Adolescência sem sexo: um debate necessário

Por Cristina Graeml

[24/01/2020] [14:05] 

Trago aqui um tema para reflexão: adolescência sem sexo e a importância de nós, adultos, discutirmos isso sem dar margem à paixão ideológica ou à polarização política.
Temos abordado o assunto em muitas reportagens na Gazeta do Povo (a imprensa toda está cobrindo). Estranhamente, o tema virou alvo de uma gigantesca polêmica, quando não deveria. A saúde física, mental e emocional de adolescentes deveria ser motivo de união, jamais de discórdia.
Há vários pontos importantes nessa discussão. Primeiro é preciso olhar para a questão legal, o que a legislação brasileira entende por adolescente. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) descreve a adolescência como o período que vai dos 12 aos 18 anos de idade. A partir do 12.° aniversário, portanto, a criança brasileira já é considerada adolescente. Seria o momento de começar a vida sexual? Aos 12 anos?

O Código Penal responde, em seu artigo 217-A. Lá está escrito que “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos é crime de estupro de vulnerável”, com pena de reclusão de 8 a 15 anos.
Então tem uma faixa da adolescência (de 12 a 14 anos) que fica protegida pela lei, mas desprotegida pelos costumes, já que a pressão para o jovem perder a virgindade é constante neste país onde letras e coreografias de funk vulgarizam o sexo e seriados de TV ou vídeos do YouTube banalizam o amor, o casamento e a família.
Quando se fala em abstinência sexual de adolescentes, o foco não está nos jovens que já estão mais perto da fase adulta, mas nesses de 12 ou 13 anos, que acabaram de sair da infância e ainda não têm maturidade para lidar com o sexo e tudo que ele pode ocasionar, inclusive gravidez.
Motivos da polêmica
O assunto veio à tona após uma fala da ministra Damares Alves, que costuma ser muito criticada sempre que menciona algum tema da área de costumes. Ela disse publicamente que estudava uma forma de incluir a sugestão da abstinência sexual nas campanhas de prevenção à gravidez na adolescência. Bastou isso para o mundo vir abaixo.
Já de cara teve gente insinuando que o governo ia parar de distribuir camisinhas, preservativos femininos ou pílulas anticoncepcionais e suspender campanhas pelo sexo seguro, mas nada disso foi dito pela ministra.

O que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos propõe a partir de agora é trazer o tema da abstinência sexual na adolescência como uma alternativa. O próprio Ministério da Saúde, que é o responsável pela distribuição de métodos contraceptivos para os estados (que depois distribuem para os municípios para que cheguem aos postos de saúde e sejam entregues à população) esclareceu que nada mudaria.
Declarações em jornais e nas redes sociais acusaram o governo de querer tirar direitos dos adolescentes, quando a ideia é justamente o oposto: garantir aos brasileiros de 12 a 18 anos o direito à informação de forma mais completa, para que tenham a opção de escolher entre fazer ou não sexo nessa fase da vida. Isso é garantir o direito a uma adolescência segura, sadia, saudável, como está previsto na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente – leis que, aliás, chamam a sociedade para agir em conjunto com o Estado. Então nenhum de nós, adultos, pode se omitir em relação a proteger crianças e adolescentes seja lá do que for, que dirá de gravidez precoce e indesejada.
Por fim apontaram que o Estado é laico e que esta é uma discussão religiosa. Não é. É de saúde pública, o que fica provado nas estatísticas.
Estudos que justificam a discussão sobre o tema
Dados de 2018 da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil é o campeão na América Latina em número de adolescentes grávidas. Aqui a média é de 68,4 bebês nascidos para cada grupo de mil adolescentes de 15 a 19 anos, quando a média latino-americana é de 65,5 e a mundial, de 46.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, nos últimos 20 anos 13,2 milhões de crianças e adolescentes engravidaram no país e a gravidez precoce foi responsável por 20% das mortes de adolescentes do sexo feminino.

O dado mais assustador, porém – que fez a ministra Damares Alves abraçar a causa -, é o do Observatório da Família (ONF), órgão de pesquisa do próprio ministério, vinculado à Secretaria Nacional da Família. O levantamento mais recente do ONF indica que, na média, os meninos brasileiros estão iniciando a vida sexual aos 12 anos e 9 meses e as meninas, aos 13 anos e 7 meses. Não é apenas cedo demais. É dentro da faixa etária em que sexo é considerado crime pela lei penal. Quem vai dizer isso pra eles?
Com certeza não é o funkeiro, nem o roteirista ou os atores do seriado de sucesso. É preciso que representantes do governo e da sociedade civil organizada digam, como reforço ao que as famílias e a escola já deveriam estar fazendo. Quanto mais se falar no assunto mais fácil vai ficar a conversa com os adolescentes e mais rico o papo entre eles.
Esta semana eu conversei com o teólogo Nelson Ferreira Neto Júnior, pai de duas meninas, ex-pastor e ex-terapeuta que há dez anos começou um trabalho de orientação para relacionamentos saudáveis e felizes especificamente com jovens e adolescentes. Ele sugere o mesmo que a ministra Damares: que meninos e meninas podem escolher esperar uma idade mais madura para perder a virgindade. Nelson vem sendo ouvido por multidões (500 mil já assistiram às suas palestras e 7 milhões o seguem nas redes sociais, onde a discussão segue através de postagens sugeridas por uma equipe de médicos e psicólogos voluntários do Instituto Eu Escolhi Esperar). Você pode conhecer a experiência e os resultados clicando aqui ou no vídeo acima, em que eu conto tudo isso e parte da conversa que tive com o Nelson Júnior.”

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Não, Jesus não era socialista

Não há nenhuma passagem no Novo Testamento que defenda a caridade governamental ou interferência do Estado na vida dos cidadãos.

Por Lawrence W. Reed

A afirmação de que Jesus Cristo era socialista se tornou um refrão comum entre os progressistas e até mesmo entre alguns cuja fé é, na melhor das hipóteses, morna. Mas há alguma verdade nisso?
A pergunta não pode ser respondida sem uma definição clara do que é o socialismo. Há um século, o socialismo era definido como a tomada, pelo governo, dos meios de produção. Jesus jamais sugeriu qualquer coisa parecida nem apoiou isso. Mas a definição de socialismo mudou ao longo do tempo. Depois que as críticas de economistas como Ludwig von Mises, F. A. Hayek e Milton Friedman acabaram com qualquer defesa intelectual do socialismo original e a realidade provou que eles estavam certos, os socialistas passaram a usar outra definição: o planejamento centralizado da economia.
Quem vasculhar o Novo Testamento não vai encontrar nenhuma palavra de Jesus pedindo que se dê poder aos políticos e burocratas para que eles distribuam recursos, escolham os vencedores e perdedores, digam aos empresários como administrar seus negócios, imponham salários mínimos e preços máximos, estimulem a sindicalização dos trabalhadores ou paguem impostos. Quando os fariseus tentaram manipular Jesus de Nazaré a fim de que ele apoiasse a sonegação de impostos, ele inteligentemente deixou para os outros decidirem o que pertence ao Estado, dizendo: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Ainda assim, uma das acusações que levou Jesus à crucificação foi mesmo a sonegação de impostos.
Mudando a definição
Com a reputação dos que defendem a economia centralizada no lixo em todo o mundo, os socialistas passaram a dar uma nova ênfase ao termo: o Estado de bem-estar social. O socialismo de Bernie Sanders e de sua aliada, a jovem Alexandria Ocasio-Cortez, diz respeito ao Estado-babá benevolente e igualitário, no qual se cobre um santo para descobrir outro. Ele se caracteriza por várias “coisas grátis” dadas pelo governo — coisas que, claro, não são nada grátis. Pelo contrário, elas são bastante caras, tanto em termos de custos burocráticos quanto na dependência desmoralizante que ele gera entre os beneficiários. Era isso o que Jesus tinha em mente?
Duvido. Sim, em meio às festas de fim de ano, é oportuno pensar na ajuda aos pobres. Afinal, essa era uma parte muito importante da mensagem de Jesus. Como essa ajudada é dada, contudo, é uma questão mais importante.
As Escrituras dizem para os cristãos amarem, orarem, serem caridosos, servirem, perdoarem, serem fieis, adorarem a Deus e aprenderem e amadurecerem em espírito e caráter. Todas essas coisas são muito pessoais. Elas não requerem políticos, medidas públicas, burocratas, partidos ou programas governamentais.
“Os pobres estarão sempre com vocês, e vocês podem ajudá-los sempre que quiserem”, diz Jesus em Mateus 26:11 e Marcos 14:7. As palavras-chave aqui são “podem” e “quiserem”. Ele não diz: “Vamos obrigá-los a ajudar, querendo ou não”.

