Cristiano Ronaldo, Thiago Silva e o “Chaves” quase foram abortados por suas mães

Redação da Aleteia | Abr 10, 2018

3 testemunhos retumbantes para as mulheres que temem abraçar a vida dos próprios bebês que crescem em seu ventre

Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo | Twitter
Quando Maria Dolores descobriu que estava grávida pela quarta vez, procurou por um médico para fazer o aborto. O médico, porém, respondeu que não havia nenhuma razão física para abortar e que, além do mais, aquele bebê lhe traria muita alegria na vida.

Sem a cumplicidade do médico, Maria Dolores tentou sozinha outros métodos “caseiros” de aborto que, felizmente, não funcionaram. Por fim, ela se arrependeu e decidiu:

“Se a vontade de Deus é que esta criança nasça, que assim seja!”
Durante o parto, o mesmo médico disse uma frase que ficou para sempre na memória de Maria Dolores:

“Com pés como estes, ele será um jogador de futebol!”
Em outras consultas, vendo a preocupação da mãe, o médico a animava dizendo:

“Fica alegre, mulher, que este bebê vai te dar muita sorte na vida e muitas felicidades!”
Cristiano Ronaldo é hoje o craque decisivo de um dos maiores clubes de futebol do planeta, o Real Madrid, e já levou, diversas vezes, diferentes premiações de melhor jogador do mundo.

Thiago Silva

Dona Ângela, mãe do jogador brasileiro de futebol Thiago Silva, também revelou que tinha pensado em abortar.

“Eu cheguei a chorar no colo do meu pai dizendo que não queria fazer o aborto, mas que eu também não tinha condição de criar mais um filho. Só que ele não deixou que eu fizesse isso, que cometesse um pecado!”
De origem humilde, Thiago cresceu na favela de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Hoje, o caçula de dona Ângela é considerado um dos melhores zagueiros do mundo.

Roberto Gómez Bolaños, o “Chaves”

Conhecido no Brasil pela sua atuação como os personagens Chaves e Chapolin Colorado, o ator mexicano Roberto Gómez Bolaños revelou que, quando sua mãe estava grávida, sofreu um acidente em que quase morreu. Os médicos então recomendaram que ela abortasse.

A mãe respondeu:

“Abortar, eu? Jamais!”
E o “Chaves”, anos mais tarde, pôde assim testemunhar:

“Ela defendeu a vida, a minha vida. É graças a ela que eu estou aqui”

Sem Vida de Oração é impossível chegar à santidade

Os Santos Padres e os grandes mestres da vida espiritual estão todos de acordo em proclamar a eficácia santificadora, verdadeiramente extraordinária, da oração. Sem oração — sem muita oração — é impossível chegar à santidade.

Os testemunhos que se poderiam apresentar são inúmeros [1]. A título de exemplo, porém, reuniremos aqui apenas alguns.

São Boaventura. — “Se queres sofrer com paciência as adversidades e misérias desta vida, sê homem de oração.

Se queres alcançar virtude e fortaleza para vencer as tentações do inimigo, sê homem de oração.

São Boaventura.
Se queres mortificar tua vontade própria com todas os seus gostos e apetites, sê homem de oração.

Se queres conhecer as astúcias de Satanás e defender-te de seus enganos, sê homem de oração.

Se queres viver alegremente e caminhar com suavidade pelo caminho da penitência e do trabalho, sê homem de oração.

Se queres afugentar da tua alma as moscas importunas dos vãos pensamentos e cuidados, sê homem de oração.

Se a queres sustentar com a gordura da devoção e trazê-la sempre cheia de bons pensamentos e desejos, sê homem de oração.

Se queres fortalecer e confirmar teu coração no caminho de Deus, sê homem de oração.

Finalmente, se queres desenraizar da tua alma todos os vícios e plantar em seu lugar as virtudes, sê homem de oração: porque nela se recebe a unção e a graça do Espírito Santo, que ensina todas as coisas.

