mas o que nos é mais caro para nos desapegarmos, ficamos guardando, escondendo. Pode até acontecer de encontrarmos Jesus, como o jovem, mas não temos a coragem de abrir mão de tudo, pelo Tudo, que é Deus.

“Em verdade vos digo que o rico dificilmente entrará no Reino dos Céus”(Mt 19,23).

A maior riqueza que o homem deverá, cultivar e guardar, é a pobreza. Porque o pobre é aquele que depende em tudo de Deus, e nada deseja possuir se não for para a Glória de Deus. Tem consciência que é um administrador dos Dons, das coisas de Deus.

O pobre caminha na humildade e obediência, acreditando e acolhendo a vontade de Deus, como Nossa Senhora.

O pobre acredita que, em Deus, esta toda a sua riqueza. Os bens materiais ou espirituais, não lhe trás nenhuma vaidade, aproveita-os para expandir o Reino de Deus, com o desejo que todos descubram o que ele descobriu: o único Tesouro que deixará o homem verdadeiramente rico, saciado e feliz,  esta no Coração de Jesus, o Amor. É neste Amor que nos é resgatado a Dignidade de Filhos de Deus. Eis o grande Tesouro, que só experimentam os filhos de Deus.

Peçamos ao Senhor, pela intercessão de Maria, Mãe da Divina Misericórdia, que nos dê a graça de trilharmos o Caminho da Perfeição, onde a nossa única riqueza seja Jesus.

Natal, 19 de agosto de 2019

Janet Melo de Saboia Alves

Co-Fundadora da Comunidade Católica Reviver pela Misericórdia

Como os grupos LGBTQ estão destruindo as normas e mudando a educação

Hora da Drag Queen: nos principais centros urbanos dos Estados Unidos, drag queens leem contos para crianças em idade pré-escolar.

Foto: DivulgaçãoDennis PragerDaily Signal[15/08/2019] [13:52]