Em Lucas 12:13-15, Jesus ouve um pedido de partilha. “Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança”, pede um homem. Ao que Jesus responde: “Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?”. Daí ele repreende o homem por sua inveja.
O cristianismo não tem a ver com dar dinheiro ao governo quando se trata de amenizar o sofrimento dos pobres. Cuidar deles, o que significa ajuda-los a superar a pobreza, e não pagar para que eles permaneçam pobres, tornando-os dependentes do Estado, é um fato essencial na vida do verdadeiro cristão há mais de 2.000 anos. A caridade cristã, voluntária e sincera, é algo bem diferente das ordens obrigatórias e impessoais do Estado.
O que dizem as Escrituras?
Mas não acredite só em mim. Pense no que o Apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 9:7: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.
Já na Parábola do Bom Samaritano, o viajante é considerado “bom” porque ajuda um moribundo à beira da estrada com seu tempo e recursos. Se em vez disso ele tivesse dito para o pobre coitado esperar pela ajuda do governo, provavelmente o conheceríamos hoje como “O Inútil Samaritano”.
Jesus claramente considerava a compaixão um valor necessário, mas não conheço nenhuma passagem do Novo Testamento que sugira que a compaixão é um valor a ser imposto pela força ou ameaça – em outras palavras, por políticas socialistas.

Os socialistas gostam de dizer que Jesus desprezava os ricos, citando dois momentos específicos: a expulsão dos vendilhões do Templo e a fala de que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino do Céu. No primeiro caso, Jesus estava furioso com a violação da casa de Deus. Na verdade, ele nunca expulsou um comerciante de um banco ou mercado. No segundo, ele estava alertando para o perigo das tentações que acompanham as grandes riquezas.
Esses são alertas contra a escolha equivocada das prioridades, e não mensagens da luta de classes.
Gerar riqueza – e não redistribuí-la – é uma virtude
Na Parábola dos Talentos, Jesus fala de um homem dá toda a sua riqueza a três servos por algum tempo. Quando ele volta, fica sabendo que um dos servos cuidou da sua parte enterrando-a, outro pôs o dinheiro para circular e o multiplicou e o terceiro investiu e teve o maior retorno de todos. Quem é o herói dessa parábola? O terceiro homem, que gerou riqueza. O primeiro é repreendido e sua parte é tirada e dada ao terceiro.
Isso não parece socialismo, não é?
Da mesma forma, na Parábola dos Trabalhadores na Vinha, a história defende virtudes capitalistas, não socialistas. Quando alguns trabalhadores reclamam que outros ganham mais, o patrão defende o direito ao contrato voluntário, à propriedade privada e a lei da oferta e demanda.

Na época do Natal e ao longo de todo o ano, Jesus quer que sejamos generosos na ajuda aos necessitados. Mas, se você acha que isso quer dizer que os políticos têm de agir com poder de polícia a um custo duas vezes maior e com metade da eficiência da caridade privada, você não está lendo o mesmo Novo Testamento que eu.
Lawrence W. Reed é presidente emérito da Foundation for Economic Education.

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E a liberdade de expressão?

O recente episódio judicial envolvendo o grupo “Porta dos Fundos” ilustra como a “liberdade de expressão” tem servido para atacar a verdade e fazer com que o vil pareça belo, a estupidez vire ciência e a canalhice se confunda com o humor.
Prestem bem atenção nestas palavras: “Os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação”. Apesar de tão atuais, elas foram escritas em 1970 pelo jornalista católico Gustavo Corção, que observava atônito a decadência aviltante dos ditos “intelectuais”, cujas ideias ganhavam cada vez mais espaço na mídia.

Na última semana, a polêmica sobre o “Especial de Natal” produzido pelo grupo Porta dos Fundos ganhou mais um capítulo dramático: a Justiça concluiu que, sim, é possível zombar do cristianismo, é legítimo tripudiar sobre a fé de milhões de cidadãos brasileiros. Pecado mesmo é a “censura”, a “intolerância”, o “fundamentalismo”. Dêem-se, pois, aos zombadores palcos, microfones, holofotes e prêmios. Não importa quão medíocre seja o conteúdo. Eles possuem todos os meios de comunicação.

“Os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra.”
No fundo, essa celeuma diz respeito a um problema sério acerca da “liberdade de expressão”, sob cujo pretexto não só os membros do Porta dos Fundos, mas uma porção de gente se esconde para dar vazão ao que quer que lhe dê na telha. Eles insultam o bom senso. Sim, mas e a liberdade de expressão? Eles agridem a honra e a dignidade alheia. Sim, mas e a liberdade de expressão? Eles espalham mentiras e defendem criminosos. Sim, mas e a liberdade de expressão? Aos poucos, tal balbúrdia vai deixando o imaginário das pessoas confuso e incapaz de distinguir a realidade da fantasia, o certo do errado, a verdade da mentira, o belo do feio, o digno do indigno.

Notem, por exemplo, o que aconteceu recentemente à escritora J. K. Rowling. A autora de Harry Potter, que sempre defendeu bandeiras liberais, acabou provando do próprio veneno ao querer, até que enfim, defender uma coisa óbvia: que o sexo biológico é real. No fim das contas, ela viu seu legado ameaçado pela milícia do gênero, que passou a considerá-la uma “transfóbica”. É isso mesmo. Rowling, que já defendeu a homossexualidade do personagem Dumbledor, é agora a mais nova inimiga do movimento gay. Pecknold, articulista do Catholic Herald, resumiu assim a questão: “Uma vez que os ideólogos de gênero não têm ao seu lado a verdade, eles continuarão procurando bruxas — e livros — para queimar”.

A situação parece ridícula, mas põe a descoberto as consequências de uma liberdade mal entendida. É claro que todo ser humano tem o direito de expor suas ideias em matéria de cultura, esporte, política, religião etc. Porém, esse direito deve ter limites, responsabilidades, compromissos. Do contrário, a própria liberdade fica doente pelo engano, e o homem vira refém da mentira.

“Porventura dirá alguém que se podem e devem espalhar livremente venenos ativos, vendê-los publicamente e dá-los a tomar, porque pode acontecer que, quem os use, não seja arrebatado pela morte?”, perguntava o Papa Gregório XVI a quem defendia “o direito de trazer-se à baila toda espécie de escritos” (Mirari vos, n. 11). E o que é, senão lixo e veneno, o que grande parte da livre imprensa tem dado de beber todos os dias às nossas famílias? É ou não é verdade que as estações de rádio, os canais de televisão e a internet estão cheios de materiais baixos, que ofendem a dignidade humana? 

O que é, senão lixo e veneno, o que grande parte da livre imprensa tem dado de beber todos os dias às nossas famílias?
Sem dúvida, temos de concordar com a denúncia de Pio IX na encíclica Quanta Cura: esses homens “não pensam nem consideram que com isso pregam a liberdade de perdição, e que, se se dá plena liberdade para a disputa dos homens, nunca faltará quem se atreva a resistir à Verdade” (n. 3). Mais de um século após a publicação desse documento, temos visto a consumação do que Bento XVI chamou “a ditadura do relativismo”, isto é, a negação contumaz da verdade para fazer valer um falso “pluralismo de ideais” e uma errônea “liberdade de expressão”. Sim, eles se atrevem a resistir à verdade e, com isso, escravizam toda a população sob a tirania da opinião dominante, da imprensa marrom e da ideologia política.

Não, senhores, a Igreja não defende nenhuma espécie de AI-5. Ela apenas adverte seus filhos de que veneno é veneno. Ou seja, a mentira não pode gozar dos mesmos privilégios da verdade, não pode ser considerada digna de atenção e prestígio, não deve ser aplaudida e ostentada como “coroa de glória”. E por um motivo muito simples: quando o mentiroso se converte em herói, é o honesto que se torna vilão. Isso é tão claro e óbvio que mesmo o escritor Machado de Assis, que por muitos é tido como ateu, soube reconhecer a necessidade da encíclica de Pio IX e louvá-lo por sua coragem: “O débil velho não se assusta; toma friamente a pena e lança contra o espírito moderno a mais peremptória condenação. É positivamente arriscar a tiara”.

Eles se atrevem a resistir à verdade, e, com isso, escravizam toda a população sob a tirania da opinião dominante.
Mas o “espírito moderno” não deu ouvidos ao “débil velho”, não quis ouvir a sabedoria dos avós, preferindo lançar-se às novidades do último charlatão. E agora temos o vil como arte, a estupidez erigida em ciência e a canalhice convertida em humor. Tudo em nome da “liberdade de expressão”. Para completar o espetáculo do Porta dos Fundos, só lhe faltava alguém insano o suficiente (que não, não era cristão) para desferir o golpe que o tornaria “mártir”. É provável que o grupo ganhe o próximo Emmy por isso. Porque, no fim das contas, “em toda a parte os malvados andam soltos”, diz o salmista, “porque se exalta entre os homens a baixeza” (11, 8).

Jornais do país todo logo se apressaram a associar o atentado à sede do Porta dos Fundos aos “cruéis cristãos” que não sabem rir de uma piada. Mais uma mentira. Já rimos muito com as críticas duras de O Auto da Compadecida e não deixamos de reconhecer a importância de um filme como Spotlight. O próprio senhor Porchat, membro do grupo, sempre se sentiu muito seguro para zombar daqueles que ele insiste em atacar dia sim, dia também. “Eu, por exemplo, não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer! Não quero que explodam a minha casa só por isso”, já declarou ele.