Além disso, se queres subir à altura da contemplação e gozar dos doces abraços do esposo, exercita-te na oração, porque este é o caminho por onde a alma sobe à contemplação e gosto das coisas celestiais.” [2]

São Pedro de Alcântara. — Citando um outro autor, escreve:

Na oração, purifica-se a alma dos pecados, apascenta-se a caridade, certifica-se a fé, fortalece-se a esperança, alegra-se o espírito, derretem-se as entranhas, pacifica-se o coração, descobre-se a verdade, vence-se a tentação, renovam-se os sentidos, repara-se a virtude enfraquecida, despede-se a tibieza, consome-se a ferrugem dos vícios, e saltam as centelhas vivas de desejos do céu, entre as quais arde a chama do divino amor. Grandes são as excelências da oração, grandes são seus privilégios. A ela estão abertos os céus, a ela se descobrem os segredos, e a ela estão sempre atentos os ouvidos de Deus. [3]
Santa Teresa. — Para a grande mestra da vida espiritual, a oração é o tudo! Não há outro exercício no qual insista tanto, em todos os seus escritos, e ao qual conceda tanta importância santificadora como à oração. Parece-nos inútil citar textos: basta abrir ao acaso qualquer um dos seus livros. Segundo ela, a alma que não faz oração está perdida; jamais chegará à santidade. De igual modo pensava São João da Cruz, tão identificado com a insigne reformadora do Carmelo.

A alma que não faz oração está perdida; jamais chegará à santidade.
São Francisco de Sales. — “Pela oração falamos a Deus e Deus reciprocamente nos fala, aspiramos a Ele e respiramos n’Ele, e Ele nos inspira e respira sobre nós.

Mas de que tratamos nós na oração? Qual é o assunto da nossa conversação? Nela, Teótimo, não se fala senão de Deus; porque de que mais pode falar e se entreter o amor senão do amado? Por isso, a oração e a teologia mística são uma mesma coisa. Chama-se teologia porque, assim como a teologia especulativa tem a Deus por objeto, também a teologia mística não fala senão de Deus, mas com três diferenças:

aquela trata de Deus enquanto Deus, e esta fala de Deus enquanto sumamente amável; isto é, aquela considera a Divindade da Suma Bondade, e esta a Bondade da Divindade;
a especulativa trata de Deus com os homens e entre os homens; a teologia mística fala de Deus, com Deus e em Deus;
a especulativa tende ao conhecimento de Deus, e a mística ao amor, de modo que aquela torna seus alunos sábios, doutos e teólogos; enquanto esta os torna ardentes, afeiçoados e amantes de Deus.” [4]
Os textos poderiam multiplicar-se com abundância, mas não é necessário. Todas as escolas de espiritualidade cristã concordam em proclamar a necessidade absoluta da oração e sua extraordinária eficácia santificadora.

À medida que a alma intensifica a sua vida de oração, aproxima-se mais de Deus, em cuja perfeita união consiste a santidade. A oração é a frágua do amor, onde se acende a caridade e se ilumina e abrasa a alma com suas labaredas, que são luz e vida ao mesmo tempo. Se a santidade é amor, união com Deus, o caminho mais curto e rápido para que a alcancemos é a contínua e ardente vida de oração.

Referências

Remetemos o leitor à preciosa obra do P. Arintero, Cuestiones místicas, principalmente à questão 2, artigos 4-5, onde se pode encontrar um verdadeiro arsenal de testemunhos dos Santos Padres e místicos experimentais.
Citado ou comentado por São Pedro de Alcântara: Tratado de la oración, p. 1.ª, c. I. Esta pequena obra, como se sabe, é uma recopilação da que, com o mesmo título, foi publicada pelo Frei Luís de Granada.
Tratado de la oración, p. 1ª, c. I.
Tratado do Amor de Deus, l. 6, c. 1.
Notas

Traduzido e adaptado de Teología de la Perfección Cristiana. Madri: BAC, 2015, pp. 636-638, n. 481.

