O dia em que São João Paulo II profetizou o futuro da Irlanda

No último dia 25 de maio, o povo irlandês foi às urnas e votou pela chacina de seus filhos. Mas nós talvez não devêssemos ficar tão surpresos. O Papa São João Paulo II já havia profetizado tudo o que aconteceu.

Em 1979, o Papa João Paulo II olhou fixamente para uma multidão de 300 mil jovens, durante uma Missa em Galway, na Irlanda. “Lançando o olhar para vós”, ele disse na ocasião, “eu vejo a Irlanda do futuro. Amanhã, vós sereis a força viva de vosso país; vós decidireis o que será a Irlanda.”

Infelizmente, aquela mesma geração, e a dos filhos que ela educou desde então, acaba de decidir qual será o futuro da Irlanda. Não é difícil imaginar o luto deste Papa santo, estivesse ele fisicamente aqui conosco, para testemunhar o que o povo irlandês decidiu no último dia 25 de maio.

É estranho, muito, muito estranho, ver os vídeos e as fotografias de multidões de jovens irlandeses dançando, gritando e derramando lágrimas de alegria — alegria! — por uma façanha que nenhum outro país, nem o mais liberal e corrupto, conseguiu realizar: a autorização, por maioria esmagadora de votos, da chacina de seus irmãos e irmãs não-nascidos.

Na Irlanda, 64% dos eleitores compareceram às urnas no dia do referendum e, desses, 66% votaram para revogar a emenda constitucional (84% das pessoas entre 18 e 24 anos votaram “sim”) que protege o direito à vida do nascituro — quase exatamente a mesma proporção que votou, apenas três décadas atrás, para aprovar a Oitava Emenda. De lá para cá, tanto mudou, e tão rápido!

Eu, evidentemente, tinha meus pressentimentos. Apesar de toda a sua história católica e de sua evangelização por São Patrícioa Irlanda não estava imune ao poder onipresente da cultura popular, bem como à sedução da nova ideologia, de liberdade pessoal e autonomia sexual radicais, que tem devastado o Ocidente. Muitos dos sinais de alerta estavam presentes, incluindo a recente legalização do divórcio e do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Mas nem eu — nem ninguém, pelo que parece — esperava uma derrota tão definitiva e esmagadora para os não-nascidos.

O alerta profético de São João Paulo II à Irlanda

Mas talvez nós não devêssemos ficar tão surpresos. O Papa São João Paulo II já havia profetizado tudo isso que aconteceu.

Nessa mesma homilia aos jovens, o Papa explicou, em seus dolorosos detalhes, precisamente o que aconteceria caso a Irlanda abandonasse a Cristo e suas raízes cristãs.

O Papa alertou à juventude que “as tradições religiosas e morais da Irlanda, a própria alma da Irlanda, serão desafiadas por tentações que não poupam nenhuma sociedade de nossa época”. Os jovens ouvirão que “é preciso fazer mudanças”, que eles devem “gozar de maior liberdade”, que devem ser “diferentes” dos próprios pais, “e que depende de vós, e só de vós, decidir a respeito de vossas vidas”.

Muitos dos que estavam ali, disse o Papa, seriam tentados a abandonar a Cristo e a desprezar sua educação, sua família e sua cultura cristãs. No entanto, ele alertou, “uma sociedade que, desse modo, perdeu os seus mais altos princípios religiosos e morais, tornar-se-á presa fácil de manipulações e domínio por parte de forças que, sob o pretexto de maior liberdade, a tornarão pelo contrário mais escrava ainda”.

O Papa chegou mesmo a prever que, no futuro da Irlanda, esse ataque teria como foco especial o domínio da sexualidade. “O atrativo do prazer, que deseja ser satisfeito todas as vezes e em toda a parte onde se encontrar, será forte e poderá apresentar-se-vos como parte do progresso a caminho de maior autonomia e libertação das normas.” Essa tentação viria especialmente dos “meios de comunicação social”, que apresentariam uma visão de mundo em que “cada um vive para si mesmo e em que a desenfreada afirmação de si próprio não deixa espaço para o interesse pelos outros”.

É essa, de fato, a lição que centenas incalculáveis de milhares, senão milhões, de bebês irlandeses aprenderão nos próximos anos.

Em sua homilia, o Papa também incluiu uma frase desanimadora, dadas as coisas que se passaram desde então. Falando da tentação de se afastar de Cristo, o Papa disse que “isso pode acontecer especialmente se virdes contradição, na vida de alguns companheiros vossos, entre a fé que professam e o modo como vivem”.

Eu me pergunto se o Papa sabia quão proféticas viriam a ser essas palavras. Muitas pessoas notaram que a Igreja Católica teve um papel surpreendentemente tímido no debate sobre a Oitava Emenda. “A Igreja, com exceção de uma pastoral e outra, ficou taticamente ausente”, escreveu o comentarista irlandês John Waters para o First Things.

A razão disso não é segredo para ninguém. Em anos recentes, a credibilidade moral da Igreja se perdeu. Revelações de abusos físicos e sexuais ocorridos dentro de instituições geridas pela Igreja, e acobertados por ela, minaram catastroficamente o seu poder de dizer qualquer coisa em matéria moral. A mídia está sempre pronta, em casos como esse, para lançar os próprios erros da Igreja em rosto.

Mas isso ainda não explica inteiramente a ausência conspícua de muitos pastores na batalha pela vida. “Imperdoável foi esse silêncio ter se estendido aos púlpitos”, disse John Waters. Mas também essa triste traição parece ter sido predita por João Paulo II. O Papa notou que, entre as muitas pessoas a dizer à juventude que suas práticas religiosas são “irremediavelmente antiquadas” e embaraçam “a vossa maneira de ser e o vosso futuro”, estariam “até pessoas religiosas” — inclusive, eu suponho que o Papa soubesse, alguns padres e bispos.

Um remédio simples

A homilia do Papa não foi, no entanto, só desgraça e melancolia para o futuro da Irlanda. As mensagens dos grandes profetas nunca são assim, mesmo quando eles são implacáveis em seus diagnósticos.

Face a todas as forças articuladas contra o Evangelho e à “doença moral” que “espreita” a sociedade irlandesa, os jovens devem voltar-se à única fonte de felicidade autêntica: Cristo. “Em Cristo descobrireis a verdadeira grandeza da vossa humanidade”, exortou o Papa. “Cristo possui as respostas aos vossos problemas e a chave da história; tem o poder de elevar os corações. Ele continua a chamar-vos, continua a convidá-los, Ele que é ‘o caminho, a verdade e a vida’.” Ainda que o chamado de Cristo seja “exigente”, disse o Papa, a juventude não deve ter medo, pois “só com Ele a vossa vida terá significado e será digna de ser vivida”.

Uma mensagem simples, é verdade, mas do que mais precisamos?