Em 1970, Gustavo Corção concluía sua crônica de modo melancólico, profetizando que, diante da onda liberal, uma nova leva de autores pseudointelectuais surgiria futuramente, e ainda mais obstinada em seus erros. “De repente, em certo ângulo da história, mercê de algum gás novo na atmosfera, ou de algum fator ainda não deslindado, os idiotas amanheceram novos e confiantes”, lamentava. E, de fato, ele tinha razão.

Padre Paulo Ricardo

Os úteros das mulheres e as togas dos magistrados

A partir do momento em que o ventre materno passa a abrigar uma nova vida humana, o útero deixa de ser um assunto privado para ser de interesse de toda a sociedade.

Equipe Christo Nihil Praeponere

15 de Novembro de 2018

“A mulher não é um útero a serviço da sociedade”. Foi com uma frase rasteira dessas que um conhecido ministro do Supremo Tribunal Federal voltou a defender esta semana um suposto “direito” das mulheres a abortar os próprios filhos.

Ora, que a mulher não seja o próprio útero é algo tão óbvio quanto ela não ser o seu esôfago, o seu coração ou o seu cérebro. A parte não é o todo, sim; mas “o todo sem a parte não é todo” também. Cada órgão exerce a sua função e tem a sua importância no corpo humano. Se o esôfago ajuda na alimentação, o coração bombeia sangue para todo o corpo e o cérebro comanda todas as atividades do organismo, o útero, por sua vez, abriga novas vidas. A diferença é que o esôfago, o cérebro e o coração são comuns a todo ser humano, ao passo que o útero — e com ele a maternidade — é privilégio das mulheres, e de ninguém mais.

Mas o que a humanidade deveria ver — e durante muito tempo realmente viu — como um privilégio é visto por esse ministro como um fardo. Por isso, não espanta que ele defenda justamente o oposto da maternidade: ao invés de dar a vida, as mulheres deveriam ter o direito de “dar a morte” a seus filhos; ao invés de dá-los à luz, seria a hora de dá-los “às trevas”, por assim dizer.

Dito neste termo, o argumento soa estranho, para não dizer maluco. Mas é a única forma de descrever o aborto como ele realmente é. Não se trata apenas de um debate sobre o útero feminino, sobre uma pars viscerum matris, isto é, sobre uma “extensão” do corpo da mulher. Estão em jogo aqui os direitos fundamentais de outra pessoa, e é o próprio ministro defensor do aborto que admite o fato em seu discurso. A partir do momento em que o ventre materno passa a abrigar uma nova vida humana, o útero deixa de ser um assunto privado para ser de interesse de toda a sociedade.

Não sem razão o aborto consta na seção de crimes contra a vida do Código Penal, ao lado do homicídio, do infanticídio e do auxílio ao suicídio. (Todos os termos com o radical “cídio”, do verbo latino occido, querem dizer “matar”.) Não sem razão a nossa Constituição Federal, da qual os ministros do STF deveriam ser “guardiões” (cf. art. 102, caput), diz com todas as letras que é inviolável o direito à vida (cf. art. 5.º, caput). Ora, se uma simples lesão corporal, aos olhos do Direito, merece ser punida por representar uma agressão não só contra um indivíduo, mas contra a sociedade em geral, quanto mais um ato como o aborto, que dá fim nada menos do que à vida de outrem!

Mas se as leis humanas reconhecem que ninguém pode matar, por que falar, então, de um “direito ao aborto”? Se o próprio ministro em questão reconhece que há um “conflito de direitos” envolvido aqui, como entender que ele não defenda o valor fundamental de todo o ordenamento jurídico e lhe sobreponha, ao invés, um suposto direito à “autonomia individual da mulher”, que nem na Constituição está escrito? Desde quando a “autonomia” de uma pessoa pode trucidar (literalmente, neste caso) a vida de outra? Se a liberdade de uma mulher é um valor superior à vida do nascituro, o que impede outra mãe de matar seu filho recém-nascido, ou mesmo qualquer um de matar, e sair impune por isso?

A resposta é simples. O aborto é um direito porque o ministro assim o quer (e, poderíamos acrescentar, “depois da investidura, ele não deve satisfação a mais ninguém”). Ponto e acabou: é o império do voluntarismo de toga. Para adaptar-se às ideias de um juiz, à sua visão de Direito, à utopia feminista que ele mesmo criou, todos os entraves no caminho se transformam, por um passe de mágica, em instrumentos a seu dispor. A Constituição não fala de direito fundamental à autonomia da mulher? Extraiamo-lo, pois, de uma interpretação livre do texto constitucional. O Código Civil fala de direitos do nascituro? Submetamo-los a outro direito, que nós mesmos inventamos, sob o pretexto de aplicar um malfadado princípio de “proporcionalidade”. O Código Penal criminaliza o aborto? Não pode ser, é inconstitucional! A interpretação que eu mesmo fiz da Constituição prova que o aborto tem de ser descriminado…

Rumo a essa ideia, que só existe na cabeça de um magistrado que se crê acima de tudo e de todos, caminha à força uma nação inteira. O juiz que é contra os úteros “a serviço da sociedade” usa uma toga a serviço de sua própria causa ideológica… e ninguém tem nada com isso.

Tchau, moral! Adeus, virtude!

O ser humano não consegue viver sem um critério de como agir. Como o homem moderno rejeitou o cristianismo herdado de seus antepassados, restou-lhe apenas uma opção: eliminar a moral e a virtude da vida pública e substituí-las por simulacros.

David G. Bonagura Jr.

Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

14 de Novembro de 2019

Faz muito tempo que nossa nação renunciou ao ensino da moralidade [1]. Hoje, a palavra “moral” é pouco pronunciada, pois foi substituída por “valores”, um termo mais subjetivo e agradável aos ouvidos do que seu predecessor, que evoca padrões objetivos e um comportamento ordenado. A sorrateira mudança para “valores” ocorreu quase sem esforço depois que forças seculares expulsaram Deus de nossos sistemas escolares e da esfera pública.

Compreende-se melhor a moral quando uma ordem estabelecida confere a ela uma finalidade, e essa necessidade durante muito tempo foi suprida pela crença no Deus criador de um universo ordenado. Ora, não é de admirar que o comportamento humano tenha sofrido desvios preocupantes, uma vez que secularistas proeminentes passaram a negar a existência de qualquer finalidade no mundo ou na vida humana.

Hoje, a palavra “moral” é pouco pronunciada, pois foi substituída por “valores”.
Agora a sociedade secular está presa numa armadilha criada por ela mesma. Por um lado, defende com ferocidade o direito de um indivíduo a “definir seu próprio conceito de existência, de sentido, de universo e do mistério da vida humana”, segundo as infames palavras do juiz Anthony Kennedy [2]. Se uma pessoa quiser matar um bebê in utero, redefinir o matrimônio ou remodelar sua sexualidade, nenhuma lei ou instituição poderá impedi-la. 

Por outro lado, deve haver um código para regular o comportamento até certo ponto, a fim de evitar a anarquia. Portanto, no lugar da moral, que (aliada ao seu outro complemento esquecido: a virtude) outrora moldou o comportamento humano adequado desde dentro, os secularistas impõem leis externas para regular nosso comportamento a partir de fora.

Essas leis são de dois tipos: leis de consentimento e de controle. 

Atualmente, as leis de consentimento governam as relações sexuais, e agora que o matrimônio não é mais o território adequado para a sexualidade, elas têm se tornado cada vez mais necessárias. Sendo o consentimento o único padrão, os atos sexuais já não podem mais ser considerados certos ou errados. A única coisa que importa é saber se as partes envolvidas estão de acordo com o ato. A sexualidade humana é hoje governada por decisões subjetivas de indivíduos, e não por padrões objetivos preservados por uma ordem criada. Isso explica por que atualmente todo tipo de atividade sexual é permitido. Em nosso mundo secular, só pode haver crime quando uma pessoa não está de acordo com tal atividade. 

A sexualidade é hoje governada por decisões subjetivas, e não por padrões objetivos preservados por uma ordem criada.
Leis de controle não limitam uma pessoa, mas uma situação, tal como a competência para possuir uma arma ou aumentar o preço do aluguel. Naturalmente, sempre houve leis desse tipo, e elas não são más em si mesmas. Porém, a versão atual delas se tornou imperativa para secularistas que, por causa de seus princípios, não podem dizer a uma pessoa como viver de acordo com a moral.

Consequentemente, a única alternativa deles é controlar situações potenciais, limitando a oportunidade que uma pessoa tem para prejudicar outra. Pela lógica secularista, não podemos ensinar a um homem o mandamento: “Não matarás”. Em vez disso, temos de dizer: “Não possuirás uma arma”. Negligencia-se discretamente o fato de as leis de controle serem uma imposição da vontade de uma pessoa sobre outra.