Anjos da Guarda

É doutrina comum e cara na Igreja que a um anjo do Senhor está confiada a guarda de cada batizado. O Catecismo do Concílio de Trento resumia a doutrina tradicional dos séculos anteriores nestes termos:

Por desígnio de sua providência, confiou Deus aos anjos a obrigação de guardarem o gênero humano e de assistirem a todos os homens individualmente, para que não sofram dano de maior gravidade. Assim como os pais dão aos filhos guardas, que os defendem de perigos, quando precisam viajar por caminhos expostos e arriscados, assim também o Pai Celeste destinou a cada um de nós um anjo que nos proteja, com seu auxílio e vigilância, para podermos evitar as emboscadas dos inimigos e repelir seus tremendos ataques contra nós; para que, sob a sua direção, possamos conservar-nos no caminho reto e que nenhum ardil do falso adversário nos faça desviar do rumo que leva ao céu.
O Catecismo tem ainda o cuidado de explicar: “Deus não só envia seus anjos em certas ocasiões e para fins particulares, mas também lhes confiou nossa proteção desde o primeiro instante de nossa existência e incumbiu-lhes de velarem pela salvação individual de todos os homens”.

A Igreja endossou oficialmente esta doutrina estabelecendo para o dia 2 de outubro uma festa litúrgica universal para os santos anjos da guarda. A liturgia deste dia nos oferece um rico florilégio de textos (orações, hinos, leituras, responsórios, antífonas e salmos), nos quais a fé da Igreja se transforma em oração. A oração oficial deste dia reza: “Ó Deus, que na vossa misteriosa providência mandais os vossos anjos para guardar-nos, concedei que nos defendam de todos os perigos e gozemos eternamente do seu convívio”.

Todos conhecemos esta oração familiar: “Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, a ti me confiou a piedade divina. Sempre me rege e guarda, governa e ilumina. Amém”. Durante o último Concílio ecumênico, o Vaticano II (de 1962 a 1965), todas as reuniões gerais dos bispos do mundo inteiro terminavam sempre com esta piedosa invocação. Era a expressão da fé da Igreja universal em forma de oração, segundo o conhecido adágio: a lei da oração é a lei da fé, isto é: a lei da fé deve estabelecer a lei da oração.

Pode-se por isso afirmar que a doutrina acerca do ministério dos anjos, tal como está nos numerosos textos litúrgicos, é a expressão pública da fé católica. A Igreja:

reza aos anjos da guarda porque crê que eles receberam de Deus a especial missão de servir aos que devem herdar a salvação;
suplica ao anjo que apresente nossas orações ao Senhor porque crê que o espírito celeste serve de intermediário;
manda que unamos nossas vozes com as dos anjos porque crê que eles estão ao nosso lado, na igreja, para cantar conosco as glórias do Criador;
ordena com frequência implorar o auxílio do anjo na hora da luta contra as tentações e emboscadas do diabo e seus demônios porque crê que estes andam de fato por aí como um leão a rugir procurando a quem devorar, e que o anjo é particularmente indicado para valer-nos nesta sorte de combates espirituais;
em cerimônia solene implora do céu anjo especial para custodiar um templo porque crê que Deus há de enviá-lo realmente;
faz-nos rezar todos os dias ao anjo para que nos ilumine porque crê que ele pode fazê-lo e está disposto a isso;
suplica a presença do anjo da paz porque crê que os espíritos celestes podem ser deputados para tal missão;
exige o afastamento do demônio e a presença do anjo bom porque crê na atuação real de um e de outro;
nomeia e estabelece anjos como patronos e protetores de nações, províncias, dioceses, paróquias ou comunidades porque crê que os espíritos virão mesmo tomar conta e defender o que lhes foi confiado;
pede aos anjos que acompanhem e protejam seus filhos nas viagens porque crê que o exemplo de Tobias não foi nem é singular;
chama os anjos na hora da morte, roga-lhes que nos defendam na derradeira agonia porque crê que os anjos nos acompanham de fato até estar definitivamente garantida nossa eterna beatitude.
Na Carta aos Hebreus damos com um texto particularmente expressivo. O inspirado autor fala da superioridade de Jesus Cristo sobre os anjos, apresenta vários argumentos para sua tese e lança então, no v. 14 (do capítulo I), uma pergunta como se fosse um argumento: “Porventura, não são todos eles (os anjos) espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?”