Para os pró-vida irlandeses, que derramaram seus perfumes e suas lágrimas em vão na defesa do nascituro, e que devem viver agora em um país moralmente alheio a eles, o que mais lhes resta senão Cristo? Para aqueles de nós, fora da Irlanda, que lutaram, jejuaram e rezaram pela terra de São Patrício, na esperança de que ela continuasse a ser um farol de luz e de esperança para o Ocidente, o que mais nosresta senão Cristo?

Os poderes deste mundo são fortes e, por ora, eles prevaleceram. Mas o Papa tinha uma mensagem também para aqueles de nós que talvez sintam que, “diante das experiências da história e das situações concretas, o amor perdeu a sua força e é impossível praticá-lo”. Não é assim, disse esse grande santo, pois, “com o tempo, o amor ganha sempre a vitória, o amor não sucumbe nunca”.

Para a Irlanda pró-vida, o dia 25 de maio foi um dia de trevas, de muitas trevas. O mais tenebroso dos dias. Mas o amor ainda vive. Os pró-vida devem agora se adaptar ao novo regime e encontrar novas formas de expressar esse amor no futuro da Irlanda: continuando a lutar, evidentemente, por leis pró-vida, com unhas e dentes, mas também encontrando formas novas e criativas de trazer amor a homens e mulheres sem esperança que começarão a procurar por “soluções” falsas nos matadouros da Irlanda… ensinando-os a amar a si mesmos e a seus filhos. Muitas vidas serão salvas dessa forma, assim como tem acontecido em outros lugares do mundo.

“Levemos esta intenção”, concluiu o Papa, depois de pedir aos irlandeses que continuassem a escutar a mensagem do Evangelho, “aos pés de Maria, Mãe de Deus e Rainha da Irlanda, exemplo de amor generoso e dedicação ao serviço dos outros”. Esse era o melhor caminho naquela ocasião, e é o melhor caminho para nós também agora.

Nossa Senhora do Silêncio de Knock,
rogai por nós, rogai pela Irlanda!

O último pedido de Santa Mônica

Antes de morrer, a mãe de Santo Agostinho não se preocupou com seu corpo, “não desejou ter rico monumento, nem mesmo ter sepultura na própria pátria”. Seu último desejo era outro, bem diferente…

Na Nova Lei nós temos o santo Sacrifício da Missa, do qual os vários sacrifícios da lei mosaica eram apenas frágeis figuras. O Filho de Deus o instituiu, não só como uma digna homenagem prestada pela criatura à Divina Majestade, mas também como uma propiciação pelos vivos e pelos mortos, isto é, como um meio eficaz de aplacar a Justiça Divina, afrontada por nossos pecados.

O santo Sacrifício da Missa era celebrado pelos defuntos desde o tempo da fundação da Igreja. “Nós celebramos o aniversário do triunfo dos mártires”, escreve Tertuliano no século III (De Corona, c. 5), “e, de acordo com a tradição de nossos pais, nós oferecemos o santo Sacrifício pelos defuntos no aniversário de suas mortes.”

“Não resta dúvidas”, escreve por sua vez Santo Agostinho (Serm. 34, De Verbis Apost.), “que as orações da Igreja, o santo Sacrifício, as esmolas distribuídas pelos falecidos, aliviam essas santas almas e incitam Deus a tratá-las com mais clemência do que merecem os seus pecados. Trata-se da prática universal da Igreja, uma prática que ela observa por haver recebido de seus antepassados, isto é, dos Apóstolos.”

Santa Mônica, a valorosa mãe de Santo Agostinho, quando estava prestes a expirar, não pediu a seu filho senão uma só coisa: que ele se lembrasse dela diante do altar do Senhor. Este santo Doutor, por sua vez, ao relatar em suas Confissões (l. IX, c. 11-13) esse incidente comovedor, suplica a todos os seus leitores que se unam a ele e encomendem sua mãe a Deus durante o santo Sacrifício da Missa.

Querendo voltar para a África, Santa Mônica foi com Santo Agostinho até Óstia, a fim de embarcar; mas ela caiu doente e rapidamente sentiu que seu fim estava se aproximando. “Enterrai este corpo em qualquer lugar”, ela disse a seu filho, “e não vos preocupeis com ele. Faço-vos apenas um pedido: lembrai-vos de mim no altar do Senhor, seja qual for o lugar em que estiverdes”: ut ad altare Domini memineritis mei.

Não nos parecia justo celebrar o funeral com lamentos e choros, pois essas demonstrações servem usualmente para deplorar a morte como infelicidade ou aniquilamento total, ao passo que essa morte não era uma desgraça, nem era para sempre. Estávamos certos disso pelo testemunho de seus costumes, pela sinceridade de sua fé e por outros motivos bem fundados. O que é que me fazia então sofrer interiormente, senão a chaga recente causada pela ruptura inopinada de um hábito tão suave e querido da vida em comum? […]

Curado já o meu coração dessa ferida, pela qual podia ser repreendido por um apego demasiadamente carnal, derramo agora diante de ti, meu Deus, por tua serva, um tipo bem diferente de lágrimas, aquelas que brotam de um coração comovido pelos perigos que corre todo homem que deve morrer em Adão.

É verdade que ela, regenerada em Cristo, ainda antes de ser libertada da carne, vivia de tal modo que o teu nome era glorificado na sua fé e nos seus bons costumes. Contudo, não ouso afirmar que desde o tempo em que a regeneraste pelo batismo não tenha escapado de sua boca alguma palavra contra a tua Lei. […] Ai do homem, mesmo de vida irrepreensível, se tu o julgares sem misericórdia! […]

Por isso, Deus do meu coração, minha glória e minha vida, esquecendo por um momento as boas obras de minha mãe, pelas quais te dou graças alegremente, peço-te perdão por seus pecados. Ouve-me, pelos méritos daquele Médico das nossas feridas, que foi suspenso no madeiro e que, sentado à tua direita, intercede por nós.

“Santo Agostinho e Santa Mônica”, por Gioacchino Assereto.