Em nosso mundo secular, há apenas uma forma de proteger os seres humanos de ações escandalosas: uma lei externa que obriga a pessoa a obedecer ou a sofrer as consequências. Se as pessoas aderissem aos padrões de consentimento e controle, viveríamos em harmonia. Ao menos é o que se espera. 

Na tradição católica, em contrapartida, a lei e as consequências penais são o último recurso para reprimir uma conduta imoral. Segundo essa tradição, há muitas ações imorais em si mesmas, para além da violação de consentimento. Sem dúvida alguma, o código moral cristão, tal como a lei civil, contém diversas formas negativas: “Não farás [isto ou aquilo]”. Não obstante, essas normas fazem parte de uma visão mais ampla a respeito do sentido da vida humana e, consequentemente, do modo como os seres humanos devem e não devem se comportar. 

Na tradição católica, a lei e as consequências penais são o último recurso para reprimir uma conduta imoral.
Em vez de simplesmente coagir a vontade, tal como o faz a lei civil, o código moral cristão recorre ao intelecto, persuadindo-nos a aceitar como verdadeira uma visão a respeito da maneira como deveríamos viver. A obediência a esse código também tem uma recompensa positiva: a vida eterna com Deus no Céu. A lei civil subsiste para reprimir aqueles que rejeitam esse código.

A moralidade cristã se fortalece ainda mais quando as pessoas religiosas se esforçam para adquirir virtudes, ou o hábito de realizar boas ações. Tornamo-nos virtuosos ao realizar atos de virtude repetidas vezes, enraizando-os em nosso próprio ser. Pessoas realmente virtuosas não dependem mais de proibições negativas porque estão sempre motivadas a fazer a coisa certa em todas as situações. Pessoas virtuosas atingem um nível ainda mais elevado quando amam Nosso Senhor Jesus Cristo. Então, escreve São Paulo: “Se vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a Lei… Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gl 5, 18.22-23).

Além da moral, nosso mundo secular descartou também a virtude, já que esta também implica um modo correto de viver. Em seu lugar, temos hoje campanhas de autoestima e exortações insípidas em prol da amabilidade. Essa defesa é bem-intencionada, mas é ineficaz porque carece de um fundamento razoável que explique por que as pessoas deveriam agir desta ou daquela maneira. O apelo não é direcionado ao intelecto, nem mesmo à vontade, mas às emoções, o que equivale a edificar a própria casa sobre a areia.

Pessoas virtuosas não dependem mais de proibições negativas porque estão sempre motivadas a fazer a coisa certa.
O ensino da moralidade e da virtude não é — nem jamais foi — uma garantia de que todas as pessoas se tornarão santas e jamais agirão de forma equivocada. Porém, o ensino delas aumenta a probabilidade de os indivíduos escolherem viver de forma íntegra, porque eles recebem de três fontes (as virtudes, a moral e a lei), e não apenas de uma, a motivação para agirem assim. Quando reduzimos nossas defesas, nos tornamos mais vulneráveis ao ataque.

Não podemos esperar que a lei civil faça o trabalho realizado outrora por uma ordem moral razoável e por uma formação virtuosa do caráter. O experimento norte-americano [3] deu certo porque essas coisas estavam presentes durante a formação do país e em sua expansão, mesmo antes da chegada do primado do direito a algumas localidades anteriormente instáveis. A rejeição da moralidade e da virtude pela América secular pode bem ser o passo que arruinará nosso grande experimento.

Notas

O autor fala desde os Estados Unidos. Mas, de modo geral, as considerações feitas por ele se encaixam como uma luva também em nossa situação (Nota da Equipe CNP).
Anthony Kennedy foi, até 2018, juiz associado da Suprema Corte dos Estados Unidos, função equivalente à dos ministros de nosso Supremo Tribunal Federal (Nota da Equipe CNP).
Como já dito, o autor fala a partir do lugar onde vive. A expressão “experimento norte-americano” (em inglês, the American experiment) faz referência a um conjunto de ideias que orientou a independência dos Estados Unidos em 1776, e que pode ser encontrado principalmente nos escritos dos chamados “pais fundadores” dos EUA (os Founding Fathers). À parte, porém, essa particularidade, o que aqui vai escrito se aplica perfeitamente bem a qualquer sociedade. Nenhuma nação pode prosperar, no verdadeiro sentido do termo, se não estiver edificada sobre “uma ordem moral razoável” e “uma formação virtuosa do caráter” (Nota da Equipe CNP).

A conversão de Chopin

“Enquanto houver suspiro de vida há esperança“. Esta frase do nosso Fundador, Eudes, sempre nos leva a lançar um olhar de esperança pela salvação de todos os homens. Estes dias, li a história da conversão de Chopin, que aconteceu em seu leito de morte, e desejo aqui compartilhar esta história, a história de Amor de Deus pelo homem. Deus , que não deixa de esperar a voltar de seus filhos para casa. 

Frédéric Chopin © YouTubeFrédéric Chopin © YouTube Padre Paulo Ricardo | Nov 11, 2019

A graça de Deus o tocou no momento decisivo de sua vida, transformando sua morte no mais belo concerto jamais composto por ele

No dia 17 de outubro de 1849, falecia o compositor e pianista franco-polonês responsável pela renovação da sonoridade do piano romântico: Frederic Chopin (1810–1849).

Sua arte sobre-humana, melancólica e apaixonada é bem resumida pelas belas e comoventes palavras que o Venerável Papa Pio XII dirigiu a um grande grupo de poloneses em Roma, no dia 30 de setembro de 1939:

Há em cada um de vós um pouco da alma de vosso imortal Chopin, cuja música extrai de nossas pobres lágrimas humanas, de modo tão brilhante, uma alegria profunda e inesgotável. Se a arte humana pôde realizar tantas coisas, quanto mais habilidosa não deve ser a arte de Deus em aliviar a tristeza de vossas almas? [1]

Mais recentemente, o Papa Bento XVI elogiou Chopin com as seguintes palavras: “Que a música desse famoso compositor polonês, que contribuiu de forma tão significativa para a cultura da Europa e do mundo, aproxime de Deus aqueles que a escutam e ajude-os a descobrir a profundidade do espírito humano” [2].

A vida interior de Chopin teve três fases: a educação em Varsóvia numa família católica devota, o afastamento da Fé e da prática religiosa durante sua carreira relâmpago em Paris (sua principal residência, desde 1831 até os seus últimos dias de vida) e o movimento de retorno a Deus pouco antes da morte.

Os pais de Chopin, Nicolau (um emigrante francês) e Justina (primeira professora de piano dele e de Ludovica, sua irmã mais velha), jamais falharam em relação à honra e à responsabilidade de transmitir a Fé aos filhos. Numa carta escrita em meados de março de 1842, Justina assegura que ela e o marido estavam próximos dele por meio da oração, mesmo durante o período que esteve em Paris, o mais feliz e ativo de sua carreira musical: “Esqueceste, meu querido filho, que teus velhos pais vivem apenas para ti e rezam todos os dias para que Deus te abençoe e proteja.”

Mas foi em Paris que sua fé definhou e sua vida ficou mais atormentada. Muitos de seus novos amigos eram “homens e mulheres sem princípios, ou melhor, de maus princípios” [3]. Sequer algumas mulheres lhe serviram de consolo — especialmente a escritora romântica George Sand, uma “devoradora de homens”, que o conheceu em 1836 e, depois de divergências de ideias e de personalidade, abandonou-o em 1847.

Sua já delicada saúde, particularmente em função das cada vez mais graves e frequentes infecções nos pulmões, enfraqueceu-o bastante nos seus últimos anos de vida. Um dos mais ilustres representantes da emigração polonesa, o padre Alexandre Jelowicki, amigo íntimo de Chopin, esteve próximo do músico em seu leito de morte. O próprio sacerdote viria a relatar detalhadamente o retorno de Chopin à sua antiga fé [4].

O padre Alexandre se aproveitou do humor adocicado do compositor para conversar com ele sobre sua querida mãe Justina, uma boa cristã. “Sim”, disse Chopin, “para não ofender minha mãe eu receberia os sacramentos antes de morrer, mas não tenho por eles a consideração que desejas. Compreendo a bênção da confissão como o alívio de um coração pesado por meio de uma mão amiga, mas não como um sacramento. Estou pronto para me confessar contigo se desejares, porque te amo, não porque considero isso necessário”. Mas o sacerdote não desesperou da graça, que parecia estar próxima.

Na noite de 12 de outubro de 1849, o médico do músico, convencido de que Chopin faleceria muito em breve, chamou o padre Alexandre, que foi correndo ao encontro dele. O moribundo apertou a mão do médico, mas pediu que ele fosse embora; garantiu que o amava, mas não quis falar com ele.