Esta pergunta do Apóstolo permite uma afirmação positiva, que é precisamente a doutrina da Igreja sobre os anjos da guarda: os anjos são espíritos destinados a ministrar (o grego diz: leit-ourgikós: destinado ao serviço, ao ministério), enviados por Deus para servir (diakonia) aos que devem herdar a salvação. Jesus falou provavelmente destes anjos-diáconos quando, em Mt 18, 10, nos admoesta que não devemos dar escândalo aos pequeninos “porque seus anjos no céu contemplam continuamente a face do Pai”.

Não é sem comoção que lemos esta revelação do anjo a Tobias:

Vou descobrir-vos a verdade — diz o anjo — e não vos ocultarei o que está em segredo: quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos e deixavas o teu jantar e escondias os mortos em tua casa de dia e os enterravas de noite, eu apresentava as tuas orações ao Senhor. (Tb 12, 11-12; cf. 3, 25)
Os Santos Padres falam frequentemente deste “anjo da oração”. A Igreja Orante exprime esta sua fé num momento solene, na Oração Eucarística chamada Cânon Romano, num texto que inexplicavelmente foi omitido na atual tradução brasileira oficial: “Supplices te rogamos, omnipotens Deus: iube haec perferri per manus sancti Angeli tui in sublime altare tuum, in conspectu divinae maiestatis tuae”. Lembra as “taças de ouro cheias do perfume, que são as orações dos santos” e que estão sobre o altar do céu (Ap 5, 8).

Os anjos nos acompanham desde o primeiro instante de nossa existência até estar definitivamente garantida nossa eterna beatitude.
Por isso a Igreja reza sobre as oferendas, na missa votiva dos santos anjos: “Nós vos apresentamos, ó Deus, com nossas humildes preces, estas oferendas de louvor; levadas pelos anjos à vossa presença, sejam recebidas com agrado e obtenham para nós a salvação”.

Alegram-se os anjos com a perseverança dos justos e a conversão dos pecadores (cf. Lc 15, 10). Procuram, por isso, levar os pecadores ao arrependimento e à penitência. O “anjo da penitência” ocupa um lugar especial na Patrística. O anjo deve excitar na alma a contrição. Mas se ele acorda em nós o remorso, será para o nosso bem e nossa paz. O “anjo da paz” passou da Patrística para a Liturgia. Nosso atual ritual romano exclama muitas vezes: “Esteja presente o anjo da paz!” Como confortou a Cristo em agonia (cf. Lc 22, 43), assim deve trazer também a nós a paz interior.

O anjo da guarda é particularmente invocado “para que nos ilumine”. Pode e deve haver com o anjo verdadeira “conversação”. Mas não é dado aos anjos penetrar em nossa intimidade mais profunda. Só Deus é o perscrutador dos corações. Falando da nossa consciência, ensina o Concílio Vaticano II que ela “é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus” (Gaudium et Spes, 16). Lá o anjo só entra se for convidado e lhe abrirmos o coração.

“Enviado por Deus para nos servir” (Hb 1, 14), alguma coisa real o anjo terá que fazer em nosso favor. Com ordem divina para nos ajudar, com vontade de socorrer, com possibilidade de auxiliar, com inúmeras oportunidades para isso, o anjo de fato nos favorece na medida em que nele confiarmos e a ele nos abrirmos. Mas também com relação aos anjos parece valer a admoestação do apóstolo: “Não apagueis o espírito” (1Ts 5, 19). Desgraçadamente, pode o homem “apagar o espírito”, anular sua ação, fechar-se em orgulhosa autossuficiência, não querer o auxílio do anjo, não confiar nele, não rezar a ele, ignorá-lo, desprezá-lo, pode até negar sua existência.