Praticamente todas as semanas surge algum problema que deixa os Estados Unidos preocupados.
Mas com nossa atenção voltada para o presidente Donald Trump, Google, Charlottesville, Rússia, impeachment, Jeffrey Epstein, as próximas eleições, racismo, guerra comercial com a China, o movimento #MeToo ou qualquer outra coisa, as organizações LGBTQ trabalham em silêncio para desmantelar as normas éticas, zombando da educação, arruinando a vida de pessoas inocentes e destruindo a ingenuidade infantil.
Se você acha que estou exagerando, eis aqui alguns exemplos:
A destruição dos esportes femininos
No último mês, uma levantadora de peso transgênero ganhou várias medalhas de ouro nos Jogos do Pacífico 2019, em Samoa. Laurel Hubbard, da Nova Zelândia, ganhou duas medalhas de ouro e uma de prata em três categorias de levantamento de peso para mulheres com mais de 87 quilos. Hubbard é fisicamente um homem.
Ano passado, dois homens biológicos de duas escolas de ensino médio diferentes de Connecticut competiram na divisão feminina da competição estadual de atletismo. Eles chegaram em primeiro e segundo lugares nos 100 e 200 metros rasos.
Como o Ocidente se acovarda diante das exigências dos grupos LGBTQ, ainda que isso seja injusto para as atletas mulheres, os homens que se consideram mulheres têm permissão para competirem contra elas.
E eles quase sempre ganham.
A destruição do gênero – ainda no nascimento
Como relatado pela Associated Press: “Pais também podem escolher o gênero ‘X’ para os recém-nascidos. Nova York está se juntando à Califórnia, Óregon e Washington, permitindo que o gênero não seja designado nas certidões de nascimento. Uma medida semelhante entra em vigor em Nova Jersey em fevereiro”.
Que porcentagem de norte-americanos acredita que as crianças têm sorte se nascem em famílias cujos pais não as identificam como homens ou mulheres quando do nascimento? Por outro lado, quantos de nós achamos que esses pais estão praticando uma forma de abuso infantil?
A destruição da inocência infantil e da autoridade parental
A Associated Press recentemente também informou que “a Califórnia reformulou seu manual de educação sexual, voltado para os professores das escolas públicas, encorajando-os a falarem de identidade de gênero para os alunos do jardim de infância”.
Tatyana Dzyubak, uma professora do ensino fundamental na região de Sacramento, reclamou: “Eu não deveria estar ensinando essas coisas. Isso cabe aos pais”.
Mas os pais e a autoridade parental sempre foram um empecilho para o totalitarismo. Portanto, a destruição da autoridade parental é um dos principais objetivos da esquerda, da qual as organizações LGBTQ são um dos principais componentes.
Hoje as bibliotecas dos principais centros urbanos promovem a Hora da Drag Queen – na qual drag queens leem histórias para crianças em idade pré-escolar. (Leia, por exemplo, o laudatório artigo “A Hora da Drag Queen Traz o Arco-íris para a Leitura”, publicado no New York Times em 19 de maio de 2017).
Há algumas semanas, o famoso apresentador e ator Mario Lopez disse à analista conservadora Candace Owens:
Se você tem três anos de idade e está dizendo que se sente de uma certa forma ou que acha que é menino ou menina, seja qual for o caso, acho perigoso que um pai tome uma decisão a respeito disso: “OK, então você seja menino ou menina” (…) Acho que os pais precisam deixar que os filhos sejam crianças, mas ao mesmo tempo você precisa ser o adulto na situação.
Por expressar com sensibilidade e respeito o que qualquer pai de uma criança de três anos de deveria dizer, ele foi condenado pela GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas contra a Difamação) e a PFLAG (Pais e Amigos de Lésbiscas e Gays), duas das maiores organizações LGBTQ. Sabendo que sua fonte de renda estava em jogo, ele imediatamente recuou do que disse.
Ao estilo da Revolução Cultural Chinesa, ele recuou de tudo o que disse e ainda afirmou que tinha muito o que aprender sobre pais permitirem que crianças de três anos escolham o próprio gênero.
A destruição das normas educacionais
Semana passada, a CNN transmitiu uma reportagem que dizia:
O governador de Illinois, J.B. Pritzker, sancionou uma lei que a contribuição dos LGBTQ será ensinada nas escolas públicas. (…) [A lei diz que] ‘Nas escolas públicas, o ensino de história deve incluir o estudo do trabalho e da contribuição dada por lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros para a história deste país e estado’.
A Equality Illinois, maior organização de defesa LGBTQ do estado, deu apoio à lei e disse que o currículo pode “ter um efeito positivo sobre a autoimagem dos alunos, tornando-os mais tolerantes’.
Uma vez que o objetivo do ensino de história passe a ser ensinar o que aconteceu para que isso tenha “um efeito positivo sobre a autoimagem dos alunos”, a história deixa de ter a ver com o passado; ela se torna propaganda. Mas reescrever a história não é problema para a esquerda.
Como dizia a velha piada de um dissidente soviético: “Na União Soviética, o futuro é conhecido; o passado é que está sempre mudando”.
Noto quase todos os dias que a verdade é um valor moral progressista e conservador, mas ela jamais foi um valor importante para a esquerda. Este é apenas mais um exemplo.
A destruição da realidade
David Zirin, editor de esportes do Nation: “Outro argumento para impedir que atletas trans participem de competições com atletas cis sugere que a presença deles faz mal a meninas e mulheres cis. Mas essa linha de raciocínio não reconhece o fato de que mulheres trans são mulheres” (grifos meus).
Deputada Ilhan Omar, numa carta para a Federação Norte-americana de Levantamento de Peso: “O mito de que mulheres trans têm ‘uma vantagem competitiva direta’ não tem base científica”.
Sunu Chandy, do Centro Nacional de Direito Feminino: “Não há nenhuma pesquisa que fundamente a ideia de que permitir atletas trans de jogarem em equipes adequadas ao seu gênero criará um desequilíbrio competitivo”.
Como essas pessoas podem dizer tanta mentira? Elas dizem isso porque mentir não é um problema quando a verdade não é um valor moral.
As organizações LGBTQ se preocupam com lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros tanto quanto os comunistas se importavam com os operários. Elas os usam para encobrir sua pauta real: a destruição da civilização com a conhecemos.”

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/como-grupos-lgbtq-estao-destruindo-as-normas-e-mudando-a-educacao/?webview=1

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Um bebê nunca é “conveniente”

Ter um filho certamente fará com que você perca um pouco do controle sobre suas finanças, sobre seu tempo e, em última instância, sobre toda a sua vida. Mas também pode ser uma grande oportunidade para experimentar a ação da divina Providência.
Julie MachadoTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Junho de 2019
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Meu marido e eu estamos esperando o quarto filho e, quando chegou a temida hora de contar a todos, percebi que fazê-lo nunca fica mais fácil. Esperamos o maior tempo possível para dar a notícia, e é difícil receber perguntas, críticas e conselhos indesejados quando se está em uma posição tão vulnerável…

Vulnerabilidades. — Há, primeiro, uma evidente vulnerabilidade física quando você está esperando um bebê. Por só ter ficado doente nos últimos anos em períodos gestacionais (pois a gravidez afeta seu sistema imunológico), eu fiquei sabendo que estava grávida justamente por conta de uma gripe. Tive os sintomas habituais de náusea e sonolência. Tentei ser mais cuidadosa porque tive perda de sangue durante o primeiro trimestre de gestações anteriores. Procurei pegar menos meus outros filhos no colo. Durante o nascimento e depois dele, ficarei fisicamente ainda mais vulnerável e todos precisaremos contar com ajuda de fora, especialmente de nossos irmãos mais velhos.