No dia seguinte, festa de São Eduardo, o Confessor, no martirológio tradicional, o padre Alexandre celebrou a Missa pelo repouso da alma de seu irmão Eduardo, morto com um tiro em Viena durante os motins de 1848, e rezou pela alma de Chopin. Ele voltou ao leito do músico e recordou-o de que aquele era o dia do onomástico de seu irmão, a quem o músico tanto amava. “Ó, não falemos sobre isso”, lamentou o moribundo. “Caríssimo amigo”, continuou o sacerdote, “deves me dar algo pelo dia do onomástico de meu irmão”. “O que devo te dar?” “Tua alma.” “Compreendo. Aqui está ela; toma-a!”

O músico segurou o crucifixo que lhe fora oferecido pelo padre Jelowicki; professou a fé em Cristo que sua mãe lhe ensinara e recebeu os sacramentos que o prepararam para se encontrar com o Deus vivo. Seu sofrimento durou quatro dias, mas ele se resignou, teve paciência e às vezes até sorria. O sacerdote escreveu:Advertising

Ele abençoou seus amigos e, quando — depois de uma crise que aparentava ser a última — viu a si mesmo rodeado pela multidão que dia e noite enchia seu quarto, perguntou-me: “Por que eles não rezam?” Ao ouvir essas palavras, todos se ajoelharam e até os protestantes se uniram às ladainhas e orações pelo moribundo.

Estas foram algumas das últimas palavras de Chopin: “Sem ti, meu amigo, eu teria morrido como um porco!” [5]. Ele invocou os nomes de Jesus, Maria e José, agarrou o crucifixo, apertou-o junto ao coração e disse, agradecido: “Agora me encontro na fonte da bem-aventurança!” Num apartamento no número 12 da Place Vendôme em Paris, onde hoje funciona uma joalheria, às duas da manhã de uma quarta-feira, 17 de outubro de 1849, Chopin, o rebelde, morreu aos 39 anos de idade. “Assim morreu Chopin”, concluiu padre Jelowicki, “e na verdade sua morte foi o mais belo concerto de sua vida” [6].

Publicado pelo site Padre Paulo Ricardo 

Referências

  1. The Catholic Northwest Progress, Seattle, WA, 6 de outubro de 1939, p. 3.
  2. Insegnamenti di Benedetto XVI, VI, 1, 2010, Libreria Editrice Vaticana, p. 284.
  3. J. Huneker, Chopin: The Man and His Music, New York: C. Scribner’s Sons, 1918, p. 79.
  4. Huneker, op. cit., 78-84.
  5. Wierzynski, The Life and Death of Chopin, New York: Simon and Schuster, 1949, p. 412.
  6. Huneker, op. cit. pp. 83-84.

Passei um ano como homem trans. Os médicos me deixaram na pior

Sydney Wright era uma adolescente lésbica perdida que achou que mudar de sexo resolveria todos os seus problemas.| Foto: Sydney WrightSydney WrightThe Daily Signal

[12/10/2019] [12:04]

Não consigo ficar em paz com o que fiz a mim mesma nos últimos dois anos, muitos menos com a “ajuda” que alguns profissionais da saúde me deram. Há dois anos, eu era uma menina linda e saudável perto de me formar no ensino médio. Em pouco tempo, me transformei no pesadelo pré-diabético e obeso de um homem transgênero.

Não vou culpar apenas os profissionais da saúde, porque eu deveria ter adivinhado. Mas eles certamente me ajudaram muito a fazer mal a mim mesma — e ganharam muito dinheiro fazendo isso. Eis minha história.

Desde a infância, sempre fui diferente das outras meninas. Eu usava roupas de menino e brincava com brinquedos de meninos. Eu era a clássica “menina-moleque”. À medida que eu crescia, comecei a me interessar amorosamente por outras meninas. Na verdade, à exceção de um menino no ensino médio, só namorava meninas.

Na época, você não saberia, só de olhar para mim, que eu era gay. Eu tinha cabelos louros compridos, usava maquiagem e me comportava femininamente. Mas, na minha cabeça. Eu sabia que era gay — embora eu fosse uma gay cheia de ódio por mim mesma. A verdade é que eu não gostava de gays e não queria ser associada a eles. Ainda assim, lá estava eu, saindo apenas com meninas.

Aos 17 anos, meus pais passaram por um longo processo de divórcio e eu estava morando com meu pai. Foi quando ele descobriu que eu estava namorando meninas. Ele imediatamente me expulsou de casa, dizendo que ou eu mudava ou caía fora. Sem muita escolha, fui morar com minha mãe.

Pouco depois disso, cortei meus cabelos — uma decisão que irritou meu pai e minha mãe. Mas o que aconteceu em seguida irritou ainda mais a mim. Aos 18 anos, comecei a ver várias “histórias de sucesso” de homens transgêneros no Instagram. Os homens trans falavam que sempre sentiram que havia algo de “estranho” com eles e que os outros não percebiam que eles tinham sido do sexo oposto depois da transição. As histórias pareciam ter um final feliz — o que me deu inveja.

Eis-me aqui recebendo olhares de reprovação por andar de mãos dadas com minha namorada em público, sendo que estava sendo constantemente julgada por todos, enquanto os transgêneros podiam namorar parceiros do mesmo sexo tendo a aparência do sexo oposto. Eu me ressentia disso e comecei a invejar os transgêneros. Eu queria aquilo para mim mesma.

Um caminho rápido rumo à transição

Tudo o que eu lia era a favor da transição. Infelizmente, eu não achei nenhum artigo sobre o arrependimento dos transgêneros ou sobre os graves problemas de saúde decorrentes da transição. Os artigos só mencionavam que a transição faria de você uma pessoa corajosa e que seria bom para você.

Esforcei-me ao máximo para encontrar livros que discutissem o assunto com um olhar crítico e me expondo a opiniões opostas, mas só consegui encontrar autores pró-transgênero. Diante disso, a minha conclusão foi óbvia: se todos os “especialistas” defendiam a transição, por que não passar por ela?

Todos os dias eu me via como uma “sapatão” horrível, uma coisa não natural, uma lésbica. Odiava essa imagem e preferia ser um homem namorando meninas. Então procurei no Google o que teria de fazer para passar pela transição e virar um homem. O primeiro passo foi encontrar um terapeuta que escrevesse uma carta de recomendação a fim de que eu começasse a tomar hormônios masculinos.

Encontrei rapidamente uma terapeuta que disse que me ajudaria, e disse a ela que queria começar a tomar hormônios no meu aniversário de 19 anos, que seria dali a cinco semanas. Ela exigia apenas uma sessão de uma hora por semana. Não é tempo o bastante para se conhecer alguém. Mas aquelas cinco horas me renderam uma carta de recomendação que me abriu as portas para o mundo da terapia hormonal e permitiu que eu me transformasse num “homem”. Ela também me ajudou a mudar meu “sexo” na minha carteira de motorista. Agora entendo que a rapidez disso tudo foi um problema. Se a terapeuta tivesse ido mais devagar e sido mais cuidadosa, ela teria percebido que eu não era realmente trans.

Mas, nessa época, eu via os vídeos promocionais. Estava convencida de que meu gênero é que estava “errado” e a terapeuta me orientou por todo o processo e fez com que eu sentisse que precisava mesmo de uma mudança de sexo. Meus amigos também me encorajavam a passar pela transição. “Você é uma menina linda”, diziam. “Você será um menino lindo também!”. Outros tinham medo de dizer que eram contra. Afinal, estávamos em 2017. Nunca sofri reprimendas de ninguém.

Claro que na realidade eu não era menino, mas ouvir o contrário era a última coisa de que eu precisava. Eu estava simplesmente insegura quanto a ser um tanto quanto masculina e lésbica em público. Minha terapeuta nunca tentou se sentar comigo e descobrir o que estava acontecendo. Ao contrário, ela me fazia perguntas como “quando você começou a se sentir assim?” e “por que você se sente assim?” Ela nunca tentou impedir que eu passasse pela transição.

O golpe que me marcou para sempre

Assim que recebi minha carta de recomendação, fui a um médico em Atlanta para passar pelo que se revelou como o pior tratamento da minha vida. O médico veio e perguntou se eu tinha alguma pergunta. “Estou um pouco nervosa”, eu disse. “Você quer fazer isso?”, perguntou ele. “Sim”, eu disse. Ao que ele respondeu: “Certo. Onde está sua carta de recomendação?”

Eu lhe entreguei a minha carta, mas ele não a abriu — nem para ver se era mesmo legítima. Ele disse: “Vou lhe dar uma receita de testosterona”. Aquilo me surpreendeu — eu achava que ele mesmo faria a aplicação. “Não é o senhor quem vai me dar a injeção?”, perguntei. Ele, então, sugeriu sarcasticamente que eu voltasse para Roma, na Geórgia (uma viagem de quatro horas), comprasse o hormônio e voltasse para o consultório a fim de que ele me desse a injeção.

Aquilo não fazia sentido, e ele sabia disso. “Mas não sei como aplicar”, disse. “Não há como errar”, respondeu ele. Ele me disse para ir para casa e aprender. Ele sugeriu que eu assistisse a um vídeo do YouTube.