Devemos estar abertos para a ação do anjo, confiar nele, dar-lhe oportunidades, manifestar-lhe nossos pensamentos e desejos íntimos, querer receber suas iluminações, manter com ele verdadeiras relações de amizade: ele quer ser nosso companheiro e amigo!

Referências

Transcrito e levemente adaptado de “Espiritismo, orientação para os católicos”, 9.ª ed., São Paulo: Loyola, 2014, pp. 191-194.

A verdadeira razão pela qual católicos não podem ser maçons

Padre Paulo Ricardo | Ago 31, 2017

Três séculos após a fundação da primeira Grande Loja Maçônica, os princípios dessa instituição continuam frontalmente incompatíveis com a doutrina católica

Por Ed Condon [*] — O antagonismo recíproco entre a Igreja Católica e a Maçonaria está bem firmado e é de longa data. Durante a maior parte dos últimos 300 anos, as duas instituições têm sido reconhecidas, mesmo pela mentalidade secular, como implacavelmente opostas uma à outra. Em décadas recentes, a animosidade entre elas tem-se apagado da consciência pública em grande medida, devido ao menor envolvimento direto da Igreja em assuntos civis e à derrocada dramática da Maçonaria, tanto em números quanto em importância. Mas, por ocasião dos 300 anos da Maçonaria, vale a pena rever o que sempre esteve no “núcleo” da absoluta oposição da Igreja a esse grupo. Aparentemente, a Maçonaria pode não passar de um clube esotérico masculino, mas ela já foi, e continua sendo, um movimento filosófico altamente influente — e que impactou de modo dramático, ainda que sutil, a sociedade e a política modernas no Ocidente.

A história da Franco-maçonaria preenche, por si só, vastas páginas. A sua gradual transformação de guildas de pedreiros medievais em uma rede de sociedades secretas, com uma filosofia e um rito gnósticos próprios, pode ser lida com grande interesse. A versão mais recente da Franco-maçonaria teve início com a formação da Grande Loja da Inglaterra, em 1717, em um bar chamado Goose & Gridiron, próximo à Catedral londrina de São Paulo Apóstolo. Nos primeiros anos, antes que a Igreja fizesse qualquer pronunciamento formal sobre o assunto, muitos católicos já faziam parte da associação e a “diáspora” dos católicos e jacobitas ingleses foi crucial para espalhar a Franco-maçonaria na Europa continental. Ela chegou a se tornar, em alguns lugares, tão popular entre os católicos que o Rei Francisco I da Áustria serviu de protetor formal da instituição.

Mesmo assim, a Igreja se converteu na maior inimiga das lojas maçônicas. Entre o Papa Clemente XII, em 1738, e a promulgação do primeiro Código de Direito Canônico, em 1917, oito papas ao todo escreveram condenações explícitas à Franco-maçonaria. Todas previam a mais estrita pena eclesiástica para quem se associasse: excomunhão automática reservada à Sé Apostólica.

Mas o que a Igreja entendia, e entende hoje, por Franco-maçonaria? Que características fizeram com que ela merecesse uma tal condenação?

É comum ouvirmos dizer que a Igreja se opôs à Franco-maçonaria por causa do caráter supostamente revolucionário ou sedicioso das lojas. Está relativamente difundida a ideia de que as lojas maçônicas eram células essencialmente políticas para republicanos e outros reformistas, e a Igreja se opunha a elas para defender o velho regime absolutista, ao qual ela estava institucionalmente atrelada. No entanto, embora a sedição política eventualmente se sobressaísse na oposição da Igreja à Maçonaria, essa não era, em hipótese alguma, a razão originária de sua rejeição. O que Clemente XII denunciou originalmente não era uma sociedade republicana revolucionária, mas um grupo que propagava o indiferentismo religioso: a ideia de que todas as religiões (e nenhuma delas) têm igual validade, e que na Maçonaria estão todas unidas para servirem a um entendimento comum e mais elevado da virtude. Os católicos, como membros, deveriam colocar sua adesão à loja acima de sua pertença à Igreja. Em outras palavras, a proibição rigorosa da Igreja devia-se não a motivos políticos, mas ao cuidado com as almas.