Sei que ela agiu sempre com misericórdia e que perdoou de coração as faltas contra ela cometidas. Perdoa-lhe também as suas faltas, se algumas cometeu em tantos anos de vida depois do batismo. Perdoa, Senhor, perdoa, eu te suplico, e “não chames a juízo a tua serva” (Sl 142, 2). Que a misericórdia triunfe sobre a justiça. Tuas palavras são verdadeiras, e prometeste misericórdia aos misericordiosos. […]

Eu creio que já fizeste tudo o que peço, mas acolhe, Senhor, as livres oferendas de meus lábios. Aproximando-se o dia de sua morte, minha mãe não se preocupou em ter seu corpo suntuosamente revestido ou embalsamado com aromas, não desejou ter rico monumento, nem mesmo ter sepultura na própria pátria. Não nos pediu nenhuma dessas coisas, mas desejou somente que nos lembrássemos dela diante de teu altar, ao qual ela não deixou um só dia de servir, porque sabia que aí se oferece a Vítima santa, pela qual ‘foi destruído o libelo contra nós’ (Cl 2, 14). […]

Que ela repouse em paz ao lado do marido, antes e depois do qual a ninguém ela desposou. Serviu a ele, oferecendo-te os frutos da paciência a fim de ganhá-lo para ti. E inspira, meu Senhor e meu Deus, inspira aos teus servos, aos meus irmãos, aos teus filhos, aos meus senhores, a quem sirvo com o coração, com a voz e com a pena, a fim de que, ao lerem estas páginas, se lembrem, diante de teu altar, de Mônica tua serva, e de Patrício, outrora seu esposo, pelos quais me introduziste misteriosamente nesta vida. Que se lembrem com piedosa emoção dos que foram meus pais nesta vida transitória […].

Assim, o último desejo de minha mãe será satisfeito, graças às minhas Confissõese mais abundantemente com as orações de muitos, do que somente com as minhas.

Essa bela passagem de Santo Agostinho mostra-nos qual era a opinião desse grande Doutor quanto aos sufrágios oferecidos pelos defuntos, e fazem-nos ver claramente que o maior de todos os sufrágios é o santo Sacrifício da Missa.

Referências

  • Trecho extraído e levemente adaptado da obra “Purgatory: Explained by the Lives and Legends of the Saints” (p. II, c. X), Londres: Burns & Oates, 1893, pp. 149-152.
  • As citações de Santo Agostinho foram retiradas de: “Confissões” (trad. de Maria Luiza Jardim Amarante), 20.ª ed., São Paulo: Paulus, 2008.

“Ainda bem que não consegui abortá-lo”, revela mãe de Cristiano Ronaldo

Em lançamento de livro sobre a história da família, ela conta que tomou um chá abortivo para interromper a gestação, mas felizmente não funcionou

“Foi uma grande alegria, e ainda bem que não consegui abortar. Porque ele foi uma estrela que iluminou a nossa vida”. A frase foi dita por Dolores Aveiro, mãe do jogador de futebol Cristiano Ronaldo, à Gazeta Esportiva, durante o lançamento do livro “Mãe Coragem”, em São Paulo. A biografia, escrita pelo jornalista angolano Paulo Sousa Costa, conta a história de vida de Dolores e de Cristiano Ronaldo, passando pelo momento em que ela quase abortou o filho.

No livro o autor conta sobre a violência física sofrida por Dolores por parte do pai e da madrasta e de seu casamento na adolescência com o primeiro namorado. Aos 20 anos ela já era mãe de três filhos e levava uma vida precária e com um marido ausente. Passados 10 anos do nascimento da então filha caçula, Dolores se viu grávida da quarta criança e, não querendo mais passar pelo que já estava vivendo com os outros três, decidiu pelo aborto.

Ela então procurou por um médico que se recusa a interromper a gravidez. Disposta a não ter o filho, Dolores resolveu tomar um chá caseiro que não surtiu efeito e a forçou a seguir com a gestação.

Com o tempo, Cristiano Ronaldo acabou se tornando a alegria da família e a estrela que os iluminou, relata. “Por isso, quero aconselhar as mulheres a não fazerem isso, porque nunca se sabe o filho que vai ter. Acho que sou a ‘mulher coragem’, e quero dizer a todas as mulheres que lutem! As coisas mais valiosas que temos na vida são nossos filhos”, explicou à Gazeta Esportiva.

O livro tem como principal objetivo ser uma inspiração para outras mulheres, para que sejam fortes como ela foi. Além desse episódio na vida da família Aveiro, o livro conta sobre o início da carreira de Cristiano Ronaldo e do momento em que Dolores precisou deixar o filho que tinha apenas 10 anos, ir embora para Lisboa jogar futebol.  Há ainda a ida para a Inglaterra, o tempo em que ela passou por um câncer e a alegria de ver o filho que quase foi abortado, se tornar pai em 2010.

Irlanda libera o aborto no país

Quem assistiu neste fim de semana à população da Irlanda sair às ruas com faixas nas mãos, braços erguidos e lágrimas nos olhos (principalmente se assistiu pelas lentes deformadas dos noticiários da TV aberta ou dos sites de notícias liberais), talvez tenha ficado com a impressão de que alguma coisa boa estivesse acontecendo. Os irlandeses teriam avançado nos “direitos das mulheres”, assegurando-lhes plena “liberdade sexual e reprodutiva”, superando “décadas de preconceito” no país et cetera.

Tantos eufemismos, porém, eram para dizer uma só coisa: que a Irlanda derrubou a Oitava Emenda de sua Constituição e… legalizou o aborto.

Talvez seja necessário lembrar, não só aos irlandeses, mas a todo o mundo, que a verdade não depende de maioria de votos.
O texto constitucional que 66,4% da população irlandesa pôs abaixo, por meio de um referendo, dizia expressamente o seguinte: “O Estado reconhece o direito à vida do não-nascido e, com a devida consideração ao igual direito à vida da mãe, garante em suas leis respeitar e, na medida do possível, defender e reivindicar esse direito”. Agora, ao invés, o que se lerá no mesmo lugar é: “Condições podem ser estabelecidas por lei para regular a terminação da gravidez.”

A nova mudança legal vem consolidar o afastamento definitivo da Irlanda de suas raízes cristãs. Um jornal brasileiro chegou a dizer que o “‘sim’ da Irlanda ao aborto” foi “um duro golpe para a Igreja Católica”.

Como cristãos católicos, precisamos reconhecer: ver o aborto legalizado, onde quer que seja, é de fato um golpe, e dos mais pesados. Mas seria o caso de nos perguntarmos se esse é um golpe apenas para a Igreja Católica e para conservadores — como a mídia em geral parece dar a entender —, ou se estamos a falar de algo maior, que afeta, no fundo, muito mais do que uma religião ou um segmento político.

Uma manchete dizendo, por exemplo, que o “sim” da Irlanda ao aborto é um duro golpe para crianças que ainda não nasceram, seria por acaso menos realista? O que é, afinal, um aborto, senão um golpe, literalmente falando, certeiro e mortífero, desferido contra um ser humano no ventre de sua mãe? A emenda constitucional que acaba de cair na Irlanda reconhecia claramente “o direito à vida do não-nascido”. A partir de agora, cabe perguntar, o que será feito desse direito? Simplesmente desaparecerá?

Por isso, o “sim” da Irlanda ao aborto é também um duro golpe para os direitos do homem. (Embora a expressão esteja hoje um tanto quanto desgastada, manipulada politicamente por grupos nem sempre preocupados de fato com a dignidade do homem, a crítica é cabível porque não há nada que repugne tanto ao senso de justiça que todo ser humano leva dentro de si do que o assassinato de um ser humano inocente, como acontece no aborto.)