Isso realmente me deixou com medo. Eu deveria ter percebido que aquilo era um sinal de que o médico não se importava, que era tudo um plano para ganhar dinheiro. A abordagem displicente dele demonstrava que ele tinha certeza de que não seria considerado responsável pelas consequências do tratamento. Mas, naquele momento, eu ainda estava perdida. Achava que a transição poderia me transformar numa pessoa “normal”. Infelizmente, não era isso o que me aguardava.

Destruindo meu próprio corpo

As injeções de hormônios masculinos começaram a fazer efeito, mas não da forma como eu esperava. Comecei a ganhar mais e mais peso. Minha pele começou a ficar inchada e a perder a cor. Meu sangue começou a ficar espesso. O consultório médico me submetia a exames de sangue a cada três meses e os exames disseram que eu era agora pré-diabética — algo que era uma novidade para mim.

O médico responsável por minha transição disse para eu não me preocupar, mas achei melhor consultar outro médico e obter uma segunda opinião. Ele disse que, por causa do sangue mais espesso, eu corria o risco de sofrer um ataque cardíaco ou um derrame. Eu me submeti a isso por quase um ano. Ao longo deste tempo, ganhei 25 quilos e fui a pessoa mais triste do mundo. Nenhum dos problemas que eu achava que isso resolveria foram resolvidos e eu me tornei uma pessoa com ainda menos autoconfiança do que antes. Comecei a me arrepender.

Mas infelizmente eu estava presa. Já tinha declarado a todo mundo que eu era aquilo. Tinha mudado meu gênero e tinha obrigado as pessoas a aceitarem isso e a me chamarem por meu novo nome: Jaxson. No trabalho, os homens tinham que aceitar que a colega, ante mulher, usasse o mesmo banheiro que eles.

Todos pisavam em ovos ao meu redor — e as pessoas aceitavam tudo caladas, por medo do que poderia acontecerem se demonstrassem contrariedade. (Afinal, já havia empregadores sendo processados por esse tipo de coisa). Ninguém era capaz de dizer que o que eu estava fazendo era errado ou “ei, acorde!”. Umas poucas almas corajosas no trabalho tentaram me perguntar “você tem certeza?” e “por que você não pensa melhor nisso?”

Enquanto isso, minha mãe chorava todos os dias por conta do que eu estava fazendo comigo mesma, ao mesmo tempo em que se culpava por aquilo. Por fim, um dia meu avô se sentou comigo para conversarmos. Ele era e ainda é a única pessoa com cuja opinião eu me importo. Com lágrimas nos olhos, ele me pediu para parar com aquilo.

Tudo em mim queria continuar com o processo — não porque eu realmente quisesse, e sim por orgulho. “O que as pessoas vão pensar?”, eu me perguntava. Eu tinha obrigado todos a aceitarem a transição. Se eu de repente a abandonasse, o que eu diria aos outros? Essas perguntas me consumiam. E ali estava meu avô, o homem que eu mais respeito no mundo, implorando para que eu parasse, em meio a lágrimas. Eu simplesmente não podia lhe dizer “não”.

Foi minha salvação. Eu teria deixado que o tratamento me matasse antes de admitir que fizera algo de errado. A intervenção dele salvou minha vida. Então decidi abandonar a transição — e abandonei de uma só vez, sem nem ir ao médico de novo. Mas infelizmente nada era tão simples assim.

Menos de duas semanas depois de parar com o tratamento hormonal, a síndrome de abstinência bateu forte. Em pouco tempo eu caí no chão, gemendo, chorando, vomitando, incapaz de manter qualquer coisa no estômago e de comer. Estar doente todos os dias era exaustivo. Fui ao hospital três vezes e passei por dois procedimentos para que os médicos descobrissem o que estava acontecendo comigo. Meus hormônios estavam desequilibrados e eu estava péssima.

Da última vez em que fui levada para a emergência, estava tomando banho quando de repente tive uma síndrome de abstinência. Chamei minha mãe, que teve de dirigir por meia hora para me tirar do chuveiro e me levar ao hospital. Achei que não conseguiria chegar lá viva.

Antes de a emergência me dar um sedativo, implorei que minha mãe os obrigassem a me internar. “Vou morrer se voltar para casa ou se sair daqui”, eu disse. Ela e eu ficamos sentadas, chorando, até que eu desmaiei por causa dos sedativos que me deram. Achei que não fosse sobreviver.

Por fim, a esperança

Depois de quatro meses cansativos ficando doente todos os dias e perdendo 25 quilos, finalmente voltei a ter uma vida seminormal. Hoje estou mais estável, mas meu corpo leva consigo as cicatrizes da terapia de mudança de gênero. Minha voz ainda é grossa e eu pareço um homem. Hoje estou mil dólares mais pobre por causa dos custos, embora isso tenha sido uma fração do que o seguro-saúde pagou.

E, por causa daquela carta que dizia que sou irreversivelmente homem, minha carteira de motorista agora diz que sou “homem”. Terei de me apresentar num tribunal para provar que sou mulher. Ainda assim, sou grata por ter saído desse caminho horrível viva e antes de ter meu corpo mutilado.

Para mim, é uma loucura que a nossa sociedade permita que isso aconteça aos jovens. Aos 18 anos, eu não tinha idade nem para comprar álcool, mas tinha idade o bastante para procurar um terapeuta e tomar hormônios para trocar de sexo. Isso está acontecendo a jovens vulneráveis mais novos do que eu, e os adultos não estão nem aí.

Quando você entra nessas clínicas, não vê pessoas mais velhas ao seu redor. São meninos e meninas brincando de usar roupas do sexo oposto, levadas lá por pais que não sabem o que estão fazendo, esperando por consultas que provavelmente arruinarão suas vidas.

Espero que eu não seja a única a perceber o problema disso. Nossa cultura criou uma autoestrada para a transição de gênero que resultará apenas em corpos cheios de cicatrizes e vidas destruídas — e a comunidade médica é cúmplice. Eu estive pessoalmente com esses médicos e lhes dei meu dinheiro. Posso dizer que eles não se importam.

Essa é uma crise de saúde pública que nossa imprensa e os políticos ignoram completamente. Cada vez mais jovens estão sendo enganados, ouvindo que a solução para a insegurança e os problemas de identidade deles é a mudança de sexo. Este é simplesmente o pior caminho para um jovem.

Até que façamos algo, até que a comunidade médica crie barreiras e comece a cumprir seu papel — e até que os políticos tenham coragem de agir — veremos mais pessoas assim, com cicatrizes por toda a vida. No mais, espero que minha história sirva como um alerta e poupe algum outro adolescente da agonia e sofrimento pelos quais passei.

Professor admite que fraudou estudos para promover ideologia de gênero: “Eu inventei”

Christopher Dummit diz que não foi o único fraudador nos estudos de gênero e que todo mundo estava inventando (e está).

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO QUILLETTE

ATUALIZADO: QUARTA-FEIRA, 9 OUTUBRO DE 2019 AS 9:59

Christopher Dummitt durante entrevista. (Foto: Reprodução/YouTube)
Christopher Dummitt durante entrevista. (Foto: Reprodução/YouTube)

Christopher Dummitt é um historiador de gênero no Canadá e autor de “O homem moderno: masculinidade nos anos do pós-guerra”. Nos últimos 20 anos, ele tentou provar que não havia sexo, que a identidade sexual era apenas uma construção social baseada no poder, levando à opressão e à desigualdade. Hoje ele admite: “Estava errado e que houve fraude em seus ensinamentos”.

“Se eu soubesse, há 20 anos, que meu lado nas guerras ideológicas sobre gênero e sexo venceria tão decisivamente, eu ficaria em êxtase”, escreve Christopher Dummitt no site Quillette.

Atualmente, ele é presidente do Departamento de Estudos Canadenses da Universidade de Trent, em Peterborough, Ontário.

Ele descreve como os estudos de gênero assumiram os departamentos de história da América do Norte nos anos 90. “Cada um desses campos compartilhava a mesma visão de mundo que eu – que praticamente toda identidade era uma construção social. E essa identidade era toda sobre poder”, observa ele.

Seu zelo por sua posição era incomparável. “Não há nada tão certo como um estudante de pós-graduação armado com uma preciosa experiência de vida e uma grande ideia”, confessa.

Dummitt percebeu que pessoas fora do mundo acadêmico discordavam dele. “Quase ninguém que não havia sido exposto a tais teorias em uma universidade conseguiu acreditar que o sexo era uma construção social, porque essas crenças eram contrárias ao senso comum”.

Mas mesmo ele está surpreso com a velocidade impressionante da reviravolta cultural, usando essa lógica defeituosa.

“Agora minha grande ideia está em todo lugar. Isso aparece especialmente nos pontos de discussão sobre direitos de trans e políticas relacionadas a atletas trans no esporte. Está sendo escrito em leis que ameaçam essencialmente repercussões para quem sugere que o sexo pode ser uma realidade biológica”, observa ele.