Desde o princípio, a preocupação primária da Igreja foi a de que a Maçonaria submete a fé de um católico à da loja, obrigando-o a colocar uma fraternidade secularista fundamental acima da comunhão com a Igreja. A linguagem legal e as penalidades aplicadas nas condenações à Franco-maçonaria eram, na verdade, muito similares àquelas usadas na supressão dos albigenses: a Igreja vê a Franco-maçonaria como uma forma de heresia. Ainda que os próprios ritos maçônicos contenham um material considerável que pode ser chamado de herético — e até de explicitamente anticatólico, em alguns casos —, a Igreja sempre esteve muito mais preocupada com a filosofia geral da Franco-maçonaria do que com a ostentação de seus rituais.

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a Igreja Católica e o seu lugar de privilégio no governo e na sociedade de muitos países europeus tornaram-se objeto de crescente oposição secular e até mesmo de violência. Existem, é verdade, poucas evidências históricas — se é que as há — de que as lojas maçônicas tenham desempenhado um papel ativo no início da Revolução Francesa. De qualquer modo, a causa dos horrores anticlericais e anticatólicos da Revolução pode ser encontrada na mentalidade secularista descrita pelas várias bulas papais que condenam a Maçonaria. As sociedades maçônicas foram condenadas não porque pretendessem ameaçar as autoridades civis e eclesiásticas, mas porque uma tal ameaça, na verdade, constituía a consequência inevitável de sua existência e crescimento. A revolução era o sintoma, não a doença.

A coincidência de interesses entre Igreja e Estado, e o ataque a elas empreendido por sociedades secretas revolucionárias, foram mais claros nos Estados Papais da Península Itálica, onde a Igreja e o Estado eram uma só coisa. Assim que começou o século XIX, ganhou notoriedade uma imitação da Franco-maçonaria, de caráter revolucionário explícito e oposição declarada à Igreja: eles se chamavam de Carbonari (“carbonários”, palavra italiana para “carvoeiros”) e, em sua campanha por um governo constitucional secular, praticavam tanto o assassinato quanto a insurreição armada contra os vários governos da Península Itálica, sendo identificados como uma ameaça imediata à fé, aos Estados Papais e à própria pessoa do Pontífice Romano.

A ligação entre a ameaça passiva da filosofia secreta maçônica e a conspiração ativa da Carbonária foi explicada na Constituição Apostólica Ecclesiam a Jesu Christo, do Papa Pio VII, promulgada em 1821. Mesmo tratando e condenando a oposição aberta e declarada dos Carbonari à governança temporal dos Estados Papais, ainda assim era claro que a mais grave ameaça colocada por essas células violentamente revolucionárias era a sua filosofia secularista.

Ao longo de todas as várias condenações papais à Franco-maçonaria, mesmo quando as lojas financiavam ativamente campanhas militares contra o papa, como fizeram com a conquista de Garibaldi e a unificação da Itália, o que sempre constituiu a primeira objeção da Igreja à Loja foi a ameaça que ela representava à fé dos católicos e à liberdade da Igreja de agir em sociedade. O fato de os ensinamentos da Igreja serem minados nas lojas, e a sua autoridade em matéria de fé e moral ser questionada, era repetidamente descrito como uma conspiração contra a fé, tanto nos indivíduos quanto em sociedade.

Na encíclica Humanum Genus, o Papa Leão XIII descreveu a agenda maçônica como sendo a exclusão da Igreja da participação em assuntos públicos e a perda gradual de seus direitos como um membro institucional da sociedade. Durante o seu tempo como papa, Leão escreveu um grande número de condenações à Franco-maçonaria, tanto no âmbito pastoral quanto no âmbito legislativo. Ele sublinhou em detalhes o que a Igreja considerava ser a agenda maçônica, agenda esta que, lida com um olhar contemporâneo, ainda é de uma relevância surpreendente.