Se Deus não existe, tudo é permitido, inclusive matar nossos próprios filhos.
A Irlanda pode até ter derrubado a Oitava Emenda, mas talvez seja necessário lembrar, não só aos irlandeses, mas a todo o mundo, que a verdade não depende de maioria de votos. Nem se todas as nações da terra tornassem legal o aborto (por unanimidade!) ele deixaria de ser o que é. Uma lei que autoriza um homicídio não o torna menos indigno ou menos imoral. Muito pelo contrário, são os Estados que perdem crédito e autoridade quando fazem concessões desse tipo, promulgando leis positivas diretamente contrárias à lei natural, inscrita na natureza mesma do ser humano.

Pode parecer antiquado falar disso nos dias de hoje, mas reconhecer o direito natural, “uma justiça anterior e superior à lei escrita”, é a única forma de evitar que totalitarismos como o nazismo, por exemplo, voltem a florescer. É a única forma de impor um limite ao poder dos Estados e impedir que seus decretos sejam “elaborados arbitrariamente” [1]. Ou, no caso da Irlanda, é a única forma de dizer “não” à “ditadura da maioria”, como se algo errado em si pudesse tornar-se moralmente legítimo só porque um, dois ou três terços de uma comunidade assim o quiseram e determinaram.

Como pessoas e sociedades inteiras possam ficar tão cegas assim, a ponto de não compreenderem mais a maldade de uma prática como o aborto, não é muito difícil entender. Embora o ser humano seja capaz, sempre e em todos os lugares, de reconhecer os princípios mais básicos da lei natural, o conhecimento de suas aplicações, no entanto,

[…] não é o mesmo em todos os homens e pode ser prejudicado por causas acidentais, como a força das paixões, os maus costumes ou o diverso desenvolvimento da razão e da civilização. É o que explica o fato de alguns povos terem chegado a considerar lícitos o furto ou a antropofagia [2].
Estão corretos os jornais, portanto, ao associar o resultado do referendo deste fim de semana à queda da prática religiosa na Irlanda. Quando uma sociedade se afasta de Deus e de uma moral objetiva, como a que oferece a doutrina católica, seus próprios elementos de civilização vão se perdendo…

Assim, não nos deveria assustar se, no futuro, alguns povos voltassem “a considerar lícitos o furto ou a antropofagia”. Se Deus não existe, afinal, tudo é permitido — até matar nossos próprios filhos. Quando deixam de acreditar em Deus, as pessoas passam a acreditar em qualquer coisa.

        Padre Paulo Ricardo

 

Referências

José Pedro Galvão de Sousa, Direito natural, direito positivo e estado de direito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977, p. 5.
Ibid., p. 16.

A Teologia do abraço

22 de Maio de 2018
POPE FRANCIS

Você sabe qual é o significado do abraço no contexto bíblico?

Já parou para pensar que dificilmente uma pessoa te abraça? Há quem se contente com um “tudo bem?”, outros com um “oi” e não passa disso. Já pensou se com todas as pessoas que encontrássemos tivéssemos a bondade de cumprimentá-la com um abraço ou, se preferir, um amasso?

No contexto bíblico, o abraço significa misericórdia. Vale recordar aqui o abraço do Pai no filho pródigo. As mazelas, as decepções, os pecados, a arrogância, a precariedade, a soberba, se dissolveran no abraço do Pai misericordioso.

Não tenho dúvida de que aquele sujeito sem nome (pode ser eu ou você) que pegou a parte da herança e partiu para o mundo contemplou a verdade interpretada por Martha Medeiros: “Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve”. O abraço esmagante do Pai devolveu ao filho desgraçado o dom da vida, da eternidade.

O abraço, segundo alguns especialistas, faz bem para a saúde psíquica e física. Ele tem o poder de aumentar os níveis de uma substância chamada oxitocina, que tem a particularidade de reduzir os estados de stress e ansiedade, aumentando a felicidade e o bem estar das pessoas. Pessoas com um nível elevado de oxitocina têm a probabilidade de desenvolverem um comportamento maior de ligação entre as pessoas. Você sabia disto?

Mário Quintana faz questão de aludir o abraço a um laço. Diz ele: “Meu Deus! Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço”.

Penso que, nos tempos hodiernos, nossos casais precisam se abraçar. Precisam encostar um coração no outro (Rita Apoena). Já imaginou acalmar os corações atribulados por uma discussão, encostando um coração no outro? Corações atribulados se entendem e se acalmam no compasso da vida, que se renova dentro de um abraço.

Certa vez, havia um casal de idade mediana nas dependências de uma Praça. Eles viram quando ali estava uma menina, baixinha, com cabelos de fios dourados, muito pacífica. Passavam-se minutos e minutos, e ela ali persistia. Quando menos esperavam, salta de um ônibus um menino com trajes de viajante, mochilas nas costas, e apressadamente se direciona até a menina. Em fração de segundos, um atracou o outro num abraço, e os dois ficaram por um bom tempo sem trocar palavras. Certamente fazia muito tempo que o casal de namorados não se encontrava.

O normal seria que eles trocassem belas saudações, nobres palavras, ricas frases. Mas eles optaram pelo abraço. Pois o abraço permitia que eles se sentissem. Quando vemos uma sociedade (famílias, grupos, religiões) machucada, triste, sem rumo, sem esperança, nós podemos dizer que estamos vendo (e vivenciando) uma sociedade que perdeu a capacidade de se sentir. O poeta português Fernando Pessoa já dizia: “quem sente muito, cala; quem quer dizer quanto sente, fica sem alma nem fala, fica só, inteiramente”!

Já Drummond se atreve dizer que “se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis”.

Traduzindo: amar não é teoria, é sentir.  Abraçar é amar. Abraçar é discursar sem palavras. Abraçar é poder entrar no outro sem pisar no seu terreno. Abraçar é ser mais gente. Abraçar é uma forma de teologar… pois até Deus quis morar no abraço!

Por Vinícius Figueira e Fernanda Venturim Vantil, via A12

Como podemos ajudar as almas do Purgatório?

Pe. François Xavier Schouppe | 9 de Maio de 2018

Se Deus consola tão benignamente as almas do Purgatório, sua misericórdia brilha com ainda mais força no poder, que Ele concede a sua Igreja, de encurtar a duração de seus sofrimentos. Desejando executar com clemência a severa sentença de sua justiça, Ele consente em abater e mitigar a dor; fá-lo, porém, de maneira indireta, através da intervenção dos vivos. A nós Ele concede todo o poder de socorrermos nossos irmãos aflitos com sufrágios, isto é, por meio de impetração e satisfação.