Agora ele oferece um “mea culpa” por seu papel nisso, “uma crítica detalhada sobre por que eu estava errado na época e por que os construcionistas sociais radicais estão errados agora. Certa vez, argumentei os mesmos argumentos que eles agora apresentam e, portanto, sei como eles estão enganados.”

Discípulos do engano

Depois que Dummitt terminou seu doutorado em história de gênero, ele publicou um livro sobre o assunto, The Manly Modern, em 2007. Cinco estudos de caso de meados do século XX sobre os aspectos masculinos da sociedade formam o coração do livro.

Agora ele diz que tem vergonha de alguns conteúdos, especialmente dois de seus estudos de caso.

Embora o livro não tenha ganhado nenhum prêmio, logo foi citado por outros estudiosos que escreveram sobre a história da masculinidade.

Ele escreveu outro artigo influente sobre a conexão entre homens e churrasco – também citado por acadêmicos. “Muitos jovens estudantes universitários, primeiro aprendendo sobre a história do Canadá, foram forçados a ler esse artigo para aprender sobre a história de gênero – e a construção social de gênero.

“O problema é: eu estava errado. Ou, para ser um pouco mais preciso, entendi as coisas parcialmente. Mas então, para o resto, eu basicamente inventei”, confessa Dummit.

Mas Dummit não foi o único fraudador nos estudos de gênero. “Todo mundo estava inventando (e está). É assim que o campo dos estudos de gênero funciona”, observa ele.

Em sua postura pública, ele estava zangado e assertivo sobre o que achava que sabia. “Era para esconder o fato de que, em um nível muito básico, eu não tinha provas de parte do que estava dizendo. E é isso que torna tão decepcionante ver que os pontos de vista que eu costumava argumentar com tanto fervor – e com tanta base – agora são aceitos por muitos na sociedade em geral”.

Na pesquisa de Dummitt, ele procurou encontrar uma explicação para a maneira como os canadenses do pós-guerra falavam sobre homens e mulheres. “Eu tinha respostas, mas não as encontrei na minha pesquisa primária. Eles vieram de minhas crenças ideológicas”, observa ele.

Ele diz que seus colegas estudiosos adotaram a mesma abordagem – e ainda o fazem. “Isso é o que era e é: um conjunto de crenças pré-formadas que são incorporadas à penumbra disciplinar dos estudos de gênero.”

“Minha pesquisa não provou nada de qualquer maneira. Apenas assumi que o gênero era uma construção social e procedi nessa base”, conta.

Ele se refere ao mundo isolado da academia como um silo. “Eu nunca me envolvi, pelo menos não seriamente, com alguém que sugerisse o contrário. E ninguém, em nenhum momento dos meus estudos de pós-graduação, ou na revisão por pares, sugeriu o contrário – exceto em conversas, geralmente fora da academia. E, portanto, nunca fui forçado a enfrentar explicações alternativas, de orientação biológica, que eram pelo menos tão plausíveis quanto a hipótese de que eu me vestia com o ar da certeza”, declara.

A certa altura, começaram a surgir dúvidas em seu pensamento. Por quanto tempo a profissão poderia continuar se expandindo simplesmente adicionando mais e mais tipos de opressão? Certamente, em algum momento, a história seria realmente abrangente, ele pensou.

Fraudes

Em 2009, Dummitt publicou um livro com um ensaio intitulado “After Inclusiveness”, afirmando esse ponto. Enquanto muitos em sua profissão admitiram em particular que ele estava certo, ninguém diria isso publicamente.

“Para reiterar: o problema era e é que eu estava inventando tudo. Essas eram suposições educadas que eu estava oferecendo. Eles eram hipóteses. Talvez eu estivesse certo. Mas nem eu, nem qualquer outra pessoa, jamais pensamos em examinar o que escrevi.

Gênero era realmente sobre poder? Para provar seus argumentos em seus escritos, ele citou outros estudiosos que disseram que sim. “Ajudou [o fato de] os nomes deles serem franceses e eles fossem filósofos. O trabalho de um sociólogo australiano, R. W. Connell, também ajudou. Ele argumentou que a masculinidade era principalmente sobre poder… Na realidade, seu trabalho não provou isso; extrapolou plausivelmente a partir de pequenos estudos de caso, como eu havia feito. Então eu citei Connell. E outros me citaram. E é assim que você ‘prova’ que o gênero é uma construção social e tudo sobre poder.”

A bolsa de estudos fraudulenta desenvolvida no ambiente acadêmico e promovida por Hollywood agora está encontrando seu caminho na estrutura política e legal. “Meu raciocínio falho e outras bolsas de estudos que usam o mesmo pensamento defeituoso agora estão sendo adotadas por ativistas e governos para legislar um novo código moral de conduta’, diz.

“Uma coisa era quando eu estava bebendo com colegas de pós-graduação e brigando no mundo inconsequente de nossos próprios egos. Mas agora muito mais está em jogo. Eu gostaria de poder dizer que a bolsa de estudos se tornou melhor – as regras de evidência e a revisão por pares mais exigentes. Mas a realidade é que a atual aceitação quase total do construtivismo social em certos círculos parece mais o resultado de mudanças demográficas na academia, com certos pontos de vista dominando ainda mais do que no meu auge da graduação”, declara.

“Até que tenhamos estudos seriamente críticos e ideologicamente divergentes sobre sexo e gênero – até que a revisão por pares possa ser algo mais do que uma forma de triagem ideológica em grupo -, deveremos ser muito céticos de fato sobre muito do que conta como ‘experiência’ em construção social de sexo e gênero”, defende.

Disforia de gênero

Segundo a psicóloga cristã Marisa Lobo, a confissão de Christopher Dummit não é novidade, pois “a ideologia de gênero é mentira, e aqueles que a defendem inventam e militam social e culturalmente para promover o tema”. Autora de livros que falam sobre o assunto, Marisa diz que é “por isso a que gente vive descontruindo a ideologia de gênero.”

Marisa Lobo diz ainda que eles querem quebrar o paradigma de que homem nasce homem e mulher nasce mulher para contestar religiões e a sociedade, pois querem ter o direito de viver como querem, mas que isso não pode afetar as crianças.

A psicóloga diz que as crianças acabam sofrendo assédio moral, psicológico e acabam sofrendo com doenças mentais. “As pessoas têm o direito de fazer o que quiserem, mas essa interferência na infância está causando uma patologia chamada disforia de gênero. É contra isso que a gente luta”, explicou.

Abortista depõe em caso sobre órgãos fetais: “Alguns desses fetos nasceram vivos”

Um médico que já realizou mais de 50 mil abortos disse que a Planned Parenthood alterava o protocolo para garantir tecidos fetais frescos e intactos.| Foto: Reprodução/ Planned ParenthoodMairead McardelNational Review[04/10/2019] [09:40]3Um médico abortista sentou-se no banco das testemunhas de um tribunal de San Francisco e, surpreendentemente, depôs em nome de dois investigadores pró-vida disfarçados, David Daleiden e Sandra Merritt, que estão sendo processados por fazerem uma gravação secreta de executivos da indústria do aborto falando que eles procuram partes de fetos humanos para vender a pesquisadores.
De acordo com testemunhas, o obstetra-ginecologista dr. Forrest Smith disse à corte que os executivos no vídeo provavelmente alteraram ilegalmente procedimentos de aborto, fazendo com que os bebês nascessem vivos e sujeitando as mães a complicações em sua busca por órgãos fetais mais intactos.
Daleiden, Merritt e a organização que eles comandam, o Centro pelo Progresso Médico, ganharam as manchetes no verão de 2015 depois de terem divulgado horas de vídeos gravados secretamente mostrando executivos da Planned Parenthood e a conferência de 2014 da Federação Nacional do Aborto. Os executivos da indústria do aborto foram flagrados barganhando com os investigadores, que se passavam por representantes de uma empresa de pesquisas que usava tecidos fetais, e admitindo alterar ilegalmente os procedimentos a fim de obterem órgãos fetais mais frescos e intactos, que valem mais para os pesquisadores.

Quando Smith viu Daleiden na televisão, em 2015, ele disse à esposa: “Eu vou destruir esse filho da mãe. Ele está querendo me destruir”, depôs o abortista.
Depois de conhecer Daleiden, contudo, ele chegou à conclusão de que o investigador estava certo quanto ao tráfico de órgãos da indústria do aborto e quanto a outras atividades ilegais e disse até que Daleiden “não sabia nem metade do que estava acontecendo”.
“Não tenho dúvidas de que ao menos alguns dos fetos nasceram vivos”, disse Smith ao tribunal quando lhe perguntaram se os procedimentos de aborto mais agressivos e controversos que os executivos da Planned Parenthood descreviam no vídeo podiam resultar no nascimento de um bebê. “Poucas pessoas no mundo do aborto, fora a Planned Parenthood, fazem isso”.
“Você pode até matar um ser humano, e admito que o aborto é isso”, disse Smith, “mas tem que fazer isso de uma certa forma”.
Smith diz ser “o mais antigo médico abortista em atividade nos Estados Unidos hoje” e diz ter realizado 50 mil abortos.