Ele se referiu especificamente ao objetivo de secularizar o Estado e a sociedade. Ressaltou em particular a exclusão do ensino religioso das escolas públicas e o conceito de que “o Estado, que deve ser absolutamente ateu, tem o inalienável direito e dever de formar o coração e os espíritos de seus cidadãos” ( Dall’Alto dell’Apostolico Seggio, n. 6). Também denunciou abertamente o desejo maçônico de tirar da Igreja qualquer forma de controle ou influência sobre escolas, hospitais, instituições de caridade públicas, universidades e qualquer outra associação que servisse ao bem comum. Também deu um destaque específico ao impulso maçônico de repensar o matrimônio como um mero contrato civil, promover o divórcio e apoiar a legalização do aborto.

É praticamente impossível ler esta agenda e não reconhecer nela a base de quase todo o nosso discurso político contemporâneo. O fato de muitos de nossos principais partidos políticos, se não todos, apoiarem tranquilamente essas ideias, e o próprio conceito de Estado secular e suas consequências sobre a sociedade ocidental, incluindo a pervasiva cultura do divórcio e a disponibilidade quase universal do aborto, tudo isso é uma vitória da agenda maçônica. E isso levanta questões canônicas muito sérias sobre a participação católica no atual processo político secular.

Ao longo de séculos de condenações papais à Franco-maçonaria, era normal que cada papa incluísse nomes de novas sociedades que compartilhavam da filosofia e da agenda maçônicas e que, por isso, também deveriam ser entendidas pelos católicos, nos termos da lei canônica, como “maçônicas”. No século XX, isso chegou a incluir partidos políticos e movimentos como o comunismo.

Quando o Código de Direito Canônico foi reformado, após o Vaticano II, o cânon específico que proibia os católicos de aderirem a “seitas maçônicas” foi revisado. No novo código, promulgado em 1983 por São João Paulo II, a menção explícita à Franco-maçonaria foi retirada completamente. O novo cânon 1374 refere-se somente a associações “que maquine[m] contra a Igreja”. Muitos entenderam essa mudança como um indicativo de que a Franco-maçonaria não mais era considerada má aos olhos da Igreja. Na verdade, os membros do comitê responsável pela reforma esclareceram que eles queriam se referir não apenas aos franco-maçons, mas a muitas outras organizações; a conspiração da agenda secularista maçônica tinha-se espalhado para tão além das lojas que continuar usando um termo abrangente como “maçônico” seria confuso. O então Cardeal Ratzinger emitiu um esclarecimento da nova lei em 1983, no qual deixou claro que o novo cânon havia sido formulado para encorajar uma interpretação e uma aplicação mais abrangentes.

Dado o entendimento cristalino, no ensinamento da Igreja, do que a conspiração ou a agenda maçônica incluem — a saber, o matrimônio como um mero contrato civil aberto ao divórcio à vontade; o aborto; a exclusão do ensino religioso das escolas públicas; a exclusão da Igreja do provimento de bem-estar social ou do controle de instituições de caridade —, parece-nos impossível não perguntar: quantos de nossos partidos políticos no Ocidente não estariam agora sob a proibição do cânon 1374? A resposta talvez não agrade muito aqueles que querem ver um fim para a chamada “guerra cultural” dentro da Igreja.

Mais recentemente, o Papa Francisco tem falado repetidas vezes de sua grave preocupação com uma infiltração maçônica na Cúria e em outras organizações católicas. Ao mesmo tempo, ele alertou contra a Igreja se tornar uma mera ONG em seus métodos e objetivos — perigo que vem diretamente dessa mentalidade secularista a que a Igreja sempre chamou “filosofia maçônica”.