A palavra sufrágio, em linguagem eclesiástica, é um sinônimo para oração. Entretanto, quando o Concílio de Trento declara que as almas no Purgatório são assistidas pelos sufrágios dos fiéis, o sentido da palavra é mais abrangente, incluindo, de modo geral, tudo o que formos capazes de oferecer a Deus em favor daqueles que partiram desta vida. De fato, nós podemos oferecer a Deus não somente nossas orações, mas todas as nossas boas obras, na medida em que elas sejam impetratóriasou satisfatórias.

Para entender essas expressões, tenhamos em mente que cada uma de nossas boas obras, quando praticadas em estado de graça, possui ordinariamente um triplo valor aos olhos de Deus:

  1. A obra é meritória, ou seja, aumenta o nosso mérito, dando-nos direito a um novo grau de glória no Céu.
  2. É impetratória (de “impetrar”, “obter”), ou seja, como uma oração, ela tem a virtude de alcançar graças de Deus.
  3. É satisfatória, ou seja, tem a capacidade de satisfazer à Justiça Divina e pagar o débito de nossas penas temporais diante de Deus.

mérito é inalienável e permanece como propriedade da pessoa que realiza a ação. Os valores impetratório e satisfatório, ao contrário, podem beneficiar a outrem, em virtude da comunhão dos santos.

Entendido isso, coloquemo-nos uma questão prática. Quais são os sufrágios por meio dos quais, de acordo com a doutrina da Igreja, nós podemos ajudar as almas do Purgatório?

“A Virgem, São Nicolau Tolentino e as almas do Purgatório”, por Bartolomeo Guidobono.

A essa pergunta nós respondemos: eles consistem em orações, esmolas, jejuns e penitências de qualquer tipo, indulgências e, acima de tudo, o santo sacrifício da Missa. Todas as obras que nós realizamos em estado de graça, Jesus Cristo permite que as ofereçamos à Majestade Divina para o alívio de nossos irmãos no Purgatório.

Por essa admirável disposição, ao mesmo tempo em que protege os direitos de sua justiça, nosso Pai celestial multiplica os efeitos de sua misericórdia, que é exercida então, ao mesmo tempo, em favor da Igreja padecente e da Igreja militante. A assistência misericordiosa que Ele permite prestarmos a nossos irmãos sofredores é, de fato, de excelente proveito para nós mesmos. Trata-se de uma obra não apenas vantajosa para os falecidos, mas também santa e salutar para os vivos. Sancta et salubris est cogitatio pro defunctis exorare, “É santa e piedosa a ideia de rezar pelos defuntos” (2Mc 12, 46, Vulg.).

É possível ler, nas Revelações de Santa Gertrudes (cf. Legatus Div. Pietatis, l. 5, c. 5), que, tendo uma humilde religiosa de sua comunidade coroado com uma morte piedosa sua vida exemplar, Deus dignou-se mostrar à santa o estado da falecida na outra vida. Gertrudes viu a alma da monja adornada de inefável beleza e querida por Jesus, que a fitava com amor. Entretanto, por conta de uma leve negligência sua, ainda não expiada, ela não podia entrar no Céu, sendo obrigada a descer à sombria morada do sofrimento. Mal havia ela desaparecido nas profundezas, porém, a santa viu-a voltar e subir em direção ao Céu, transportada pelos sufrágios da IgrejaEcclesiae precibus sursum ferri.

Até no Antigo Testamento orações e sacrifícios eram oferecidos pelos mortos. A Sagrada Escritura relata como louvável a piedosa ação de Judas Macabeu depois de sua vitória sobre Górgias, general do Rei Antíoco. Os soldados haviam pecado, tomando dos espólios alguns objetos oferecidos aos ídolos, coisa que pela lei eles estavam proibidos de fazer. Então Judas, chefe do exército de Israel, mandou que se fizessem orações e sacrifícios pela remissão de suas culpas e pelo repouso de suas almas.

Vejamos como esse fato é contado na Escritura:

No dia seguinte ao sábado, Judas e seus homens foram recolher os corpos dos que tinham morrido na batalha, a fim de sepultá-los ao lado dos parentes, nos túmulos de seus antepassados.

Foi então que encontraram, debaixo das roupas dos que tinham sucumbido, objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, coisa que a Lei proíbe aos judeus. Então ficou claro, para todos, que foi por isso que eles morreram.

Todos louvaram, então, a maneira de agir do Senhor, justo Juiz, que torna manifestas as coisas escondidas.

puseram-se em oração, pedindo que o pecado cometido fosse completamente cancelado. Quanto ao valente Judas, exortou o povo a se conservar sem pecado, pois tinham visto com os próprios olhos o que acontecera por causa do pecado dos que haviam sido mortos.

Depois, tendo organizado uma coleta individual, que chegou a perto de duas mil dracmas de prata, enviou-as a Jerusalém, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim, pensando muito bem e nobremente sobre a ressurreição. De fato, se ele não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos. Mas, considerando que um ótimo dom da graça de Deus está reservado para os que adormecem piedosamente na morte, era santo e piedoso o seu modo de pensar.

Eis por que mandou fazer o sacrifício expiatório pelos falecidos, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado. (2Mc 12, 39-45)

A família foi criada por Deus para ser a base da sociedade

FAMILY;

Shutterstock-YanLev

“Em torno da família se trava hoje o combate fundamental da dignidade do homem” (São João Paulo II)

O Dia Internacional da Família, 15 de maio, é uma boa oportunidade para lembrarmos da importância fundamental da família para a vida de cada pessoa e da sociedade. A família é sagrada, porque foi criada por Deus para ser a base de toda a sociedade. Ninguém jamais destruirá sua força, por ser ela uma instituição divina.

O Concílio Vaticano II chamou a família de “Igreja doméstica” (LG, 11), onde Deus reside e é reconhecido, amado, adorado e servido; e ensinou que “a salvação da pessoa e da sociedade humana estão intimamente ligadas à condição feliz da comunidade conjugal e familiar” (GS,47).

São João Paulo II chamou a família de “Santuário da vida” (Carta às Famílias,11) e “patrimônio da humanidade” (LG,11). Ele disse: “A família é uma comunidade insubstituível por qualquer outra”. Jesus habita com a família cristã, nascida no Sacramento do Matrimônio; Sua presença, nas Bodas de Caná da Galileia, significa que o Senhor quer estar no meio da família, ajudando-a a vencer todos os seus desafios.

Imagem e semelhança

Desde que Deus desejou criar o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança (Gen 1,26), Ele os quis em família. Tal qual o próprio Deus, que é uma família em três Pessoas Divinas, assim também, o homem, criado à imagem do seu Criador, deveria viver em uma família,  em uma comunidade de amor, já que ‘Deus é amor’ (1 Jo 4,8) e o homem lhe é semelhante.

A família é o eixo da humanidade, a sua célula mater, é a sua pedra angular. O futuro da sociedade e da Igreja passam inexoravelmente por ela. É ali que os filhos e os pais devem ser felizes. Quem não experimentou o amor no seio do lar terá dificuldade para conhecê-lo fora dele.