Daleiden e Merritt são acusados de 14 crimes de gravar informações confidenciais sem consentimento.
De acordo com testemunhas do depoimento, Smith também mencionou a ideia de se pedir que a gestante concordasse em doar os tecidos fetais depois de ela se submeter ao aborto, dizendo que a única opção ética é fazer a pergunta depois do procedimento, de modo que o médico abortista não tenha nenhum incentivo para mudar o procedimento.
O juiz, então, perguntou se Smith estava sugerindo que as mulheres são facilmente manipuladas, ao que Smith respondeu que ele se referiu a “pacientes”, não mulheres.
Minutos mais tarde, Smith disse acreditar que uma mulher grávida é, sim, facilmente manipulável, dizendo que mulheres diante de decisões assim difíceis são muito vulneráveis.
“O dr. Forrest Smith demonstrou uma honestidade heroica ao revelar as mentiras, os eufemismos e os segredos da Planned Parenthood em seu depoimento”, disse Daleiden à National Review. “Suas qualificações como especialista deixam claro que a Planned Parenthood está trazendo crianças à luz em procedimentos de abortos tardios e que empresas que traficam órgãos de fetos matam bebês para tirar seus órgãos”.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/abortista-depoe-em-caso-sobre-orgaos-fetais-alguns-desses-fetos-nasceram-vivos/

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“Houve uma batalha no céu”: a história de São Miguel Arcanjo e os anjos caídos

Redação da Aleteia | Set 28, 2018
O que sabemos sobre o poderoso Arcanjo Miguel, a partir do relato do Apocalipse sobre a queda dos anjos rebeldes capitaneados por Lúcifer

São Miguel Arcanjo é, provavelmente, o mais famoso dos guerreiros de Deus contra o mal, especialmente o mal personificado no anjo rebelde Lúcifer, que optou por afastar-se eternamente do Criador. O que conhecemos sobre essa grande “batalha no céu” é condensado no seguinte excerto de um texto publicado pelo site do Pe. Paulo Ricardo a propósito da Quaresma de São Miguel.


São Miguel e o auxílio dos anjos
De uma forma geral, o nosso relacionamento com os anjos, essas criaturas de Deus, é bastante desleixado: agimos, muitas vezes, como se os anjos sequer existissem. E, no entanto, eles verdadeiramente existem: são uma criação extraordinária de Deus, situada, hierarquicamente, entre o homem e Deus. Eles são puramente espirituais, não têm corpo, mas também estão a serviço de Deus e são muito mais poderosos e gloriosos que os homens, estando alguns ordenados para o auxílio dos seres humanos.

Dispostos em hierarquia, os anjos que estão em contato com os homens são os das miríades inferiores, como, por exemplo, os arcanjos, que constituem o segundo coro angélico. É nesse nível que se encontra São Miguel Arcanjo, cuja celebração acontece no dia 29 de setembro.

São Miguel e os anjos caídos
A história desse arcanjo está ligada ao relato da queda dos anjos. Deus criou-os, antes mesmo da criação do mundo, inseridos, de algum modo, no tempo, e ofereceu-lhes uma ocasião para demonstrar o seu amor. É importante lembrar que, quando Deus criou os anjos, eles não estavam em Sua presença. Ele revelava-se a eles de alguma forma, mas não era um contato face a face, pois isso obstruiria a liberdade angélica: Deus é uma verdade tão atraente que, uma vez contemplada, elimina a capacidade das criaturas de escolher. Então, certa vez, para testar o seu amor, Deus deu-lhes uma provação. Sabe-se disso pela Tradição, mas também pelo ministério dos exorcistas, que expõe que certas ideias são insuportáveis ao demônio, a saber: a encarnação do Verbo divino, o seu aniquilamento na Cruz e, por fim, a posição de primazia de Nossa Senhora entre todas as criaturas. Foi por tais ideias que Lúcifer – um anjo cheio de glória e beleza –, juntamente com um terço dos anjos, decaiu. O relato da batalha travada no Céu por essa ocasião está resumida no livro do Apocalipse de São João:

“Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com eles os seus anjos” (Ap 12, 7-9).

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O relato de um exorcista
O padre exorcista espanhol José Antonio Fortea, no livro “História do mundo dos anjos“, destrincha essa impressionante história, colocando a rica teologia angélica dentro de uma obra literária. Para explicar por que São Miguel, mesmo sendo de uma hierarquia inferior, é aclamado como “príncipe da milícia celeste”, ele coloca na boca de um anjo a seguinte narração:

“Dentre os anjos fiéis a Deus, no meio de todas essas lutas houve um que se destacou. Não se tratava de um anjo superior, mas o seu amor era superior. Foi ele quem manteve mais viva a chama da fidelidade nos piores momentos da batalha, quando tudo estava escuro e parecia que a metade dos anjos iriam se rebelar. Foi destacado no bem e a sua fé iluminou a muitos. Foi ele quem no momento mais escuro, na hora mais terrível no qual as multidões começaram a duvidar, no meio do inicial silêncio geral gritou:

– Quem como Deus!

Foi assim que ficou o seu nome: Mika-El, Miguel. O lutador infatigável e invencível. Miguel continuava a se destacar como guerreiro. A luz do seu veemente amor iluminou a muitos que estavam confusos. O seu amor arrebatador derrubou a muitos que lutavam em favor do erro. Inclusive, aqueles que combatiam com Lúcifer reconheciam que nenhum dardo envenenado com suas razões, poderia penetrar a couraça da sua fé inquebrantável. No meio da dúvida, ele foi imbatível.

Ele é representado com uma couraça, mas ele não portava nenhuma couraça material. Tratava-se de uma couraça espiritual impenetrável às seduções lançadas pelo iníquos. A única arma dele era a espada da verdade, da verdade sobre Deus.

Miguel conhecia melhor a Deus que os inteligentes, porque ele amava mais. Por essa razão, aqueles que foram ao seu encontro, tiveram que recuar” (José Antonio Fortea. História do mundo dos anjos. Trad. Laura de Andrade. São Paulo: Palavra & Prece, 2012. p. 61-62).

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“Miguel conhecia melhor a Deus que os inteligentes, porque ele amava mais”. Mesmo sendo de hierarquia inferior, “o seu amor era superior”. Por isso, venceu as hostes inimigas que, embora tivessem como líder o regente dos coros angélicos, Lúcifer, por seu ódio, “tiveram que recuar”.

Mas, que as pessoas não se enganem, pensando que Deus pode perdoar o demônio. De fato, Ele ofereceu a reconciliação a Lúcifer, no tempo da provação, mas ele a rejeitou total e absolutamente. Ainda do livro de padre Fortea:

“Inesperadamente o onipotente Deus, Senhor de todas as coisas, falou. Dirigiu-se a Satanás. Todos sabiam que eram as últimas palavras que iria lhe dirigir.

‘Filho Meu, volta para Mim. Repito, esta é a última oportunidade. O Teu pecado não é maior que a Minha misericórdia. Fui grande ao criar o Céu, mas é maior Meu perdão. Se retornares e coras as tuas faltas, você será a joia do Céu. A luz da Minha compaixão perfeita resplandecerá em ti. Os milênios te contemplarão e Me glorificarão’.

Quão grande foi o Altíssimo ao lhe perdoar todo o seu mal. ‘Filho Meu, você será a joia da Minha misericórdia. Haverás de brilhar e ficarão atônitos os humanos que virão. Eles te olhando compreenderão que não há pecado que eu não possa perdoar. Você melhor do que ninguém poderá transmitir essa confiança ao caído. Você será um grande pregador, um grande intercessor que ao longo dos séculos me repetirá: se me perdoaste a mim, perdoa ele’.

(…)

O diabo ergueu a cabeça e com toda a frialdade respondeu:

– Jamais! Nunca me ajoelharei!

(…)

No mesmo momento que o Dragão ameaçou em se lançar de novo em direção ao mundo angélico, Miguel o arcanjo, desembainhou a espada e mostrou-a para ele. Satã deu um sorriso e com um gesto de desprezo deu um impulso para se jogar em direção das nuvens de anjos. Miguel, sem duvidar e com um gesto instantâneo, cravou-lhe a espada no coração. A Verdade enterrada no próprio coração do diabo teve um efeito fulminante. O imenso Dragão ficou como com seus pés colados ao chão, como se não pudesse levantá-los nenhum milímetro. Parecia que houvesse batido com um muro, essa espada era como uma muralha de granito” (José Antonio Fortea. História do mundo dos anjos. Trad. Laura de Andrade. São Paulo: Palavra & Prece, 2012. p. 89-90).

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A vida do homem na terra é uma luta. O combate que se travou no Céu continua no mundo dos homens. Invoquemos a intercessão de São Miguel Arcanjo, para que, assim como ele, sejamos destemidos e experimentemos, em nossas vidas, o primado de Deus.