Embora menos óbvia que a primeira, existe também uma vulnerabilidade emocional para ambos os cônjuges quando se está esperando um bebê. Nossa gravidez não foi planejada e, de imediato, eu senti que seria vista como uma irresponsável. A coisa “responsável” em nossa sociedade é ser autossuficiente e não depender da ajuda de ninguém. Fiquei com medo do julgamento dos outros, de como eles nos veriam e das coisas que eles diriam. Eu gostaria de poder manter isso em segredo, pelo menos por um tempo, mas aquilo era como um trem já em movimento e com uma rota irreversível. Minha barriga cresceria e todos descobririam. O bebê nasceria e demandaria seus cuidados. A criança cresceria e continuaria a exigir cuidados. Uma vez adulto, seria mais uma pessoa no mundo, independente de mim, mas em constante relação comigo. Esse era definitivamente um trem em movimento do qual, até aquele momento, só eu tinha conhecimento.

A coisa “responsável” em nossa sociedade é ser autossuficiente e não depender da ajuda de ninguém.
Sem controle. — Eu descrevo a gravidez como entrar em uma montanha russa. Você não tem ideia do que vai acontecer. Tudo pode transcorrer perfeitamente bem, de acordo com seus desejos ideais, ou você e seu filho podem morrer, e entre esses dois extremos tudo é possível. Foi na minha primeira gravidez que eu descobri que a gestação e o parto são como uma montanha russa. Tivemos uma perda de sangue no primeiro trimestre que nos assustou muito; nossa filha tinha apenas uma artéria umbilical; ela ficou na posição pélvica (“sentada”); tivemos uma versão cefálica externa (que a virou para a posição correta), mas ainda assim tivemos uma cesariana, que era a única coisa que nós absolutamente não queríamos ter.

Também gosto de dizer que ninguém tem alguns milhares em sua conta para, sem saber o que fazer com o próprio dinheiro, chegar e dizer: “Ah, vamos ter outro filho”. As pessoas em geral não sentem que simplesmente têm dinheiro sobrando por aí. Há estudos mostrando que as pessoas, em média, sentem que precisam ter 20% a mais do que já possuem. Nossa gravidez coincidiu com a descoberta de que estávamos apertados financeiramente e precisávamos reduzir substancialmente nossos gastos. Não são exatamente duas notícias que alguém gostaria de receber ao mesmo tempo. Tenho certeza de que essa é uma preocupação de todo casal. 

Mas há um ditado segundo o qual cada criança que nasce vem com um pão debaixo do braço. E Belém significa “casa do pão”. Ter um filho certamente fará com que você perca um pouco do controle sobre suas finanças, mas também pode ser uma grande oportunidade para experimentar a Providência.

Uma gestação e um parto também afetam, sem dúvida, suas emoções e saúde psicológica. Maria Montessori dizia que o nascimento de uma criança é o renascimento de uma família. É algo que “sacode” você e toda a dinâmica familiar.

O nascimento de uma criança é o renascimento de uma família.
Abertura à graça. — A abertura à vida é uma boa analogia para a abertura à graça. Nosso principal modelo para ambas é a santíssima Virgem Maria, pois, nela, ficar grávida e receber a Cristo foram literalmente a mesma coisa. Ficar grávida também foi uma experiência de vulnerabilidade, de algo que estava fora de seu controle. Ficar grávida, para ela, naquela ocasião, também não parecia ser conveniente, humanamente falando. Na pior das hipóteses, ela corria o risco de ser apedrejada até a morte; na melhor delas, corria o risco de ver rompido seu noivado com São José. Humanamente falando, também não parecia conveniente que Jesus nascesse em um estábulo, em meio aos animais, na estrada. Não teria sido, naturalmente, o “plano de parto” que Maria e José tinham em mente. Tudo transcorreu, todavia, em conformidade com as Escrituras e de acordo com o “plano de parto” de Deus.

Sendo de ordem sobrenatural, a graça escapa à nossa experiência e só pode ser conhecida pela fé. Não podemos, portanto, nos basear em nossos sentimentos ou em nossas obras para daí deduzir que estamos justificados e salvos. No entanto, segundo a palavra do Senhor: “É pelos seus frutos que os reconhecereis” (Mt 7, 20), a consideração dos benefícios de Deus em nossa vida e na dos santos nos oferece uma garantia de que a graça está operando em nós e nos incita a uma fé sempre maior e a uma atitude de pobreza confiante (Catecismo da Igreja Católica, § 2005).
Mesmo que a sua gestação e parto se dêem de acordo com os seus planos e tudo transcorra bem, trata-se sempre de uma experiência dramática que “sacudirá” a sua vida, se você assim permitir. A graça de Deus também se destina a “sacudir” a sua vida, se você deixá-la entrar. Ela irá abalar você, desarmar você; colocará você em uma aventura inesperada. Mas também irá curar você e fazê-lo crescer.