A família é a comunidade, na qual, desde a infância, os filhos podem assimilar os valores morais, em que pode começar a honrar a Deus e usar corretamente da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade (cf. CIC 2207). Depois de ter criado a mulher da costela do homem (Gen 1, 21), Deus a levou para ele. Este, ao vê-la, suspirou de alegria: “Eis agora aqui, disse o homem, o osso dos meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher” (Gen 1,23). Após essa declaração de amor tão profunda – a primeira na história da humanidade – Deus, então, mostra-lhes toda a profundidade da vida conjugal: “Por isso, o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gen 1,24).

A família é sagrada

Deus lhes disse: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gen 1,28). Por isso, a única e verdadeira família, segundo a vontade de Deus, é aquela fruto da união matrimonial de um homem com uma mulher. Não existe outro tipo de família no plano de Deus.

Este é o desígnio de Deus para o homem e para a mulher, juntos, em família: crescer, multiplicar, encher a terra, submetê-la. E, para isso, Deus deu ao homem a inteligência para projetar e as mãos para construir o seu projeto. O Senhor vive no lar nascido de um matrimônio. Nessas palavras de Deus – “crescei e multiplicai-vos” – encerra-se todo o sentido da vida conjugal e familiar. Dessa forma, Deus constituiu a família humana a partir do casal, para durar para sempre, por isso, A FAMÍLIA É SAGRADA!

Vemos aí, também, a dignidade baseada no amor mútuo, que leva o homem e a mulher a deixarem a própria casa paterna, para se dedicarem um ao outro totalmente. Esse amor é tão profundo, que dos dois faz-se uma só carne, para que possam juntos realizar um grande projeto comum: a família.

União

Daí, podemos ver que sem o matrimônio, forte e santo, indissolúvel e fiel, não é possível termos uma família forte e santa, segundo o desejo do coração de Deus. Tudo isso mostra como o Senhor está implicado nesta união absoluta do homem com a mulher, de onde surgirá, então, a família. Por isso, não há poder humano que possa eliminar a presença de Deus no matrimônio e na família. Deus vive no lar nascido de um matrimônio, e a Virgem Maria também.

Isso nos faz entender que, a celebração do sacramento do matrimônio, é a garantia da presença de Jesus no lar ali nascente. Como é doloroso perceber, hoje, que muitos jovens, nascidos em famílias católicas, já não valorizam mais esse sacramento e acham, por ignorância religiosa, que já não é importante subir ao altar para começar uma família!

Toda essa reflexão nos leva a concluir que, cada homem e cada mulher, que deixam o pai e a mãe, para se unirem em matrimônio e constituir uma nova família, não o podem fazer levianamente, mas devem o fazer somente por um autêntico amor, que não é uma entrega passageira, mas uma doação definitiva, absoluta, total, até a morte.

Marcada pelo sinete divino, a família, em todos os povos, atravessou todos os tempos e chegou inteira até nós, no século XXI. Só uma instituição de Deus tem essa força. Cristo entrou na nossa história pela família; fez o primeiro milagre numa festa de casamento e viveu 30 anos numa família. O Concilio Vaticano II disse: “Se é certo que Cristo ‘revela plenamente o homem a si mesmo’, faz através da família onde escolheu nascer e crescer” (GS,2). “Desta maneira, a família constitui o fundamento da sociedade” (GS,52). “A salvação da pessoa e da sociedade humana está intimamente ligada à condição feliz da comunidade conjugal e familiar” (GS,47).

Papa João Paulo II

O Papa São João Paulo II dizia: “A família é o âmbito privilegiado para fazer crescer todas as potencialidades pessoais e sociais que o homem leva inscritas no seu ser”.

São João Paulo II disse: “Em torno da família se trava hoje o combate fundamental da dignidade do homem” (FC,18). Há uma ameaça tremenda contra a família moderna: aborto, ideologia de gênero, divórcios,casamentos de pessoas do mesmo sexo, drogas, adultérios, inseminação artificial, e toda uma campanha internacional contra a família, o casamento e a maternidade.

Quando a família é destruída, os filhos sofrem, e muitos deles se encaminham para a criminalidade. Por isso, se a família – segundo a vontade de Deus – for destruída, então, a sociedade sofrerá suas consequências. Todos os cristãos são obrigados a lutar pela preservação da família segundo o coração de Deus.

Fonte: aleteia.org

Adoração, devoção e veneração: existe diferença?

Conhecer com profundidade o que significa devoção, veneração e adoração pode fazer toda a diferença em nossa vida espiritual

Parece muito óbvio o significado das palavras: devoção, veneração e adoração, mas não é tão simples assim. A devoção verdadeiramente católica foi perdendo-se ao longo do tempo, dando origem a várias expressões de culto, subjetivas, confusas e desconexas, as quais, na prática, acabam se tornando cada vez mais infrutíferas e estéreis. Sendo assim, precisamos redescobrir o verdadeiro sentido da devoção católica aos anjos e aos santos, e o que esse culto de veneração tem a ver com o de adoração, devido somente a Deus. Dessa forma, nossa espiritualidade poderá retomar o vigor da devoção dos santos e produzir muitos frutos, contribuir para a salvação das almas e para maior glória de Deus.

Adoração, devoção e veneração existe diferença
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

A devoção católica e a perda de seu sentido

A palavra “devoção” tem raiz no latim devotione, e significa afeição, dedicação, sacrifício e culto. Na teologia e na espiritualidade católica, devoção é um ato de religião. São Tomás de Aquino diz que devoção é “a vontade pronta para se entregar a tudo que pertence ao serviço de Deus”1, ou seja, ao culto divino. Sendo assim, toda a verdadeira devoção tem como fim último o próprio Deus.

Na Idade Média – período que a maioria dos historiadores contemporâneos insiste erroneamente em chamar de “Idade das Trevas” –, as práticas de devoção se davam quase que exclusivamente no culto comunitário. Na chamada cristandade, o ato de religião, de dar a Deus o que é de Deus, era prestado por toda a sociedade. No entanto, a partir desse período histórico, a sociedade corrompeu-se gradativamente, chegando a um arrefecimento da fé tal, que o culto público não era mais viável. Como resposta às necessidades desse tempo, surgiu na Igreja o movimento que ficou conhecido como devotio moderna.

A devotio moderna rapidamente se espalhou por toda a Europa Ocidental. Nesse contexto histórico, surgiu o conhecido livro “Imitatio Christi” ou “Imitação de Cristo”, atribuído a Tomás de Kempis, cônego regular de Santo Agostinho. Esta obra destinava-se a todos, sem exceção, principalmente àquelas pessoas que desejavam transformar e santificar o seu quotidiano. No entanto, a devotio moderna não teve somente bons frutos, como o célebre livro de Kempis. O Movimento propunha um modelo de vida religiosa que colocava sacerdotes e leigos no mesmo nível, sem distinções hierárquicas. Além disso, a tradução de trechos das Sagradas Escrituras para outros idiomas e o subjetivismo nas práticas de devoção, de certa forma, abriram caminho para o protestantismo.