A infiltração maçônica na hierarquia e na Cúria tem sido tratada há muito tempo como uma espécie de versão católica do “bicho-papão” embaixo da cama, ou da paranoia macarthista com infiltrados comunistas. De fato, quando se conversa com pessoas que trabalham no Vaticano, rapidamente se descobre que, para cada dois ou três que riem dessa história, há pelo menos um que deparou diretamente com esse fato. Eu mesmo conheço pelo menos duas pessoas que, durante o tempo em que trabalharam em Roma, foram abordadas para se associarem. O papel das lojas maçônicas como ponto de encontros confidencial para pessoas com ideias e agendas heterodoxas mudou pouco desde a França pré-revolucionária até o Vaticano de hoje. 300 anos após a fundação da primeira Grande Loja Maçônica, o conflito entre a Igreja e a Franco-maçonaria nunca esteve tão vivo.

(Via Pe. Paulo Ricardo)

O misterioso Homem do Sudário, reconstruído em 3D: assim era Jesus?

Lucandrea Massaro / Redação da Aleteia | Mar 28, 2018

Arrepiante: “Consideramos que finalmente estamos diante de uma imagem precisa de como era Jesus nesta terra”, diz o cientista responsável

Estaremos diante de uma reconstituição do corpo real de Jesus Cristo?

“Esta estátua é a representação tridimensional do Homem do Sudário, em tamanho natural, feita com base em medidas milimétricas tomadas do pano em que o corpo de Cristo foi envolvido após a crucificação”.
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Quem explica é Giulio Fanti, professor de medições mecânicas e térmicas na Universidade de Pádua e estudioso da relíquia, uma das mais enigmáticas e apaixonantes do mundo cristão (e também do mundo incrédulo). Com base em suas medições, o professor fez a reconstituição em 3D que, a seu ver, permite afirmar que essas são as reais características do Cristo crucificado.

“Consideramos que finalmente estamos diante de uma imagem precisa de como era Jesus nesta terra. A partir de agora não será mais possível retratá-lo sem levar em conta este trabalho”.
O professor concedeu à revista italiana Chi a conversa exclusiva em que afirmou:

“Segundo os nossos estudos, Jesus era um homem de extraordinária beleza. Longilíneo, mas muito robusto, tinha 1m80 de altura, quando a altura média naquele tempo era de cerca de 1m65. E tinha uma expressão real e majestosa” (cf. Vatican Insider).

Mediante os estudos e a projeção tridimensional, Fanti pôde também computar as numerosas feridas no corpo do Homem do Sudário:

“No Sudário eu contei 370 feridas de açoites, sem considerar as laterais, que o pano não revela porque envolveu apenas a parte anterior e a posterior do corpo. Mas podemos supor pelo menos 600 golpes. Além disso, a reconstrução tridimensional permitiu observar que, na hora da morte, o Homem do Sudário pendeu para a direita, porque o ombro direito foi deslocado de modo tão grave que lesou os nervos” (cf. Il Mattino di Padova).

As perguntas envoltas no mistério do Sudário são desafiadoras. Mais informações científicas e históricas podem ser encontradas acessando-se este artigo.

É notório que, nesse homem torturado, vemos sinais inquestionáveis de sofrimento. Os olhos da fé enxergam nele o homem por excelência, aquele que foi apresentado pela arrepiante frase “Ecce Homo”, “Eis o homem”; aquele que foi visto manso e majestoso diante de Pilatos, mas que sofreu terrível flagelação, espancamentos, coroação de espinhos, subida ao Calvário carregando aos ombros a própria cruz, crucificação como inocente e morte pela nossa redenção.

 

Acreditar na autenticidade do Sudário não é obrigatório para nenhum cristão. Mas o carácter excepcional daquele pano fúnebre e seus séculos e séculos de mistério fascinante e desafiador provoca o nosso entendimento e as nossas certezas, tal como fez aquele Nazareno que desafiou as nossas certezas ao amar os seus perseguidores, a perdoá-los do alto da cruz e derrotar a morte para sempre.