Em nossos dias, a maioria das pessoas não entende mais o significado da palavra devoção. Para grande parte dos católicos de hoje, as práticas devocionais não passam de sentimentalismo subjetivista, que não os leva a uma verdadeira conversão. Sendo assim, é urgente recuperar o sentido da palavra devoção, como vontade pronta de entregar-nos inteiramente a Deus, para então passarmos à prática.

Este ato da vontade pode ter como frutos a paz, alegria, sentimentos e consolações. No entanto, não necessariamente todos os atos de devoção terão esses frutos. Na experiência espiritual, sempre sob influxo da graça divina, a devoção pode ser acompanhada de sentimentos e consolações, como normalmente acontece nos iniciantes mais generosos. No entanto, na devoção pode acontecer também a aridez espiritual, que é bem diferente da tibieza ou mornidão, especialmente com as pessoas mais adiantadas espiritualmente.

Existem várias expressões de devoção na Igreja Católica, que podem ser divididas em duas categorias: a devoção de veneração, que é prestada aos anjos e santos; e a devoção de adoração, que é devida e prestada unicamente a Deus.

A devoção de veneração e o culto às imagens sagradas

A palavra veneração é derivada do latim veneratio – que em grego se diz δουλια (douleuo ou dulia) – e significa “honrar”. A devoção de veneração ou “dulia” é o culto prestado aos santos e aos anjos, enquanto servos de Deus na ordem sobrenatural. Entre os santos, o Patriarca São José tem proeminência na Igreja Católica, por ter sido pai adotivo de Jesus Cristo e guardião da Sagrada Família. Por isso, São José recebe o culto “protodulia” ou “suma dulia”, que significa a primazia e a superioridade do seu culto em relação aos outros santos. Outra exceção é veneração prestada a Santíssima Virgem Maria, que – por sua dignidade excelsa de Mãe de Deus, que a coloca acima de todos os anjos e santos, inclusive de São José – recebe o culto de hiperdulia, do grego υπερδουλεια, que significa a mais alta veneração prestada aos santos.

A devoção de veneração é expressa externamente pela reverência às imagens dos santos e dos anjos (estátuas, esculturas, pinturas, ícones). O culto de veneração é prestado também às relíquias dos santos.

O culto das imagens sagradas na Igreja Católica não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos (Dt 6, 13-14). Pois, “a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original” e “quem venera uma imagem, venera nela a pessoa representada”. A honra prestada às imagens é uma “veneração respeitosa”, e não uma adoração, que é devida somente a Deus. “O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas as vê sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas se orienta para a realidade de que ela é imagem”2. Sendo assim, o culto de veneração aos anjos e aos santos em suas sagradas imagens não é um fim em si mesmo, mas tem por finalidade a elevação das almas a Deus e a maior glória da Santíssima Trindade.

A devoção de adoração e o culto de veneração

A palavra “adoração” é derivada do latim “adoratio”, que tem sua raiz nos termos “ad oro”, e significa “oro ou rogo-te”, em grego se diz λατρεια (latria) – e significa “adorar”, é um termo bíblico e teológico que significa a devoção ou culto que é prestado somente a Deus. O próprio Jesus Cristo nos deu essa Lei: “Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto” (Lc 4,8; cf. Dt 6,13).

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “a adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-Lo como tal, Criador e Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe, Amor infinito e misericordioso”3.

Adorar a Deus é reconhecer, com respeito e submissão absoluta, o nosso nada, que só por Deus existimos. Adorar a Deus é louvá-Lo, exaltá-Lo e humilhar-nos na sua presença, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas em nós e que o seu Nome é santo, como fez a Virgem Maria no Magnificat (cf. Lc 1, 46-49). Além disso, a adoração do Deus único liberta-nos do fechamento em nós mesmos, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo4.

Assim, vimos que toda a verdadeira devoção tem Deus como seu fim último. Sendo assim, a devoção de veneração, prestada aos anjos e aos santos, somente tem valor se nos faz crescer na fé, na esperança e na caridade, se nos leva a amar Deus de todo nosso coração, com toda nossa alma, com todo nosso espírito (cf. Mt 22, 37; Dt 6, 5) e ao próximo como a nós mesmos (cf. Mt 22, 39; Lv 19, 18). Na veneração dos anjos e dos santos, glorificamos Deus, que é o fim último não somente da nossa devoção, mas também de toda a nossa existência. Dessa forma, compreendemos que a devoção de adoração diferencia-se da de veneração somente na forma que prestamos nosso culto a Deus: na adoração, prestamos culto a Deus em si mesmo; e na veneração, a Ele também, mas em suas criaturas. Assim, entendemos que não há nenhuma contradição entre o mandamento divino: “Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto” (Lc 4,8; cf. Dt 6,13), e a devoção católica de veneração aos anjos e aos santos.

Referências:
1 SANTO TOMÁS DE AQUINO. ST II-II, Q 82, A 1.
2 PAPA JOÃO PAULO II. Catecismo da Igreja Católica, 2132.
3 Idem, 2096.
4 Cf. idem, 2097.

Fonte: cancaonova.com

A queda do homem

Ora, Deus tinha criado o homem para que o amasse e vivesse unido a Ele, desfrutando de sua presença e deu ordens para multiplicarem-se, encherem a terra, submeterem-na e ainda, que não tocassem na árvore da ciência do bem e do mal – símbolo da soberania e autonomia moral que só pertencia ao Criador. No dia que o fizessem, morreriam indubitavelmente .

O que se pode dizer é que, pela queda original, o homem perdeu esse belo equilíbrio que Deus lhe tinha dado, e que, relativamente ao estado primitivo, ele é agora um ente ferido e sem inteiro equilíbrio, como podemos ver pelo estado presente de nossas faculdades.

Para o profundo conhecimento e crescimento em seu plano de amor, Deus tinha dado ao homem os dons preter-naturais:

• Domínio das paixões, que o animavam. Capacidade de controlar os sentimentos, emoções, afetos.
• Ciência infusa, ou seja, o profundo conhecimento de tudo o que se referia a pessoa de Deus.
• Imortalidade corporal, que privava o homem da doença e da morte.
• E ainda cinco áreas de seu ser que contribuía para amá-lo ainda mais, a saber:

• Memória
• Vontade
• Afetividade
• Imaginação
• Inteligência

Sabemos, então, que a serpente sendo muito astuta, aproxima-se de Eva, mente, põe em dúvida, a mentira distorcida da palavra de Deus e depois a nega . A mulher confundida, achando agora que o mal é bem e o bem é mal, por confiar mais na criatura, que no criador é agora impulsionada a não mais querer se submeter a Deus e leva o homem também a provar deste fruto da insubmissão, desobediência e orgulho.

AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO

O homem perde os três dons preter-naturais:
1. Perdendo o domínio das paixões fica sujeito a ferir e ser ferido;
2. A mortalidade corporal fica sujeito a morte e a doença e a;
3. Ciência infusa, a buscar outros deuses e outros caminhos para Deus.

A imaginação, memória e afetividade são corrompidas e logo em seguida vemos o fruto de tudo isso, o homem:

• Perde a pureza , ou seja, o equilíbrio consigo mesmo;
• Perde a intimidade com Deus ;
• Perde a intimidade com o próximo – a mulher que puseste junto de mim, me deu da árvore e comi.
O homem, então fica sujeito a traumas, enfermidades e desordens espirituais.

OS ATAQUES SÃO
• Ao corpo;
• À alma;
• Ao espírito.

Ao Corpo – Luxúria, cobiça da carne “Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma.” .

À Alma – há 5 áreas chaves no ataque à alma, à vontade, a afetividade, o intelecto, a imaginação e a memória.

a) A Vontade – Deus criou o homem com uma vontade. Ele não criou “robôs”, mas filhos. É a nossa vontade que escolhe o céu ou o inferno. Deus não é culpado de nossas decisões; somente nós. Quando nossa vontade é obediente á Palavra e ao Espírito de Deus, o resto da alma logo segue.

O objetivo do inimigo é roubar nossa vontade. Como a vontade do homem fica sob o ataque demoníaco? Pela passividade e letargia. São os maiores aniquiladores da vida espiritual, tornando preguiçoso, descuidados e indolentes.

A indecisão se torna o fator predominante em nossas vidas. Não vemos (ou não
queremos ver) o que é certo ou errado. Descansamos sobre as opiniões alheias. O que os outros dizem tem mais importância para nós do que pensamos. Ficamos descuidados, confusos, balançados por qualquer opinião.
Como pode o inimigo causar passividade na vontade humana? Pela importunação molesta até a impaciência. Pelo cansaço sobre aquilo que mais significa nossa fraqueza, nosso “calcanhar de Aquiles”, até que nos rendamos. Não temos força de vontade suficiente para lutar o combate espiritual sem termos a força de Deus.

O demônio não pode influir diretamente sobre nossas faculdades superiores, inteligência e a vontade. Deus reservou para si este santuário: só Deus pode penetrar no centro de nossa alma e mover as energias da nossa vontade sem nos fazer violência.

O demônio, pode influir diretamente sobre o corpo, sobre os sentidos exteriores e interiores, em particular sobre a imaginação e a memória, bem como sobre as paixões, que residem no apetite sensitivo, e por essa via, influir indiretamente sobre a vontade que, se vencida, vem a dar o seu consentimento.
Não importa a quantidade de dons que tenhamos. O exemplo de Salomão é diferente do exemplo de José , que preferiu fugir.

b) A Afetividade (Emoções) – Deus nos deu vontade e também emoções. Nós sentimos coisas boas e más. Não é errado sentir emoções. Errado é ser controlado pelas emoções. Deus não nos impede ter emoções. Ele no-las deu. Tal como a cor dá vida a uma TV em branco e preto, assim as emoções colorem nossas vidas.
As emoções não devem nos regrar, mas realçar momentos de nossas vidas. Se somos controlados pelas nossas emoções não podemos manter comunhão com Deus.
Advertências: Uma oração não é respondida segundo a quantidade de emoção que existe nela. A oração é respondida quando brotada do coração do homem, segundo a vontade de Deus, na unção do Espírito de Deus.
As emoções têm que estar submetidas (como de resto a alma inteira) ao espírito do homem e este ao Espírito de Deus.

Algumas emoções daninhas: é a autopiedade, é um sinal do ataque demoníaco. Quando a autopiedade nos domina, nossa visão torna-se “empenada”, torta, turva. Achamos que todos estão contra nós e ninguém nos quer. Começamos a achar que todos estão errados, e nós, somente nós, estamos certos. Amargura, é outra perniciosa. Quando a amargura nos domina, cada ação nossa resulta em contenda, disputa. Vingança torna-se o nosso objetivo máximo.

Nossos olhos espirituais ficam turvos quando somos dirigidos pelas emoções, e passamos a ser dirigidos pelos nossos olhos naturais, isto é, pelo que olhamos e escutamos, e então, Satanás se encarregará de fazer com que olhemos e escutemos o bastante para afetar, pelas emoções, nossa alma.

c) O Intelecto, Inteligência – é maravilhosa obra de Deus. Ninguém pôde até hoje criar algo parecido. Para a ciência, a inteligência é inexplicável. Acontece que Deus vê o homem segundo o seu (dele,homem) coração, e não, segundo a sua (dele, homem) inteligência, intelecto.
Deus usa a inteligência do homem para se fazer entender: “… o seu sempiterno poder e divindade se tornam visíveis à inteligência…” .
A inteligência natural (“animal”, de “anima”) resiste a Deus. O homem quer colocá-la acima do seu espírito, mas é o espírito que deve nortear nossa inteligência. Como podemos desconfiar de que nossa inteligência está sendo atacada?
Quando o raciocínio começa a ser mais importante para nós do que o testemunho interior. A partir daí, a fé e a confiança em Deus começam a diminuir. Começamos a intelectualizar cada coisa que ouvimos, vemos ou lemos. Nosso pensar torna-se “superior” e “objetivo”. A morte interior acontece.

É importante contra-atacar logo: a) peça ao Espírito de Deus que se torne real para você; b) peça-lhe novos olhos e ouvidos para ver e ouvir suas obras e Sua Palavra; c) envolva-se com os interesses da sua Igreja; d) ordene que o espírito de descrença se afaste de você, em nome de Jesus; e) associe-se com pessoas crentes, de sua Igreja.

d) Imaginação – é algo extremamente poderoso. Nós temos a habilidade para imaginar além da nossa inteligência. Realizamos aquilo que antes esteve na nossa imaginação. O que chega ao plano concreto, existiu, antes, na imaginação.
Uma imaginação preguiçosa, fútil, não produz nada. O perigo com a imaginação está quando nos leva à exaltação própria.
Gn 3; 2Cor 10,5

e) Memória – seu futuro não está baseado nas feridas do passado. Não olhe para trás imaginando que se repetirá necessariamente, ou para culpar-se doentiamente. São Paulo diz: “não olhando para trás…”
Passos na Oração de Libertação:

1. Esclareça quanto aos problemas decorrentes de experiências e contatos do passado.
2. Faça com que as pessoas tomem uma decisão.
3. Realizar a renúncia.
4. Ordenar a libertação em nome de Jesus.
5. Pedir os frutos do Espírito Santo.